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março 29, 2023

[Segurança] Brasil contra fakenews

O governo federal lançou recentemente a plataforma Brasil Contra Fake, um projeto destinado a ajudar no combate às fake news disseminadas constantemente nas redes sociais.


A usabilidade da plataforma ainda não é boa, pois os artigos sobre cada fake news ficam listados no histórico de notícias, embora seja é possível fazer busca por temas específicos. Cada notícia desmente uma fake news específica. Nesse histórico podemos perceber que, aparentemente, a prioridade da plataforma é focar em fake news sobre as ações do governo federal e sobre o COVID-19.

O site também traz uma orientação sobre como denunciar fake news compartilhada nas principais redes sociais, com um passo-a-passo para cada uma delas.


Para exemplificar o impacto negativo das fake news, o governo também divulgou um vídeo com o depoimento de uma pessoa que teve a mãe assassinada após ser espancada pois uma fake news a acusava de ser sequestradora de crianças.

dezembro 28, 2022

[Cidadania] Retrospectiva: Voltamos melhor após a pandemia?

 Não.

[Carreira] Retrospectiva: Não podemos esquecer dos benefícios do Home Office

Neste ano, 2022, estamos vivendo o fim da pandemia do Coronavírus, e vale a pena refletir sobre as mudanças que poderiam ter ocorrido graças a ela. Nesses dois anos de pandemia, uma parte da força de trabalho foi colocada em home office. E agora, com o retorno a "vida normal", como será o futuro do trabalho remoto? Ou melhor... será que há futuro?

Com o fim da pandemia, eu vejo um movimento grande de retorno aos escritórios, colocando à prova o sonho do trabalho remoto. Mas o trabalho remoto, ou mesmo o modelo de trabalho híbrido, traz muitas vantagens, que não poderiam ser ignoradas.

Durante a pandemia do novo coronavírus, desde o início de 2020 diversas empresas foram obrigadas a adotar o trabalho remoto em função da exigência de quarentena e isolamento social imposta pelas autoridades sanitárias no Brasil e em diversos países ao redor do mundo. Do dia para a noite, literalmente, muitos executivos que eram reticentes a adoção do trabalho remoto tiveram que adotar esse regime a força. E, assim, diversas empresas experimentaram o trabalho remoto pela primeira vez, em praticamente todas as suas áreas de negócio. Em alguns casos, as áreas de tecnologia já praticavam o regime de trabalho remoto, mesmo que extra-oficialmente, mas sua adoção era muito mais rara nos demais times das empresas.

Olha que interessante esse gráfico da Reuters sobre a adoção de isolamento social e restrição de comércio no Brasil durante o período da pandemia:


Apesar da tragédia humana que a pandemia representou, ela também nos deu a oportunidade de refletir sobre nosso modo de vida. Especialmente no caso do trabalho remoto. Eu acredito que o resultado desse período de adoção do home office acabou sendo muito positivo para todo mundo, empresas e funcionários. Eu vejo que, na prática, muitas empresas conseguiram manter o seu nível de produtividade e entregar os resultados esperados mesmo com parte ou totalidade dos seus empregados trabalhando em casa, longe dos escritórios.

É claro que nem tudo foi flores nesses últimos dois anos: já se falou muito sobre o grande crescimento de casos de stress e burnout nesse período, tanto é que a saúde mental entrou na pauta de todas as empresas. Mas eu acredito que eles foram causados pela pressão do confinamento durante o período de isolamento social, e não pelo regime de trabalho remoto em si. Além disso, muitas empresas, executivos, gestores e funcionários não estavam preparados adequadamente para o trabalho remoto, em termos de tecnologia, processos, gestão e cultura corporativa, e foram obrigados a se adaptar rapidamente - e não necessariamente de forma adequada. Por exemplo, muitos profissionais foram obrigados a adaptar algum cômodo de sua casa para o trabalho, sem necessariamente ter condições adequadas de infraestrutura e nem mesmo de ergonomia.

Ou seja, não podemos nos esquecer desse ensinamento precioso que a pandemia nos trouxe, apesar de tanta tragédia humana: o trabalho remoto é viável e é funciona!

Infelizmente, eu vejo um número relevante de empresas voltando totalmente ao trabalho presencial, reocupando os espaços de escritório. Aqui no Brasil e no mundo, enquanto algumas empresas adotaram definitivamente o trabalho remoto ou híbrido (com alguns dias no escritório e outros em casa), outras querem voltar ao regime de trabalho pré-pandemia, com todos os funcionários de volta aos escritórios.


Eu já escrevi sobre isso aqui e diversas vezes no meu blog sobre Home Office, mas vou continuar repetindo: existem diversas vantagens para os trabalhadores e para as empresas na adoção do regime de trabalho remoto. É lógico que existem diversas áreas e atividades em que é necessário o trabalho presencial, como por exemplo em diversas funções nas indústrias de manufatura, agricultura, transportes, segurança pública, serviços hospitalares e de saúde, etc. Mas, quando o trabalho remoto é possível, ele também é viável e vantajoso.

