Diversas novidades, informações, dicas e casos do dia-a-dia: na vida pessoal, sobre Tecnologia e, principalmente, Segurança da Informação.
agosto 27, 2021
Posts que nunca foram escritos
abril 28, 2021
[Cidadania] Diga não ao PL paulista contra a diversidade
Artigo 1º - É vedado em todo o território do Estado de São Paulo, a publicidade, por intermédio de qualquer veículo de comunicação e mídia que contenha alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionado a crianças.
Artigo 2º - As infrações ao disposto no artigo primeiro desta Lei serão, a princípio, multa e o fechamento do estabelecimento que atuar na divulgação até a devida adequação ao que dispõe esta lei.
Artigo 3º - Esta Lei entrará em vigor dentro de trinta dias a contar de sua publicação.
"Artigo 1º - Fica vedada, em todo território do Estado de São Paulo, a publicidade, por intermédio de qualquer veículo de comunicação e mídia, de material que contenha alusão a drogas, sexo e violências explícitas, relacionados a crianças."
Todos nós precisamos seguir juntos e firmes na luta contra as diversas formas de preconceito enraizados em nossa sociedade (racismo, machismo, homofobia e muitos outros) e na construção de uma sociedade cada vez mais justa e inclusiva. As pessoas tem o direito a liberdade para serem quem são, livres da discriminação pela sua orientação sexual, raça, gênero, credo religioso ou qualquer outro motivo.
janeiro 29, 2021
[Cidadania] Dia da Visibilidade Trans
- Aqui no blog: A Diversidade é nossa maior Igualdade
- TransEmpregos
- 27 Most Successful LGBT+ Entrepreneurs, Executives and Opinion Leaders
- Visibilidade Trans: Thammy Miranda e Laerte Coutinho são os nomes mais buscados desde a instituição da data
- Ao transformar luto em luta, comunidade T conquistou direitos nos anos 2010
- Na semana da visibilidade trans: Erika Hilton e Carolina Iara de Oliveira sofrem violência
- Palestra da Maite Schneider no TEDx Florianopolis: 6 dicas de uma trans para uma sociedade cis-hetero-normativa
janeiro 27, 2021
[Cidadana] Dia Internacional da Lembrança do Holocausto
"Ao crescer, eu era rodeado por homens destroçados, que se embriagavam por causa da culpa de sua participação no regime mais maligno da história."
"Meu pai chegava em casa bêbado, uma ou duas vezes por semana, e gritava e batia em nós, e assustava a minha mãe. Eu não o culpo totalmente, porque o nosso vizinho estava fazendo a mesma coisa com a família dele, assim como o próximo vizinho. Eu ouvia com meus ouvidos e vi isso com meus próprios olhos. Eles sofriam dores físicas devido aos fragmentos em seus corpos e sofriam dores psicológicas devido ao que viram ou fizeram.”
"Tudo começou com mentiras e mentiras e mentiras e intolerância. Sendo da Europa, eu vi em primeira mão como as coisas podem sair do controle."
novembro 24, 2020
[Cidadania] Dia da Consciência Negra
Veja alguns dados estatísticos sobre a violência que infelizmente existe até hoje e que assola a população negra:
- 56,10% da população brasileira se declarou preta ou parda em 2019;
- Segundo o Atlas da Violência 2020, os casos de homicídio de pessoas pretas e pardas aumentaram 11,5% de 2008 a 2018, enquanto a taxa entre brancos, amarelos e indígenas caiu, no mesmo período, 12,9%.
- Além disso, segundo uma pesquisa recente, a pandemia do novo Coronavírus afetou mais pretos e pardos em aspectos como estresse e preocupações financeiras. 61% de pretos e pardos declararam que sua renda familiar foi reduzida na pandemia, contra 54% dos brancos.
- https://sejaantirracista.org
- Instituto Identidades do Brasil (ID_BR)
- Dados de 2019, mas ainda reais: Dia da Consciência Negra: números expõem desigualdade racial no Brasil
agosto 28, 2020
[Cidadania] Desconstruindo o Machismo, racismo e LGBTfobia em todos nós
Há poucos dias atrás eu vi um post muito legal no Instagram do Fabio Porchat em que ele se declarava um "racista em desconstrução". Alguns dias depois ele postou outro texto, se declarando um "LGBTfóbico em desconstrução".
