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março 17, 2026

[Segurança] Notícias e referências sobre o conflito cibernético no Irã (com memes)

De certa forma, todos nós fomos pegos de surpresa em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel começaram uma campanha militar contra o Irã, que logo nas primeiras horas já resultou na morte de várias lideranças do país, inclusive o seu líder supremo. Segundo declarações iniciais de Donald Trump, o conflito deve durar de 4 a 5 semanas - mas não podemos nos esquecer que guerras são imprevisíveis, e semanas podem se tornar dias, ou anos!

A guerra o Irã, chama a atenção não só pelo envolvimento dos EUA, Israel (duas potências militares) em um conflito numa região tão instável quanto o Oriente Médio, mas principalmente pelo seu impacto nos mercados globais de energia. Um conflito nessa região tem grande potencial de causar desestabilização em todo o Oriente Médio.

No mundo atual, uma campanha militar desse porte tem fortes componentes cibernéticos - e eu já falei isso no meu post sobre a guerra na Ucrânia - que acabou de completar 4 anos :(

Muitos ciberataques e atos de espionagem serviram de apoio ao início do ataque ao Irã. E, desde então, já estamos vendo centenas de ciberataques acontecendo em represália. Há relatos de que houveram ciberataques à infraestrutura elétrica e de telecomunicações do Irã para facilitar o bombardeio de Israel e EUA. Por outro lado, acredita-se que o governo iraniano está forçando um blackout na Internet do país para manter uma censura na população local e controlar o fluxo de informações.

O fato é que os três países envolvidos, EUA, Israel e Irã tem tradição em operações de ciber inteligência. Para dar só um exemplo, os três estavam envolvidos no Stuxnet, a primeira arma cibernética do mundo, criada há 15 anos atrás!
  • Nota: quando é um país amigo chamamos de ciber inteligência, mas quando é inimigo, chamamos de APT.
Já se pode ver que o Irã não é um adversário qualquer - nem no mundo real nem no virtual.

Este artigo do CSIS disse algo bem interessante: "É importante colocar o papel e o valor das operações cibernéticas iranianas em perspectiva: é improvável que elas impactem ou alterem o curso desta guerra. (...) as capacidades cibernéticas tendem a oferecer uma vantagem incremental, e não revolucionária, em conflitos."

Além do mais, no caso do Irã, existem vários grupos APT já conhecidos, patrocinados pelo Estado e com um histórico bem documentado, incluindo o trabalho em parceria com gangues de ransomware - em 2025, eles ofereceram grandes quantias em dinheiro por infecções contra organizações americanas e israelenses.
O Irã também tem um histórico de censura online, disseminação de desinformação e de notícias falsas por meio de postagens em mídias sociais para manipular a opinião pública - e esse tipo de atividade tende a se intensificar em tempos de conflito.

É importante notar também que, assim como no mundo real, as hostilidades estão envolvendo vários países da região, não apenas Irã, Israel e EUA.


Logo no início do conflito, paralelamente ao início dos ataques aéreos em 28 de fevereiro de 2026, Israel lançou uma campanha cibernética em larga escala com o objetivo de paralisar as redes de informação, comando e infraestrutura crítica do Irã. O ataque, que foi descrito como "o maior ciberataque da história" contra o Irã, contribuiu para um apagão quase total da internet, interrupção dos serviços governamentais, da mídia e de partes da infraestrutura de energia e aviação.

Algumas estatísticas:
  • Segundo um relatório da Radware, nos 3 primeiros dias do conflito (entre 28 de fevereiro e 2 de março), 9 grupos hacktivistas distintos reivindicaram 107 ataques DDoS contra 81 organizações em 8 países diferentes da região. O relatório destaca que a mobilização hacktivista ocorreu em apenas 9 horas, caracterizada principalmente por ataques DDoS direcionados a infraestruturas críticas e serviços governamentais na região. Nesse período os hacktivistas priorizaram ataques contra a infraestrutura nacional em detrimento de alvos aleatórios, direcionando 53% de todos os ataques contra instituições governamentais - Israel, Kuwait e Jordânia foram os principais alvos.