Então, vale muito a pena relembrar quais são os benefícios quando a empresa adota o trabalho remoto ou o híbrido. Eu acredito que os pontos abaixo são os principais:
  • Melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Uma das primeiras vantagens citadas é o aumento da qualidade de vida, por conta do maior distanciamento do escritório e maior proximidade com o lar. O fim da necessidade de deslocamento entre a casa e o escritório permite o melhor aproveitamento, de forma mais produtiva, desse tempo (em uma cidade como São Paulo facilmente varia entre 30 minutos e 2 horas desperdiçadas por dia). Para os trabalhadores remotos, esse tempo extra pode ser aproveitado para uso pessoal (lazer, descanso, exercícios, cuidados com a família e saúde, etc) ou profissional (por exemplo, extender o horário de trabalho ou aproveitar esse tempo para o estudo). O trabalho remoto também permite uma maior proximidade com a família, participando mais próximo da rotina de casa e dos filhos. Se bem administrado, o home office permite construir um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional;
  • Aumento da produtividade e eficiência do trabalho. Mesmo remotamente, os funcionários acabam produzindo mais e melhor, com mais eficiência, por diversos motivos:
    • É muito comum ouvir relatos de pessoas que acabam trabalhando por muito mais horas quando estão em casa do que no escritório, pois nem sempre tem o mesmo controle do tempo. É comum ver funcionários remotos começando a trabalhar mais cedo e terminando as tarefas muito mais tarde do que no período em que estavam nos escritórios. Isso tem muito a ver, na minha opinião, com a dificuldade que algumas pessoas encontram ao gerenciar o seu tempo e definir limites, além de ser demandados fora do horário tradicional por outros colegas e por seus superiores;
    • Ao trabalhar de casa, os funcionários conseguem se concentrar mais em seu trabalho, uma vez que não acontece interrupções e distrações tão frequentes quanto no ambiente de escritório, onde sempre tem algum colega que passa pela sua mesa para bater um papo rápido ou para convidar para o cafezinho. Eu tenho diversos colegas que trabalham com desenvolvimento de software, um trabalho que exige muita concentração, e relatam a dificuldade de trabalhar no escritório por causa dessas interrupções;
    • As reuniões de trabalho ficam muito mais produtivas. As reuniões on-line, por vídeo conferência, acabam sendo muito mais objetivas e produtivas do que as reuniões presenciais. O primeiro motivo é que elas normalmente começam e terminam no horário marcado, sem atrasos, pois não há necessidade de deslocamento nem de disputar salas de reunião. É muito comum, no ambiente de escritório, você chegar na sala de reunião que você reservou e, no horário da sua reunião, a sala ainda estar ocupada porque a reunião anterior atrasou. E, por tabela, a sua reunião vai atrasar também. Essa situação não existe nas reuniões on-line. Além disso, as reuniões on-line não permitem as conversas em paralelo e distrações que normalmente minam as reuniões presenciais. Só uma pessoa consegue falar e ser ouvida por vez, logo, todos acabam respeitando o direito à palavra de cada um;
  • Economia nos gastos com escritório, graças a menor necessidade de uso e de ocupação de espaço para o escritório. Isso significa redução nas despesas com aluguel, água, luz e despesas em geral com o escritório (incluindo móveis, segurança física e patrimonial, condomínio, etc). Com o regime de trabalho remoto ou híbrido, a empresa pode utilizar um espaço muito menor de escritório, e muitas vezes focado principalmente em ser um local de integração entre os times remotos, em vez de espaço de trabalho. A empresa pode ter grande economia se mantiver um espaço com posições equivalente à metade da sua força de trabalho, ou muito menos até - dependendo da porcentagem de profissionais remotos ou em trabalho híbrido;
  • Descentralização do trabalho e impacto positivo no cenário macro-econômico: a partir do momento em que o trabalho remoto permite que os funcionários estejam em qualquer lugar, temos a oportunidade de expandir a força de trabalho para além dos grandes centros. Com uma parcela significativa da economia nacional e das empresas centralizadas em São Paulo, o regime de trabalho remoto possibilita a contratação de profissionais qualificados em qualquer cidade ou estado, expandindo o mercado de trabalho para além das capitais e pólos específicos. Isso representa uma possibilidade de mudança do eixo econômico brasileiro, desafogando os grandes centros urbanos e promovendo o crescimento das demais cidades. Eu mesmo conheço vários colegas que saíram de São Paulo para buscar melhor qualidade de vida em cidades menores ou que voltaram para suas cidades de origem, de volta ao convívio mais próximo a família;
  • Impacto positivo nas cidades e no clima, graças a diminuição do trânsito devido a menor necessidade de deslocamento das pessoas. Um trabalhador em home office é uma pessoa a menos para se deslocar para o trabalho - um carro a menos nas ruas, nos horários de pico;
  • Ambiente mais aberto a inclusão e diversidade. Trabalhando longe do ambiente tóxico de muitos escritórios, profissionais de diversas minorias podem realizar seu trabalho, e ser avaliado pelos seus resultados, sem ter que lidar com o preconceito explícito e implícito que muitas vezes encontramos em alguns ambientes de trabalho, carreiras ou setores específicos.
Foi intencional eu ter deixado por último o ponto sobre o trabalho remoto ser propício a afastar as pessoas de um ambiente tóxico. Isso porque este é um tema que se discute muito pouco, mas que é relevante - principalmente se falamos em áreas com problemas de diversidade - como a área de tecnologia e de segurança, predominantemente machistas.

Além disso, tem uma outra vantagem para o empresário, só que muito pouco falada: no trabalho remoto, em muitos casos o funcionário continua trabalhando mesmo quando está doente. Isso aconteceu com muita frequência durante pandemia do coronavírus, aonde mesmo as pessoas testadas positivamente e com sintomas leves, que deveriam ficar de licença afastadas do ambiente de trabalho, continuaram trabalhando remotamente, de suas casas. Se elas estivessem em um regime de trabalho presencial, receberiam um atestado e seriam afastadas do seu trabalho por um período de pelo menos cinco dias. No trabalho remoto, isso não acontece. Elas continuam trabalhando mesmo doentes. Eu mesmo cheguei a assistir uma palestra on-line de um colega que estava com COVID - ele não deixou de palestrar no horário marcado para aquela live. Se fosse uma palestra presencial, a situação seria diferente e a palestra teria sido cancelada.

Justamente por esses motivos citados acima eu acredito que os executivos tiveram a oportunidade de vivenciar na prática os benefícios do trabalho remoto. As empresas continuaram produtivas, mesmo com a força de trabalho longe dos escritórios de tijolo e cimento.

Eu gostaria muito de acreditar que, após o final da pandemia, teríamos aprendido essa valiosa lição e continuaríamos adotando esse regime de trabalho. Mas, infelizmente, o que eu vejo são empresários e gestores antiquados, que não souberam se adaptar e mudar sua forma de gerenciar suas equipes. Esses empresários, na primeira oportunidade, chamaram seus trabalhadores de volta aos escritórios.

