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março 17, 2011

[Cyber Cultura] Quando Hackers e Geeks ajudam

Após sofrer uma terrível calamidade devido ao terremoto seguido por um tsunami devastador, que ainda por cima trouxe ao país o risco de um acidente nuclear, o povo japonês agora está tentando se recuperar do desastre, achar e enterrar seus mortos e reconstruir suas cidades. Mas ainda há um enorme caminho pela frente. Muitas cidades sofrem não só pela devastação, mas também pelo racionamento de energia e pela falta de abastecimento (comida, combustível e muito mais).

Mas hoje eu vi uma notícia muito legal vindo do Hackerspace no Japão, que mostra como a comunidade "geek" pode colaborar em um momento triste como este.

O hackerspace de Tóquio já começou a traçar planos para criar e alavancar alguns projetos que podem ajudar o povo do Japão, utilizando as habilidades técnicas, a criatividade e os recursos de seus membros. Os projetos propostos, que são muito interessantes, incluem:
  • Lanternas de LED movidas a energia solar: O grupo juntou peças necessárias para montar 150 lanternas de LED que funcionam a base de energia solar. Essas lanternas fornecem luz suficiente para que as pessoas possam se sentir seguras a noite, caminhar no escuro e manter o senso de comunidade. As lanternas se recarregam durante o dia através do sol, e funcionam por oito horas cada noite.
  • Contadores Geiger: O pessoal também pretende utilizar contadores Geiger e vários tubos de Geiger para criar sensores comunitários, a fim de ajudar a manter o público informado sobre os riscos de contaminação.
  • Outros projetos interessantes em discussão incluem construir estações de recarregamento para telefones celulares usando energia solar, equipamentos de cozinha que usem baixa quantidade de energia e empréstimo de acesso internet, wi-fi e laptops.


Um lembrete importante é que as pessoas que tenham interesse em ajudar através de doações, que procurem apenas instituições de caridade conhecidas e respeitáveis, como a UNICEF, os Médicos Sem Fronteiras, a Cruz Vermelha (no caso, há a Cruz Vermelha Brasileira, a Cruz Vermelha Americana e a Japonesa), etc. O site do Consulado do Japão em São Paulo também possui uma página sobre o atendimento relacionado às doações para as vítimas do terremoto.

março 11, 2011

[Segurança] Impactos do Tsunami no Japão e do Godzilla no Twitter

Recentemente o Japão foi atingido por um grande terremoto de 8.9 graus na escala Richter, e várias cidades foram varridas por um tsunami com ondas gigantes que atingiram até 10 metros de altura. Imagens assustadoras divulgadas no momento do desastre mostraram grandes casas, barcos e dezenas de carros sendo arrastados pelas enchentes. O tremor do dia 11 de Março foi tão forte que cientistas estimam que o terremoto pode ter deslocado o eixo de rotação da Terra em quase 10 centímetros e deslocado a ilha 4 metros em direção aos EUA.



Enquanto as notícias corriam o mundo, o Twitter registrou as palavras #prayforjapan, #tsunami, #japon e #Godzilla no Trend Topics global, mostrando que a comunidade online estava acompanhando de perto as notícias sobre esta terrível calamidade. Mas, espera aí, Godzilla? Diversos internautas, de vários países, trocaram posts fazendo piadas ou reclamando das piadas relacionando o lendário monstro Godzilla ao terremoto e ao tsunami (na verdade, a maioria das mensagens sobre Godzilla era de pessoas comentando que a palavra estava no Trend Topics ou reclamando porque estavam fazendo piada sobre o assunto - as piadas, em si, eram as minorias das mensagens).

O terremoto no Chile no ano passado, que atingiu 8.8 graus, e o recente desastre natural no Japão nos mostraram como uma situação dessas pode afetar as empresas e a infra-estrutura de um país.
  • Antes de mais nada, um desastre dessa proporção causa danos imediatos na infra-estrutura crítica do país, afetando as redes elétricas, de telecomunicação (Internet e telefonia), no transporte e até mesmo na distribuição de água e esgoto.
  • Milhares de casas e de empresas ficaram sem energia elétrica no Japão, e mesmo cidades que não foram afetadas diretamente pelo tsunami estão sofrendo por conta do racionamento de energia. No caso de empresas, dependendo do ramo de negócio, vale a pena investir em sistemas próprios de energia, como no-breaks e equipamentos de geração de energia.
    • Há ainda o risco de desastre em cidades e empresas que estejam próximos a usinas elétricas - sejam usinas nucleares ou hidroelétricas.
    • Algumas usinas nucleares no Japão foram seriamente afetadas pelo terremoto e pelo tsunami, com risco de vazamento de material radioativo. Um acidente deste tipo pode afetar toda uma cidade ou região, obrigando o evacuamento de pessoas (isto é, clientes e funcionários) por tempo indeterminado, além de problemas ambientais e de saúde pública a médio e longo prazo.

