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fevereiro 06, 2026

[Retrospectiva] Os ataques DDoS bateram recordes insanos em 2025

Nesse ano, em diversas ocasiões foi batido o recorde de "maior ataque DDoS", a maioria dos casos registrados em relatórios da Cloudflare. O maior ataque distribuído de negação de serviço (DDoS) registrado em 2025 atingiu:


31,4 Terabits por segundo



Esse, que é o maior ataque DDoS registrado até o momento, foi bloqueado pela Cloudflare no final do ano, e divulgado recentemente, no relatório do 4o trimestre publicado em fevereiro deste ano.

Veja uma linha do tempo dos principais ataques DDoS registrados em 2025:
  • Em Abril de 2024, a Cloudflare anunciou ter mitigado dois ataques hipervolumétricos que atingiram as marcas de 4.8 Bpps e de 6.5 Tbps, que duraram entre 35 e 45 segundos. O recorde anterior, de 5,6 terabits por segundo, foi registrado pela Cloudflare em outubro de 2025 e anunciado em um relatório publicado em janeiro desse ano;
 
  • Em meados de maio de 2025, a Cloudflare bloqueou um ataque de DDoS maior ainda, contra um provedor de hospedagem, que atingiu impressionantes 7,3 terabits por segundo (Tbps) e durou 45 segundos, realizado pela botnet Mirai;
  • Também em maio, o portal KrebsOnSecurity foi atingido por um ataque de quase 6,35 terabits por segundo (Tbps) realizado pela botnet Aisuru, que na época foi o maior ataque já mitigado pelo Project Shield, serviço de proteção contra DDoS do Google;
  • Em 01 de setembro a Cloudflare anunciou que bloqueou um ataque DDoS com pico de de 5,1 Bpps e 11,5 Tbps, realizado via UDP Flood. O ataque foi de UDP Flood;
  • Também em setembro, pesquisadores de segurança da Qi’anxin detectaram a botnet Aisuru realizando um ataque de 11,5 Tbps, usando 300 mil bots.
  • No final de setembro (22/09) a Cloudflare conseguiu frear um ataque DDoS que atingiu o pico recorde de 22,2 Tbps e 10,6 Bpps. O incidente durou apenas 40 segundos, mas foi o maior a ser mitigado na história da Internet até então. Isso é o equivalente ao streaming de um milhão de vídeos em 4K ao mesmo tempo;
  • Em novembro um cliente da Azure, da Microsoft, foi alvo de um ataque DDoS que atingiu pico de 15,72 terabits por segundo (Tbps) e aproximadamente 3,64 bilhões de pacotes por segundo (bpps), vindo de 500 mil endereços IP diferentes;
  • Em dezembro, o relatório do 3o trimestre da Cloudflare mencionou, sem citar a data precisa, que a empresa mitigou 1.304 ataques hipervolumétricos lançados pelo Aisuru, incluindo um ataque DDoS de 29,7 Tbps, que representou o recorde mundial até então. Ele foi um ataque de bombardeio em massa via UDP, atingindo uma média de 15 mil portas de destino por segundo;
  • No início de dezembro também aconteceu o maior ataque do ano, e o maior registrado até agora, que atingiu 31,4 Tbps em um ataque DDoS que durou apenas 35 segundos (o relatório da Cloudflare não diz a data exata).

O relatório anual da Cloudflare destacou o crescimento dos ataques DDoS no decorrer do ano, que segundo ele, superaram a marca de 31 Tbps:


Ou seja, de 5,6 Tbps em 2024, atingimos o volume recorde de 31,4 Tbps em 2026! Se nos anos anteriores os ataques recordes aconteciam esporadicamente, raramente mais do que uma vez no mesmo ano, em 2025 foi diferente! Os chamados "ataques hipervolumétricos" foram aumentando de forma insana durante todo o ano!

O relatório trimestral da Cloudflare divulgado agora, em fevereiro de 2026, destacou o aumento no número e tamanho dos ataques DDoS ao longo de 2025, crescendo mais de 700%. Eles também compartilharam um gráfico que mostra o rápido crescimento no tamanho dos ataques DDoS detectados e bloqueados pela Cloudflare — cada um deles um recorde mundial, ou seja, o maior já divulgado publicamente por qualquer empresa até então:


E o principal motivo para esse aumento inacreditável dos ataques DDoS tem nome e sobrenome: a botnet Aisuru. Ela foi responsável pelos maiores ataques à CloudFlare e à Azure.