A propósito, conheço alguns casos aonde a pessoa, obrigada a retornar ao escritório, acabou sendo infectada pelo COVID. Apesar da grande diminuição dos casos e mortes em 2022, em alguns momentos vimos um crescimento de casos (principalmente no início e no final de 2022), e mesmo assim as empresas mantiveram seus funcionários nos escritórios.

Acredito que o regime de trabalho ideal, nos tempos atuais, é o modelo híbrido e flexível, quando permite que os trabalhadores tenham a liberdade de optar pelo home office, pelo escritório ou pelos dois, de acordo com a necessidade e preferência de cada um. Os empresários e colaboradores só tem a ganhar a partir do momento em que as pessoas tem a oportunidade de trabalhar da forma que se sintam mais confortáveis e produtivas.

PS: Publiquei uma versão resumida desse artigo no meu perfil no LinkedIn: Não podemos esquecer dos benefícios do Home Office.

Para saber mais:

PS/2 (Adicionado em 10/01/2024): Olha que legal essa lista de benefícios do trabalho remoto/híbrido preparada pela Você RH:



dezembro 22, 2022

[Cidadania] Mini Retrospectiva 2022 (com memes)

Aproveitando o final do ano, nesses próximos dias eu vou publicar uma sequencia de posts sobre os principais temas relacionados ao mercado de segurança que marcaram o ano de 2022.

Para inaugurar essa série, eu quero compartilhar uma pequena retrospectiva com alguns dos principais fatos que marcaram este ano. Dentre as milhares de coisas que aconteceram em 2022, eu escolhi algumas que acho mais relevantes e merecem um pouco de destaque, na minha humilde opinião:
  • Vivemos o "quase fim" da pandemia do novo Coronavírus:  finalmente nós presenciamos a queda significativa nos casos de COVID-19 e pudemos retornar a vida "normal", após ficarmos trancados em casa nesses 2 anos intensos de pandemia, que matou mais de 692 mil brasileiros (e 6,6 milhões de pessoas no mundo)- fomos o 2o país do mundo com mais mortes causadas pelo Coronavírus. Foi um alívio, mesmo com a variante ômicron tocando o terror nos primeiros meses deste ano e com o pequeno aumento dos casos que aconteceu nessas últimas semanas de 2022. Mas nada disso conseguiu tirar esse gostinho de felicidade. Fica aqui registrado os meus sentimentos a todos que perderam amigos e parentes nesse triste período, e meu agradecimento e admiração por todos os profissionais de saúde e cientistas que se emprenharam incansavelmente em nos ajudar a combater essa pandemia. Ninguém poderia imaginar que passaríamos tanto tempo, mais de 2 anos, enfrentando as consequências de uma pandemia em escala global. De fato, até 2018 o fórum econômico mundial dava pouca probabilidade de ocorrência de pandemia na sua tradicional lista de riscos;

  • Volta ao escritório ou trabalho híbrido? Aproveitando o gancho do final da pandemia do Coronavírus, ainda vivemos na incerteza entre a volta compulsória aos escritórios ou a adoção do home office. Na minha opinião, a maioria do empresariado em geral está forçando a volta aos escritórios, apesar do modelo de trabalho remoto ter se mostrado viável e eficiente durante esse período de pandemia. Alguns grupos, principalmente os trabalhadores da área de tecnologia, resistem a esse movimento e tentam manter o regime remoto ou híbrido. Diferente da maioria dos demais segmentos de mercado, os trabalhadores de tecnologia tem poder de barganha frente ao empresariado, graças ao mercado aquecido - assim, eles podem escolher as empresas que desejam trabalhar e, se necessário, estão dispostos a mudar de emprego para buscar empresas que praticam o trabalho remoto. Existe também uma grande parcela das profissões que não permitem o trabalho remoto por sua natureza (como trabalhadores na área de saúde, construção civil e trabalhos braçais em geral). Mas, dentre as profissões que permitiriam o trabalho remoto, como empresas no ramo de serviços, infelizmente elas estão nas mãos dos empresários arcaicos, que não conseguem se adaptar aos tempos modernos e não sabem como gerir suas equipes com base em produtividade;
  • A guerra na Ucrânia (e a ciber guerra que aconteceu em paralelo): Totalmente desnecessária, essa guerra se arrastou durante todo o ano, causando milhares de mortes e milhões de desabrigados, e não há previsão de que possa terminar. A bravura do povo Ucraniano, somado a diversas formas de apoio indireto de vários países, fez com que a pequena Ucrânia conseguisse resistir a tentativa de invasão do gigante país vizinho. Em tempos de hiperconectividade e grandes avanços tecnológicos, a guerra tem se desenvolvido também no aspecto cibernético e trouxe novas formas e estratégias de ataque para o conflito;
  • Copa do mundo totalmente fora do eixo, realizada em um país diferente, o Quatar, aonde presenciamos algumas diferenças culturais, como a proibição do consumo de bebidas alcoólicas e de protestos. Uma copa realizada em um período atípico (em novembro, para zoar o calendário de final de ano), no horário noturno (para fugir do calor da região). Mas foi coroada com uma final eletrizante, possivelmente a melhor partida da história das copas do mundo!

  • PIX: Aqui no Brasil, o Pix se consolidou como meio de pagamento mais usado e já faz parte do nosso dia-a-dia. Muita gente parou de andar com dinheiro na carteira e o celular, com o mobile ranking, virou item obrigatório no bolso e bolsa de todos. Infelizmente, os criminosos também se adaptaram rapidamente e desenvolveram novos golpes, além de conseguir dar muito mais agilidade nos golpes já existentes. Vimos também a volta dos sequestros relâmpagos e um grande aumento no furto do celular (afinal de contas, com o PIX, todos nós acabamos usando o Mobile Banking o tempo todo, em nossos bolsos;
  • Discussões políticas e fake news sem fim: Passamos por mais um ano caótico, por causa da polarização política em nosso país, alimentada pelas fake news, pelo calor das eleições presidenciais e, após a apuração dos votos, ainda estamos enfrentando a onda de "protestos antidemocráticos" dos "patriotas".