Eu me identifiquei imediatamente com esses posts, pois eu também me considero um machista, racista e LGBTfóbico em eterna desconstrução. Isso porque vivemos em uma sociedade em que, desde criança, temos a nossa personalidade moldada pelos preconceitos que estão infiltrados e fazem parte do dia-a-dia da nossa sociedade. Somos treinados a olhar as pessoas de forma diferente por causa da sua cor de pele, sexo ou religião, cercados por aquelas centenas de piadas e comentários jocosos do dia-a-dia.
Felizmente já fazem alguns anos que eu faço um esforço constante para evitar qualquer tipo de atitude desrespeitosa e preconceituosa, e devo muito disso por ter participado do Garoa Hacker Clube, um espaço que criamos em 2011. Embora seja um espaço sobre tecnologia, em um mercado dominado por homens, desde o início sempre discutimos e apoiamos a inclusão, e tentamos criar um espaço que pudesse receber todas as pessoas. Nesse processo, fui agregando pessoas em que me inspiro, desde excelentes profissionais mulheres, negros e trans, até profissionais e amigos que também se preocupam com o respeito a diversidade.
junho 02, 2020
maio 18, 2020
[Cidadania] Busque sobre elas!
Sim, é verdade! Existem muitas mulheres fantásticas, e muitas coisas a nossa volta foram criadas por elas.
Em Março deste ano, o Google fez uma campanha muito bonita em homenagem ao mês das mulheres, com um vídeo em que uma menina descobre exemplos de mulheres incríveis e reescreve o significado da expressão “só podia ser mulher” (veja também essa versão curta do vídeo).
O dia das mulheres já passou, mas vale muito a pena ver o vídeo de novo - ou assistir pela primeira vez, se você ainda não viu.
Com a hashtag #BusqueSobreElas, o Google celebrou os avanços tecnológicos feitos por mulheres que inspiram e impactam o mundo todo.
Veja também:
novembro 22, 2019
[Cidadania] O Silêncio dos Homens
Em vista disso, o pessoal do projeto Papo de Homem fez um documentário sensacional, chamado "O silêncio dos homens".
O vídeo é longo, dura 60 minutos, mas vale muito a pena ser assistido.
O documentário é baseado em uma pesquisa com 47.002 pessoas. Eles concluem que os homens são forçados a esconder seus problemas, em troca de manter uma figura masculina importa pela sociedade. Como resultado, eles concluem que "Os homens sofrem, mas sofrem calados e sozinhos".
Esse estudo trás várias estatísticas que são apresentadas no decorrer do documentário, além de histórias emocionantes, que nos fazem pensar sobre nosso papel na sociedade e como os homens também precisam de apoio. O fechamento emocional atua como uma camisa de força para muitos homens, tornando ainda mais difícil tudo que enfrentam no dia a dia.
Veja algumas das estatísticas:
- 6 em cada 10 homens entrevistados declaram lidar com algum tipo de distúrbio emocional, tais como ansiedade, depressão, insônia, vício em pornografia, álcool, drogas, comida, apostas e jogos eletrônicos;
- 83% das mortes por homicídios e acidentes no Brasil são de homens;
- Os homens se suicidam quase 4 vezes mais do que as mulheres;
- 17% dos homens lida com algum nível de dependência alcoólica;
- Quando sofrem um abuso sexual, os homens demoram em média 20 anos até contar isso pra alguém;
- Cerca de 30% dos homens enfrentam ejaculação precoce ou disfunção erétil;
- Homens são 95% da população prisional no Brasil, sendo que a maior parte dos encarcerados são jovens, periféricos e com ausência de figura paterna.
Por tudo isso, esse documentário é um convite para abrir nossos corações e termos conversas sinceras com nossos amigos, amigas, esposas, esposos, familiares, filhos, parceiros de trabalho. Esse é um movimento de coragem, coragem para assumir responsabilidade, para escutar as mulheres, para sermos vulneráveis e nos ajudarmos a construirmos vidas melhores.
