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julho 23, 2026

[Segurança] DEF CON for Dummies - Reborn

OBS: Esse artigo é uma versão atualizada (em 2026) do meu post publicado originalmente em 2012.

A DEF CON já tem mais de 30 anos e continua sendo o maior e mais relevante evento da comunidade de cibersegurança no mundo. Um evento incrível e que eu super recomendo a participação, pelo menos uma vez na vida!

O meu artigo original com dicas sobre como participar do evento já tem quase 13 anos. Apesar de ter sido atualizado frequentemente desde então, achei melhor "passar a limpo" e criar um texto novo, o "reborn". De lá para cá muita coisa mudou: a DEF CON mudou de local várias vezes, lugares fecharam, novos hotéis e atrações surgiram, os custos aumentaram, o dólar subiu, etc. Imagina você pagar US$ 100 pelo ingresso da DEF CON, com o dólar a R$ 2, e 13 anos depois, o ingresso custar 580 dólares e a cotação estar acima de R$ 5. Além disso, após a pandemia do Coronavírus (quando tivemos 2 anos de DE CON online), alguns locais em Las Vegas deixaram de funcionar 24h.

Eu já escrevi alguns posts sobre a DEF CON aqui no blog, e também tem os ótimos textos do Willian Caprino (escrito em 2009) e do Daniel Santana (2011) com as suas dicas pessoais, mas o meu objetivo é compartilhar uma lista de dicas a mais completa possível, para ajudar quem pretende viajar para Las Vegas para participar da DEF CON. Eu vou na DEF CON desde 2006, na sua 14a edição, e me apaixonei pelo evento no momento em que coloquei o pé por lá.


Seguem as minhas dicas.
  • Sobre a Black Hat, DEF CON e a BSides Las Vegas
    • Os três eventos acontecem na mesma semana, de segunda-feira a domingo. Sempre (ou quase sempre?) na primeira semana de Agosto. Por isso vou dar uma rápida explicação sobre cada um deles;
      • Na verdade, a comunidade acostumou a chamar essa semana toda de "Hacker Summer Camp";
      • Se liga: desde 2023 no final da tarde de segunda-feira acontece a BRHueCon, um evento / happy hour que é o ponto de encontro dos brasileiros em Vegas! Tem palestras, brindes e comes e bebes à vontade, das 17h as 22h. Uma parte dos ingressos é disponibilizada online e gratuitamente antes do evento, mas a maioria deve ser pedida para os patrocinadores;
      • Os argentinos da Ekoparty e os chilenos da 8.8 também costumam marcar encontros durante a semana (no caso da Eko, um happy hour, na 8.8 um mini-evento);
    • A DEF CON é a provavelmente o maior evento de segurança do planeta, com mais de 30 mil pessoas (eram cerca de 10 mil em 2012 e mais de 30 mil em 2019) e diversas atividades acontecendo simultaneamente, em quatro trilhas paralelas de palestras nas trilhas oficiais e dezenas de atividades extras, como as competições e as "villages". Normalmente a DEF CON acontece no final da primeira semana de Agosto, sempre de 5a a Domingo - mas sexta-feira e sábado são os dias principais. Em 2024 ela foi realizada pela primeira vez no novo Centro de Convenções do de Las Vegas (Las Vegas Convention Center) - de tão grande, ele permitiu hospedar todo o evento em um só lugar, incluindo todas as 34 villages daquele ano - o que foi ótimo para a locomoção dentro do evento;
      • Em 2026, o ingresso da DEF CON custou entre US$ 520 (para compra no dia do evento, em dinheiro vivo) até $600 (para compra online);
      • As villages são um show a parte, e ganharam muita força desde, principalmente, 2018/2019. São áreas temáticas, normalmente organizadas por comunidades e com agenda própria de atividades. Elas abrangem diversos temas: algumas são mais "tradicionais", existem há mais tempo, como a "Lockpicking Village", "Car Hacking Village", "Social Engineering Village" e vilas para ICS, IoT, Blue e Red Team, etc. Também existem villages para urnas eletrônicas ("Voting Machine Village"), tecnologia aérea, aeroespacial, satélites e navios, por exemplo, além de village para comunidades de mulheres, de pessoas negras, etc.
      • Desde 2024 a comunidade latino americana está representada pela La Villa Hacker, que tem palestras apresentadas em Português e Espanhol;
      • As villages representam uma ótima oportunidade para palestrar na DEF CON. A trilha principal do evento é concorridíssima e a seleção é super criteriosa, então vale muito a pena tentar aplicar sua idéia de palestra para as villages.
    • A Black Hat (BH) é a "irmã corporativa e cara" da DEF CON. É um evento gigantesco, com 9 trilhas simultâneas de palestras e uma área de exposição enorme, realizada no hotel/cassino Mandalay Bay. Ela acontece nos 2 dias que antecedem a DEF CON (quarta e quinta-feira) e inclui também alguns dias com treinamentos, antes do evento.
      • A Black Hat também tem uma área enorme de expositores com muitas empresas e, claro, brindes, rs. Não é tão grande quanto a área da RSA Conference (essa sim, é gigantesca), mas é muito maior do que a grande maioria dos eventos no Brasil (comparável ao Mind The Sec); 
      • A inscrição na BH custa muito caro (mais de US$ 2mil), por isso a grande vantagem da DEF CON é que você pode assistir um evento tão bom quanto, em termos de palestras, mas com um ingresso bem mais barato. Além disso, a maioria das melhores palestras se repetem na DEF CON e na Black Hat;
      • Dependendo do seu objetivo, vale a pena comprar o ingresso que dá acesso somente à área de exposições, que gira em torno de 500 dólares;
      • A Black Hat tem uma lojinha bem legal de souveniers, de itens com a marca. São diversos tipos de camisas e camisetas, casacos, mochilas, copos e bugigangas em geral. Vale super a pena dar uma passada. Antigamente eles faziam uma mega liquidação no final do último dia, mas desde 2023 eles pararam com isso :(
    • Security BSides Las Vegas (BSidesLV) é um evento que acontece na 2a, 3a e 4a feira que antecedem a DEF CON (e na quarta-feira acontece em paralelo a Black Hat). Tem várias trilhas de palestras, uma pequena área de exposição dos patrocinadores e alguns treinamentos. Em 2025 a BSidesLV passou de dois para 3 dias, de 2a feira até 4a feira;
      • Os ingressos são obtidos mediante doação, pelo site do evento, em torno de US$ 100. Por isso, é uma ótima opção para quem quer aproveitar a viagem para Las Vegas e não quer gastar muito dinheiro indo na BH. A desvantagem é que a BSidesLV costuma lotar, por isso fique de olho nos prazos de inscrição (doação) e não dê bobeira;
    • Eu não vou comentar detalhes sobre a Black Hat nem sobre a BSidesLV, pois o foco deste post é mesmo falar sobre a DEF CON.
    • A sequência correta de eventos, portanto, é a seguinte (sem considerar os dias exclusivos de treinamento):
  • Comentários importantes
    • As principais atrações, atividades e acontecimentos ocorrem na Las Vegas Boulevard, a rua principal da cidade, aquela avenida aonde ficam os principais hotéis e cassinos mais famosos da cidade - e que também é chamada simplesmente de "Strip". Ela sai de perto do aeroporto, passa pelo famoso símbolo de "Bem vindo à Las Vegas" e pelos principais e mais famosos cassinos na região mais "fervida" e vai até o centro antigo, conhecido como "Freemond", por conta da rua Freemond, que reúne cassinos antigos, é coberta por um teto de LED animal e também é um cartão postal da cidade;
    • Las Vegas fica nos EUA, logo precisa de passaporte e visto (é meio óbvio, mas não custa lembrar);
      • Las Vegas fica no meio de um deserto, então normalmente o clima é muito quente e seco;
      • Sim, tem que falar inglês. Uma coisa que eu faço para ir treinando o cérebro é, ainda no voo de ida, assistir os filmes com áudio em inglês. Quando eu estou nos Estados Unidos, eu me forço a ficar pensando em inglês, porque se algum momento você tiver que falar com alguém, não precisa mudar a configuração de língua do cérebro, rs;
    • É comum os seguranças exigirem um documento de identidade para entrar nos bares, baladas e, as vezes, até nos cassinos. A regra é rígida: sem ID, não entra, mesmo que você realmente aparente ter mais do que 21 anos. E tem que apresentar o documento original (nos EUA não vale o RG ou CNH no celular). Pode ser a CNH, RG ou passaporte, mas eu recomendo fortemente deixar o passaporte no cofre do hotel - afinal, se você perder ou roubarem o seu passaporte, vai ter uma dor de cabeça de um tamanho incomensurável.