  • Segundo o SOCRadar, na primeira semana do conflito foram registrados 368 incidentes cibernéticos em uma dúzia de países, com Israel sendo o alvo em 184 incidentes, seguido pelo Kuwait (53) e Jordânia (41). A infraestrutura governamental foi o setor mais visado, com 84 relatos, seguido por serviços financeiros, defesa, aviação e educação. O grupo DieNet liderou em volume de ataques, com 59 operações reivindicadas, seguido pelo Keymous Plus (51) e pelo 313 Team (42). O volume de ataques atingiu o pico em 2 de março, com 77 relatos diários, antes de se estabilizar entre 52 e 63 por dia até o final da primeira semana.

 

  • Desde o início do conflito (28/02) até 13 de março, a Akamai observou um aumento de 245% nos crimes cibernéticos direcionados a empresas e instituições críticas na América do Norte, Europa e partes da região Ásia-Pacífico;
  • Até 29 de março a DigiCert havia rastreado quase 5.800 ataques cibernéticos realizados por cerca de 50 grupos diferentes ligados ao Irã. Embora a maioria dos ataques tenha como alvo empresas americanas ou israelenses, a DigiCert também encontrou ataques a redes no Bahrein, Kuwait, Catar e outros países da região.
O conflito pode ser longo. Segundo uma reportagem do portal Politico, o Comando Central dos EUA solicitou ao Pentágono o envio de mais oficiais de inteligência militar para apoiar as operações contra o Irã por pelo menos 100 dias, mas provavelmente até setembro.

Eu gostaria muito de fazer uma cobertura mais detalhada dos acontecimentos , como tenho feito até hoje na Guerra entre Rússia e Ucrânia, mas por questões de tempo não conseguirei. Por isso, optei em criar esse post com o objetivo principal de compartilhar as notícias e relatórios relevantes sobre o conflito cibernético entre esses países.

Para ficar antenado, vale a pena acompanhar esses relatórios com excelente cobertura, e atualizados diariamente:

Veja também o vídeo do canal True Hacking, do Alcyon Júnior, sobre o conflito (Ataque real em andamento? Irã x EUA em 2026, 03/03/2026):


Alguns dos ataques e operações relacionadas mais relevantes, IMHO:
Notícias:
Alertas:
Relatórios de inteligência:
Outras referências:

Informações adicionais, relevantes ou só interessantes mesmo:
Meme? Temos alguns!


 

Aqui no blog:
PS: Atualizado em 17, 20, 23, 24, 26, 30 e 31/03, em 02, 06, 07, 08, 09, 13 e em 27 e 28/04, em 11/05 e 15 e 16/06. Atualização muito pequena em 27/07. Atualizado em 19 e 23/08, em 08/09.

dezembro 08, 2025

[Segurança] A PUC receberá a 307 Temporary Security Conference! (com memes!)

Simmmm!!!!!

307 Temporary Security Conference será realizada na unidade da PUC na Marquês de Paranaguá, no mesmo lugar que, por vários anos, aconteceu a Security BSides São Paulo!

A disponibilidade do local foi confirmada hoje, 08/12, e já estamos anunciando nas redes!

A lista de palestras já está no ar, ainda vamos distribuir elas nos dois dias de evento. As villages serão anunciadas em breve - estamos em processo de confirmação com cada uma delas. Cada village terá uma sala dedicada, e algumas villages acontecerão apenas em um dia, enquanto outras ocuparão os 2 dias.

A 307 acontecerá neste próximo final de semana, nos dias 13 e 14 de dezembro, das 10h as 18h30 (a data em que seria realizada a H2HC). As inscrições são gratuitas.

Anote na sua agenda:

  • Quando: 13 e 14/12/2025 (sábado e domingo), das 10h as 18h30
  • Site: https://307conf.com.br
  • Inscrições gratuitas
  • Aonde: PUC-SP Campus Marquês de Paranaguá,
    • Rua Marquês de Paranaguá, 111, Consolação, São Paulo, SP, CEP 01303-050
    • Ao lado da estação do metrô Higienópolis-Mackenzie (linha amarela)

Veja também:





novembro 22, 2025

[Segurança] Desmentindo a minha própria fake news sobre a H2HC (com memes)

Vergonhosamente, no dia 20/11 foi ao ar um post no Linkedin que eu tinha rascunhado anunciando que a H2HC teria sido confirmada - o que não acabou não acontecendo:


Infelizmente nesse ano nós não teremos a H2HC, uma vez que a organização do evento preferiu focar esforços em fazer a edição do ano que vem em um local bem maior (não vou dizer que eles querem fazer no WTC, pois se eu dissesse isso e não der certo, alguém vai dizer que a culpa foi minha por vazar a informação, hehehehehehe).

