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novembro 11, 2021

[Ciber Cultura] Bits e Bytes

No longínquo ano de 1983, a TVOntario (TVO) criou uma pequena série de TV chamada Bits e Bytes, que em apenas 12 episódios explicava os principais conceitos e tecnologia relacionadas aos computadores pessoais para o público leigo, de uma forma bem didática. O programa era muito bem feito, para a época, com explicações claras e bem ilustradas. Em 1991 os mesmos produtores e atores fizeram uma nova versão da série, com 6 episódios.


Eu lembro que esse programa passava em alguma TV brasileira, e eu cheguei a gravar alguns episódios em fita VHS. Mas, felizmente, eu não preciso tentar recuperar essas fitas: o pessoal criou um canal no YouTube e disponibilizou os vídeos do seriado - que foram disponibilizados pela própria TVOntario.

Vale muito a pena assistir alguns desses 12 episódios originais e clips, e se deliciar com a linguagem simples que eles usaram e, principalmente, matar saudade dos computadores e tecnologias dos anos 80, antes da Internet!


Veja também a página na Wikipedia: Bits and Bytes.

PS: Eu fiquei sabendo dessa pérola graças a newsletter da The Hack :)

fevereiro 28, 2018

[Segurança] Quem é a sua referência mais antiga na área de segurança?

Eu estava jantando há um tempo atrás com o Fábio Assolini e, conversa vai conversa vem, surgiu um assunto aonde nós começamos a nos questionar quem são os profissionais mais antigos da área de segurança aqui no Brasil que conhecemos. Fazendo um rápido parênteses, foi um jantar bem legal, aonde passamos o tempo todo trocando figurinhas sobre o ciber crime, tipos de fraude, ataques a bancos, etc. Até mesmo sobre explosão de caixas eletrônicos nós falamos.

Garimpando o fundo da minha memória, eu lembro que quando eu comecei a me interessar por segurança, aproximadamente em 1996, quando eu era um administrador de sistemas Unix (Sun/Solaris, para ser mais preciso) em um dos primeiros provedores de Internet do Brasil. Esse já era meu segundo emprego em TI e, até então, eu desconhecia o mundo da segurança. Ao contrário de alguns colegas na nossa área, eu não comecei nos canais IRCs nem conhecia os grupos de hackers da época que discutiam invasões e defacements.

Em meus estudos sobre como melhorar a configuração dos servidores que eu administrava, eu descobri o site do Nelson Murilo, chamado Pangeia, que na época talvez fosse a única referência sobre segurança aqui no Brasil. No site havia um check-list de configuração de segurança que eu baixei e utilizei fascinadamente, revisando as as configurações de todos os meus servidores.


Ou seja, o Nelson Murilo já era uma importante referência na área antes mesmo de eu começar a trabalhar com segurança !!!

Eu já acompanhava algumas listas de discussão sobre tecnologia e administração de sistemas, e mais ou menos nessa época, eu assinei uma lista de discussão por e-mail chamada BOS-BR (sigla de "Best of Security - Brasil"), que era gerenciada pelo Thiago Zaninotti, entre outros. A lista era o principal canal de discussão sobre segurança na época e lá eu comecei a conhecer os nomes de algumas outras pessoas que interagiam bastante na lista e hoje também são gurus na nossa área: o Rubens Kuhl, o Fernando Cima (antes dele ir trabalhar na Microsoft, de onde nunca mais saiu), o Alberto Fabiano (se bem me lembro, lá ele usava o pseudônimo "techberto"), o Professor Nelson Brito, e algumas dezenas de outros colegas que agora realmente eu não tenho como lembrar o nome.

Pouco tempo depois, em Março de 2001, o Thiago organizou um evento de segurança em São Paulo, também com o nome de BOS-BR, que até onde eu sei foi o primeiro evento brasileiro de hacking. E eu tive a sorte de estar lá na platéia! Quase 15 anos depois, quando eu e o Alberto Fabiano participamos da criação do Garoa Hacker Clube, ele certa vez me contou que também estava nesse evento!

   

Abrindo um pequeno parênteses, provavelmente o segundo evento de SI que eu conheci foi o CNASI, e depois o SSI no ITA (Simpósio de Segurança em Informática), um evento acadêmico que existiu por alguns anos de 1999 a 2006. Eu achei a agenda da edição de 2003 e o CFP de 2006 ainda disponíveis online!


