Páginas

janeiro 28, 2026

[Segurança] Emitiu o próprio alvará de soltura e saiu pela porta da frente

Em 20 de dezembro de 2025, quatro detentos saíram pela porta da frente do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Belo Horizonte (MG), após apresentarem ordens de soltura falsas. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os criminosos fizeram uso de credenciais legítimas de acesso para forjar seus alvarás no sistema do CNJ. O líder do grupo era Ricardo Lopes de Araujo, um cibercriminoso conhecido como Dom.

A história de como esses criminosos conseguiram forjar seus alvarás de soltura, enganar o Judiciário e sair da prisão livremente foi contada pelo Alcyon, em seu canal True Hacking:


A liberação irregular dos quatro detentos ocorreu após as ordens judiciais serem inseridas no Banco Nacional de Mandados de Prisão, parte do sistema do CNJ. A partir de lá, a Secretaria de Justiça estadual de Minas Gerais recebeu as informações para a liberação dos detentos do sistema prisional: Ricardo Lopes de Araújo (Dom), Wanderson Henrique Lucena Salomão, Nikolas Henrique de Paiva Silva e Júnio Cezar Souza Silva (que foi recapturado dois dias depois).


A polícia já conseguiu prender novamente pelo menos três deles (não achei notícias sobre a prisão do Nikolas). Dom foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais em 14 de janeiro, no Rio de Janeiro, e sua prisão preventiva foi mantida pela Justiça.

O juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno considerou que as investigações apontam que Dom atua como chefe de uma “organização criminosa sofisticada e estruturada para a prática reiterada de fraudes bancárias e eletrônicas em larga escala e com ataques frontais aos sistemas de justiça”, que “movimentou em curto espaço de tempo, de forma ilícita, aproximadamente R$ 40.000.000,00” (40 milhões de reais!!!), segundo um trecho da decisão do juiz.

O grupo é acusado de usar credenciais (logins e senhas) de juízes para acessar sistemas do CNJ. Essas credenciais são obtidas de forma ilícita. Além da emissão fraudulenta de alvarás de soltura, eles são acusados de explorar o sistema para realizar alteração de mandados de prisão, desbloqueio de valores retidos pela Justiça e liberação de veículos apreendidos.

Ou seja, mesmo antes de ser preso, Dom já era especialista em invadir os sistemas do CNJ para manipular mandatos de prisão. Não é meio óbvio que ele daria um jeito de soltar a si mesmo? rs

Para saber mais:

Nenhum comentário:

Postar um comentário