  • Preparativos de Viagem
    • Compre a passagem aérea com antecedência: Comece a monitorar o preço da passagem assim que você souber que vai, para economizar dinheiro, ou pelo menos desde o início do ano. Comprando com antecedência, não sai muito caro: é possível comprar a ida e volta por menos de mil dólares.
      • Para aproveitar melhor os eventos e os passeios, eu recomendo sair do Brasil na sexta-feira a noite, chegar em Vegas no sábado, aproveitar o final de semana para passear antes dos eventos durante a semana. Marque a volta para domingo a noite ou segunda-feira pela manhã, para você curtir um pouco da DEF CON no domingo e ter tempo de arrumar as malas;
      • Como o final de semana da DEF CON sempre coincide com o Dia dos Pais no Brasil, muitos colegas acabam optando por voltar na 6a feira ou no sábado :(
      • Geralmente os preços das passagens costumam subir nos últimos 30 dias antes do evento. Então eu sugiro você ficar monitorando os preços de passagem até uns 2 meses antes da DEF CON, no máximo. Você vai ter uma idéia do valor médio da passagem e, se nesse período surgir uma promoção boa, aproveite!
        • Ou seja, compre a sua passagem, no máximo, mais ou menos na primeira semana de junho;
        • O Google Flights ajuda muito a monitorar esses preços, você pode pedir para ele enviar alertas sempre que houver mudanças;
        • Se você monitorar os preços por bastante tempo, vai notar que pode variar qual é a companhia aérea mais barata. Assim, você pode esperar até que o preço da companhia aérea de sua preferência esteja dentro do seu orçamento;
      • Lamento, mas será necessário fazer pelo menos uma conexão nos EUA, pois não existe vôo direto do Brasil para Las Vegas;
        • Prefira fazer conexões em regiões mais centrais ou ao sul dos EUA, para minimizar o tempo total de vôo. A pior opção, por exemplo, é fazer conexão em Nova Iorque, pois você vai voar d Brasil por cima de todos os EUA, até quase no extremo norte, para depois cruzar todo o país até Las Vegas, na diagonal;
        • Evite conexões dentro dos EUA com menos de 2 horas de intervalo. Geralmente a fila de migração é muito longa e às vezes (quase sempre) pode ser muito demorada. Depois você ainda tem que retirar a mala, despachar novamente (na saída das esteiras de bagagem) e correr para o portão de embarque.
        • Se o seu tempo de conexão for muito curto ou a fila muito grande, normalmente nem o pessoal da imigração nem da companhia aérea dão qualquer atenção. A resposta padrão é que a cia aérea garante a conexão e, se você perder o vôo, tem que ir choramingar no balcão da cia aérea após perder o vôo;
      • Normalmente uma das opções mais baratas é um vôo da Copa Airlines, com escala na cidade do Panamá. O aeroporto lá é pequeno e geralmente o tempo de conexão é curto (é bom que seja assim, pois nesse aeroporto não tem muito o que fazer, rs...);
      • Se você tem direito de acessar alguma sala VIP e mais de 2h de tempo de conexão, aproveite a conexão para tomar um banho! Sim, várias salas VIP oferecem um banheiro com chuveiro, gratuitamente (mas precisa solicitar na recepção e pode ter uma pequena fila). Para quem acabou de pegar um vôo longo e ainda tem 1 ou 2 conexões pela frente, esse banho dá uma revigorada sensacional. Vale muito a pena!
    • Escolha do hotel com sabedoria: As opções e variedades de hotel, em Las Vegas, são muitas, e atende aos mais variados gostos e preferências. Mais da metade dos top 40 hotéis do mundo estão em Vegas. Há hotéis mais simples, os hotéis e cassinos mais tradicionais (e mais antigos, como o Flamingo, Rio, Paris, Luxor, NYNY, STRAT, etc), os antigos luxuosos (Caesars, Venetian, Bellagio, Mandalay Bay), os novos menos caros (como o LINQ) e os novos super luxuosos (Cosmopolitan, Arya, e vários outros). A escolha do hotel vai do gosto de cada um, pois há muitíssimas opções na cidade, de todos os tipos, tamanhos e preços.
      • Na prática, a escolha vai depender de quanto você pode / quer pagar (ou economizar, se preferir), do conforto que você quer (quanto mais confortável, mais caro), e de qual evento você quer ficar mais próximo.
        • Na real, atualmente a Black Hat acontece "em uma ponta da Strip"(no Mandalay), a DEF CON na ponta oposta (no Las Vegas Convention Center) e a BSidesLV bem no meio, na altura dos hotéis Flamingo / Paris. Dependendo de quais eventos você pretende participar por mais tempo e mais afinco, você pode optar por um hotel mais próximo da Black Hat, da DEF CON ou da BSidesLV.
      • De qualquer forma, eu sugiro fortemente ficar em algum hotel da Las Vegas Boulevard (também chamada de "Strip"), pois é lá onde ficam os principais pontos de diversão. Ou seja, assim que você sair do evento, obrigatoriamente você terá que ir na Strip para se divertir, ir nas festas e baladas, comer, comprar muamba ou fazer turismo. E é possível achar hotéis bons e relativamente baratos por lá.
      • A minha outra sugestão sobre a escolha do hotel é que devemos aproveitar para curtir Vegas, e por isso eu prefiro ficar nos hotéis temáticos. Hospede-se na pirâmide do Luxor, no castelo do Excalibour, ou em uma réplica de Nova York ou de Paris, etc.
      • Uma opção é você ficar próximo ao local do evento de sua preferência, ou onde pretende passar mais tempo. Por exemplo:
        • Black Hat: Luxor (mais barato) ou Mandalay (mais caro);
        • DEF CON: STRAT (mais barato), Sands, Circus Circus (um dos piores, rs);
        • BSidesLV: Flamingo, LINQ, Horseshoe (mais baratos), tem o próprio hotel do evento, o Tuscany (boa qualidade e preço mediano, nem caro nem barato), além do Paris / Ballys e do Caesars (mais caros);
      • Lembre-se: os eventos costumam ter parceria com alguns hotéis e oferecem um código especial de desconto ("room block") para hospedagens durante os dias do evento. Vale a pena conferir no site de cada evento;
      • Em geral os grandes hotéis e cassinos mais populares na Strip são de boa ou ótima qualidade:
        • Quer luxo? Mandalay (hotel da Black Hat), Aria e Cosmopolitan (novos e bem luxuosos), ou o Venetian, Bellagio, Caesars e Paris (mais antigos, mas ainda sim luxuosos);
        • Opções boas e intermediárias incluem o LINQ (relativamente novo) e o Flamingo (mais antigão), mais pertos na BSidesLV, e o Tuscany, um hotel bem caprichado e pouco badalado, mas que hospeda a BSidesLV e fica a uma distância andável da Strip (uns 2 quarteirões de Vegas, que correspondem a uns 3 ou 4 quarteirões brasileiros);
        • Os cassinos mais tradicionais e mais baratos estão um pouco mais longe dos eventos. Nessa categoria eu sugiro o Luxor (colado no Mandalay, que é ótimo para quem vai na BH, mas muito afastado da DEF CON e BSidesLV, o Strat / Stratosphere (perto da DEF CON mas longe de todo o resto, na ponta menos badalada da Strip - mas a meio caminho da Freemon). Outras opções são o Excalibour (mais perto da Black Hat) e o Circus Circus (barato e com péssima fama - antigo, mal cuidado, sujo). Esses todos são mais antigos. Embora os quartos sejam enormes, para o nosso padrão, você pode dar sorte de pegar um quarto reformado recentemente (ou uma torre nova construída nos últimos 10 anos) ou pode dar azar de pegar um quarto mais velho fedendo cigarro e mofo (felizmente isso nunca aconteceu comigo);
      • O hotel que eu mais gosto é o Stratosphere (Strat), pois é bom e barato - mas obrigatoriamente você vai precisar alugar um carro - mesmo sendo próximo da DEF CON. Ídem para o Luxor (esse tem a vantagem de ser quase colado na Black Hat). Outras opções boas e baratas que eu também recomendo são o Excalibur (nele eu nunca fiquei, mas ainda pretendo me hospedar um dia) e o LINQ (eu nunca fui, mas vários amigos ficaram e gostaram);
      • Duas opções bem baratas são o Alex Park e o Circus Circus. O Alex Park tem o charme de ser um dos hotéis que hospedou a DEF CON nos primeiros anos, mas é um pouco afastado da Strip e um pouco decadente. O Circus Circus é um dos hotéis mais baratos e que alguns brasileiros já ficaram - mas já ouvi muita reclamação do pessoal que ficou lá, não recomendo;
      • Não considere a possibilidade de longas caminhadas entre um hotel e outro. Las Vegas é um deserto e o clima é super quente. Por isso mesmo você vai depender de carro, táxi ou Uber se você decidir ficar em um hotel mais afastado, como por exemplo o Rio;
      • O site Hotels.com é uma boa opção para pegar hotéis com descontos, mas normalmente os preços são bons se você reserva direto no site do hotel;
      • A maioria dos hotéis não tem frigobar nos quartos. A idéia é simples: eles querem que você saia para gastar;
      • Os quartos de hotel nos EUA costumam ser enormes e geralmente não tem diferença de tarifa se você pede com 1 cama de casal ou 2 de solteiro (nesse caso, os quartos tem 2 camas equivalentes às camas de casal!!!).
        • Ou seja, dá para tranquilamente rachar o quarto com um amigo e dividir as despesas, sem abrir mão do conforto;
        • Eu sugiro sempre pegar quarto com 2 camas, mesmo que você vá sozinho, pois o quarto é maior. E você pode usar a outra cama para deixar as malas em cima ou dividir o quarto com alguém conhecido - e rachar as despesas!
      • A maioria dos hotéis cobram uma taxa extra, chamada "resort fee", que é muito cara. E não é opcional. Veja aqui uma lista das taxas cobradas por cada hotel. Como regra geral, eu diria que todos os hotéis que incluem cassino / resort incluem essa taxa na diária, e ela costuma variar entre 20 e 60 dólares por dia!!!
      • Se você vai de galera, considere a possibilidade de alugar uma casa pelo AirBnB e rachar com todo mundo. Além de provavelmente sair mais barato, você pode economizar com comida e bebida, comprando comida no supermercado em vez de gastar em restaurantes. A desvantagem é que vai precisar alugar carro e/ou depender de Uber, pois as casas são mais afastadas;
    • Alugue um carro (ou combine com os amigos para compartilharem um carro). O carro é fundamental para você poder passear a vontade pelos hotéis/cassinos, pelos pontos turísticos em volta da cidade e, principalmente, para fazer compras. E, acredite, ninguém vai em Vegas para ficar trancado no hotel. Você pode pegar taxi ou Uber, mas o carro é muito mais prático;
      • Durante a DEF CON, geralmente as filas para pegar taxi são enormes. Nessa hora você vai se arrepender por não ter um carro ;)
      • A maioria dos grandes hotéis e cassinos cobram pelo estacionamento, de visitantes e de hóspedes :(
      • Estacionar nos Valets dos cassinos pode ser uma boa alternativa, se eles não cobrarem um preço exorbitante. Os Valets são práticos porque você para o carro na porta principal do cassino e não precisa perder tempo procurando vaga nos estacionamentos - embora você gaste um pouco mais por isso (antigamente você só precisava pagar uma gorjeta na hora de retirar o carro, entre $3 e $5);
      • Se você está com mais um ou dois amigos, vale muito a pena alugar carro, e dividir os custos para facilitar a logística (preferencialmente fiquem no mesmo hotel, ou em hotéis próximos). Uma boa prática é, o primeiro que chegar aluga o carro e pega os demais no aeroporto, quando chegarem. Na hora de voltar para o Brasil, o motorista da vez vai até a área de embarque, descarrega a mala de todo mundo e vai deixar o carro na garagem dos carros de aluguel.  Enquanto isso os demais já vão pegando na fila do checkin ;)
      • Durante muito tempo eu fui paranóico com o seguro de carro: alugava com todos os seguros possíveis. Sai muito mais caro, mas tem a vantagem de não correr o risco de ter problemas em um país estranho. Atualmente, eu sigo as orientações do meu cartão de crédito, que diz quais seguros são desnecessários, pois já são cobertos pelo cartão;
        • Por exemplo, segundo o guia de benefícios do meu cartão de crédito, devo recusar todo e qualquer seguro parcial ou integral de danos por colisão ou outros danos similares e perdas e danos (CDW/LDW) oferecido pela locadora;
      • Uma alternativa é usar o Uber em Las Vegas, mas é comum se deparar com filas enormes para pegar táxi ou mesmo Uber, principalmente na saída dos eventos.
        • Fique atento, cada hotel tem um ponto bem específico para pegar Uber, normalmente bem escondido;
        • Você não pode pegar Uber em qualquer lugar na rua, nem mesmo na Las Vegas Boulevard;
    • Celular e Internet: Uma opção é comprar um celular pré-pago nos EUA ou um chip com plano de dados. Nas principais lojas e super mercados podem ser achados alguns aparelhos simples de celular pré-pago por menos de $20.
      • Verifique com a sua operadora de telefonia brasileira quais os planos de roamming internacional ela tem (e você possui);
      • Se você é cliente da Claro, melhor ainda é adquirir o "Passaporte Americas". Por uma taxa mensal relativamente pequena, você usa o celular a vontade nos EUA, como se estivesse no Brasil (voz e dados);
    • Tenha um seguro viagem. Verifique com o seu cartão de crédito se você tem um seguro com eles, caso tenha comprado a passagem com o esse cartão de crédito, ou contrate a parte.