A Aisuru foi mais uma botnet construída com base em código-fonte da Mirai, vazado em 2016 pelos seus criadores originais. A botnet Aisuru tem comprometido, principalmente, roteadores domésticos e câmeras de vigilância, utilizando o IP desses equipamentos para ataques coordenados como esse. Atualmente, os alvos preferidos da Aisuru são chips Realtek, DVRs/NVRs, câmeras IP e roteadores T-Mobile, Zyxel, D-Link e LinkSys. Um dos aspectos que fez crescer a capacidade da botnet foi uma invasão, em abril de 2025, a um servidor de atualização de firmware de roteadores TotoLink, invadindo 100 mil aparelhos de uma vez só.

Segundo a Cloudflare, em meados de 2025 a botnet Aisuru já possuia um enorme exército de hosts infectados, estimado entre 1 e 4 milhões em todo o mundo. Durante 2025 a Aisuru lançou ataques DDoS hipervolumétricos que rotineiramente ultrapassavam 1 terabit por segundo (Tbps) e 1 bilhão de pacotes por segundo (Bpps).

Segue também algumas notícias relevantes relacionadas aos ataques DDoS em 2025:

O ano de 2025 foi louco para quem teve que lidar com os ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS). 

Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados, que eu registrei aqui no blog, e seu crescimento no decorrer do tempo:

Para saber mais:

janeiro 23, 2025

[Segurança] O ataque DDoS de 5,6 Tbps

Ano novo, nova notícia sobre o novo "maior ataque DDoS" registrado!

Um novo relatório da Cloudflare, que traz o balanço de 2024, também aponta que, no dia 29 de outubro, aconteceu o maior ataque registrado pela empresa:


5,6 Terabits por segundo



Esse, que é o maior ataque DDoS registrado até o momento, foi bloqueado durante os últimos três meses de 2024. Ele foi um ataque DDoS UDP de 5,6 terabits por segundo (Tbps) lançado por uma botnet variante da Mirai contra um provedor de serviços de Internet no Leste Asiático. O ataque durou 80 segundos e se originou de 13.000 endereços IP de origem únicas, cada um contribuindo, em média, com tráfego de cerca de 1 gigabit por segundo.

O maior ataque registrado até então pela Cloudflare atingiu o pico de 3,8 Tbps, em setembro de 2024.

Segundo a Cloudflare, os ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) cresceram em frequência e volume durante o ano passado, com o número de ataques HTTP DDoS aumentando constantemente até ultrapassar os ataques de Camada 3 e Camada 4 no quarto trimestre.  Desde o terceiro trimestre de 2024 foi identificado um aumento nos ataques DDoS hipervolumétricos na camada de rede.

O relatório traz várias estatísticas interessantes, como por exemplo:

  • A CloudFlare bloqueou cerca de 21,3 milhões de ataques DDoS em 2024, um aumento de 53% em comparação aos aproximadamente 14 milhões de ataques bloqueados em 2023;
    • Isso representa uma média de 4.870 ataques DDoS por hora;
  • Dos ataques DDoS realizados no quarto trimestre de 2024, 49% (3,4 milhões) foram ataques DDoS nas camadas3/4 e 51% (3,5 milhões) foram ataques DDoS por HTTP;
  • 73% dos ataques DDoS por HTTP foram lançados por botnets conhecidas;
  • Os três principais vetores de ataques nas camadas 3 e 4 foram SYN Flood (38%), ataques de inundação de DNS (16%) e UDP Flood (14%);
  • Os ataques da botnet Mirai representaram 6% de todos os ataques DDoS na camada de rede, um aumento de 131% na comparação trimestral;
  • No quarto trimestre de 2024, a quantidade de ataques superiores a 1 Tbps aumentou 1.885% no trimestre e ataques superiores a 100 milhões de pps (pacotes por segundo) aumentaram 175%;

  • A maioria dos ataques DDoS por HTTP (63%) não excedeu 50 mil solicitações por segundo., enquanto 3% dos ataques DDoS por HTTP excederam 100 milhões de solicitações por segundo
  • A maioria dos ataques DDoS na camada de rede também são pequenos. 93% não excederam 500 Mbps e 87% não excederam 50 mil pacotes por segundo;
  • 72% dos ataques DDoS por HTTP termina em menos de dez minutos. Aproximadamente 22% dos ataques DDoS por HTTP duram mais de uma hora e 11% duram mais de 24 horas;
  • 91% dos ataques DDoS na camada de rede também terminam em dez minutos. Apenas 2% duram mais de uma hora;
  • Top 10 origens dos ataques DDoS:
  • Top 10 vítimas dos ataques DDoS:
  • Setores mais atacados:

O relatório da CloudFlare é mais completo e traz muitas informações úteis, vale a leitura.

Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados, que eu registrei aqui no blog, e seu crescimento no decorrer do tempo:

Para saber mais:

 

dezembro 30, 2024

[Retrospectiva] Ataques DDoS batem recorde de 3,8 terabits por segundo

Diversas notícias surgiram em 2024 sobre botnets e seus ataques distribuídos de negação de serviços (DDoS), e seria de se esperar que a volumetria dos ataques batesse recorde.

Segundo a Cloudflare, no início de setembro os sistemas de proteção contra DDoS da empresa combateram uma campanha de ataques DDoS hipervolumétricos nas camadas 3 e 4 (camadas de rede e transporte), que duraram cerca de um mês. Nesse período, as defesas da Cloudflare mitigaram mais de 100 ataques DDoS hipervolumétricos nas camadas 3 e 4, com muitos deles excedendo 2 bilhões de pacotes por segundo (Bpps) e 3 terabits por segundo (Tbps). O pico foi de 3,8 Tbps, o que representou o maior ataque DDoS já divulgado publicamente por qualquer organização.

Os gráficos abaixo representam dois eventos de ataques separados que tiveram como alvo o mesmo cliente da Cloudflare e foram mitigados de forma autônoma.


O primeiro gráfico é do ataque DDoS de 3,8 Terabits por segundo que durou 65 segundos, e o segundo gráfico representa um ataque DDoS mitigado de 2,14 bilhões de pacotes por segundo que durou 60 segundos.

Ou seja, neste ano, os ataques DDoS alcançaram as marcas históricas de...


3,8 Terabits por segundo
2,14 bilhões de pacotes por segundo



... segundo a Cloudflare.

Essa campanha de ataque visa a saturação de largura de banda, bem como o esgotamento de recursos de aplicativos e dispositivos on-line. Os ataques exploraram predominantemente o UDP em uma porta fixa e são originados em todo o mundo, com ataques maiores vindos do Vietnã, da Rússia, do Brasil, da Espanha e dos Estados Unidos.

Segundo a Cloudflare, os ataques de alta taxa de pacotes parecem se originar de vários tipos de dispositivos comprometidos, incluindo dispositivos MikroTik, DVRs e servidores web, orquestrados para trabalhar em conjunto. Os ataques de alta taxa de bits, por sua vez, parecem se originar de um grande número de roteadores domésticos comprometidos da ASUS. 

Essa campanha teve como alvo vários clientes nos setores de serviços financeiros, internet e telecomunicações, entre outros. A empresa conseguiu mitigar todos os ataques automaticamente.

O ano foi favorável para os ataques DDoS...

Em 4 de julho a OVHcloud, um fornecedor global de serviços em nuvem e um dos maiores na Europa, afirmou que mitigou um ataque recorde de negação de serviço distribuído (DDoS) no início deste ano, que atingiu uma taxa de pacotes sem precedentes de 840 milhões de pacotes por segundo (Mpps). A empresa relatou também que tem observado uma tendência geral de aumento do tamanho dos ataques a partir de 2023, com aqueles que excedem 1 Tbps se tornando mais frequentes e aumentando para ocorrências semanais e quase diárias em 2024.


Além disso, um relatório da Radware revelou um aumento significativo nos ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) em 2024. Os dados mostram que esses ataques não apenas cresceram em número e volume, mas em alguns casos, duraram até 100 horas ao longo de seis dias. O relatório também identificou um aumento de 137% nos ataques DDoS no primeiro trimestre de 2024, em comparação com o trimestre anterior. Novos vetores de ataque, como HTTP/2 Rapid Reset e Continuation Floods, foram responsáveis por uma parte significativa desse aumento. Os criminosos cibernéticos estão utilizando cada vez mais infraestruturas de nuvem, como as fornecidas pelo Telegram, para lançar ataques, reduzindo a necessidade de comprometer dispositivos de Internet das Coisas (IoT). Os ataques DDoS foram particularmente direcionados a organizações na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), impulsionados por conflitos regionais, eleições e pelos Jogos Olímpicos de Paris.