Nessa época, início dos anos 2000, eu já trabalhava na área de Segurança, tinha passado pela Compugraf aonde conheci vários profissinais (parceiros, clientes e concorretes) que estão aqui até hoje. Eu fui em algumas edições do SSI (provavelmente 3 ou 4 delas) e assisti várias palestras excelentes por lá, inclusive do Marco Kiko Carnut, um dinossauro da Tempest. No SSI de 2004 eu assisti uma palestra bem legal do Dr. Wietse Venema, pai do TCPWrapper e um dos criadores do Satan, e fui dar uma de tiete para tirar foto dele. O TCPWrapper já tinha salvo a minha pele várias vezes!!!


Mais ou menos nessa época, certa vez eu fui em um evento da SUCESU-SP em São Paulo aonde teve uma palestra sobre o mercado de antivírus do André Pitkovisk. Eu lembro que ele falou muitas coisas interessantes e, assim, ele foi minha primeira referência sobre a indústria de antivirus e malwares. Minto, ele foi a minha segunda referência, porque vários anos antes quando começaram a surgir os vírus de computador no Brasil um professor da USP com quem eu tive aula, o Marcos Gubitoso, escreveu um softwarezinho de antivírus que, na época, apagava um ou dois vírus de computador!

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, a Módulo era a empresa de segurança mais conhecida, graças a solução de antivirus que eles tinham chamada Curió. A propósito, sem dúvida nenhuma a Módulo foi escola pra uma quantidade enorme de profissionais de segurança que temos hoje e que trabalharam lá (este não é o meu caso, pois fui cliente do serviços de consultoria deles em duas empresas que trabalhei).

Entre os anos 2000 e 2010 a galera que trabalhava na área de segurança se falava muito pela lista de discussão CISSP-BR, sendo ou não CISSP. A lista tinha muitas discussões técnicas e sobre vários aspectos profissionais, e um dos tópicos mais comuns era o ROI (retorno do investimento) na área de segurança. Ali se formaram várias amizades e era comum marcarmos happy hour frequentemente para juntar a galera, como o Happy Hour da foto abaixo, em 2005, com o Fernando Fonseca, Rafael Hashimoto, Francisco Milagres, Anderson Ramos, a Larissa e o Reginaldo Sarraf, no Hooters que ficava perto da Verbo Divino.


Em 2005 eu e vários amigos criamos um grupo de estudos para a certificação CISSP, que desde então ajudou muitos profissionais a estudadem de forma gratuita e organizada. Estava lá o Sergio Dias, Fernando Fonseca, a Lucimara Desidera e o Wagner Elias, entre outros.



Em 2006 eu fui na minha primeira Defcon, nos EUA, e em 2007 foi minha primeira RSA Conference. Desde então eu fiquei apaixonado pela Defcon e tento ir lá quase todos os anos, mesmo que seja tirando férias e pagando do próprio bolso. Em 2006 éramos poucos brasileiros lá, mas a cada ano a quantidade de Brasileiros que vai na Defcon só aumenta, e já somos tantos que é impossível encontrar todos durante o evento.


Também em 2006 comecei a fazer parte da diretoria da ISSA, aonde por alguns anos nos esforçamos em realizar diversos eventos e atividades gartuitas para o público de segurança. Criamos os ISSA Days, um encontro quase mensal com 2 palestras (uma do patrocinador e uma de um profissional convidado) e por um curto período de tempo (mais ou menos um ano) chegamos a ter uma revista mensal online, batizada de Antebellum. Eu achei aqui a primeira edição dela!

É lógico que, estando há tanto tempo no mercado de segurança, eu tenho uma quantidade gigante de colegas que eu conheço há bastante tempo, que fica até difícil dizer quantos são e há quanto tempo conheço cada um. Eles me ensinaram muita coisa, influenciaram muito a minha carreira. E isso acontece até hoje: estamos constantemente aprendendo.

Este post é uma forma de homenagear a todos os demais colegas e profissionais da área, pois muito do que eu já fiz e aprendi eu devo a essas dezenas de profissionais que tive e tenho como inspiração.

junho 08, 2015

10 anos de Blog

No dia 08 de Junho de 2005 eu fiz meu primeiro post neste blog. Há exatos 10 anos, direto do túnel do tempo !!!