Outro vídeo muito bom do programa Papo de Segunda, relacionado com esse tema, é de um debate sobre a dificuldade de se colocar no ponto de vista dos outros: "Empatia: como praticar e entender o outro no dia a dia?". Nesse programa eles debatem o filme nacional "A Vida Invisível", de 2018, e o difícil exercício de compreender e se colocar no lugar de quem você não concorda e não gosta.
novembro 20, 2019
[Cidadania] Machado de Assis era negro
A Faculdade Zumbi dos Palmares e a agência Grey criaram o movimento “Machado de Assis Real”, divulgando fotos do escritor com sua cor de pele original, da forma que ele deveria ser retratado nos livros de história. Mas, em algum momento, Machado de Assis foi empalidecido pela sociedade - e essa ação vem no sentido de “corrigir o racismo na literatura brasileira”. O site disponibiliza para download imagens em vários formatos do Machado de Assis negro.
O maior nome da história
da literatura brasileira.
Jornalista, contista, cronista,
romancista, poeta, teatrólogo.
E o que poucos sabem: negro.
O racismo no Brasil escondeu
quem ele era por séculos.
Sua foto oficial, reproduzida
até hoje, muda a cor da sua pele,
distorce seus traços e rejeita sua
verdadeira origem.
Machado de Assis foi embranquecido
para ser reconhecido. Infelizmente.
Um absurdo que mancha
a história do país.
Uma injustiça que fere
a comunidade negra."
(fonte: MachadodeAssisReal)
O interessante é ver que, há poucos dias atrás, o mesmo Catraca Livre publicou uma notícia sobre uma exposição no Farol Santander em homenagem ao Machado de Assis, e na imagem utilizada na matéria, estava a reprodução de um quadro aonde ele aparece branquinho, confirmando que existem ilustrações que escondem a real cor de pele do escritor!
Em poucas palavras, Machado de Assis (ou melhor, Joaquim Maria Machado de Assis) foi um escritor brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, falecido em 29 de setembro de 1908. É considerado um dos maiores nomes da nossa literatura, com dez romances (incluindo Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro, entre outros), duzentos contos, dez peças teatrais, cinco coletâneas de poemas e sonetos, e mais de seiscentas crônicas. Além disso, ele fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras. (fonte: Wikipedia)
A cor de pele é mais importante do que suas obras? Não deveria ser! Mas, o fato do Machado de Assis ter sido "esbranquiçado" nos livros de história, mostra que sua origem negra incomodou muita gente :(
novembro 17, 2019
[Segurança] Eventos de segurança, códigos de conduta e exclusão
(*) Por "comunidade hacker" e "hacking", nesse contexto, entenda-se a comunidade de pessoas interessadas no aspecto ofensivo de segurança da informação.
Como o assunto é longo e delicado, eu resolvi dividir esse post em vários tópicos. E, como a história do ocorrido é um pouco longa, eu deixei o detalhamento dela para o final. Também não vou citar os nomes das pessoas, em respeito a privacidade dos envolvidos.
Qual foi a treta da NullByte?
No final do evento, antes do horário programado para seu encerramento, os organizadores anunciaram que realizariam um debate de encerramento, e então três pessoas subiram ao palco (todos muito bem conhecidos do mercado de segurança nacional). Logo no início me chamaram também para o palco, e eu que estava confortavelmente acomodado no fundão, acabei indo e me posicionando num dos cantos do palco.
A minha impressão pessoal foi de que a intenção era discutir os limites éticos das pesquisas em segurança e a importância dos eventos para as comunidades locais (de novo, esse é o meu "achômetro"). Mas a primeira pergunta do debate já levou para um caminho diferente...
Resumindo a treta em um pouco mais de um tweet, um dos mediadores perguntou se "os eventos de segurança deveriam ter um código de conduta", e imediatamente começou a discussão que os eventos de segurança não são inclusivos. Rapidamente a discussão escalou para temas como preconceito, machismo, e alguns participantes se exaltaram. Em poucos minutos, começou uma gritaria entre meia dúzia de pessoas, com acusações verbais, dedo na cara (aparentemente rolaram até ameaças). Assim que o caos se instalou e a conversa virou bate-boca, a organização do evento interviu, interrompeu a discussão e argumentou que, na NullByte, o que importa é o hacking, e não o tipo de pessoa, e que qualquer tipo de preconceito seria repudiado pela própria comunidade.