Em 2024, hacktivistas reivindicaram entre 1.000 e 1.200 ataques mensais, com a Ucrânia sendo o principal alvo. Além disso, o volume médio de ataques na camada de rede cresceu 127% ano a ano, por organização, com as Américas sendo o principal alvo.

O recorde de maior ataque volumétrico havia sido o ataque DDoS de 3,47 Tbps, defendido pela Microsoft contra um cliente do Azure na Ásia, em outubro de 2021.

Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados, que eu registrei aqui no blog, e seu crescimento no decorrer do tempo:

Para saber mais:


julho 06, 2024

[Segurança] DNSBomb

No final de maio deste ano, uma equipe de pesquisadores acadêmicos chineses da Universidade Tsinghu, em Pequim (China), descobriu um novo método para lançar ataques de negação de serviço (DoS) em grande escala usando tráfego gerado a partir da resolução de nomes de domínio na Internet - explorando servidores DNS. Essa nova técnica ganhou um nome...


DNSBomb



O DNSBomb é capaz de amplificar o tráfego de ataque em mais de 20 mil vezes, em alguns casos, usando uma técnica que os pesquisadores chamam de pulsos de tráfego TCP, que acumulam várias requisições pequenas e retornam uma única resposta de alto volume.

O artigo que descreve essa técnica de ataque foi publicado na revista acadêmica Proceedings of 2024 IEEE Symposium on Security and Privacy no final de maio deste ano, mas está disponível online (em PDF) no site de um dos pesquisadores.

O DNSBomb explora vários mecanismos amplamente implementados no DNS para acumular diversas consultas de DNS, que são enviadas com uma taxa baixa, amplificar essas consultas em respostas de grande porte e concentrar todas as respostas em uma "explosão" curta, um "pulso" de alto volume para sobrecarregar simultaneamente o sistema alvo. Foram avaliados 10 softwares DNS convencionais, 46 serviços DNS públicos e cerca de 1,8 milhões de resolvedores DNS abertos. Experimentos em pequena escala mostram que a magnitude do pulso de pico pode se aproximar de 8,7 Gb/s e o fator de amplificação da largura de banda pode exceder 20.000 vezes.

A partir do momento em que os cibercriminosos e hacktivistas tomarem conhecimento dessa técnica, devemos ver um aumento significativo nos ataques DDoS em todo o mundo, com risco de derrubar até mesmo sites grandes.

Para saber mais:
PS: Eu havia rascunhado esse post no final de maio, mas acabei esquecendo de finalizá-lo.

dezembro 27, 2023

[Segurança] Retrospectiva: Ataques DDoS batem novos recordes

Nesse ano, os ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) alcançaram níveis recordes, chegando até mesmo a derrubar algumas grandes empresas.

O ano começou com a Cloudflare anunciando, em fevereiro, ter detectado e mitigado dezenas de ataques DDoS hipervolumétricos, a maioria deles atingindo um pico de 50 a 70 milhões de requisições por segundo (rps). Na ocasião, o maior ataque excedeu 71 milhões de rps, o que alcançou a marca de maior ataque DDoS HTTP já registrado até então, mais de 54% superior ao recorde anterior de 46 milhões de rps em junho de 2022. Neste mesmo mês Akamai também mitigou o que ela chamou de "maior ataque DDoS já lançado contra um cliente Prolexic baseado na Ásia-Pacífico (APAC)". O ataque, que ocorreu em 23 de fevereiro de 2023, atingiu o pico de 900,1 gigabits por segundo (Gbps) e 158,2 milhões de pacotes por segundo (Mpps).

No decorrer desse ano, voltamos a ver mais notícias relevantes sobre ataques de DDoS. Em Junho o grupo Anonymous Sudan realizou alguns ataques DDoS contra a Microsoft, e conseguiram tirar do ar os servidores da Azure, OneDrive e Outlook. Em outubro, eles realizaram um ataque contra a Netflix.