Eu dei uma rápida olhada em alguns dos posts mais antigos e percebi que, em alguns casos, eles citavam sites ou outros blogs que já não existem mais. Não estamos mais na era do conhecimento de papel, aonde um livro pode ser referenciado 10, 100 ou 1000 anos depois. Na Era da Internet, o conhecimento é volátil. Aquele site ou dica de hoje pode não ser mais válido amanhã :(

Eu criei este blog com o objetivo de guardar notas e informações para mim mesmo, mas que ao mesmo tempo pudessem ser compartilhadas com todo o mundo. Este blog é, e sempre foi, uma forma de compartilhar o conhecimento que tenho adquirido no decorrer da minha carreira, inclusive de forma aberta, uma vez que sempre mantive meu blog sob licença Creative Commons que permite o compartilhamento de tudo o que eu publico aqui.

Além disso, nunca tive intenção de entrar na paranóia de conseguir visitantes a qualquer custo, já que esse é um blog que eu faço para mim mesmo, como uma espécie de hobby. Tenho alguns posts mais populares, claro, mas a grande maioria dos meus posts devem ter menos de 100 visualizações. E estou bem contente assim ;)

Um fato interessante é que, desde 2011 eu resolvi ter uma meta pessoal de publicar, em média, 10 posts por mês. Para ajudar a manter esta frequência, desde o ano passado eu comecei a usar frequentemente a idéia de escrever parcialmente algum post e salvar como rascunho, e diversas vezes eu preparo algum post com antecedência e deixo a sua publicação já programada (normalmente as 19h durante a semana). Algumas vezes eu publico com maior ou menor frequência, dependendo do pouco tempo que tenho disponível (que varia em função de carga de trabalho, compromissos pessoais, etc). Assunto mesmo nunca faltou, pois o nosso mercado de segurança é muito intenso e tem novidades diariamente.

O engraçado é que, olhando os posts antigos, eu tenho a sensação e que tenho o Blog há mais tempo. Considerando que tenho quase 20 anos de carreira, eu me arrependo por não ter começado a blogar antes :(

abril 30, 2013

[Cyber Cultura] 20 anos de World Wide Web

Há vinte anos atrás, o CERN publicou a especificação de uma nova tecnologia que revolucionou o mundo: a World Wide Web. Além de criar o conceito, o CERN disponibilizou livremente o software necessário para executar um servidor web, juntamente com um navegador básico e uma biblioteca de código. Isso foi fundamental para a Internet surgir e crescer livremente, alcançando diversas faculdades, instituições governamentais e, em pouco tempo, se espalhando entre empresas e usuários em todo o mundo.

A World Wide Web, seu conceito de páginas, browsers e navegação através por hiperlinks posteriormente motivou o surgimento da Internet que conhecemos hoje.

A tecnologia por trás da World Wide Web foi inventada em 1989 no CERN por Tim Berners-Lee. Ela foi originalmente concebida para permitir a troca de informações entre os cientistas em universidades e institutos de todo o mundo. O primeiro site do CERN, e consequentemente do mundo, foi dedicado ao projeto em si e foi hospedado no computador do próprio Tim Berners-Lee, um NeXT. O site descrevia as características básicas da web, como acessar documentos de outras pessoas e como configurar seu próprio servidor.



Veja mais informações sobre o surgimento da World Wide Web no site do CERN.

Para comemorar a data, o CERN recolocou no ar o primeiro site: http://info.cern.ch/hypertext/WWW/TheProject.html.

Nota: Post atualizado em 02/05/13.

março 15, 2013

[Cyber Cultura] Tem alguém lhe dando uma mão

Um amigo e antigo colega de trabalho, o Hélio Silva, me passou um artigo bem legal que ele escreveu há muitos anos atrás (em 2002), quando ele escrevia uma coluna sobre Linux no site da Info Exame. Nós dois trabalhamos na mesma empresa e, por um tempo, em áreas correlatas, até que nós dois assumimos a responsabilidade de fazer a gestão da infra-estrutura Internet daquela empresa e o Hélio tornou-se meu chefe.