Não dá para negar que todos gostariam que esse post fosse verdade, eu incluso. Mas não foi o que aconteceu.

O post que saiu no meu Linkedin, totalmente equivocado, foi escrito enquanto estávamos ainda tentando viabilizar a H2HC para este ano, uma vez que várias pessoas estavam se esforçando para apoiar o evento. Havíamos combinado uma data para anunciar a realização da H2HC, que foi adiada algumas vezes até que eles decidiram cancelar de vez o evento. Eu havia escrito o post, que havíamos combinado em anunciar em conjunto, mas com os vários adiamentos da decisão, em vez de apagar, eu tinha agendado ele para uma data "lá longe".

 Eu acabei me esquecendo disso, essa data chegou, o post foi publicado, o caos foi instaurado e eu paguei um mico para a geral.

O meu whatsapp bombou, recebi dezenas de mensagens, e em vários grupos a galera ficou discutindo isso. O próprio Balestra publicou um comentário no meu post avisando que ele estava errado.

Quando percebi a c*gada, achei melhor editar o texto para deixar a informação correta. Mas o caos já tinha sido instaurado :(

Enfim, além da vergonha, esse episódio vai fazer parte de toda a história caótica que foi a "não realização da H2HC 2025".

Lembrem-se: para quem se planejou ir para São Paulo no final de semana de 13 e 14 de dezembro, para ir na H2HC, você não perdeu totalmente a viagem. A comunidade se juntou e estamos organizando um evento para a mesma data, a 307 Temporary Security Conference.

PS: Post atualizado em 10/12 para, claro, incluir os memes!!!

 


novembro 16, 2025

[Segurança] Novidades sobre a H2HC. Ou não? (com memes)

Hoje, domingo 16/11, a galera de cibersegurança acordou com os grupos de whatsapp e telegram bombando! Afinal... finalmente a H2HC foi confirmada?


Isso porque alguém achou "o site" da H2HC e a notícia viralizou: h2hc.io.

Mas, algo já aparece errado logo de cara: o site tem um botão de inscrições que leva para o Sympla, mas dá erro, surge uma mensagem de que o evento é inexistente.

A verdade é: a H2HC só será confirmada quando a organização do evento se pronunciar oficialmente - algo que até o atual momento não aconteceu. E a comunidade está há vários meses cobrando alguma informação :(


Eu troquei mensagens com o Balestra hoje de manhã, e ele me disse que uma pessoa criou esse site para ajudar e deixou pronto para caso o evento fosse confirmado, e aparentemente ofereceu para ele, mas esse nem é o site oficial do evento. E de alguma forma alguém achou e começou a compartilhar. Na verdade, tem pelo menos mais um site que criaram na tentativa de ajudar e ofereceram para ele, uma vez que há alguns meses o site oficial da H2HC está fora do ar.

Infelizmente essa falta de posicionamento, por tanto tempo, dá margem à essas confusões e essa ansiedade generalizada na comunidade de cibersegurança.

E a 307 Conference? O evento continua de pé, estamos com mais de 750 inscritos e mais de 20 propostas de palestras recebidas no nosso CFP. Mas, se a H2HC for confirmada, o evento imediatamente deixa de existir. E todos nós, que estamos na organização da 307, preferimos muito mais que tenha a H2HC - e estamos dispostos a ajudar em tudo o que for preciso para que isso aconteça.

O que aprendemos hoje, amiguinhos?
  • Que .io não é site de hacker, é de faria limmer ;)
  • Que é muito fácil fazer um phishing para pegar toda a galera de cibersegurança!
  • E ainda bem que não criaram uma venda fake de ingressos.

Atualização (01/12): Se você chegou nesse post e não viu os outros, a H2HC foi cancelada!

novembro 12, 2025

[Segurança] Novidades e FAQ sobre a 307 Conference (com memes)

Mal anunciamos a criação da 307 Conference, um evento criado para quem pretendia participar da H2HC, e já temos novidades!