  • Um desastre natural como o sofrido pelo Chile e pelo Japão afeta a infra-estrutura de telecomunicação do país, danificando equipamentos e rompendo cabos de comunicação. Mesmo em uma sociedade altamente conectada como no Japão, as operadoras locais reportaram problemas com disponibilidade dos serviços de comunicações, tanto na telefonia fixa quanto na celular. As operadoras de telefonia móvel tiveram seus serviços interrompidos em várias regiões do Japão devido aos danos na infra-estrutura, além de enfrentar congestionamento causado pela grande demanda de usuários. Embora o terremoto no Japão não tenha interrompido a comunicação com a Internet, alguns cabos submarinos foram afetados.
    • Os serviços de Internet na Ásia já foram interrompidos anteriormente devido a terremotos na região. Em 2009 um terremoto em Taiwan e deslizamentos submarinos causados ​​por um tufão cortaram os cabos de comunicação entre Taiwan e a China continental. Um terremoto em Taiwan em 2010 também danificou quatro cabos submarinos, interrompendo o acesso Internet por dois dias.
    • O Twitter, novamente, cumpriu um papel importante ao ajudar as pessoas a trocarem notícias sobre o terremoto e o tsunami. Assim como aconteceu no terremoto no Chile em 2010, a ferramenta se tornou uma poderosa aliada para ajudar as pessoas a encontrarem familiares desaparecidos e amigos, e obter o apoio das autoridades e da mídia.

  • Problemas com os funcionários: Um problema desta proporção afeta a disponibilidade de mão de obra para a indústria local. Diversos funcionários podem ser afetados direta ou indiretamente, seja pela falta de transporte, por problemas de saúde, ou mesmo por eventual morte.
    • Devido a devastação causada pelo terremoto e pelo tsunami no Japão, a população local tem sofrido pela falta de comida, combustível e de bens de primeira necessidade.
    • Além de tudo, há o fator psicológico: possivelmente a grande maioria dos empregados estão passando por diversos problemas pessoais, seja por perda de suas casas ou bens, ou mesmo problemas com familiares ou amigos. Isto impacta a motivação e a disposição para trabalhar.


No Chile, o terremoto em fevereiro de 2010 causou impacto em várias as empresas locais, principalmente a indústria (cuja atividade diminui 17,4% nos primeiros meses após o desastre), de geração de eletricidade (que caiu 10,5%) e de distribuição de energia eléctrica (que caiu 10,3%). Por outro lado, a atividade comercial cresceu: as vendas no varejo subiram 12,3% (um recorde nunca visto desde que o índice começou a ser medido, em 2004), e as vendas de supermercados subiram 9,3%.

Porém, o Japão é um país com economia muito mais relevante no mercado mundial do que o Chile (o país é a terceira maior economia mundial), o que torna mais significativo o impacto dos recentes desastres em sua economia. Por exemplo...
  • No primeiro dia de negócios após terremoto, a bolsa de Tóquio sofreu queda de 6,18%.
  • O terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o Japão no dia 11/03 fez com que diversas fábricas de produtos de tecnologia fechassem suas portas ou paralisassem a produção. A Sony interrompeu a fabricação de seu console PlayStation 3 e do portátil PSP. A produtora dos games da série "Final Fantasy", Square Enix, teve seus servidores desligados por conta do racionamento de energia anunciado pela Tokyo Electric Power Company.
  • Os efeitos do terremoto e do tsunami no Japão poderão ser sentidos na indústria de telecomunicações nos próximos meses, pois o país possui alguns dos maiores fornecedores mundiais de silício, microchips e monitores. Além de potenciais danos às instalações de fábricas de eletrônicos, o fornecimento de energia e o transporte foram fortemente impactados. Consequentemente, o mercado mundial poderá sofrer a escassez e o aumento dos preços de componentes eletrônicos, como memórias, microcontroladores e peças de monitores.
  • Vários portos sofreram graves danos em consequência do terremoto e do tsunami e devem passar meses ou até anos inoperantes, o que deve causar prejuízos na ordem de US$ 3,4 bilhões por dia, devido ao cancelamento de embarques.


Empresas que possuem um plano de contingência ou de continuidade de negócios tem maiores chances de sobreviverem a uma situação crítica como um desastre natural, ou mesmo a problemas mais simples, como a falta temporária de energia elétrica. Um plano de continuidade de negócios (ou BCP, sigla para Business Continuity Plan) deve considerar as estratégias da empresa, os seus processos de negócio, sua organização e suas necessidades. Para ser efetivo, as empresas devem necessariamente testar e auditar o BCP periodicamente. É a melhor maneira de identificar os pontos críticos a serem cobertos, os prazos necessários para recuperação e quem são as pessoas-chave responsáveis pela recuperação da empresa em caso de emergência.

Para saber mais:

maio 01, 2009

[Segurança] Um pouco mais sobre a gripe suína

Policemen in Seattle wearing masks made by the Red Cross, during the influenza epidemic. December 1918. Source: National Archives
Já há vários sites com matérias e notícias interessantes sobre como a gripe suína pode afetar as empresas e como elas podem se preparar.