  • Sobre a DEF CON
    • Os "goons" são o pessoal da organização e seus voluntários. Normalmente vestem camiseta vermelha e a maioria são "grandes" (gordos e altos). A principal regra da DEF CON é "sempre fazer o que eles mandarem". Não discuta, só obedeça;
    • A retirada de crachás começa na quinta-feira. Vá no Centro de Convenções e pegue o seu crachá o mais cedo possível;
      • É possível comprar os ingressos online e pegar lá na DEF CON, fique atento para o link e as instruções específicas, no site da DEF CON;
      • A inscrição pode ser feita com antecedência, on line, ou presencial a partir da quinta-feira. Para quem vai comprar na porta do evento, na verdade não existe um processo de "inscrição", você simplesmente paga o valor do ingresso e ganha o kit com o crachá, o guia oficial do evento (cuidado para não perder ele) e alguns adesivos. Não tem que preencher nada, é totalmente anônimo. O crachá é genérico, sem identificação das pessoas (mas tem uma distinção entre participantes, palestrantes, organização, imprensa, etc);
      • Haverá duas filas, uma fila para comprar o ingresso na hora e outra própria para quem fez o "pré-registro" online (essa é a maior fila de todas);
      • Existe um grande medo coletivo do "crachá de papel", ou seja, do crachá improvisado entregue quando os crachás oficiais esgotam. Na maioria das vezes eles fazem menos crachás do que a quantidade de pessoas, então quem fica por último pega esse crachá de papelão, super sem graça. Por isso mesmo, a galera costuma fazer filas gigantes para pegar seus crachás logo nas primeiras horas assim que as inscrições são abertas;
      • A fila de inscrição é grande. Em alguns anos eu e alguns amigos já ficamos mais de 2 horas na fila. Por isso, se possível vá acompanhado para ter alguém para ficar batendo papo, ou aproveite para fazer novos amigos ;)
      • A fila de inscrição (que o pessoal batizou de "linecon") começa na véspera (quarta-feira) a noite. É uma experiência cansativa, mas ao mesmo tempo, muitíssimo divertida - se você estiver disposto a varar a noite na fila. Eu sugiro passar por essa experiência pelo menos uma vez na vida. Sugiro chegar umas 4h da manhã, porque você pega um lugar bom na fila, sem se cansar tanto. Leve algo para comer e beber;
      • A inscrição deve ser paga somente em dinheiro (US$ 520 em 2026). Dinheiro vivo. Leve os dólares separados só para isso. Para quem precisa pedir reembolso na empresa, eles colocam um "recibo" em PDF (algo bem tosco mesmo!) na home page do evento;
      • A inscrição online é mais cara (até US$ 600 em 2026), mas tem a comodidade de garantir que você vai receber o crachá oficial do evento. Em 2025 a fila do ingresso online era bem maior do que a fila do ingresso pago na hora, então não vale a pena chegar cedo e encarar essa fila;
    • Os crachás (badges) da DEF CON são incríveis, muito legais. Na verdade, eles intercalam: num ano os crachás são eletrônicos, no outro são mais tradicionais (analógicos, rs). Fique de olho, pois os crachás eletrônicos da DEF CON são sensacionais! Em 2024, por exemplo, foram entregues crachás eletrônicos;
    • Depois de passar várias horas na fila do ingresso, fique mais algumas horinhas na fila da loja oficial do evento, para comprar a camiseta oficial da DEF CON e mais algumas bugigangas. As melhores opções acabam cedo, e as mais sem graça encalham e são vendidas com pequenos descontos no último dia. Mas verifique o tamanho da fila, pois nos últimos anos o tempo de espera foi realmente absurdo! Se você não tiver paciência para ficar 2 horas ou mais na fila, nem tente;
      • A melhor (ou pior) opção é ir na loja na 5a feira, assim que pegar o seu ingresso. A fila será gigante (você ficará pelo menos 2 horas), mas pelo menos você conseguirá escolher as coisas mais legais antes que elas se esgotem;
      • Em 2022 e 2023 a fila da loja oficial foi enorme, gigantesca, em todos os dias do evento;
      • Diferente da Black Hat, a lojinha oficial da DEF CON não tem tantas opções nem variedades: alguns modelos de camiseta, um ou dois bonés, um ou dois moletons, copo de shot, adesivos, pins, bandeira da DEF CON e mais algumas coisinhas;
      • Ainda sobre as bugigangas: no último dia algumas coisas da loja oficial são vendidas com desconto, mas geralmente sobra pouca coisa.
    • Leve bastante dinheiro vivo ("cash"). Além da inscrição e da loja oficial só aceitar pagamento em dinheiro, você não vai querer usar o seu cartão de crédito na maior conferência hacker do mundo, né? Você vai precisar de dinheiro para comprar comida, água e torrar um pouco na área de lojinhas, aonde tem várias bugigangas, livros, equipamentos antigos, kits de lockpicking e wardriving, camisetas e lembrancinhas. Muitas lojas da DEF CON só aceitam dinheiro;
    • Escolha com antecedência as palestras que você quer assistir. As melhores palestras são super concorridas e, na maioria das vezes, não há espaço para todo mundo. Ou você fica na fila na porta de entrada antes de começar a palestra (as vezes a fila começa a ser formada na palestra anterior) ou você entra na sala uma ou duas palestras antes para garantir o lugar. Mesmo assim não é 100% garantido, pois as vezes os organizadores fazem todo mundo sair da sala entre uma palestra e outra (é raro, mas pode acontecer) :(
      • Baixe o app Hacker Tracker para acompanhar a programação do evento;
      • Planeje-se com antecedência, e tente priorizar pegar palestras em sequencia, na mesma sala (ou salas vizinhas). Se você quiser assistir 2 palestras seguidas em salas diferentes, há grande chance de não conseguir chegar a tempo da 2a palestra. O local do evento é enorme e as distâncias são grandes, você pode demorar até uns 15 minutos de uma sala para outra,  dependendo da localização da atividade;
      • Uma área bem legal é o espaço das lojas. A loja da Hack5 sempre é a mais concorrida, mas tem muita coisa legal por lá: camisetas, adesivos, cacarecos eletrônicos de vários tipos, kits de lockpicking, etc. e é um ótimo local para achar os brasileiros e usar como ponto de encontro;
      • Tire um tempinho para, simplesmente, andar aleatoriamente entre as salas de atividades, villages, etc;
      • Dependendo da sala, é comum o pessoal sentar no chão ou ficar nas laterais depois que acabam os lugares disponíveis;
      • Depois que as salas lotam totalmente, os "goons" não deixam ninguém entrar. Ninguém mesmo. Não adianta tentar dizer que "tem um amigo reservando seu lugar" pois eles não aceitam essa desculpa;
      • Para as palestras mais concorridas, eu sugiro chegar na sala 1 ou 2 palestras antes, para garantir seu lugar;
      • As melhores palestras são apresentadas na Black Hat e na DEF CON. Então, se você tiver ingresso para os dois eventos, tente assistir primeiro na Black Hat - para não correr o risco de não conseguir entrar na sala da palestra na DEF CON.
    • Muito cuidado, pois o ambiente da DE CON é bem hostil!
      • Como regra geral, evite utilizar seu celular durante o evento, mantenha-o em modo avião (offline). Não use a rede de telefonia e nem acesse nada pela rede de dados do seu celular e, principalmente....
        • Sempre use VPN;
        • Cuidado até mesmo com a rede de celular, pois é comum o pessoal levantar antenas falsas de telefonia;
      • Se possível, nem leve o computador;
      • Não use os caixas eletrônicos dos hotéis do evento (em 2009 apareceu um caixa eletrônico falso no evento);
      • Evite, principalmente, acessar qualquer serviço online que você tenha que fornecer usuário e senha;
      • Se você quer realmente ficar online, ao menos tenha certeza de usar VPN, SSL e verificar o certificado digital. Mesmo assim, eu sou cagão e prefiro ficar offline... Afinal, esta é a rede mais hostil do mundo;
    • Além das quatro trilhas de palestras da DEF CON, existem diversos eventos paralelos dentro da DEF CON, que são muito interessantes e valem a pena ser vistos sempre que der tempo. Isto inclui as "villages" (wireless e lockpicking são as mais antigas e famosas, mas tem muita village bem legal, como por exemplo a Car Hacking e a Electronic Voting Village!), concursos, festas e as lojinhas. O jeito mais fácil para ver todas as opções disponíveis é dar uma olhada no site e no guia oficial recebido durante a inscrição;
      • As villages cresceram muito em quantidade, qualidade e relevância desde 2018. Vale muito a pena tirar pelo menos um dia para visitá-las, além de ficar de olho na programação de palestras e atividades delas. Algumas villages são mais concorridas e tem fila para entrar :(
    • Vista-se de forma confortável. O pessoal usa roupa bem descontraída, por isso a maioria da galera vai de bermuda e camiseta na conferência. Havaianas, ok, mas recomendo tênis, pois você vai andar bastante!
      • A Black Hat é mais coxinha (calça comprida e camisa ou camiseta pólo), mas na DEF CON vale praticamente qualquer tipo de vestimenta, incluindo fantasia (eu já fui fantasiado de Elvis), mas a camiseta preta, de eventos e com motivos nerd são as mais comuns, é quase um traje obrigatório;
    • Bônus: tente achar alguns desses personagens no evento ;)
    • As conferências são em ritmo pauleira: muitas palestras e muitas atividades simultâneas que começam cedo e vão até tarde (18h). Na DEF CON não há pausa para almoço nem break;
      • Beba bastante água (afinal, Las Vegas fica em um deserto!) e compre comida para se alimentar bem;
      • O pessoal da organização da DEF CON costuma falar da "regra 3-2-1" ("3-2-1 rule"): 3 horas de sono, 2 refeições e 1 banho por dia;
      • Nas salas de palestras costuma ter galões de água no fundo da sala;
      • Não quer perder nenhuma palestra? Então compre um sanduíche ou salada no intervalo entre uma palestra e outra e coma na sala de palestras mesmo, sem problemas. Mas seja educado e leve seu lixo para fora, ok?
      • Compre alguns snacks para comer durante o evento;
    • Alimentação: Há vários restaurantes e lanchonetes, de todos os tipos e gostos. Aproveite!!!
      • Pensando em praticidade e baixo custo, você pode comprar algumas coisas para o café da manhã em um supermercado (há opções baratas no Wallmart e na Target); 
        • Eu, geralmente, compro um pack de mini croissants ou cookies, com umas garrafinhas de café com leite do Starbucks, sabor Vanilla;
        • Todo hotel tem 1 ou 2 lojas do Starbucks, que também é uma opção frequente para um café da manhã rápido;
        • Nos dias mais calmos, vale tomar um café da manhã bem americano num Denny's ou num International House of Pancake (iHoP);
      • Durante a DEF CON, eu prefiro comer na lanchonete do evento e voltar rapidinho para as palestras. Ou comprar a comida neles e comer enquanto assisto as palestras. Tem alguns sanduíches e bowls de salada que quebram o galho e não são muito caros - mas só aceitam dinheiro :(
      • Você pode também ir em uma praça de alimentação próxima, para ganhar tempo;
      • Veja mais dicas de restaurante abaixo, quando falo sobre Vegas;
    • Festas e baladas? Tem de monteeee!!!
      • Praticamente todos os cassinos tem uma balada, algumas incríveis. As melhores costumam ser caras, ter filas enormes e dress code rígido (veja o próximo tópico). Por isso, a minha melhor dica é aproveitar para conhecer as baladas mais top nas festas dos patrocinadores da Black Hat #ficaadica
        • A Omnia (no Caesars Palace) e a Hakkasan (no MGM Grand) são absurdamente incríveis, você DEVE ir, se tiver a oportunidade!
        • Fique de olho na programação e nos anúncios, se você der sorte pode ter algum show de um DJ famoso a cidade;
        • Pool Parties? Também tem, se você curte, há boas opções;
        • Eu, particularmente, adoro de paixão o Coyote Ugly, no NYNY, adoro a vibe do lugar, e se pudesse, ia lá toda a noite! rs.
      • As melhores baladas em Las Vegas exigem dress code: calça comprida, camisa social e sapato (se o antipático do segurança não estiver de mal humor, ele deixa entrar com camiseta polo e tênis totalmente preto);
        • Leve uma muda de roupa no porta-mala do carro, com pelo menos uma calça comprida, camiseta polo e tênis preto ou sapatênis preto;
      • Na balada, os seguranças mandam e desmandam. Sempre siga suas ordens;
      • Mas as baladas não cobram o dress code se você for em alguma festa oficial da conferência ou organizada por patrocinadores, ou se você "comprar uma garrafa" (não sai por menos de $200, mas dá direito a uma mesa enquanto a garrafa não acabar - por isso, beba a garrafa devagar, para não ser expulso da mesa no meio da balada !!!);
      • Há várias festas organizadas pelas empresas durante a semana, principalmente nos dias da Black Hat. Vale a pena ficar de olho, pois algumas acontecem nas melhores baladas da cidade, com comida e bebida grátis :) A desvantagem é que a festa vai estar cheia de nerds, rs. Acompanhe pelo site www.defconparties.com;
      • As principais festas acontecem nos dias da Black Hat (3a, 4a e 5a feira), pois é quando estão as grandes empresas patrocinadoras tentando chamar a atenção dos executivos. Planeje-se direitinho para não perder as melhores festas, e dependendo do horário, você consegue ir em 2 festas diferentes na mesma noite;
        • Se liga: muitas das festas organizadas pelos patrocinadores da Black Hat exigem que você se cadastre previamente, online, e que pegue o convite no stand deles, dentro da área de exposição da Black Hat;
        • A maioria das festas ocorrem mais ou menos no mesmo horário, começam e acabam cedo - a maioria das festas vão das 17h às 21h, às vezes até as 22h e poucas continuam depois disso. Então planeje bem e chegue cedo, para aproveitar;
      • Preste atenção com os horários, pois os americanos são muito pontuais com o início e final da festa. Se a festa está marcada para encerrar as 19h, as 19h01 eles já acenderam as luzes e expulsaram todo mundo!
    • Apesar da norma geral ser de que o pessoal não gosta que tirem fotos durante o evento, é OK tirar fotos desde que você não exagere ou não fique tirando foto de alguém específico, sem pedir permissão antes. Mas tome cuidado, pois via de regra, as pessoas lá não gostam de ser fotografadas e os voluntários e goons podem te abordar!
      • Se você tentar tirar uma foto do evento com um Goon por perto, provavelmente vai levar uma bronca e ele pode exigir que você apague a foto - mesmo que seja uma foto num estilo mais "panorâmico";
      • Na sala do Capture the Flag da DEF CON o pessoal costuma ser muito rígido e não permitir fotos (normalmente os competidores não gostam de ser fotografados);