É com alegria e coragem que anunciamos:
  • O João Vitor (@keowu) é o primeiro palestrante confirmado da 307 Temporary Security Conference, que acontece nos dias 13 e 14 de dezembro na capital paulistana. Ele é Sr. Security Researcher, atuando com pesquisa de soluções para análises de ameaças, crimes cibernéticos, fraude, lavagem de dinheiro e terrorismo. Para a 307 ele traz a palestra "Ryūjin - Aprendendo o funcionamento interno de ferramentas Bin2Bin para Obfuscação de Binários Windows PE x64". (o Keowu teve que cancelar sua palestra)
  • O registro GRATUITO para a conferência está aberto. As vagas são limitadas, então "RUN, FORREST, RUN": https://307conference.eventbrite.com.br
  • O evento tem um site: 307conf.com.br
  • E temos um insta: @307conf
Perguntas Frequentes (FAQ)

- Quais dias e horários?

A 307 Conference acontecerá nos dias 13 e 14 de dezembro de 2025 (sábado e domingo), das 9h as 18:30. As 9h45 teremos uma abertura e as 10h começarão as palestras.

- Onde vai ser o evento?

A 307 será na PUC-SP Campus Marquês de Paranaguá, Rua Marquês de Paranaguá, 111, Consolação, São Paulo, SP, CEP 01303-050 (ao lado da estação do metrô Higienópolis-Mackenzie - linha amarela). É a mesma faculdade aonde acontecia a BSidesSP.

- Como chegar?

A PUC-SP Campus Marquês de Paranaguá fica na região central de São Paulo, bem acessível de carro e transporte público.Para quem vier de Metrô, recomendamos descer na estação 
Higienópolis-Mackenzie (linha amarela), que fica a apenas 2 quadras do local. A estação Anhangabaú também é próxima, é possível chegar a pé. Para quem vier de carro, a região é repleta de opções para estacionar.

- Como vou me registrar sem saber onde é?


Se a organização tá organizando sem saber onde é e o povo tá submetendo para o CFP sem saber onde é, por que você não pode se registrar sem saber onde é? Dá um voto de confiança para nós aí, po. Já organizamos conferências antes. Será na região metropolitana de São Paulo. Relaxa.

- Vai ter certificado de participação?

Sim, vamos imprimir alguns e a pessoa pega no dia do evento, bastando preencher o seu nome.

-  Estão aceitando patrocinadores?

Não estamos com patrocinadores nem cotas de patrocínio. Devido ao pouco tempo para organizar o evento (cerca de um mês), optamos por realizar um evento com custo próximo de zero - e contamos com o apoio de uma faculdade para ceder o local, gratuitamente. Com o alto custo de locação dos espaços para eventos em hotéis e centros de convenções, seria impossível arrecadar o patrocínio suficiente em apenas um mês. Fora isso, se tivéssemos patrocínio a burocracia para conseguir o local em faculdade seria maior, o que inviabilizaria o evento. Então, optamos por realizar a 307 no "modo espartano", em uma faculdade que pudesse nos ceder o local gratuitamente - e negociamos com diversas (tivemos os planos A, B, C, Z e Z++). Os crachás e as cervejas para a galera, por exemplo, estão sendo viabilizados através de doações - as empresas estão doando os materiais pagando direto aos fornecedores, sem envolvimento de doação financeira.

-  Estão aceitando doações?

Sim, temos uma "vaquinha" para ajudar com os custos do evento, e faremos uma prestação pública das contas: https://www.abacashi.com/vaquinha/ajude-a-307-conf-a-acontecer

- Haverá palestras?

Sim, a 307 terá uma trilha de palestras, a ser realizada no auditório da PUC. Serão 8 palestras por dia, selecionadas através do "call for papers".

- Haverá villages?

Sim, teremos villages temáticas, são 13 12 confirmadas! Algumas estarão presentes em apenas um dia, e outras nos dois dias. Veja mais informações no nosso site.


- Terá CTF?

Sim, claro!!! O CTF ser'á apenas no sábado, presencial e para times de 3 a 5 pessoas. O CTF da 307 está sendo organizado pelo pessoal da RNP.

- Haverá voluntários?


