fevereiro 06, 2026

[Retrospectiva] Os ataques DDoS bateram recordes insanos em 2025

Nesse ano, em diversas ocasiões foi batido o recorde de "maior ataque DDoS", a maioria dos casos registrados em relatórios da Cloudflare. O maior ataque distribuído de negação de serviço (DDoS) registrado em 2025 atingiu:


31,4 Terabits por segundo



Esse, que é o maior ataque DDoS registrado até o momento, foi bloqueado pela Cloudflare no final do ano, e divulgado recentemente, no relatório do 4o trimestre publicado em fevereiro deste ano.

Veja uma linha do tempo dos principais ataques DDoS registrados em 2025:
  • Em Abril de 2024, a Cloudflare anunciou ter mitigado dois ataques hipervolumétricos que atingiram as marcas de 4.8 Bpps e de 6.5 Tbps, que duraram entre 35 e 45 segundos. O recorde anterior, de 5,6 terabits por segundo, foi registrado pela Cloudflare em outubro de 2025 e anunciado em um relatório publicado em janeiro desse ano;
 
  • Em meados de maio de 2025, a Cloudflare bloqueou um ataque de DDoS maior ainda, contra um provedor de hospedagem, que atingiu impressionantes 7,3 terabits por segundo (Tbps) e durou 45 segundos, realizado pela botnet Mirai;
  • Também em maio, o portal KrebsOnSecurity foi atingido por um ataque de quase 6,35 terabits por segundo (Tbps) realizado pela botnet Aisuru, que na época foi o maior ataque já mitigado pelo Project Shield, serviço de proteção contra DDoS do Google;
  • Em 01 de setembro a Cloudflare anunciou que bloqueou um ataque DDoS com pico de de 5,1 Bpps e 11,5 Tbps, realizado via UDP Flood. O ataque foi de UDP Flood;
  • Também em setembro, pesquisadores de segurança da Qi’anxin detectaram a botnet Aisuru realizando um ataque de 11,5 Tbps, usando 300 mil bots.
  • No final de setembro (22/09) a Cloudflare conseguiu frear um ataque DDoS que atingiu o pico recorde de 22,2 Tbps e 10,6 Bpps. O incidente durou apenas 40 segundos, mas foi o maior a ser mitigado na história da Internet até então. Isso é o equivalente ao streaming de um milhão de vídeos em 4K ao mesmo tempo;
  • Em novembro um cliente da Azure, da Microsoft, foi alvo de um ataque DDoS que atingiu pico de 15,72 terabits por segundo (Tbps) e aproximadamente 3,64 bilhões de pacotes por segundo (bpps), vindo de 500 mil endereços IP diferentes;
  • Em dezembro, o relatório do 3o trimestre da Cloudflare mencionou, sem citar a data precisa, que a empresa mitigou 1.304 ataques hipervolumétricos lançados pelo Aisuru, incluindo um ataque DDoS de 29,7 Tbps, que representou o recorde mundial até então. Ele foi um ataque de bombardeio em massa via UDP, atingindo uma média de 15 mil portas de destino por segundo;
  • No início de dezembro também aconteceu o maior ataque do ano, e o maior registrado até agora, que atingiu 31,4 Tbps em um ataque DDoS que durou apenas 35 segundos (o relatório da Cloudflare não diz a data exata).

O relatório anual da Cloudflare destacou o crescimento dos ataques DDoS no decorrer do ano, que segundo ele, superaram a marca de 31 Tbps:


Ou seja, de 5,6 Tbps em 2024, atingimos o volume recorde de 31,4 Tbps em 2026! Se nos anos anteriores os ataques recordes aconteciam esporadicamente, raramente mais do que uma vez no mesmo ano, em 2025 foi diferente! Os chamados "ataques hipervolumétricos" foram aumentando de forma insana durante todo o ano!

O relatório trimestral da Cloudflare divulgado agora, em fevereiro de 2026, destacou o aumento no número e tamanho dos ataques DDoS ao longo de 2025, crescendo mais de 700%. Eles também compartilharam um gráfico que mostra o rápido crescimento no tamanho dos ataques DDoS detectados e bloqueados pela Cloudflare — cada um deles um recorde mundial, ou seja, o maior já divulgado publicamente por qualquer empresa até então:


E o principal motivo para esse aumento inacreditável dos ataques DDoS tem nome e sobrenome: a botnet Aisuru. Ela foi responsável pelos maiores ataques à CloudFlare e à Azure.

A Aisuru foi mais uma botnet construída com base em código-fonte da Mirai, vazado em 2016 pelos seus criadores originais. A botnet Aisuru tem comprometido, principalmente, roteadores domésticos e câmeras de vigilância, utilizando o IP desses equipamentos para ataques coordenados como esse. Atualmente, os alvos preferidos da Aisuru são chips Realtek, DVRs/NVRs, câmeras IP e roteadores T-Mobile, Zyxel, D-Link e LinkSys. Um dos aspectos que fez crescer a capacidade da botnet foi uma invasão, em abril de 2025, a um servidor de atualização de firmware de roteadores TotoLink, invadindo 100 mil aparelhos de uma vez só.

Segundo a Cloudflare, em meados de 2025 a botnet Aisuru já possuia um enorme exército de hosts infectados, estimado entre 1 e 4 milhões em todo o mundo. Durante 2025 a Aisuru lançou ataques DDoS hipervolumétricos que rotineiramente ultrapassavam 1 terabit por segundo (Tbps) e 1 bilhão de pacotes por segundo (Bpps).

Segue também algumas notícias relevantes relacionadas aos ataques DDoS em 2025:

O ano de 2025 foi louco para quem teve que lidar com os ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS). 

Veja alguns dos maiores ataques DDoS já reportados, que eu registrei aqui no blog, e seu crescimento no decorrer do tempo:

Para saber mais:

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