Trabalhávamos em um grande grupo editorial, na época em que a Internet estava nascendo no país. Tínhamos, na ocasião, um conjunto de 32 endereços de rede classe C, se bem me lembro (pois na época o Nic.br dava endereços IP a rodo, e o fim do IPv4 era algo sequer imaginado). Gerenciávamos a disponibilidade do link, os roteadores, o proxy server, o gateway de e-mail (uma bomba ambulante, que fazia a conversão entre o protocolo SMTP padrão e o CC:Mail, uma solução de e-mail da IBM que para a época já era capenga e caía quase que diariamente) e o Firewall, que foi o primeiro Firewall-1 que instalei, na antiga versão 2.1 (super modernoso para a época), rodando em um servidor SUN (sem monitor, para economizar custos). Vários dos servidores rodavam em Linux, algo que causava arrepios nos nossos gestores e sempre éramos obrigados a usar o mesmo argumento para justificar a escolha: "é o mesmo sistema operacional usado pela NASA." Na prática, a escolha era por conta da estabilidade e confiabilidade, em uma época em que servidores Windows rodavam Windows NT. Mas vai explicar isso para um gerente!? É mais fácil falar sobre a NASA...

Não posso deixar de dizer que tudo o que eu aprendi na época deveu-se principalmente a 5 fatores: minha faculdade (IME-USP), de onde obtive experiência como usuário de estações SUN e tive o primeiro contato com os primórdios da Internet; meu primeiro emprego, em uma revenda da SUN, que me ensinou a debulhar estes servidores e me deu a base que precisava sobre UNIX e, consequentemente, Linux; ao Sandro Enomoto, amigo, colega de faculdade e de profissão, que me recebeu nesta empresa e me ensinou o be-a-bá de administração de servidores em um ambiente de provedor de Internet; o Fred (Frederico Neves, do Nic.br), que foi nosso suporte de 2o nível, recebia minhas ligações desesperadas e me ensinou o que era o TCP Wrapper; e ao Luciano Ramalho, meu primeiro chefe nesta empresa e hoje grande amigo e companheiro do Garoa Hacker Clube, que me deu esta oportunidade e também me deu o meu primeiro livro da O'Reilly: "Managing Internet Information Services" (até hoje guardo este livro comigo).

Sem mais delongas, segue uma cópia do pequeno artigo do Hélio, que ele resgatou milagrosamente do site Internet Archive: Wayback Machine:

"Penta-saudações!

Em 1994 eu trabalhava para uma grande organização que, graças a um visionário, passava por um momento de intensa paixão pela descoberta da Internet. Naqueles dias me foi conferida a responsabilidade de cuidar do acesso corporativo à grande rede, herdando uma infra-estrutura já implantada. Quase tive uma síncope quando percebi que o limite entre uma WAN com mais de 2.000 estações e centenas de servidores era tão somente uma máquina 486 sem marca, rondando uma versão beta 1 ponto alguma coisa do Linux.

A intrépida maquininha rodava um proxy Apache e atendia a milhares de requisições simultâneas, operando 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem abrir o bico. Não havia redundância de nada. Se ela parasse um segundo, eu logo descobriria pela freqüência com que meus telefones tocariam. Uma das poucas vezes que isso aconteceu foi quando houve uma limpeza na sala de telefonia, onde essa máquina operava e alguém descuidou-se e...soltou o cabo de força.

Neste tempo eu era zero de Linux, mas contei com a ajuda e a paciência do Kiki, um colega de trabalho que entrou nessa encrenca junto comigo. Ele operava o Linux e, vez por outra, me ensinava um comando ou outro e explicava os fundamentos daquele software misterioso que ali eu aprendi a respeitar.

Todas as semanas a quantidade de usuários aumentava, assim como também aumentavam a quantidade de contas de e-mail. Sim, isso mesmo, além de tudo nossa maquininha era servidor de e-mail para um grupo restrito de usuários. O e-mail corporativo era outro que explico mais adiante.

Com os olhos esbugalhados, já maiores que seus pequenos óculos, o Kiki se assustava quando eu lhe passava os novos pedidos de acesso.

Eu me incumbia das chatices corporativas e ele monitorava e mantinha nossa rede imune a ataques e em operação constante. A chatice corporativa incluía, além das questões burocráticas, um Pentium 133 com o Windows NT que rodava um gateway de e-mail ligando um Lotus cc:mail à internet. A instabilidade do gateway, os constantes paus e a falta de suporte dos fabricantes quintuplicavam meu trabalho e me roubavam noites de sono. Dormia com um olho fechado e o outro mirando o bip sob a cômoda.