  • Sobre Las Vegas
    • Para os padrões americanos, Las Vegas é um inferninho. Para os nossos padrões, é apenas uma cidade cheia de diversão - até a Rua Augusta em São Paulo é mais "barra pesada", rs;
    • O primeiro choque de realidade acontece assim que você desembarca no aeroporto de Las Vegas (Harry Reid International Airport / LAS): há dezenas de máquinas de jackpot no saguão do aeropporto!
    • Cada "cassino" lá na Strip é, na verdade, um mega-centro de diversões: é um complexo com cassino, hotel (alguns com milhares de quartos!), alguns restaurantes, alguns bares, uma ou duas baladas e um ou dois teatros;
      • Os cassinos mais antigos são temáticos e valem a visita pela decoração: Paris, Venetian, Caesar, MGM, Bellagio, Luxor, etc Hard Rock;
      • As opções de shows beiram ao absurdo: Em Vegas tem 5 shows diferentes do Cirque du Soleil (recomendo o "O" e o "Michael Jackson One"), Blue Man Group, David Copperfield (sim, aquele mágico que passava no Fantástico nos anos 80), Fantasma da Ópera, etc;
      • Uma boa opção é comprar ingressos em algum dos stands da Tix4Tonight. É possível achar alguns shows com um belo desconto, mas vale somente para o mesmo dia;
    • Las Vegas é a única cidade dos EUA aonde é possível beber cerveja na rua, mas isso só vale se você estiver andando na Las Vegas Boulevard e na Freemon Street - não vale para qualquer rua;
      • Nunca, jamais, beba cerveja dentro do carro. Na verdade, é proibido até mesmo aos passageiros, e nem mesmo pode ter uma garrafa aberta dentro do carro (foi o que me disseram, confesso que eu nunca tentei agir ao contrário e nem vou tentar);
      • Cerveja é caro nos EUA: facilmente você vai pagar $5 ou $6 em uma latinha. Mas com um pouco de esforço você ainda consegue achar alguns bares com cerveja barata, a $1. O jeito é ficar de olho e trocar idéia com os amigos;
    • Quer comer bem? Tem opções para todos os gostos e bolsos. Vou focar em lugares de bom custo, que são onde normalmente como.
      • Quer um lugar muito legal e relativamente barato? Eu recomendo o Peppermill. Os pratos são muito bem servidos, podem ser compartilhados facilmente (eles tem uma costelinha com barbecue que serve 3 pessoas, de verdade!). O local tem uma decoração bem legal, parece que você está em um filme. Mas, infelizmente, ele deixou de funcionar 24h após a pandemia;
      • Eu gosto muito também do Bubba Gump e o Red Lobster - bons e relativamente baratos;
      • Os restaurantes Outbacks e os Applebees são baratos nos EUA, diferente do Brasil, com a vantagem de ter uma comida que já conhecemos e gostamos ;)
      • O Denny's é uma boa opção também de comida bem típica americana, num preço relativamente barato, principalmente no café da manhã;
      • Restaurantes bons e muito turísticos: Hard Rock Café e Planet Hollywood;
      • Outra opção bem legal é o Olive Gardens, um restaurante muito bom de comida italiana e com preço bem acessível (com um bowl gigante de salada como entrada);
      • Excelente mesmo é o Cheese Cake Factory, parada obrigatória de qualquer viagem nos EUA. A comida é excelente, muito bem servida e você deve guardar um espaço para comer um cheesecake de sobremesa (entre os diversos sabores, o cheesecake de chocolate da Godiva é o meu preferido!);
      • Hamburguer melhor do que o "5 Guys" não existe;
      • Vale a pena conversar com o resto dos brasileiros e com o pessoal mais experiente para descobrir quais lugares tem comida e bebida mais barato;
      • Tem vários restaurantes e lanchonetes legais no "Promenade", uma rua que fica ao lado do Hotel LINQ e que acaba de frente a roda gigante. Vale o passeio e comer alguma coisa por lá;
      • No Venetian tem um restaurante muito bom e com preço justo do Buddy, do seriado Cake Boss, vale muito a pena ir. Chama Buddy's V e fica do lado da loja de bolos e doces dele, mas ao contrário da loja, nunca peguei fila para ir no restaurante;
      • Quer ir de galera? Eu recomendo o Hofbräuhaus, com comida alemã deliciosa, muita cerveja e mesas enormes, para chamar muita gente!
      • No centro velho, na Freemond, tem o Heart Attack, uma hamburgueria bem famosa;
      • Em alguns restaurantes de hotéis mais antigos ainda é possível encontrar o "steak and eggs", um bifão com ovo, que costuma ter preço promocional durante a madrugada;
    • Gorjeta ("tip"): Prepare-se: uma boa parte do seu dinheiro vai em gorjeta. Não tem jeito, isso faz parte da cultura dos americanos e eles esperam que você dê gorjeta para tudo. Em Vegas, é pior ainda. :(
      • Refeição: Considere 20% de gorjeta em qualquer conta em restaurantes nos EUA. Sempre, exceto McDonnalds e fast foods nas praças de alimentação. Se você pagar a conta com cartão de crédito, você deve preencher no canhoto o quanto você vai dar de caixinha e indicar qual é o total. Inclusive, há campos específicos para isso. Preencha, pois uma vez eu deixei em branco e tomei fraude - alguém botou um valor enorme de tip, e passou!
      • Drinks: sempre que você pedir um drink no bar (seja numa festa comum, num bar comum ou mesmo numa das festas patrocinadas durante a Black Hat aonde a bebida é grátis), dê gorjeta para ser bem atendido. É comum ver o pessoal dar 5 ou ate 10 dólares de tip, mas eu sempre dou apenas 1 dólar. Você pode chegar ao cúmulo de pagar $1 na cerveja e dar mais $1 só de caixinha, mas isso é comum. Ah, esse protocolo tem um bug que podemos explorar: se você pegar vários drinks de uma vez (para você e os amigos), pode dar apenas uma gorjeta (no meu caso, rs, $1);
      • Banheiro: sim, isso dá raiva, mas no banheiro das baladas fica um carinha que põe sabonete líquido na sua mão e entrega papel toalha... e ainda tem alguns vidros de perfume que você pode usar. Tudo isso a custa de uma gorjeta ($1 está de bom tamanho);
      • Valet: deixe entre $3 e $5 de caixinha.
      • Hotel: Se usar o serviços do carregador de malas, é de praxe dar pelo menos $1 por mala;
      • Taxi: se você realmente preferiu pegar taxi do que alugar carro, tem que dar gorjeta para o motorista de taxi: 20%. Não adianta pensar que vai pagar só o valor da corrida;
      • Pelo tanto de caixinha que temos que dar, já deu para perceber que notas de $1 valem ouro... tente acumular o máximo possível de notas de $1 na carteira, para poder dar caixinha.

