Segundo notícias publicadas nas últimas horas (veja links no final desse post), o
Banco do Nordeste (BNB) sofreu um ataque cibernético nesta segunda-feira, 26/01, que impactou e causou suspensão temporária da infraestrutura das transações PIX do banco.
Segundo o Convergência Digital, a invasão teria ocorrido "por meio de uma falha em um prestador de serviços, com recursos roubados de uma conta bolsão da empresa terceirizada." O portal também noticiou que os criminosos exploraram uma vulnerabilidades em um PSTI (Prestador de Serviço de Tecnologia de Informação) que atua como intermediário nas operações do banco, e que o valor total dos recursos desviados ainda está sendo contabilizado.
O BNB informou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que não houve vazamento de dados ou prejuízo às contas dos clientes, indicando que o ataque possivelmente foi contra os fundos do próprio banco, conforme o modus operandi que observamos
nos ataques que aconteceram no ano passado.
O portal Convergência Digital classificou esse caso como o "primeiro ataque hacker ao sistema financeiro em 2026", mas infelizmente esse é, pelo menos, o terceiro caso desse ano, e olha que ainda estamos em janeiro!!! Os outros dois casos, que ocorreram bem no início desse mês, há cerca de 2 semanas atrás, não saíram na imprensa, e justamente por isso eu não posso dar os nomes das duas instituições financeiras atacadas. Os dois ataques, contra uma financiadora e um banco de investimentos, envolveram desvios de dezenas de milhões de reais.
Em 29/01 o BNB publicou um
aviso nas redes sociais informando que o PIX havia sido restaurado.
Uma matéria publicada em 14/02 no portal O Bastidor deixou a entender que o golpe no BNB envolveu um ataque à JD Consultores que expôs os certificados digitais que dão acesso a contas de reserva de instituições financeiras clientes da companhia. De acordo com o portal, o prejuízo aos clientes da JD pode chegar à casa das centenas de milhões de reais. Além disso, o Banco Central optou por desconectar a JD do PIX como medida preventiva.
Outra matéria, publicada logo depois dessa primeira, diz que, segundo informações reunidas pelo BC, os criminosos acessaram um servidor de histórico de transações da JD que armazenava certificados digitais de bancos e fintechs que são ou já foram vinculados à empresa. Com isso, o alcance do ataque pode atingir inclusive instituições que hoje operam conectadas diretamente ao Banco Central e não dependem mais de uma PSTI, caso não tenham substituído os certificados após a migração. Assim o BC está sugerindo que todos os clientes e ex-clientes da JD renovem os seus certificados digitais.
No início de fevereiro (04/02), a brasileira VERT Capital informou ao mercado a identificação de um incidente de segurança que impactou operações em determinadas contas correntes de sua plataforma. O evento resultou em movimentações não autorizadas, levando a empresa a acionar imediatamente os protocolos de contingenciamento previstos em seu plano de resposta a incidentes. Como medida preventiva, a companhia realizou o bloqueio das contas afetadas e iniciou uma apuração técnica em colaboração com as instituições financeiras envolvidas. A invasão teria resultado na retirada de cerca de R$ 50 milhões de contas de 18 fundos sob sua administração.
Nesse meio tempo, outra instituição financeira também foi atacada na semana anterior ao Carnaval, mas não posso comentar pois não saiu qualquer notícia na mídia :(
OBS: Segundo o Tecmundo, o ataque ao Banco do Nordeste (BNB) causou um prejuízo de R$ 146,6 milhões. No balanço de resultados do primeiro trimestre de 2026, divulgado pela instituição na semana de 14 de maio, o valor aparece como “item não recorrente”. Em 26 de janeiro de 2026, o banco suspendeu as transações Pix após a identificação do ataque hacker. Na ocasião, a instituição afirmou que esta foi apenas uma medida preventiva, que ficou vigente até 29 de janeiro. De acordo com o PlatôBR, que denunciou a invasão, os criminosos entraram nos sistemas do banco por meio de uma falha em um prestador de serviço. Ainda foi possível afirmar que os recursos dos clientes do banco não foram roubados e as transações fraudulentas se originaram de uma conta bolsão da empresa prestadora de serviços.
Para saber mais:
PS: Post atualizado em 29/01 e nos dias 14 e 19/02, em 25/05.
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