Certamente o hacktivismo causa um grande aumento de ataques DDoS. Por isso mesmo, vale a pena lembrar que nessa segunda metade do ano surgiu o conflito entre Israel e Hamas, que no campo cibernético causou uma grande movimentação de dezenas de grupos hacktivistas. Como é de se esperar num cenário desses, logo no início do conflito já foram vistos ataques DDoS contra Israel. Segundo a CloudFlare, os primeiros ataques DDoS contra Israel aconteceram 12 minutos após a invasão de Israel pelo Hamas. Entre os alvos, sites e apps que fornecem informações e alertas sobre ataques de foguetes.

Mas o grande vilão desse ano foi a vulnerabilidade HTTP/2 Rapid Reset (CVE-2023-44487), descoberta em outubro e que permitiu aos ataques DDoS alcançarem uma volumetria surpreendente - um salto de 70 para 400 milhões de requisições por segundo (aproximadamente).

Na ocasião, a Amazon, Google e Cloudflare disseram ter detectado os maiores ataques DDoS já registrados em todos os tempos, graças à essa vulnerabilidade:

  • A Amazon disse que entre 28 e 29 de agosto de 2023, eles testemunharam um ataque que atingiu um pico de mais de 155 milhões de requisições por segundo;
  • A Cloudflare disse que viu um ataque atingir um pico de 201 milhões de requisições por segundo;
  • A Google mitigou um ataque em Agosto que foi oito vezes maior que o recorde anterior. Envolveu 398 milhões de requisições por segundo, o que equivale a “receber todas as solicitações diárias à Wikipédia em apenas 10 segundos”. Em junho de 2022, eles tinham relatado a interrupção de um ataque que atingiu o pico de 46 milhões de requisições por segundo.

Em setembro, a Akamai afirmou que detectou e impediu com sucesso o maior ataque DDoS direcionado a uma das maiores e mais influentes instituições financeiras dos EUA (sem citar o nome da vítima). Em 5 de setembro de 2023 os cibercriminosos usaram uma combinação de vetores de ataque de ACK, PUSH, RESET e SYN Flood, atingindo um pico de 633,7 Gbps e 55,1 Mpps. O ataque durou menos de 2 minutos e foi mitigado proativamente. O tráfego malicioso veio de todo o mundo, incluindo Bulgária, Brasil, China, Índia, Tailândia, Rússia, Ucrânia, Vietname, e Japão.


Ou seja, neste ano, os ataques DDoS alcançaram a marca de...


398 milhões de requisições por segundo



... segundo a Google.

Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados, que eu registrei aqui no blog, e seu crescimento no decorrer do tempo:
Pela lista acima, fica perceptível que a Akamai usa um método diferente para medir os ataques DDoS, através de pacotes por segundo. Mas, quando comparamos a métrica deles em volumetria de tráfego, em termos de Gibabits ou Terabits por segundo (Gbps / Tbps), os ataques recebidos pela Akamai tem sido muito baixos - enquanto o pico recorde deles foi de 900,1 Gbps em fevereiro de 2023, a Cloudflare reportou um ataque de 2,5 Tbps em Outubro de 2022.

Para saber mais:

outubro 16, 2023

[Segurança] Novo ataque DDoS: HTTP/2 Rapid Reset

Uma nova técnica de ataque distribuído de negação de serviço (DDoS), explorando uma vulberabilidade de zero day no protocolo HTTP/2, está causando o terror e batendo os recordes de volumetria dos ataques DDoS:


HTTP/2 Rapid Reset



O bug, rastreado como CVE-2023-44487, permite sobrecarregar os servidores web com uma nova técnica de ataque, aonde uma enxurrada de tráfego faz com que o site, alvo do Ataque, fique temporariamente indisponível para os usuários.

Esta vulnerabilidade HTTP/2 consiste no envio de um determinado número de solicitações HTTP usando HEADERS seguido por RST_STREAM e repetindo esse padrão para gerar um alto volume de tráfego nos servidores HTTP/2. Ao agrupar vários quadros HEADERS e RST_STREAM em uma única conexão, os invasores podem causar um aumento significativo de solicitações por segundo e causar alta utilização da CPU nos servidores, o que eventualmente pode causar esgotamento de recursos e a interrupção do servidor.