  • Compras
    • É impossível ir aos EUA sem torrar dinheiro em compras, rs. E Las Vegas não decepciona nesse quesito: tem Best Buy, GameStop (para os aficcionados em games), tem dois Outlets próximos, e até mesmo os supermercados Wallmart e Target e valem a visita;
    • Com o dólar a 5 reais, vale sempre a pena pensar bem e pesquisar antes de comprar algo;
    • Fique atento com as cotas de importados que você pode trazer para o Brasil sem pagar imposto (US$ 1.000 por passageiro, por mês) e, principalmente, com quanto você consegue trazer nas malas (geralmente a sua passagem vai permitir uma mala pequena de mão, com 10 quilos, e apenas uma grande despachada com 23 quilos);
      • Leve, ou compre lá, uma balança de malas, vai ser muito necessário;
    • Vegas tem 4 lojas da Apple (Apple Store): duas na região badalada da Strip (no Fashion Mall e no The Forum Shops, ao lado do Caesars Palace), uma no Town Square (um shopping simpático a céu aberto, que também tem uma TJ Maxx, rs) e a outra bem mais afastada do centro;
    • A galera se acaba de fazer compra de coisas boas e relativamente baratas nos dois Outlets próximos do centro de Las Vegas, o Las Vegas Premium Outlets South e o North - cada um em uma ponta da cidade, praticamente. Os dois possuem com lojas das melhores marcas, muito baratas. O South é fechado (com ar condicionado!), bem menor, e fica ao lado do Aeroporto. o North é muito maior e aberto, pouquinha coisa mais afastado do que o outro;
    • Eu recomendo ir na TJ Maxx e na Ross. Nestas lojas é possível, garimpando bastante e com sorte, comprar roupas, relógios, brinquedos e artigos para casa muito baratos, mais barato do que nos outlets. Estas lojas são praticamente "os outlets dos outlets". Inclusive, você pode comprar boné, óculos de sol (afinal, Las Vegas fica no meio do deserto) e o principal: malas extras para levar as compras. No meio da Strip tem uma Ross enorme e tem também a loja Marshalls, na mesma pegada;
    • Uma boa dica de lembrancinha para levar para casa é passar em uma das farmácias da Wallgreens e comprar baralhos usados dos cassinos. Eles custam mais barato nas lojas Wallgreens do que nas lojas dos cassinos ou lojas de souvenir. Lá você pode dar sorte de encontrar também dados usados de cassinos (vendidos aos pares). Nas Wallgreens também tem vários outros souvenirs de Vegas a bons preços, além de remédios, comida, etc;
    • Para comprar e turistar, eu sugiro a loja da M&M e da Coca-Cola, na Strip;
    • Para compras on-line (por exemplo na Amazon), evite pedir a entrega no seu hotel, pois a grande maioria dos hotéis em Vegas cobram uma taxa para receber encomendas. As vezes, o valor da taxa pode sair mais caro do que o item que você comprou. No caso da Amazon, a melhor opção é usar os lockers, tem dezenas deles espalhados por toda a cidade;
    • Os saudosistas até hoje lamentam que a Fry's faliu (era uma super-hiper-mega loja de informática e eletrônicos);
    • Lembre-se: livro não paga imposto na alfândega, mas ocupam muito espaço na mala e são pesados :(
    • Outras ljoas bem legais: M&M Store na Strip, Friendly Hobbies (para fritar o seu cartão de crédito), Guitar Center, etc
    • Coisas simples que são muito mais baratas nos EUA e eu sempre compro: vitaminas, pote com 1.000 aspirinas, pack com 1.000 cotonetes, creme de barbear, gilete;

