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setembro 22, 2017

[Segurança] O Princípio de Locard

Na ciência forense, o princípio da troca de Locard (em inglês, "Locard's exchange principle") diz que qualquer que seja o crime, o criminoso sempre deixa algo na cena do crime ou carrega consigo algum rastro ou prova, que vão constituir as evidências do crime.

Ou seja: "Todo contato deixa uma marca" ("Every contact leaves a trace").

Nas suas palavras, "Aonde quer que ele pise, aonde quer que toque, o que quer que ele deixe, mesmo que inconscientemente, servirá como uma testemunha silenciosa contra ele. (...) Esta evidência não se esquece. (...) A evidência física não pode estar errada, não pode cometer perjúrio por si própria, não se pode tornar ausente".

Pensando nisso, a versão cibernética do princípio de Locard poderia ser algo como "Qualquer dado ou conexão que seja feita ou transmitida, há alguma evidência disso, seja no host, em trânsito, no armazemamento ou em memória".

maio 10, 2010

[Segurança] A Polícia e a perícia digital

Conforme o colega blogueiro Luiz Rabelo colocou em seu blog "brazil forensics blog", o Jornal Nacional mostrou uma reportagem interessante sobre como a polícia de São Paulo utiliza a tecnologia para investigar diversos crimes que envolvem o uso de computadores e celulares. Diz o repórter no início da entrevista:
"Sem lupa, sem luvas. Quando a prova do crime está em bites e bytes, a perícia convencional dá lugar a uma investigação digital."

A reportagem "Investigação de computadores ajuda polícia de São Paulo" (veja o vídeo abaixo) foi ao ar no Sábado, dia 08/05/2010. A Globo mostra como a tecnologia já faz parte da investigação dos policiais, através de equipamentos forenses específicos para análises de aparelhos móveis e computadores. Estes equipamentos podem revelar as ligações e as mensagens em um celular, ou vasculhar todos os arquivos de um computador, inclusive os apagados. Por exemplo, a reportagem mostra um vídeo que a polícia recuperou do computador de um criminoso, que mostrava os clientes de um caixa eletrônico digitando suas senhas.



Segundo dados do Instituto de Criminalística apresentados na reportagem, o número de perícias digitais em São Paulo subiu de 535 em 2000 para 2.876 em 2009, um aumento de mais de 437% nos últimos dez anos. Afinal, os computadores e celulares já fazem parte da vida de todos nós (incluindo as vítimas e os criminosos). A reportagem termina lembrando que a Polícia espera aumentar o número de casos resolvidos com o uso da tecnologia.

maio 10, 2008

[Segurança] Caso muito curioso de recuperação de HDs

A Scientific American publicou um artigo muito interessante, sobre o trabalho realizado a partir de um HD recuperado do acidente com o ônibus espacial Columbia ("Hard Drive Recovered from Columbia Shuttle Solves Physics Problem").

O acidente ocorreu em fevereiro de 2003, quando o ônibus espacial Columbia explodiu durante sua reentrada na atmosfera após completar sua missão no espaço (veja uma reportagem sobre o acidente aqui). Para delírio dos aficionados por perícia forense, o HD foi identificado em meio aos destroços do acidente armazenados no Kennedy Space Center e enviado para uma empresa especializada em recuperação de dados (Ontrack Data Recovery). A empresa conseguiu recuperar 99% dos dados do HD, que eram referentes a uma das pesquisas científicas realizadas durante o último vôo do ônibus espacial. Os dados recuperados permitiram que a pesquisa fosse concluída.

O Columbia se desintegrou no retorno de seu último vôo espacial, matando todos os seus 7 ocupantes e espalhando destroços pelos estados do Texas e Luisiania. O HD, um Seagate de 400GB, foi recuperado 6 meses depois do acidente. Após a explosão da nave, ele "sobreviveu" a entrada na atmosfera, ao fogo, a queda e estava caído em um lago seco em meio aos destroços, cercado por metais retorcidos e derretidos.

Segundo uma reportagem bem detalhada da ComputerWorld, o HD estava quase irreconhecível. A controladora (uma placa de circuitos que fica na parte inferior do HD) estava queimada, com todos os seus componentes destruídos. Todas as peças de plástico tinham derretido, todos os chips eletrônicos estavam queimados e o selo de borracha que vedava o HD também havia derretido, deixando muita sujeira entrar. Os especialistas conseguiram limpar e recuperar os pratos do HD, montá-lo no chassis de um outro HD semelhante e, assim, ler cerca de 99% da informação que permanecia lá. O trabalho foi feito em 2 dias, mas a análise dos dados durou mais alguns anos.
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