Não podemos esquecer também do tapa que o ator Will Smith deu no Chris Rock na cerimônia de entrega do Oscar, em março desse ano. A cena virou um dos principais memes de 2022!


Dentre as personalidades que morreram em 2022, acho que poucas pessoas mundo merecem tanto destaque quanto a Rainha Elizabeth, que morreu aos 96 anos, após 70 anos de reinado na Inglaterra.


No mundo de tecnologia, também tem alguns conhecimentos deste ano que também vale a pena destacar:
  • Zona que o Elon Musk está tocando no Twitter. Desde o momento em que fez a oferta de compra pela empresa, não pararam de surgir notícias bizarras sobre esse assunto, que não pararam após o Elon Musk assumir o controle da empresa. Por exemplo, recentemente o Twitter tentou mudar seus termos para não permitir posts com links para outras redes sociais - algo que teve muitos protestos e foi desfeito rapidamente;
  

  • Demissões! Se no ano passado falávamos muito sobre o “great resignation” (a onda de pessoas abandonando seus empregos), este ano foi marcado pela grande onda de demissões, principalmente nas emrpesas de tecnologia;
  • IA nas holofotes: O lançamento e a rápida popularização do ChatGPT, uma ferramenta online de inteligência artificial que interage com os internautas, deu grande destaque ao tema da IA e deve fomentar novos interesses e usos para essa tecnologia.
Atualizado em 28/12: Veja esse video super divertido do Afonso Padilha, com um resumo de 2022:


Atualizado em 06/01/23: No final das contas, em 2022 o mundo perdeu uma Rainha, um Rei e um Papa.


Para saber mais:
PS: Pequena atualização em 06/01/2023.

abril 05, 2022

[Cyber Cultura] O impacto da pandemia no uso da Internet

Hoje o NIC.br divulgou os resultados da pesquisa Painel TIC COVID-19: Pesquisa on-line com usuários de Internet no Brasil - 4ª edição: Cultura, Comércio Eletrônico, Serviços Públicos On-line, Telessaúde, Ensino Remoto e Teletrabalho, com dados sobre atividades na Internet e dispositivos usados pelos brasileiros para acesso à rede durante a pandemia.

Além de apresentar indicadores sobre as formas de acesso e sobre o aumento do uso da Internet durante a pandemia para atividades de comércio eletrônico, serviços públicos on-line, telessaúde, cultura, ensino remoto e teletrabalho. O estudo, focado no público acima de 16 anos, também traz informações sobre o uso da modalidade de pagamento digital PIX durante o período. 

Veja alguns destaques sobre os hábitos dos usuários de internet durante a pandemia, em 2021:
  • 94% dos domicílios brasileiros possuem acesso a Internet;
  • 99% utilizam o celular para acesso a Internet;
  • 38% dos usuários que trabalharam durante a pandemia realizaram trabalho remoto;
  • 51% dos usuários comparam produtos e serviços pela Internet, liderado pela compra de produtos e bens alimentícios (63%);
  • 72% dos usuários que compraram pela Internet pagaram usando o PIX;
  • 73% dos usuários que compraram ingressos pela internet o fizeram para eventos on-line;
  • 89% assistiram a vídeos, programas, filmes ou séries pela Internet;
  • 77% buscaram informações relacionadas à saúde ou serviços de saúde;
  • 26% realizaram consulta médica pela Internet; a maioria (59%) através de aplicativos de mensagens instantâneas;
  • 83% dos usuários que frequentam escola ou universidade realizaram atividades ou pesquisas escolares pela Internet;
  • 85% utilizaram serviços de governo eletrônico.
O Pix, modalidade de pagamento instantâneo e digital lançada em novembro de 2020, teve uma rápida adesão e se tornou o segundo meio de pagamento mais usado em 2021 para compras online, logo após o pagamento por cartão de crédito. É interessante ver também que a adoção do Pix foi generalizada em todas as classes sociais, em comparação com o cartão de crédito que é mais utilizado nas classes A, B e C.



O estudo, como um todo, bem interessante e traz diversos dados sobre como a pandemia impactou no uso da Internet no Brasil. O mais legal é que em muitos momentos ele traz informações de como esse impacto variou em diferentes classes sociais.

Veja abaixo o video da live com a apresentação dos principais resultados do Painel TIC COVID-19:


A apresentação com os principais resultados da pesquisa está disponível no site do Cetic.br. O livro com o relatório detalhado está disponível online, assim como a lista completa dos dados e indicadores apresentados no estudo. Essa é a 4a edição das pesquisas sobre uso de tecnologias internet durante o período da pandemia do COVID-19, que estão disponíveis para consulta no site do Cetic.


Esse estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) foi conduzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Nic.br).

PS (adicionado em 11/04): Veja também essa notícia, sobre a pesquisa TIC Covid-19: "Covid-19 empurrou 42 milhões no Brasil para o teletrabalho". Eles destacam que, de um total estimado em 137 milhões de pessoas com mais de 16 anos que usam a internet com frequência no país, 38% deles (ou seja, 52 milhões de pessoas) passaram a alguma modalidade de teletrabalho – sendo que 8 em cada 10 foi obrigado a fazer esse movimento justamente por conta da pandemia.

fevereiro 10, 2022

[Segurança] Cuidados de segurança na volta para o escritório

Aos poucos estamos retomando a vida após mais de um ano e meio convivendo com a pandemia do novo Coronavírus - e suas diversas variantes. Nesse processo de retomada, diversas empresas que foram obrigadas a adotar o regime de trabalho remoto estão pedindo que seus funcionários voltem aos escritórios, retornando ao trabalho presencial ou optando pelo modelo híbrido de trabalho, onde os colaboradores podem trabalhar de forma remota ou presencial, dependendo de uma escala ou conveniência acordada com a empresa. Mesmo com o recente aumento de casos causada pela variante ômicron do COVID-19, eu tenho a impressão que várias empresas continuam numa movimentação de retorno aos escritórios, de forma mais intensa desde o final de 2021..