- Se as inscrições acabarem, posso entrar no evento assim mesmo?


Não. Não será permitida a entrada de pessoas sem inscrição, para conseguirmos controlar a quantidade e fluxo de pessoas. Quando você vai comprar um ingresso para o cinema, teatro ou um jogo de futebol e ele está esgotado, você consegue entrar assim mesmo? Se sim, conta para nós o segredo para conseguir isso e te daremos um ingresso ;)

- Vai ter ingressos pagos?

Não. O evento é gratuito.

- Vai ter camisetas da 307 Conference?

Foram produzidas camisetas somente para os palestrantes (como forma de agradecimento pela sua dedicação) e para identificar o staff e voluntários. Não teremos camisetas para doação ou venda.

- Quem está organizando o evento?

A 307 Temporary Security Conference é resultado da união de várias comunidades, preocupadas em receber o pessoal que se preparou para vir na H2HC deste ano, que foi cancelada. O grupo inclui pessoas que lideram a Bxsec, o Hacking Club, a Mente Binária, a comunidade Pirate Ship, a Security BSides São Paulo (BSidesSP) e You Sh0t the Sheriff (YSTS).

Memes?

Claro que já temos:


 




PS: Post atualizado em 12 e 22/11, em 03 e 08/12. No dia 08/12 tivemos a confirmação do local do evento (PUC). Atualização do FAQ e dos memes em 10/12. Post atualizado em 12/12.

setembro 01, 2025

[Segurança] Novo golpe milionário contra o sistema financeiro brasileiro! (com memes)

Déjà vu???

Na tarde de sexta-feira, 29/08 começou a circular em alguns grupos de WhatsApp da galera de cibersegurança uma mensagem supostamente enviada pelo Banco Central, direcionada às instituições financeiras, alertando sobre um suposto novo ataque ao sistema financeiro, aparentemente direcionado ao banco HSBC:
#URGENTE#
Ataque ao Banco HSBC BANCO 269 ISPB 53518684
Após às 11:00 saíram PIX de valores expressivos
Devido ataque a essa instituição
O PIX foi tirado do ar com isso não será possível devolução via MED nesse momento
Peço pfv a todos comunicar ao monitoramento para bloqueio dos valores recebidos Observação Bradesco adquiriu o HSBC que se tornou Kirton Bank
#sextafeiradamaldade

Muita preocupação começou a surgir na sexta-feira e logo no sábado de manhã veio a bomba!!! Conforme reportado primeiro pelo portal Neofeed, cibercriminosos invadiram os sistemas da Sinqia, uma das principais provedoras de sistemas de core bancário, e conseguiram desviar milhões de reais via diversas transferências via PIX. Até aquele momento, foram identificados desvios em contas do banco HSBC. A reportagem compartilhou uma nota oficial da Sinqia, que dizia entre outras coisas:
No dia 29 de agosto, a Sinqia detectou atividade suspeita no ambiente Pix. Nossa equipe agiu rapidamente e iniciou uma investigação para determinar a causa do incidente. Estamos trabalhando com o apoio dos melhores especialistas forenses nisto. Já estamos em contato com clientes afetados, que compreendem um número limitado de instituições financeiras.
Neste momento, verificamos que o incidente se limita apenas ao ambiente Pix. Não há evidências de atividade suspeita em nenhum outro sistema da Sinqia além do Pix e esse problema afeta apenas a Sinqia no Brasil. Além disso, neste momento, não temos indicação de que quaisquer dados pessoais tenham sido comprometidos.
Enquanto nossa investigação ainda está em andamento, colocamos em prática um plano detalhado para alcançar uma restauração completa. Primeiro, isolamos o ambiente Pix de todos os outros sistemas da Sinqia e o desconectamos proativamente do Banco Central, enquanto conduzimos nossa análise.
Em segundo lugar, por precaução, estamos trabalhando ativamente para reconstruir os sistemas afetados em um novo ambiente com monitoramento e controles aprimorados. Também estamos trabalhando com especialistas externos adicionais para nos ajudar a acelerar esse processo e complementar os recursos de nossa própria equipe. Depois que o ambiente for reconstruído e estivermos confiantes de que está pronto para ser colocado de volta em funcionamento, o Banco Central irá revisá-lo e aprová-lo antes de colocá-lo novamente online. (...)
Sim, prestes a completar 2 meses após o caso da C&M Software, o golpe bilionário ocorrido no final de julho, vemos o cenário se repetir! Esse novo ataque envolvendo a Sinqia em muito se assemelha ao ataque à C&M software - embora ainda não há informações suficientes para conectar os dois casos.