Uma reportagem recente da INFO Online lista as últimas pandemias da história, mas deixa de fora a SARS (também chamada de gripe aviária, de 2003) e a "avian flu" que ocorreu em 2006 (dessa eu nem lembrava):
  • 1918 e 1919 – Gripe espanhola: A primeira pandemia do século XX foi também, segundo os historiadores, a pior pandemia do século. Ela surgiu no período de 1918 a 1919 e contaminou de 20% a 40% da população mundial, matando mais de 40 milhões de pessoas. No Brasil, cerca de 300 mil pessoas faleceram, matando até o Presidente da República da época, Rodrigues Alves, durante seu segundo mandato, em 1919.
  • 1957-1958 – Gripe asiática: O vírus H2N2 fez suas primeiras vítimas na China, onde teve seu primeiro isolamento. Em dois meses, a doença se espalhou por Hong Kong, Singapura, Índia e todo o Oriente. Depois foi a vez de África, Europa e, por último, Estados Unidos. Em dez meses, o vírus se espalhou por todo o mundo e o número de vítimas mortais chegou a dois milhões.
  • 1968-1969 Gripe de Hong Kong.

Mas, voltando a falar sobre prevenção e Business Continuity Plan, eu encontrei uma série de artigos muito interessante da CSO Online:
  • "Swine Flu: To Fear is to Fail", discutindo a diferença entre preocupação com o problema (e necessidade de prevenção) versus Pânico (que é o que ocorre na maioria das vezes);
  • o EXCELENTE artigo "Pandemic Preparedness Primer" com uma extensa e rica lista de recursos e informações sobre como empresas e empregados podem atualizar ou desenvolver seus planos de continuidade de negócio (business continuity plans) imediatamente

Além do mais, para ajudar as empresas, entidades e pessoas a organizarem seus esforços de combate a pandemia de gripe, o governo americano criou o website PandemicFlu.gov com muita informação disponível online para ajudar no rápido desenvolvimento de estratégias, planos e ações. Há vários guias, artigos, templates e checklists disponíveis gratuitamente no site.

abril 28, 2009

[Segurança] A Gripe Suína e a Segurança

Lombo Suíno Resfriado A INFO Online publicou um artigo muito bom, chamado "Sua empresa está pronta para uma pandemia?", resumindo o impacto que uma pandemia de gripe suína pode causar em uma corporação.

Há poucos anos atrás passamos um susto com o surgimento da gripe aviária, originária da China. Agora, uma epidemia de gripe suína ameaça se espalhar pelo globo, causada pelo vírus influenza A/H1N1 e tendo como ponto de partida o México (e, para piorar, também os Estados Unidos).

O "Centers for Disease Control and Prevention" reportava 64 casos confirmados nos EUA em 28 de Abril e a Organização Mundial da Saúde lista mais 6 outros países com casos confirmados: Mexico (26 casos e 7 mortos), Canada (6), Nova Zelância (3), Inglaterra (2), Israel (2) e Espanha (2). Também é possível acompanhar todos os relatos da doença em um mapa, pelo Google Maps (os pontos em roxo são casos confirmados, os rosas as suspeitas e os amarelos os negativos).

Os gestores de risco de todo o mundo já devem estar atualizando seus planos de continuidade de negócio (PCN) e começando a se preparar para um cenário de pandemia, onde os funcionários são o principal foco de preocupação. As empresas mais diretamente afetadas são as multinacionais que possuem operações em vários países, dos quais os países que possuem foco da doença, além das empresas onde os profissionais estão constantemente viajando ao exterior, e portanto se expondo a se contaminarem com uma doença em outro país. Nestes casos as empresas podem ser obrigadas a rever suas necessidades de viagem e de deslocamento de pessoal, além de optar mover suas operações críticas para países com menor risco de infecção. Além do mais, em caso de uma epidemia, os funcionários podem ser obrigados a se isolarem em suas casas, e nesse caso a empresa tem que ser capaz de operar com os funcionários trabalhando remotamente (uma realidade que está longe das empresas nacionais). Existem dezenas de tecnologias que permitem o trabalho remoto (ou Home Office) de forma segura, mas o problema brasileiro é cultural: o empresário e o chefe querem ver o funcionário perto deles, sob sua vigilância. Neste caso, o que fazer se eventualmente o governo decretar que os moradores de uma determinada área de risco não devem sair de suas casas? Ou se o transporte público for comprometido?

Além do mais, é necessário planejar a contingência do pessoal. O que fazer se o funcionário ficardoente, ou se for impossibilitado de trabalhar pois um de seus familiares está infectado? A epresa tem que definir quais são as áreas de negócio e funções prioritárias e definir quais funcionários são responsáveis por elas, e se há alguém que possa substituí-los.

Como se isso não bastasse, vários cyber criminosos já estão se aproveitando da gripe para enviar mensagens de SPAMS e e-mails de Phishing imitando notícias e criando sites falsos. Segundo a McAfee, as mensagens sobre a gripe suína já representam 2% do total dos SPAMS.
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