Esse diagrama, da Google, ilustra o funcionamento do ataque:

A Amazon, Google e Cloudflare disseram ter detectado os maiores ataques DDoS já registrados em todos os tempos, graças à essa vulnerabilidade recém-descoberta:

  • A Google mitigou um ataque em Agosto que foi oito vezes maior que o recorde anterior. Envolveu 398 milhões de solicitações por segundo (RPS). Em junho de 2022, eles relataram a interrupção de um ataque que atingiu o pico de 46 milhões de solicitações por segundo. Isso equivalia a “receber todas as solicitações diárias à Wikipédia em apenas 10 segundos”;
  • A Amazon disse que entre 28 e 29 de agosto de 2023, [eles testemunharam um ataque](https://aws.amazon.com/blogs/security/how-aws-protects-customers-from- ddos-events/ atingindo um pico de mais de 155 milhões de solicitações por segundo;
  • A Cloudflare disse que viu um ataque atingir um pico de 201 milhões de solicitações por segundo.

Para saber mais:

setembro 18, 2023

[Segurança] Nova Buzzword: Web DDoS Tsunami Attack

Em um artigo recente em seu blog corporativo, a Checkpoint descreveu (superficialmente) o que ela chamou de....

Web DDoS Tsunami Attack


Segundo o artigo, houve um aumento "massivo" de ataques DDoS no primeiro semestre de 2023, principalmente nos ataques DDoS em Web. "Um ataque Web DDoS Tsunami é um tipo de ataque de DDoS de Flood de HTTP que "é mais sofisticado, agressivo e difícil de detectar e mitigar", nas palavras da Checkpoint.

O artigo limita-se a dizer, na prática (isto é, tirando o blá blá blá), que esses ataques exploram a camada de aplicação (camada 7) via os protocolos HTTP e HTTPS para enviar uma quantidade grande de requisições e sobrecarregar os servidores. As ferramentas utilizadas possuem recursos de evasão como o uso de IPs dinâmicos e randomização dos cabeçalhos (headers). Juntando esse artigo com um outro PDF deles, esse ataque teria as seguintes características:

  • Ataque na camada de aplicação (camada 7) via os protocolos HTTP e HTTPS 
  • Alto número de requisições por segundo (RPS) ("vários milhões de RPS")
  • Várias ondas de ataques, que duram várias horas e se extendem por dias;
  • As requisições são randomizadas: métodos, cabeçalhos (headers) e cookies HTTP;
  • Usam IP spoofing.

Ou seja, eu não vi grandes novidades...

Seria isso um problema real ?

O que vocês acham?

Para saber mais:

dezembro 21, 2022

[Segurança] Dark Web Price Index 2022

Periodicamente vemos estatísticas sobre os preços em que informações e ferramentas utilizadas para ciber ataques e fraudes online são comercializadas em fóruns criminosos.

Um desses indicadores é o Dark Web Price Index 2022, da Privacy Affairs. Os indicadores deste ano, divulgados em setembro, traz alguns dados sobre os preços médios praticados nos grupos criminosos. Veja alguns exemplos que eu destaquei, com valores praticados em dólares americanos (US$):

  • Dados de carrão de crédito: de $15 a $120
  • Login em online banking: $35 a $65
  • Conta na Paypal: $10 a $45
  • Binance verified account: $260
  • Conta no Netflix (assinatura de 1 ano): $25
  • Conta de motorista de Uber: $35
  • Nas redes sociais:
    • Conta no Facebook: $45
    • Conta no  Instagram: $40
    • Conta no Twitter: $25
    • Conta no Gmail: $65
    • 1.000 seguidores no Instagram: $4
    • 1.000 likes no Instagram: $5
  • Ataque DDoS (Unprotected website, 10-50k requests per second, 1 hour): $10

Os valores acima podem variar muito dependendo das características da conta acessada, como o saldo (ou limite), o país e a quantidade de dados disponível.


O relatório também faz um comparativo dos preços praticados em 2021 e neste ano.

Para saber mais:

setembro 30, 2022

[Segurança] Google e Akamai batem novo recorde de ataques DDoS

Em poucos dias, tivemos dois ataques de DDoS recorde, que mostram seu crescimento constante. Segundo a Netscout, aconteceram 6.019.888 ataques DDoS globais apenas no primeiro semestre de 2022.

No início de Agosto, a Google anunciou que o Google Cloud bloqueou o maior ataque DDoS já identificado por eles, atingindo a marca de 46 milhões de rps (requisições por segundo). O ataque partiu de 1.813 endereços IP.