  • Passeios
    • Um passeio muito legal perto de Vegas é visitar a Hoover Dan, que é aquela usina hidroelétrica que o Super Man salvou no primeiro filme (nos tempos do Christopher Reeve). Vale a pena fazer também o tour dentro da usina, que é pago;
    • Vegas fica perto do Grand Canyon, mas não tão perto assim: é um passeio que exige um ou dois dias dedicados. A opção mais perta (ou "menos longe") é visitar o lado "West" do Grand Canyon, aonde fica o Skywalk. São 3 horas de carro para ir, mais 3 horas para voltar, e lá você paga uma taxa para entrar no parque. Eles tem um ônibus que te leva a três lugares: uma cidadezinha cenográfica do Velho Oeste, no Skywalk em si e em outro trecho do Grand Canyon, com um restaurante e um teleférico abandonado. Dizem que o lado Norte do Grand Canyon é bem mais legal, mas é um passeio aonde você gasta dois dias se for de carro: um dia para ir e outro para voltar. Outra opção para quem tem mais dinheiro e menos tempo é fazer o passeio de helicóptero (tem várias opções, e quem fez não se arrepende). Dica: use filtro solar e beba bastante água;



    • Uma alternativa legal para quem quer ter contato com a natureza local é visitar o Red Rock Canyon, que fica bem pertinho de Las Vegas (cerca de 20 minutos, de carro) - é um passeio legal para uma manhã ou uma tarde. Embora seja bem pequeno, vale a pena pela visita. E o local é bem organizado, com várias trilhas bem sinalizadas. Mas, se você quer mesmo ver um canyon desses de cinema, rs, este passeio é roubada;
    • Em Vegas, não deixe de ir na Sphere, o espaço de shows gigante que é uma grande esfera, com o exterior cercado de leds. A tecnologia de projeção deles é surreal, vale a pena assistir algum show lá!
    • Vá uma vez na Freemont Street, caminhe por ela de ponta a ponta, adimirando o teto de led que cobre toda a rua, e visite algum dos cassinos antigos de lá;
    • Dois passeios legais, perto da Strip: visitar a lojinha de penhores do seriado Trato Feito (fica na "713 S Las Vegas Blvd", saindo da Strip em direção ao centro velho) e atirar com armas de verdade na The Gun Store ou na Battlefield Vegas (eles tem uma área externa com vários veículos militares em exposição);
    • O site Melhores destinos fez uma lista com 52 dicas para a primeira viagem a Las Vegas. Vale a pena dar uma lida;
    • O Anderson Ramos criou uma lista no Foursquare de lugares meio fora do circuito turístico, que ele foi garimpando ao longo dos anos;
    • Outros passeios legais são a montanha-russa no topo do hotel NYNY, a roda gigante do LINQ, o aquário gigante no Mandalay Bay, a loja da Coca-Cola na Strip (você pode comprar uma bandeja para provar vários refrigerantes ao redor do mundo) e...
    • ... assistir uma partida de futebol americano no estágio gigante do Raiders (com ar-condicionado!!!)
    • Passeios obrigatórios para nerds, como nós:
      • ir no Pinball Hall of Fame - um lugar gigante, com máquinas de fliperama de tudo quanto é tipo, desde o século retrasado!
      • assistir uma batalha de robôs no BattleBots;
      • ir no Museu do Crime Organizado: The MOB Museum (fica perto da Freemond).
Além de tudo isso que eu disse acima, não se esqueça de ler também as dicas do Willian Caprino e do Daniel Santana. Muitos brasileiros costumam ir na DEF CON todo o ano, sendo que os mais enturmados costumam se organizar através de um grupo no Whatsapp, aonde compartilhamos dicas, combinamos baladas, etc.

Veja abaixo uma apresentação que eu fiz em 2010 junto com o Thiago Bordini e o Willian Caprino sobre a Black Hat e a DEF CON daquele ano.