Nessa retomada, é importante relembrar alguns cuidados básicos de segurança que devemos ter no ambiente de escritório, para proteger nossas informações pessoais e corporativas. Afinal, após tanto tempo isolados em casa, nos esquecemos de como conviver em um ambiente com circulação de muitas pessoas e onde constantemente tratamos informações confidenciais.

São cuidados simples, porém muito importantes:
  • Sempre bloqueie o computador ao sair da sua mesa, mesmo que seja por um curto período de tempo. Assim você evita que alguém mal-intencionado acesse seus dados, suas informações pessoais e até mesmo os sistemas corporativos em seu nome. Esse cuidado vale sempre que se afastar do computador, inclusive quando você está em uma sala de reunião;
  • Não deixe documentos pessoais e confidenciais em cima da sua mesa (é o que chamamos de "mesa limpa"). Ao sair do escritório, no intervalo do almoço ou no final do dia, não deixe tais informações expostas na mesa – nem mesmo objetos de valor. Como vários lugares passaram a ser rotativos, lembre-se também de guardar ou levar consigo seus objetos pessoais no final do expediente;
  • Não deixe documentos na impressora: Se você precisa imprimir alguma coisa, vá buscar o documento imediatamente, para não correr o risco de esquecer. Se o documento não estiver bom e precisar imprimir novamente, tome o cuidado de descartá-lo adequadamente (veja a próxima dica!). Tome cuidado redobrado ao imprimir documentos com informações pessoais ou confidenciais;
  • Descarte seus documentos de forma segura: precisou descartar um documento impresso, use uma fragmentadora de papel. O ideal é que ela seja posicionada próximo as impressoras;
  • Não anote suas senhas. Você pode não acreditar, mas cedo ou tarde alguém vai encontrar aquela senha escrita no seu caderno de notas ou naquele post-it guardado embaixo do teclado ou na sua caixinha de tranqueiras em cima da mesa. Por isso mesmo, nunca anote as suas senhas – memorize ou use uma ferramenta para guarda segura de senhas;
  • Cuidado nas reuniões com pessoas externas, como um fornecedor por exemplo. Ao receber uma pessoa visitando o escritório, é importante certificar que não há nenhum documento sensível esquecido na sala ou alguma informação confidencial anotada nas lousas da sala de reunião. Verifique isso antes do início e após o final da reunião. Certifique-se de apagar as anotações das reuniões nos quadros das salas, após acabar sua reunião.
A maioria dessas dicas você pode usar em qualquer lugar, incluindo em casa, no hotel, num evento, num ambiente de co-working ou quando você for participar de uma reunião no escritório de terceiros. Faça delas um hábito e automaticamente você estará cuidando e protegendo melhor as suas informações.

Para as empresas, eu deixo aqui a minha sugestão para que essas dicas sejam compartilhadas e reforçadas periodicamente pelos times de segurança junto aos colaboradores. Em especial, é muito importante relembrar esses cuidados nesse momento em que as pessoas estão retornando aos escritórios. Assim, estaremos colaborando na educação dos usuários finais.

PS: Uma versão desse artigo foi publicada no portal Mente Binária: Cuidados de segurança na volta para o escritório.

dezembro 30, 2021

[Segurança] Ciber Retrospectiva 2021 (com memes)

É impossível pensar em 2021 sem lembrar dos diversos ataques de ransomware, dos constantes vazamentos de dados e do COVID-19 (mas isso é outra história). E, claro, fechamos o ano com "chave de ouro", com o stress ao máximo graças a terrível vulnerabilidade do Log4J que assustou toda a comunidade de segurança em Dezembro.


Não foi um ano fácil para ninguém, convenhamos, com uma carga grande de stress nos profissionais de segurança, causado principalmente pelo ritmo intenso de trabalho, o grande risco de ciber ataques (ransomware em particular) e ao esgotamento após mais de um ano e meio trabalhando em casa, quarentenado.


Assim como nos últimos anos, não foi diferente: Mais um ano das tretas causadas pelos ransomwares, com ataques direcionados a grandes empresas, o que traz grandes impactos e resgates milionários. Com certeza, nada supera o ataque de ranwomware à Colonial Pipeline, em Março deste ano, que simplesmente interrompeu o abastecimento de gasolina em metade dos EUA. E, junto com o ataque a JBS que impactou o fornecimento de carnes no mercado americano, colocou o governo dos EUA no encalço dos grupos criminosos. O ataque a Kaseya em Julho também foi marcante, pois fez co que mais de mil empresas fossem afetadas e trouxe a discussão sobre ataques a cadeia de fornecedores.


Diversas empresas brasileiras também foram atacadas, como a JBS, a Cyrela, a CVC, o laboratório Fleury, a Renner (destaque pela rapidez em que recuperaram os sistemas) e a Atento (destaque pelo impacto e demora em reestabelecer seus sistemas e o atendimento). O REvil foi a família de ransomware mais atuante em 2021, responsável por 37% dos ataques - segundo a IBM. Não deixe de ver esse post: Ransomware no Brasil: Um panorama de 2021.


Aqui no Brasil, o PIX dominou o cenário das fraudes online. Não estou falando de vulnerabilidades no PIX. O problema aconteceu porque, principalmente, o PIX deu grande agilidade para a movimentação de fundos pelos criminosos, trazendo maior dificuldade em rastrear e bloquear o dinheiro roubado através de fraudes eletrônicas. Além disso, a agilidade no roubo através do PIX fomentou o aumento significativo de roubo de celulares (com objetivo de acessar o app bancário) e a volta do sequestro relâmpago.

Na "pandemia das fraudes" brasileira, os golpes do Whatsapp reinaram absolutos! Além disso, as fraudes foram impulsionadas pela retomada econômica nesse momento de possível fim da pandemia. A volta ao emprego e a necessidade de renegociar as dívidas acumuladas na pandemia causou uma maior demanda por renegociação de dívidas e busca pos empréstimos, que tem sido explorada em golpes.

Em 2021 tivemos também o início das sanções da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Mas, como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ainda está em formação, as penalidades ainda não se concretizaram.