Nesse período nefasto, apresentei um bug do software de gateway para o fabricante e recebi uma resposta que jamais esqueceria. Dizia o seguinte: “Nós conhecemos o problema e não vamos resolvê-lo porque não há mais interesse da nossa empresa nesse produto”. Digno de uma moldura e um quadro na parede. Fiquei ali triste e desamparado sem os códigos-fonte do software de gateway, tentando achar um substituto enquanto milhares de usuários, e pior, meus chefes, reclamavam dos problemas. Enquanto isso, o danado do Kiki trocava e-mails com aqueles caras do software livre, fazia updates e correções no Linux que nunca parava.

A estabilidade do Linux chegou a ser mesmo um problema para que conseguíssemos convencer a empresa a fazer um pequeno investimento numa máquina nova e um sistema de firewall mais robusto.

Ali, na escola do desespero, andando no fio da navalha, tinha algo acontecendo que, naquele momento, não conseguia perceber: havia a mão generosa do Kiki e dos eventos me ensinando o novo. Se o NT/gateway não tivesse me roubado tanto tempo, talvez pudesse ter aproveitado mais.

Passados os anos, tomamos rumos e destinos diferentes, Kiki é hoje um especialista em segurança dos mais qualificados, enquanto eu me direcionei para desenvolvimento de aplicações de Internet. Só voltei a me reconciliar com o NT quando desenvolvi, para rodar em um 2000 Server, aplicações pesadas escritas em PHP, que faziam acesso a grandes bancos de dados e que não me tiraram um segundo sequer do meu precioso sono."

janeiro 24, 2013

[Segurança] Arrombadores de Computador

"Piratas dos tempos modernos...
Arrombadores de Computador..."

A reportagem abaixo, do Fantástico em 1993, mostra que naquela época os "hackers" já podiam entrar em sistemas em qualquer lugar do mundo. (aqui tem outro link no YouTube)

Hoje esta reportagem pode até soar engraçada, mas ela não é melhor do que muitas das notícias que vemos até hoje quando se trata de ataques cibernéticos e segurança online. Talvez ela tenha lançado o modelo: mostrar adolescentes invadindo computadores, como se isso fosse a coisa mais fácil do mundo (e, na verdade, nem é tão difícil mesmo) e como se eles fossem causar o fim da civilização. Isso tudo sendo mostrado sem ter uma mensagem clara de conscientização, só mesmo para chamar a atenção. E desde aquela época a imprensa já propagava uma imagem negativa dos hackers.


Mas não dá para negar que há passagens que, pelo passar do tempo, ficaram engraçadas, como quando o repórter chama de "os homens do computador" o pessoal de TI de um colégio aonde estudava um "jovem hacker faltoso". Outras cenas interessantes incluem o pessoal acessando BBS, a cena do vírus que derrubava as letras da tela (o Cascade), e o repórter sendo xingado por um hacker e dizendo que a tela do micro ficou toda bagunçada pois ele "brincou com hacker".

Este vídeo caiu na boca do povo recentemente, quando o site Não Salvo publicou um post com 8 reportagens antigas sobre tecnologia. Vale a pena dar uma olhada :)

outubro 26, 2012

[Segurança] Tokens de autenticação

Mexendo no baú, achei este vídeo promocional de 2008 do Itaú para o lançamento do iToken, o token de autenticação que o Itaú usa desde 2008 como uma forma de proteger melhor o acesso ao Internet Banking.



Estes tokens são muito populares entre os bancos brasileiros e de todo o mundo, e baseados na tecnologia chamada de One Time Password (OTP), pois geram uma senha de uso único. Cada token tem uma "semente" única que é utilizada para gerar uma senha pseudo-aleatória - isto é, é impossível descobrir a senha sem conhecer o algoritmo e a semente que cada token utiliza, mesmo que você conheça uma série de senhas geradas pelo dispositivo. Esta senha de uso único pode ser gerada por tempo ou por evento: a senha é calculada em função do tempo (isto é, o algoritmo que calcula a senha utiliza o horário em que estamos) ou pelo número de vezes que o token é acionado.

A solução comercial mais usada e conhecida de token OTP foi criada pela RSA nos anos 90 (na época, por uma empresa chamada Security Dynamics, que na verdade comprou a RSA no final da década de 90), mas utilizava um algoritmo proprietário. Mesmo assim, existem formas de criar uma solução similar utilizando algoritmos conhecidos. Em 1998 foi publicado um algoritmo na RFC 2289, mas há alguns anos atrás surgiu e se popularizou uma iniciativa da indústria de criar um algoritmo OTP público, chamado Initiative for Open Authentication (OATH). Qualquer pessoa pode ir no site da OATH, pegar a descrição do algoritmo e criar sua solução própria de OTP, que será compatível com as demais soluções que utilizam o mesmo padrão.

maio 27, 2012

[Segurança] Esteganografia

Neste sábado, 26 de Maio de 2012, tive a oportunidade de ir na tosconf[0], um evento bem legal realizado pela primeira vez pelo Laboratório Hacker de Campinas (LHC). O evento foi bem organizado e teve várias palestras interessantes, mas gostaria de destacar neste post uma delas, que falou sobre Esteganografia, proferida pelo Vinícius Berardi.