Para saber mais:

PS: Pequena atualização em 24, 26 e 27/07.

julho 01, 2026

[Segurança] Vamos relembrar a BSidesSP 2026

Bateu saudades da edição histórica da Conferência Security BSides São Paulo (BSidesSP), que aconteceu nos dias 16 e 17 de maio? Recentemente publicamos o vídeo-resumo do evento, que conta um pouco como foi viver essa experiência, de juntar mais de 3.400 pessoas num final de semana!


A Conferência Security BSides São Paulo (BSidesSP) é uma conferência sobre segurança da informação e cultura hacker, organizada por profissionais que trabalham na área, com o objetivo de promover a inovação, discussão e a troca de conhecimento entre os pesquisadores de segurança, profissionais e estudantes. além de divulgar os valores positivos e inovadores da cultura hacker. A BSidesSP surgiu em 2011 e faz parte do circuito global de conferências Security BSides, presentes em mais de 60 países. "Da comunidade para a comunidade".

A BSidesSP 2026 aconteceu nos dias 16 e 17 de Maio de 2026, no final de semana antes da You Shot the Sheriff (YSTS), e celebramos 15 anos desde nossa primeira edição, realizada dentro do Garoa Hacker Clube. No sábado tivemos mini-treinamentos, a competição do CTF e competição do Masters of Pwnage. No domingo ocorreu o evento completo, com palestras, 22 Villages e lojinhas bem legais. A competição de Capture The Flag (CTF) foi realizada no sábado 16/05 graças ao apoio e organização da comunidade Hack in Cariri. A realização do evento conta com a produção sensacional da Hekate. Nesse ano contamos com o apoio da nossa comunidade através de uma vaquinha.

A BSidesSP 2026 conta com o patrocínio das empresas AWS & DAREDE à Nuvem, Hacker Rangers, Logical It, Azion, Clavis, CYLO, Eskive, Forcepoint, Hekate , LUMU, STRATASEC e da TrendAI, além da Beephish, BugHunt, CECyber, Cyber Horizon, CyberVision, Fortra, GoHacking, Hakai, Leonnes, Open Cybersecurity, PurpleBird, Scythe, Shield Security, Snyk, Tenable, Thallium, Vantico WB Educação e Zenx. O CTF conta com o patrocínio da Azion, Malware Patrol, TrendAI e Vantico. O bar do evento foi um oferecimento da Snyk.

Obrigado às empresas que acreditam e apoiam a nossa comunidade!!!

Quer conferir estas e outras novidades? Fique de olho nas nossas redes sociais, no nosso grupo no Telegram e no nosso site.

#bsidessp #hacktheplanetagain #bsidessp15anos

Veja também, aqui no blog:

junho 11, 2026

[Segurança] Relatórios sobre o cenário de cibersegurança na América Latina

Recentemente eu fiz um levantamento sobre o cenário de cibersegurança na região da América Latina e achei alguns materiais legais:

Em 03/06/2026 a Apura apresentou um webinar sobre o Panorama de Amenazas Cibernéticas en Brasil y América Latina:



Outros materiais interessantes:
Veja também:
PS: Post atualizado em 27/07/2026.

março 22, 2026

[Segurança] Hack the Planet. Again.

O mundo em guerra, a IA tomando o emprego das pessoas (e alucinando feito louca), Brasil perdeu o Oscar (rs) e, sabe do que precisamos? Hackear o planeta! Basta!


Por isso, nesse ano escolhemos que o tema da Security BSides São Paulo (BSidesSP) será "Hack The Planet. Again.", trazendo de volta o famoso bordão da comunidade hacker que foi criado no filme Hackers (1995) - 31 anos atrás.


O filme é meio cafona, rs, mas é um marco na cultura hacker!

Conferência Security BSides São Paulo (BSidesSP) é uma conferência sobre segurança da informação e cultura hacker, organizada por profissionais que trabalham na área, com o objetivo de promover a inovação, discussão e a troca de conhecimento entre os pesquisadores de segurança, profissionais e estudantes. além de divulgar os valores positivos e inovadores da cultura hacker. A BSidesSP faz parte do circuito global de conferências Security BSides, presentes em mais de 60 países.

A BSidesSP 2026 acontecerá nos dias 16 e 17 de Maio de 2026 e celebra 15 anos desde nossa primeira edição, realizada dentro do Garoa Hacker Clube. A competição de Capture The Flag (CTF) será realizada graças ao apoio e organização da comunidade Hack in Cariri. A realização do evento conta com o apoio sensacional da Hekate. Nesse ano contamos com o apoio da comunidade através de uma vaquinha.

Veja também, aqui no blog:

março 18, 2026

[Segurança] Começam a valer os novos requisitos regulatórios de cibersegurança para o setor financeiro

Desde 01 de março todas as instituições financeiras devem cumprir novas normas de segurança definidas pelo Banco Central.

Em 18 de dezembro de 2025 o Banco Central publicou duas novas regulamentações que reforçam os controles de segurança exigidos das empresas do setor financeiro, a Resolução CMN n° 5.274 e a BCB n° 538.




As duas resoluções são similares, quase idênticas - a principal diferença é para quem se aplicam, mas podemos considerar que as duas abrangem praticamente todo o mercado financeiro nacional.

As resoluções CMN n° 5.274 e BCB n° 538 substituem as anteriores, respectivamente a Resolução CMN nº 4.893, de 26 de feve​reiro de 2021 e a Resolução BCB nº 85, de 8 de abril de 2021, que dispõem sobre exigências mínimas para a política de segurança cibernética das organizações e, também, sobre os requisitos para a contratação de serviços de computação em nuvem. A 4.893, por sua vez, substituiu a Resolução nº 4.658, de 26 de abril de 2018, que na época era muito famosa por ter sido o primeiro marco normativo do setor financeiro que permitiu às empresas adotarem serviços de computação em nuvem. E foi isso que permitiu, do ponto de vista tecnológico, o boom das Fintechs e Bancos digitais que vivemos desde então.

Basicamente a Resolução CMN n° 5.274 e a BCB n° 538 trazem novos requisitos de segurança para as instituições financeiras, além dos que já eram exigidos até então. Elas detalham alguns requisitos já existentes e incluem exigências novas, que devem ser previstas nas políticas de segurança e evidenciadas em auditorias e relatórios periódicos.

O objetivo, claro, é aumentar a segurança do sistema financeito através de práticas mais rigorosas por parte das empresas. E, assim, tentar frear a onda crescente de fraudes milionárias que pipocaram desde meados de 2025.

Vou listar abaixo alguns dos principais pontos dessas resoluções:
  • Art. 3º § 2º - Nova lista com os procedimentos e controles que devem constar na política de segurança cibernética (os marcados em negrito são novos!):
I - a autenticação; 
II - os mecanismos de criptografia; 
III - os mecanismos de prevenção e detecção de intrusão; 
IV - os mecanismos de prevenção de vazamentos de informações; 
V - os mecanismos de proteção contra softwares maliciosos; 
VI - os mecanismos de rastreabilidade; 
VII - a gestão de cópias de segurança dos dados e das informações; 
VIII - a avaliação e a correção de vulnerabilidades dos recursos computacionais e dos sistemas de informação;  (antes estava como "realização periódica de testes e varreduras para detecção de vulnerabilidades")
IX - os controles de acesso; 
X - a definição e implementação de perfis de configuração segura de ativos de tecnologia;
XI - os mecanismos de proteção da rede; (antes estava como "segmentação de rede")
XII - a gestão de certificados digitais; 
XIII - os requisitos de segurança para a integração de sistemas de informação por meio de interfaces eletrônicas; 
XIV - as ações de inteligência no ambiente cibernético, incluindo o monitoramento de informações de interesse da instituição na internet, na Deep Web e na Dark Web, além de grupos privados de comunicação.
  • Art. 3º § 6º - Os controles de segurança também se aplicam nos casos de "sistemas de informação por ela adquiridos ou desenvolvidos por empresas prestadoras de serviços a terceiros";
  • Art. 3º § 7º - Exigências mais detalhadas para os "mecanismos de rastreabilidade" e tempo de retenção dos dados;
  • Art. 3º § 8º - Exigências mais detalhadas para as atividades de "avaliação e a correção de vulnerabilidades";
  • Art. 3º § 9º - O detalhamento das novas exigências para controle de acesso;
  • Art. 3º § 10º - Detalhamento das novas exigências para perfis de configuração segura;
  • Art. 3º § 11º - Exigências mais detalhadas para os mecanismos de proteção da rede;
  • Art. 3º § 12º - Detalhamento das novas exigências para gestão de certificados digitais;
  • Art. 3º-A - Traz novos requisitos de segurança:
    • I - no caso de comunicação eletrônica de dados na Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN): controles de MFA, isolamento físico e lógico dos ambientes PIX e STR, monitoramento e guarde de credenciais e certificados digitais, além de "implementação de mecanismos de validação da integridade fim a fim das transações" e "vedação do acesso de empresas prestadoras de serviços a terceiros às chaves privadas associadas a certificados digitais";
    • II - no caso de conexão como participante de Sistemas do Mercado Financeiro (SMF): implementação de controles de segurança para prevenção, detecção e resposta a fraudes;
  • Art. 8º - O relatório anual sobre a implementação do plano de ação e de resposta a incidentes também deve contemplar, a partir de agora, os resultados dos testes de continuidade de negócios e os resultados dos testes de intrusão e dos testes para detecção de vulnerabilidades, além dos planos de ação estabelecidos para as suas correções;
  • Art. 22-A. - Exigências mais detalhadas para os testes de intrusão;
  • Art. 22-B. - Reforço de que os requisitos de segurança para conexão com a RSFN se aplicam independente da forma de conexão e mesmo quando "o prestador de serviços fornece serviço de processamento de mensagens no âmbito do SFN e do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB";
  • Art. 23. - Inclui na lista de informações que devem ficar à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo de cinco anos: a documentação de casos que configurem uma situação de crise e os resultados da execução de testes de intrusão e os planos de ação;
  • Art. 24. - Inclui que o Banco Central poderá estabelecer "a especificação dos requisitos de segurança para integração de sistemas de informação por meio de interfaces eletrônicas".
Como podemos ver, as resoluções incluíram novos requisitos de segurança e também trouxe um maior detalhamento dos requisitos que já eram exigidos anteriormente.