Este foi mais um ano em que uma parcela do mercado de trabalho esteve quarantenada em home office graças a pandemia do novo Coronavírus. Mas, graças a expectativa de redução da pandemia e que a vida estaria voltando a sua normalidade, nos últimos meses temos visto algumas empresas retornarem ao escritório - aderindo ao modelo hibrido ou retornando definitivamente ao modelo de trabalho antigo, 100% presencial.


A lição que esses dois anos de pandemia nos deixa é que sim, o regime de trabalho remoto é viável, e isso foi testado e comprovado na prática. As empresas continuaram operando mesmo quando precisaram mover toda a sua força de trabalho para o home office. É claro que a transição não foi fácil, e nunca é. Mas, graças ao stress adicional causado pelo isolamento social, a saúde mental dos funcionários nunca foi tão discutida e valorizada.


Tenho vários colegas que, graças ao trabalho remoto, saíram de São Paulo em busca de melhor qualidade de vida: mudaram para o interior ou voltaram para suas cidades de origem. Na minha opinião, a adoção do home office tem um potencial transformador no mercado de trabalho brasileiro, permitindo a contratação de profissionais qualificados fora dos grandes centros. No modelo tradicional de trabalho, a única opção dada as pessoas é que se mudem para as grandes cidades para terem acesso ao mercado de trabalho e melhor possibilidade de crescimento profissional.

Vamos torcer para que a maioria das empresas abrace o trabalho remoto!


Não podemos falar de mercado de trabalho sem citar o "apagão de talentos" na área de segurança. As empresas tem grande dificuldade em contratar e reter profisisonais devido ao mercado estar super aquecido, graças a grande falta de profissionais na área. Para piorar, há um receio de que começaremos a encarar uma debandada de profissionais de segurança devido ao grande stress que enfrentamso.

Na minha opinião, só existem 3 formas de combater a falta de talentos:
  • Investir em automação, para que as pessoas sejam aproveitadas em atividades mais nobres;
  • Formar novos profissionais, em vez de buscar profissionais prontos no mercado;
  • Investir pesadamente na diversidade e equidade racial, atraindo, formando e contratando mais mulheres, pessoas negras e da comunidade LGBT+.
Para terminar, não podemos esquecer delas, das senhas. Estamos em 2021 e as pessoas ainda usam senhas triviais. E as empresas ainda não protegem suas bases de usuários e senhas. E, o pior de tudo é que a grande maioria dos problemas poderiam ser resolvidos se as empresas utilizassem duplo fator de autenticação!


(Adicionado em 04/01/22): Também é relevante lembrar e destacar a nova versão do OWASP Top 10 lançada em 2021, a 7a atualização desde que a lista foi criada, em 2003. Veja essa cobertura na The Hack.

Para saber mais
PS: Pequenas atualizações (novas referências) em 04, 06, 10, 11 e 18/01/22 e em 09 e 23/02. Atualizado em 28 e 30/03 para incluir uma nova referência.

PS/2 (atualizado em 09/02): Veja essa notícia e o infográfico compartilhados no portal Minuto da Segurança - Brasil sofreu mais de 88,5 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2021.



[Humor] Retrospectiva 2021 - As buzzwords do ano

Vou fazer uma pequena lista das principais buzzwords que convivemos em 2021 (ou melhor, "nessa segunda temporada de 2020"):

  • Cancelamento: o Big Brother Brasil (BBB) trouxe a tona esse pesadelo dos influenciadores digitais: "ser cancelado";
  • Cringe: é cringe perguntar "o que é cringe"?
  • Sommelier de vacina: graças a politização que foi criada em torno da vacina contra o COVID-19, diversas pessoas começaram a questionar a eficácia das vacinas (muitas vezes baseadas em fake news) e ao chegar nos postos de vacinação queriam escolher de qual fabricante iriam tomar a vacina;
  • Vacina de ar: o mau caráter de alguns poucos profissionais de saúde trouxe esse jargão, que acontece quando um profissional de saúde finge aplicar a vacina contra o Coronavírus;

  • Supply Chain Attack: na área de segurança, essa foi a minha buzzword favorita em 2021, que bombou após o ciber ataque a Kaseya. Junto com ela merece destaque o risco de ataque de Ransomware na infra-estrutura crítica.

O pessoal do Porta dos Fundos fez uma rápida retrospectiva de 2021, veja:




dezembro 29, 2021

[Cidadania] Retrospectiva 2021 - O que aprendemos em quase 2 anos de pandemia

É impossível pensar em 2021 sem lembrar da pandemia do novo Coronavírus. Se no final de 2020 estávamos esperançosos que a vida voltaria ao normal em 2021, a realidade foi muito mais dura: a pandemia se intensificou, a quantidade de mortes aumentou absurdamente e vivemos em uma sequência de lockdowns e quarentenas intermináveis. A situação começou a melhorar a medida em que a vacinação ampliava, mas ainda assim, as constantes mutações do vírus da COVID-19 fazem pairar uma incerteza no horizonte.

Após mais de 1 ano e meio convivendo com pandemia, não podemos negar que estamos exaustos com essa situação. E o que aprendemos nesse período?

  • Adaptar-se as mudanças e ter paciência com as incertezas;
  • Lavar as mãos o tempo todo;
  • Usar em álcool gel o tempo todo;
  • Usar máscara quando sair de casa, ou até mesmo 2 máscaras sobrepostas. E o mais impensável há 2 anos atrás: entrar em uma agência bancária usando máscara é algo normal;
  • Até mesmo o "pulmão do mundo" pode ficar sem ar :(
  • Trabalhar a partir de casa, em home office;
  • Sim, as empresas continuaram funcionando mesmo com os funcionários longe dos escritórios (ao contrário do que alguns empresários imaginavam, o trabalhador em home office não largou tudo e foi para a praia!);
  • Aposentar o terno e a roupa de escritório, e viva as roupas confortáveis, pijamas e pantufas;
  • Lembrar de desligar o microfone e a câmera durante reuniões online e vídeo conferências, para não pagar micos;
  • Apreciar o conforto de casa;
  • Usar os aplicativos de comunicação (o Zoom) para manter contato com a família e os amigos mais próximos;
  • Vivemos o boom do e-commerce, delivery e dos motoboys.