A palestra foi bem didática e explicou uma das técnicas mais conhecidas de esteganografia, que consiste em esconder mensagens dentro de arquivos de imagens, manipulando os bits que representam as cores de cada um dos pixels que formam uma imagem. Eu achei uma versão desta palestra que o Vinícius apresentou no FLISOL de Campinas:



Esteganografia Com PHP


Esta palestra também me lembrou que há muitos anos atrás eu escrevi um pequeno artigo, bem simples, sobre o assunto, que reproduzo abaixo. Não me lembro exatamente quando escrevi este artigo, que estava publicado em um antigo site pessoal que eu criei no falecido Geocities, mas foi provavelmente em 1999. Eu achei essa pequena preciosidade e faço questão de reproduzir o artigo da mesma forma que ele foi escrito na época, sem nenhuma alteração (somente retirei alguns links a sites que não existem mais; mas preferi não corrigir alguns erros de digitação que achei). Segue abaixo.

Steganography

"Steganography is the art and science of communicating in a way which hides the existence of the communication."

O que é isso?

Esteganografia (Steganography) é uma técnica MUUUUUUUUUITO interessante que consiste em esconder (codificar) um TEXTO dentro do código do arquivo de uma imagem gif. Através de um programa especial (como algum dos listados abaixo), é possível alterar a forma em que os bytes correspondentes a uma imagem são gravados de forma a incluir aí uma mensagem, aproveitando bits normalmente não utilizados.

A imagem continua sendo a mesma, aparentemente. A foto da Tiazinha vai continuar a mesma, ela não vai ficar com um bigode a mais por causa disso. Só alguns bits é que vão estar embaralhados, e isso corresponder à um TEXTO, do tipo "O rato roueu a Roupa do Rei de Roma", ou "João ama Maria". Essa é uma forma muito engenhosa de vc transmitir um segredo por email sem que ninguém saiba (do tipo "ei, hacker, a senha do meu chefe chato é abc123". Só é possível ver o texto escondido na imagem se vc utilizar o mesmo programa que usou para gravar a frase. Se vc tentar abrir a imagem com um editor de imagens qualquer, ela vai estar, aparentemente, normal. Nada vai acontecer.

Segue uma explicação mais técnica, tirada do help do prigrama HIP:

HIP hides the file inside the picture by placing the bits of the file in the least-significant bits of each byte in the picture. Suppose you have a picture containing the following bytes representing color intensities:

200 53 2 195 54 69 191 56

The binary values of these numbers are:

11001000 00110101 00000010 11000011 00110110 01000101 10111111 00111000

To hide the character 109 (in binary 01101101), the least-significant bit of each byte would be replaced by a bit of the character. The result would be:

11001000 00110101 00000011 11000010 00110111 01000101 10111110 00111001

Which corresponds to:

200 53 3 194 55 69 190 57

The difference between the new values and the old ones are at most 1, so it is very difficult, if not impossible, for the human eye to identify any difference from the original picture.

With 256-color pictures, the process is a little more complicated, because the bytes do not represent color intensities, but entries in the palette (a sequence of at most 256 different colors). HIP chooses the nearest color in the palette containing the appropriate least-significant bit.

The HIP header (containing information for the hidden file, such as its size and its CRC) and the file to be hidden are encrypted with the Blowfish encryption algorithm, using the password given, before being written in the picture. Their bits are not written in a linear fashion; HIP uses a pseudo-random number generator to choose the place to write each bit. The values given by the pseudo-random number generator depend on your password, so it is not possible for someone trying to read your secret data to get the hidden file (not even the encrypted version) without knowing the password."

Onde conseguir alguns programas?
  • GifShuf (link inexistente)
  • Hideseek (link inexistente)
  • Gifclean (link inexistente)
  • HIP (Hide In Picture) (link inexistente)


Mais informações....
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