Também chamou muito a atenção do mercado que o BC incluiu uma exigência de que as instituições financeiras tenham serviços de cyber threat intelligence (CTI), que são importantíssimos para prevenção de ataques e de fraudes. Por isso mesmo, em 20 de janeiro deste ano a Apura apresentou um webinar sobre o assunto: Sistema Financeiro em Foco: a atuação da Apura frente às resoluções do Bacen e CMN.



Para saber mais:

março 17, 2026

[Segurança] Notícias e referências sobre o conflito cibernético no Irã (com memes)

De certa forma, todos nós fomos pegos de surpresa em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel começaram uma campanha militar contra o Irã, que logo nas primeiras horas já resultou na morte de várias lideranças do país, inclusive o seu líder supremo. Segundo declarações iniciais de Donald Trump, o conflito deve durar de 4 a 5 semanas - mas não podemos nos esquecer que guerras são imprevisíveis, e semanas podem se tornar dias, ou anos!

A guerra o Irã, chama a atenção não só pelo envolvimento dos EUA, Israel (duas potências militares) em um conflito numa região tão instável quanto o Oriente Médio, mas principalmente pelo seu impacto nos mercados globais de energia. Um conflito nessa região tem grande potencial de causar desestabilização em todo o Oriente Médio.

No mundo atual, uma campanha militar desse porte tem fortes componentes cibernéticos - e eu já falei isso no meu post sobre a guerra na Ucrânia - que acabou de completar 4 anos :(

Muitos ciberataques e atos de espionagem serviram de apoio ao início do ataque ao Irã. E, desde então, já estamos vendo centenas de ciberataques acontecendo em represália. Há relatos de que houveram ciberataques à infraestrutura elétrica e de telecomunicações do Irã para facilitar o bombardeio de Israel e EUA. Por outro lado, acredita-se que o governo iraniano está forçando um blackout na Internet do país para manter uma censura na população local e controlar o fluxo de informações.

O fato é que os três países envolvidos, EUA, Israel e Irã tem tradição em operações de ciber inteligência. Para dar só um exemplo, os três estavam envolvidos no Stuxnet, a primeira arma cibernética do mundo, criada há 15 anos atrás!
  • Nota: quando é um país amigo chamamos de ciber inteligência, mas quando é inimigo, chamamos de APT.
Já se pode ver que o Irã não é um adversário qualquer - nem no mundo real nem no virtual.

Este artigo do CSIS disse algo bem interessante: "É importante colocar o papel e o valor das operações cibernéticas iranianas em perspectiva: é improvável que elas impactem ou alterem o curso desta guerra. (...) as capacidades cibernéticas tendem a oferecer uma vantagem incremental, e não revolucionária, em conflitos."

Além do mais, no caso do Irã, existem vários grupos APT já conhecidos, patrocinados pelo Estado e com um histórico bem documentado, incluindo o trabalho em parceria com gangues de ransomware - em 2025, eles ofereceram grandes quantias em dinheiro por infecções contra organizações americanas e israelenses.
O Irã também tem um histórico de censura online, disseminação de desinformação e de notícias falsas por meio de postagens em mídias sociais para manipular a opinião pública - e esse tipo de atividade tende a se intensificar em tempos de conflito.

É importante notar também que, assim como no mundo real, as hostilidades estão envolvendo vários países da região, não apenas Irã, Israel e EUA.


Logo no início do conflito, paralelamente ao início dos ataques aéreos em 28 de fevereiro de 2026, Israel lançou uma campanha cibernética em larga escala com o objetivo de paralisar as redes de informação, comando e infraestrutura crítica do Irã. O ataque, que foi descrito como "o maior ciberataque da história" contra o Irã, contribuiu para um apagão quase total da internet, interrupção dos serviços governamentais, da mídia e de partes da infraestrutura de energia e aviação.

Algumas estatísticas:
  • Segundo um relatório da Radware, nos 3 primeiros dias do conflito (entre 28 de fevereiro e 2 de março), 9 grupos hacktivistas distintos reivindicaram 107 ataques DDoS contra 81 organizações em 8 países diferentes da região. O relatório destaca que a mobilização hacktivista ocorreu em apenas 9 horas, caracterizada principalmente por ataques DDoS direcionados a infraestruturas críticas e serviços governamentais na região. Nesse período os hacktivistas priorizaram ataques contra a infraestrutura nacional em detrimento de alvos aleatórios, direcionando 53% de todos os ataques contra instituições governamentais - Israel, Kuwait e Jordânia foram os principais alvos.


  • Segundo o SOCRadar, na primeira semana do conflito foram registrados 368 incidentes cibernéticos em uma dúzia de países, com Israel sendo o alvo em 184 incidentes, seguido pelo Kuwait (53) e Jordânia (41). A infraestrutura governamental foi o setor mais visado, com 84 relatos, seguido por serviços financeiros, defesa, aviação e educação. O grupo DieNet liderou em volume de ataques, com 59 operações reivindicadas, seguido pelo Keymous Plus (51) e pelo 313 Team (42). O volume de ataques atingiu o pico em 2 de março, com 77 relatos diários, antes de se estabilizar entre 52 e 63 por dia até o final da primeira semana.

 

  • Desde o início do conflito (28/02) até 13 de março, a Akamai observou um aumento de 245% nos crimes cibernéticos direcionados a empresas e instituições críticas na América do Norte, Europa e partes da região Ásia-Pacífico;
  • Até 29 de março a DigiCert havia rastreado quase 5.800 ataques cibernéticos realizados por cerca de 50 grupos diferentes ligados ao Irã. Embora a maioria dos ataques tenha como alvo empresas americanas ou israelenses, a DigiCert também encontrou ataques a redes no Bahrein, Kuwait, Catar e outros países da região.
O conflito pode ser longo. Segundo uma reportagem do portal Politico, o Comando Central dos EUA solicitou ao Pentágono o envio de mais oficiais de inteligência militar para apoiar as operações contra o Irã por pelo menos 100 dias, mas provavelmente até setembro.

Eu gostaria muito de fazer uma cobertura mais detalhada dos acontecimentos , como tenho feito até hoje na Guerra entre Rússia e Ucrânia, mas por questões de tempo não conseguirei. Por isso, optei em criar esse post com o objetivo principal de compartilhar as notícias e relatórios relevantes sobre o conflito cibernético entre esses países.

Para ficar antenado, vale a pena acompanhar esses relatórios com excelente cobertura, e atualizados diariamente:

Veja também o vídeo do canal True Hacking, do Alcyon Júnior, sobre o conflito (Ataque real em andamento? Irã x EUA em 2026, 03/03/2026):


Alguns dos ataques e operações relacionadas mais relevantes, IMHO:
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Relatórios de inteligência:
Outras referências:

Informações adicionais, relevantes ou só interessantes mesmo:
Meme? Temos alguns!


 

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PS: Atualizado em 17, 20, 23, 24, 26, 30 e 31/03, em 02, 06, 07, 08, 09, 13 e em 27 e 28/04, em 11/05 e 15 e 16/06. Atualização muito pequena em 27/07.
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