Para saber mais:

dezembro 28, 2021

[Cidadania] Retrospectiva - O que são 600 mil?

Estamos chegando ao final de 2021 com um saldo bem triste. Infelizmente passamos da marca de 600 mil mortes por COVID-19 no Brasil. Mais precisamente, estamos no final de Dezembro com mais de 618 mil mortos: desde o início da pandemia, o país contabiliza 618.723 óbitos e 22.252.231 casos de coronavírus.


Embora a vacinação tenha avançado no Brasil durante 2021, ainda somos o segundo país em que a pandemia causou mais mortes, atrás apenas dos EUA (818 mil mortes) e a frente da Índia (480 mil mortes, numa população de 1,38 bilhões de pessoas), Rússia e México (com 299 mil mortes cada). Quando esse post aqui foi escrito, o Peru era o 5o país no mundo com mais mortes, 203 mil.

O novo Coronavírus atingiu praticamente todo mundo, a ponto de que atualmente eu acho difícil encontrar alguém que não tenha perdido um parente ou uma pessoa conhecida por causa da COVID-19.

Mas eu acredito que a imprensa falha em não tentar tornar essas estatísticas sobre a pandemia mais palpáveis para a população. Não basta falar em números totais e porcentagens - ainda mais em um país em que uma parcela significativa da população provavelmente não sabe fazer conta com porcentagens.

O número de 618 mil mortes pode parecer um valor muito abstrato para muita gente. Por isso, acho importante fazer alguns comparativos, para tornar essa triste realidade mais palpável:
  • As 22,2 milhões de pessoas que tiveram COVID são o equivalente a população do estado de Minas Gerais, o segundo mais populoso do país (com 21,4 milhões de habitantes);
  • 618 mil mortes seria como se toda a cidade de Joinville sumisse do mapa, a 36º maior maior do Brasil, com 604 mil habitantes;
  • Entre Março e Abril de 2021 tivemos o pico da pandemia, atingindo até 3.500 mortes por dia. Em 12 de abril, a média móvel chegou ao recorde de 3.125 óbitos.
    • Ou seja, a cada 2 dias o Coronavírus matava mais do que a polícia brasileira matou em todo o ano de 2020;
  • Abril de 2021 foi o ano mais macabro da pandemia, quando 82,2 mil brasileiros perderam a vida para a Covid-19 em um único mês;
  • Em um mës, a COVID matou 4 vezes mais brasileiros do que 70 anos de conflitos entre Israel e Palestina;
  • Durante 191 dias seguidos, até 31 de julho, o Brasil registrou média móvel de mortes acima de 1 mil pessoas por dia;
    • mil mortes por dia é equivalente a 5 aviões Airbus A320 caindo do céu no mesmo dia, considerando que um dos piores acidentes aéreos do Brasil, o acidente da TAM em Congonhas em 2007, matou 199 pessoas.
Ou seja, se colocássemos todos os infectados pela Covid em um estado, seria o 2o maior do país. Se juntássemos todos os falecidos em um único cemitério, seria a 36a maior cidade brasileira.

Veja abaixo alguns dados comparativos que eu utilizei:
PS: Infelizmente, em 28/12 o site do Ministério da Saúde mostrava dados estatísticos de 09/12.

outubro 26, 2021

[Segurança] Porque o ciber crime aumentou na pandemia

Várias estatísticas comprovam que os golpes e ciber crimes aumentaram no período da pandemia do novo coronavírus. Segundo a Febraban, por exemplo, durante o período de isolamento social os bancos registraram aumento de 80% nas tentativas de ataques de phishing, alta de 70% na fraude do falso funcionário e crescimento de 65% no golpe do motoboy.

Normalmente se associa muito o aumento do ciber crime com a adoção do Home Office e incremento no e-commerce. Mas, além disso, diversos fatores contribuíram para que víssemos o aumento das atividades criminosas no período da pandemia do novo Coronavírus.
  • Impacto da crise financeira, desemprego e falta de dinheiro, levando pessoas a buscarem no crime cibernético uma oportunidade de ganho financeiro. Em momentos de crise econômica, é comum presenciar o aumento da criminalidade;
  • O aumento do uso de serviços online, graças a quarentena e isolamento social, certamente chamou a atenção dos criminosos;
  • A diminuição na circulação de pessoas nas ruas também causou um menor volume de potenciais vítimas do crime tradicional. Houve a diminuição dos assaltos e migração do criminoso do mundo físico para o virtual. Segundo o Anuário da Segurança Pública, os roubos a pedestres diminuíram 34%, os assaltos a carros caíram 22,5%, os assaltos a residências reduziram 16%, e houve 18,8% menos roubos ao comércio;
  • Com a maior adoção do e-commerce, a entrada de novos usuários sem experiência em evitar golpes em muito facilita a vida dos criminosos;
  • Também graças a maior adoção do e-commerce, novas empresas começaram a transacionar online, sem experiência em prevenir e tratar fraudes eletrônicas;
  • Com maior dependência das redes sociais, criou-se o cenário perfeito para a proliferação de perfis falsos em nome de empresas, oferecendo promoções falsas ou abordando clientes para aplicar golpes;
  • As empresas não estavam preparadas para o trabalho remoto, nem em termos de tecnologia nem em processos. Com um cenário de crise, também houve dificuldade de investir adequadamente em tecnologia e segurança. Segundo uma pesquisa encomendada pela Microsoft, apenas 16% das empresas brasileiras aumentaram seu investimento em cibersegurança em 2020;
  • A migração dos funcionários para o home office colocou os recursos e informações da empresa em um ambiente menos seguro, nas redes domésticas. Longe das medidas de segurança das redes corporativas, longe da cultura corporativa e fora do alcance das ações de conscientização, os trabalhadores ficaram mais vulneráveis a ciber ataques;
  • No home office, os recursos e informações corporativas também ficaram expostos ao alcance de familiares, permitindo o vazamento acidental de informação ou mau uso de equipamentos (por exemplo, quando permite aos filhos utilizar o computador corporativo para assistir aulas online);
  • A incerteza e a busca por informações sobre a pandemia fomentou o crescimento de golpes utilizando temas relacionados a pandemia e ao Covid-19, principalmente ataques de phishing, incluindo golpes relacionados as medidas de auxílio financeiro para a população afetada pela crise econômica, como o auxílio emergencial no Brasil;
  • A busca por tratamento médico também fomentou golpes oferecendo promessas de acesso ou venda de vacinas e remédios através de mensagens falsas, mensgens de phishing e sites falsos;
  • O stress e incerteza causado pelo cenário de pandemia tornou as pessoas mais fragilizadas psiciologicamente, e assim, maus susceptíveis a fraudes e golpes de engenharia social.