Mais esse caso de ataque milionário às empresas que fornecem tecnologia para o sistema financeiro está deixando a galera da área desesperada!

O HSBC confirmou o incidente em nota oficial:

Os relatos variam entre 400 milhões de reais, R$ 670 milhões, 800 milhões ou até 1 bilhão de reais. Olha que curioso: em 2023 a Sinqia foi comprada pela porto-riquenha Evertec, em uma transação de R$ 2,5 bilhões - ou seja, o prejuízo do golpe pode representar quase metade do valor da compania!

Segundo uma reportagem no G1, o ataque provocou o desvio de cerca de R$ 420 milhões por meio de transferências realizadas via Pix, sendo desviados R$ 380 milhões do banco HSBC e outros R$ 40 milhões da instituição financeira Artta. O Banco Central conseguiu bloquear R$ 350 milhões desse total desviado.

Nota oficial da Artta, divulgada em 30/08:


Mas uma matéria publicada no portal Neofeed, o primeiro a noticiar esse novo grande golpe milionário contra o sistema financeiro brasileiro, "há indícios de que pelo menos R$ 800 milhões estiveram no alvo dos criminosos e 20 instituições foram afetadas."

Provando que não existe nada sigiloso que não apareça nos grupos de whatsapp, já circulou inclusive uma suposta lista com as instituições financeiras que foram roubadas!

As investigações ainda estão em andamento e vou atualizar esse post sempre que surgir alguma novidade relevante.

Em paralelo, o Banco Central está prometendo aumentar a eficiência do MED e e a Receita Federal vai aumentar os controles sobre as Fintechs. O MED, na verdade, nunca teve utilidade prática mesmo pois os criminosos movimentam o dihneiro mais rápido do que a vítima consegue denunciar e o banco consegue investigar. Nem mesmo o próprio Banco Central conseguiu usar o MED para recuperar o dinheiro roubado no ataque da C&M Software, rs.

Uma matéria publicada em 02/09 no jornal Valor traz novas informações baseadas em uma nota oficial da Sinqia, que começam a trazer mais luzes sobre o ocorrido:
  • Aproximadamente R$ 710 milhões em transações foram processadas indevidamente, impactando duas instituições financeiras clientes da Sinqia;
  • Os resultados preliminares da investigação forense da empresa indicam que as transações não autorizadas foram introduzidas ao ambiente Pix por meio da exploração de credenciais legítimas de fornecedores de tecnologia da informação da Sinqia;
  • A empresa acredita que o incidente se limitou ao ambiente Pix da Sinqia e não identificou nenhuma atividade não autorizada em nenhum outro sistema.
Essas informações constam no Relatório "8-K" enviado pela Evertec à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) em 02/09. A Evertec é controladora da Sinqia.

Como resumiu muito bem o InfoMoney: "O volume de recursos desviados do Pix no ataque hacker à empresa de tecnologia Sinqia já chega a cerca de R$ 710 milhões — inicialmente, estimava-se R$ 420 milhões. Foram R$ 669 milhões desviados do HSBC e R$ 41 milhões da sociedade de crédito direto (SCD) Artta. Desse montante, R$ 589 milhões já foram bloqueados pelo Banco Central, o que corresponde a 83% do valor."

O InfoMoney também destaca algo interessante: "Em relação ao destino das transferências, no caso da Sinqia, ao contrário do ataque via C&M, a maioria dos valores foi para contas em grandes bancos, um indicativo de que é necessário apertar as regras para todos, e não apenas para fintechs, explicam interlocutores."

A Apura divulgou um mapeamento baseado no MITRE ATT&CK:


Uma reportagem do jornal Valor, publicada em 04/09, entre outras coisas disse que, segundo o Banco Central, as credenciais de autenticação das instituições financeiras, necessárias para aprovar as transações PIX, estavam em poder das PSTIs (aparentemente, no caso da C&M e da Sinqia).