Agora, em Setembro, foi a vez da Akamai divulgar que em 12/09 um cliente na Europa foi alvo de um ataque DDoS que atingiu o pico de 704,8 Mpps (milhões de pacotes por segundo), cerca de 7% maior que o maior ataque identificado anteriormente pela empresa, em julho deste ano (contra a mesma vítima!).

O ataque DDoS na Google aconteceu em 01 de Junho, começando com a taxa de 10.000 rps, durou 69 minutos e rapidamente escalou para 46 milhões de rps. Seria como se todo o tráfego diário da Wikipedia chegasse no site em apenas 10 segundos. O ataque foi 80% maior do que o recorde identificado alguns meses antes pela CloudFlare. O ataque utilizou a técnica HTTP Pipelining, que permite o envio de múltiplas requisições HTTP em uma única conexão TCP, sobre o protocolo HTTPS. Acredita-se que o ataque foi realizado pela botnet Meris, originado de apenas 5.256 IPs espalhados em todo o mundo (132 países).. Detalhe interessante, esse ataque mostra que as botnets estão usando Tor e proxies em larga escala. Destes IPs, 22% eram da rede Tor.



Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados e seu crescimento no tempo:
Nota (adicionada em 14/10): em 12/10 a Cloudflare anunciou que um servidor Minecraft Wynncraft sofreu um ataque DDoS da Botnet Mirai que alcançou 2.5 Tbps. Foi observado também um pico de 26 milhões rps.

junho 21, 2022

[Segurança] Novo ataque DDoS recorde de 26 milhões de requisições por segundo

Recentemente a Cloudflare anunciou ter recebido um novo ataque de negação de serviço (DDoS) com volume recorde, contra um de seus clientes de proteção gratuita. O ataque atingiu a marca de...


26 milhões de requisições por segundo (rps)

Em seu artigo no Blog sobre o ataque, a Cloudflare não entra em muitos detalhes e não cita o nome do cliente nem a data em que o ataque aconteceu (indica apenas que foi na semana de 06 a 12 de Junho).

Segundo o blog, a empresa detectou e mitigou automaticamente um ataque DDoS de 26 milhões de requisições por segundo (rps, sigla de "request per second", em inglês). Esse foi considerado, pela empresa, o maior ataque do tipo "DDoS HTTPS" já registrado por eles. Em menos de 30 segundos (com pico entre 22:26:30 e 22:26:40 - provavelmente horário UTC), uma botnet com 5.067 dispositivos gerou mais de 212 milhões de requisições HTTPS partindo de mais de 1.500 redes em 121 países. Em média, cada nó da botnet gerou tráfego de 5.200 rps no pico do ataque.


Segundo a Cloudflare, essa botnet é considerada pequena, por possuir apenas 5.067 dispositivos sob controle, mas mesmo assim, foi capaz de gerar um ataque tão monstruoso.

O ataque teve origem, principalmente, de provedores de serviços em nuvem. Os principais países de origem do ataque foram, pela ordem, a Indonésia, Estados Unidos, Brasil, Rússia e Índia, sendo que cerca de 3% do tráfego do ataque veio através de nós da rede Tor.

A Cloudflare cita outros ataques que detectou anteriormente de 15 milhões de rps em Abril de 2021e 17 milhões de rps em Agosto do mesmo ano. Aqui no blog eu já noticiei outros ataques DDoS de volume recorde, baseados no volume de tráfego gerado:

fevereiro 22, 2022

[Segurança] O maior DDoS de todos os tempos: 3,47 Tbps contra a Microsoft

A Microsoft anunciou que evitou um número recorde de ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) direcionados a seus clientes em 2021, três dos quais ultrapassaram um volume de 2,4 terabits por segundo (Tbps).

Um dos ataques DDoS, de reflexão UDP, ocorreu em novembro de 2021 contra um cliente não identificado do Azure na Ásia, atingindo uma taxa de 340 milhões de pacotes por segundo (pps) e um throughput (taxa de transferência) que atingiu um pico considerado recorde:


3,47 Tbps



Segundo a própria Microsoft, este é o maior ataque já relatado na história. Este ataque durou um total de 15 minutos, aproximadamente, e teve origem em aproximadamente 10.000 equipamentos em vários países em todo o mundo, incluindo Estados Unidos, China, Coréia do Sul, Rússia, Tailândia, Índia, Vietnã, Irã, Indonésia e Taiwan.



Como comparação, veja a volumetria de alguns ataques já realizados:


Para saber mais:

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