outubro 20, 2021

[Carreira] Burnout e Boreout na Pandemia

Durante a pandemia, a discussão sobre saúde mental começou a se espalhar pelas empresas e se tornou preocupação em várias delas. Isso porque, devido a necessidade de isolamento social e a adoção inapropriada de trabalho remoto, aumentaram os casos de stress e esgotamento emocional dos funcionários, causando fortes impactos na produtividade deles.

Essa discussão sobre o burnout ganhou destaque recentemente durante as Olimpíadas de Tóquio, graças a ginasta americana Simone Biles. De grande expectativa por medalhas, seu esgotamento emocional fez com que ela anunciasse a desistência em várias provas importantes, e sua coragem de falar abertamente sobre o assunto ajudou muito a fomentar a discussão sobre o stress, inclusive em profissionais de alta performance. OBS: o caso dela é extremamente sério, e envolveu abuso sexual :(


O burnout, ou esgotamento, é um problema antigo e já conhecido, com muita informação disponível online. Mas a sensação é que os casos de esgotamento aumentaram muito durante o período da pandemia - o que se justifica pelo stress adicional causado pelos riscos de problemas de saúde e pela pressão e stress adicionais frutos do isolamento social.


Nunca eu havia visto falar tanto as empresas falarem sobre sobre burnout e cuidados com a saúde e a mente quanto tenho visto atualmente.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Zenklub com o Instituto Datafolha em setembro deste ano, 6 em cada 10 trabalhadores brasileiros se sentiram sobrecarregados nos últimos 12 meses. Quando questionados sobre os sentimentos que vieram à tona no período, eles afirmaram que tiveram ansiedade (66%), exaustão ou muito cansaço (61%), insônia ou dificuldade para dormir (54%) e depressão (26%). Além disso, a desconexão com o ambiente de trabalho e com os colegas traz, como efeito colateral, o aumento da insegurança e incerteza dos profissionais, que passam a questionar se seu trabalho está sendo visto pelos seus pares e não se sente valorizado.

Além do burnout, o isolamento social foi responsável pelo surgimento do "boreout", ou seja, o esgotamento e stress causados pelo tédio da rotina diária. Afinal, durante o período de quarentena as pessoas foram obrigadas a permanecer em casa, sem opções de lazer e presos a uma rotina dominada pelo tédio e pela mesmice.

Além disso, esse longo período de quarentena (mais de 1 ano e meio, aqui no Brasil), trouxe diversas sequelas psicológicas que ainda vamos ver muita discussão sobre elas. Por exemplo, o isolamento pode trazer problemas de fobia social e dificuldade de resossialização para algumas pessoas.

Outro efeito colateral da pandemia foi a alteração nos cuidados pessoais e nos hábitos de consumo. Afastados dos amigos e colegas de trabalho, muitas pessoas adotaram espontaneamente um visual mais relaxado (e menos cuidadoso). Enquanto as roupas da moda, ternos e vestidos permaneciam guardadas nos armários, as mulheres passaram a tratar menos do visual (cabelos e maquiagem) e os homens deixaram a barba e cabelo crescer, o que refletiu em uma queda de 15,3% na venda de espumas de barbear e loções pós barba, por exemplo.

Para quem trabalha em segurança, o stress faz parte do nosso dia-a-dia. Afinal, manter uma empresa Segura é um trabalho árduo e constante, que depende não só de você, mas o apoio de diversas áreas e dos usuários finais. Os ciber ataques crescem constantemente em quantidade e complexidade, então vivemos sob o risco constante de uma invasão na empresa. Além disso, tecnologia e segurança fazem parte daquelas áreas que normalmente as pessoas só lembram quando tem problema. Você faz o seu trabalho certinho o ano inteiro, mas um usuário que clica num link de phishing já é suficiente para destruir a credibilidade de seu trabalho.

Uma matéria recente do Mente Binária destacou que profissionais de segurança também sofrem para cuidar de sua saúde mental. Afinal, além dos efeitos da pandemia, as pessoas que trabalham na área convivem com longas jornadas de trabalho e constante stress. Chega uma hora que o corpo começa a mandar sinais de esgotamento físico e psicológico e, se mesmo assim você não ouve esses sinais, o stress pode causar problemas de saúde mais severos.

Com a pandemia do novo Coronavírus, a pressão sobre os profissionais de segurança piorou:

  • usuários em home office, com maior dificuldade de controle, monitoramento e conscientização;
  • time de segurança em home office e quarentenados, com todos os stress envolvidos por essa situação específica (afastamento dos colegas, isolamento social, pressão psicológica, angústia, risco de saúde, convivência forçada com familiares em ambiente recluso, etc)
  • aumento nos golpes e ciber ataques, tanto os ciber ataques tradicionais quanto os específicos do cenário relacionado a pandemia.

Por isso mesmo, mais do que nunca é importante manter um diálogo aberto sobre o stress, burnout e problemas psicológicos.

Para saber mais:
PS (adicionado em 22/10): Esse artigo é bem legal sobre burnout, o autor conta como isso aconteceu com ele e compartilha várias dicas de como identificar, prevenir e tratar o burnout: Staying sane in cybersecurity and dealing with burnout.

PS/2: Post atualizado em 28/03 e 11/04. Nova refer6encia adicionada em 09/05/23.
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