O portal O Bastidor listou os 11 bancos que receberam o dinheiro desviado no ataque da Sinqia. A lista inclui grandes bancos como Itaú, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Safram, Santander e C6 Bank.

O Felipe Pr0teus fez um questionamento bem provocativo em seu Linkedin: se duas das 7 PSTIs ativas, aprovadas e homologadas pelo Banco Central, já foram invadidas e causaram prejuízos milionários, será que as demais também já não estão comprometidas? Elas seriam as próximas vítimas?


OBS: Quem olhar o post dele lá no Linkedin, vai ver que o nome de uma dessas empresas foi omitido, rs. Eu tirei o screenshot antes dessa atualização no post!

No dia 12 de setembro a Polícia Federal prendeu em flagrante oito suspeitos pelos ataques recentes contra o sistema financeiro nacional, envolvendo a C&M Software e a Sinqia. Segundo relatado pela imprensa, as investigações indicam que, no momento da prisão, os acusados se preparavam para praticar outro golpe, desta vez envolvendo a Caixa Econômica Federal. Todos são jovens, com idades entre 22 e 46 anos: o preso apontado como líder do grupo tem 39 anos.

Segundo a imprensa, a PF chegou aos suspeitos após um funcionário da agência da Caixa Econômica Federal no Largo da Concórdia, no Brás (São Paulo), avisar que um computador da agência contendo uma senha de acesso à VPN (Rede Privada Virtual) seria furtado. Os agentes identificaram e seguiram os suspeitos.


Cá entre nós, muitos profissionais da área acharam essa prisão muito estranha, pela forma que os fatos foram descritos, e acreditamos que não se trata do mesmo grupo. O modus operandi não parece nem um pouco com os casos na C&M Software e na Sinqia. E essa foto acima, do teclado colorido, virou piada em alguns grupos.

Em resposta a esses ataques recentes ao sistema financeiro nacional, no dia 05/09 o Banco Central anunciou uma série de medidas para reforçar os processos e protocolos de segurança das instituições financeiras. Entre as novas regras, o BC aumentou as exigências regulatórias, e também estabeleceu um limite de R$ 15 mil no valor das operações de TED e Pix para instituições de pagamento não autorizadas e para as instituições que se conectam ao sistema financeiro por meio das PSTIs (Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação). Além disso, o BC passou a obrigar as instituições financeiras a rejeitar pagamentos para contas suspeitas de envolvimento em fraudes. (isso não é obvio? precisava de uma orientação do Banco Central para isso!?)

Resultado imediato: 3 bancos foram atacados no dia seguinte!!!

No dia 23/09 a Apura Cyber Intelligence fez uma live sobre todos esses incidentes: Ameaças cibernéticas ao sistema financeiro 2025. Ela também disponibilizou um relatório detalhado, que pode ser baixado gratuitamente: Ameaças cibernéticas ao sistema financeiro 2025: análise e perspectiva.



Em 12/03/2026 o Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do CyberGAECO, e a Polícia Federal deflagraram a Operação Cofre Digital para dar cumprimento a três mandados de prisão temporária e cinco mandados de busca e apreensão nos Estados de São Paulo e Paraná, de envolvidos no ataque à Sinqia. A ordem judicial também determinou o bloqueio de bens e valores de quatro pessoas físicas e 28 pessoas jurídicas, até o limite de R$ 28 milhões para cada uma delas.

Meme? Já temos!


Referências:
PS: Pequena atualização em 01/09. Atualizado com dados relevantes em 02/09. Nova atualização em 03, 05, 08, 16, 19, 24 e 25/09. Post atualizado em 13/03/2026, com informações da Operação Cofre Digital.

PS/2: O Banco Central tem uma página com as informações técnicas sobre o sistema financeiro, que inclui também a lista com as 7 PSTIs aprovadas e as 2 homologadas pela instituição: ABBC, C&M Software, cokei, JD Consultores, MAPS, Sinqia, Stark, Tivit e Topaz.

PS3: Em 02/09 soubemos de mais um golpe contra uma instituição financeira, envolvendo desvios da conta reserva, mas que aparentemente não está relacionado à invasão da C&M Software nem da Sinqia. Veja aqui no blog: Terceiro ataque ao sistema financeiro brasileiro!
#corramparaasmontanhas

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