Não me levem a mal: até naquele momento eu tinha achado que, apesar de tudo, o debate tinha sido bom porque fez com que algumas pessoas começassem a se preocupar com a diversidade no mercado e a necessidade de haver mais respeito a todos.
Existe inclusão no mercado e segurança?
Claro que não! Lamentavelmente, o mercado de segurança, assim como o mercado de tecnologia, é extremamente machista e preconceituoso. Há poucas mulheres na área, poucos negros e raramente alguém tem coragem de declarar a sua opção sexual se ela for diferente de "heterosexual". A comunidade hacker de segurança, assim como o nosso mercado, é dominado pelo macho alpha hackudo, que invade tudo e faz leak de todo mundo.
Mas a culpa não é dos profissionais de segurança em si. Muito do preconceito e do desrespeito está enraizado em nossa sociedade e nossa cultura, além disso, o mercado de tecnologia, engenharia e ciências exatas é majoritariamente masculino. Muitas vezes somos preconceituosos e desrespeitosos sem perceber: aquela piadinha sobre mulher gostosa ou sobre alguém ser gay pode, muitas vezes, soar de forma desrespeitosa para uma pessoa que testemunhe a piada.
Ou seja, a nossa sociedade machista e preconceituosa, que nos cerca e está presente no nosso dia-a-dia, molda nosso comportamento (consciente ou subconsciente) e, por sua vez, ttendem a moldar o nosso relacionamento dentro da comunidade.
Em tecnologia isso é muito claro! Infelizmente, não é a toa que vemos poucas mulheres, poucos negros e poucas pessoas LGBT no mercado, e raros são os casos que chegam a ocupar cargo de gestão ou destaque profissional.
A cultura hacker é inclusiva?
Sim, por mais estranho que pareça, eu acredito que a cultura hacker é inclusiva. Principalmente porquê a cultura hacker é fortemente baseada na meritocracia: você vale pelo seu conhecimento, o famoso "show me the code".
Em uma cultura baseada fortemente na interação virtual, online (como nos fóruns no IRC, fóruns online e redes sociais), muitas vezes interagimos com uma pessoa por vários anos sem conhecer-la pessoalmente. O seu nickname e seu conhecimento fala mais sobre você do que sua foto, seu rosto, seu nome verdadeiro, sexo ou condição social.
Mas, infelizmente, o mundo real é injusto, extremamente preconceituoso. Nossa sociedade é repleta de várias nuances de preconceito e exclusão, que acabam moldando a nossa cultura e nosso comportamento. Quando uma comunidade inclusiva no mundo virtual se relaciona no mundo real, os preconceitos enraizados em nossa sociedade começam a se manifestar. O negro vale menos do que o branco, o gay vira motivo de piadas, o sexismo impera: a mulher é considerada menos capaz e é sexualizada.
Eventos de segurança precisam de código de conduta?
Sim, precisam. Precisam para tentar garantir um ambiente respeitoso e "seguro" para seus participantes, independente de sexo, cor, religião, opção sexual ou qualquer outra coisa. O Código de Conduta é importante para que as pessoas saibam que, se acontecer algum problema de assédio, preconceito ou desrespeito, as vítimas tem a quem pedir ajuda e a organização está se comprometendo a oferecer um canal de atendimento.
Eu, particularmente, não acredito que a simples existência de um Código de Conduta consegue resolver o problema do preconceito. Principalmente porque, aqui no Brasil, temos a triste cultura de desrespeitar as leis quando nos convém (ou, pelo menos, ignorar). Se o Brasileiro já desrespeita as leis do país, porque iria respeitar um código de conduta de um evento qualquer?
Mas, como disse, o código de conduta mostra que a organização assume a responsabilidade de tratar os casos de desrespeito - ou seja, o caso vai ser investigado e, se necessário, o agressor pode ser punido dentro dos limites estabelecidos.
Falando em termos mais chulos... Um código de conduta não vai impedir que uma pessoa escrota seja escrota ou se comporte como tal. Mas vai mostrar a todos que a organização não aceita esse tipo de comportamento e se compromete a agir caso alguém se comporte de forma escrota.
Falando em termos técnicos da comunidade de infoseg, o código de conduta é como um "plano de resposta a incidentes": se acontecer algum problema, a organização se compromete a agir, seguindo regras e um procedimento pré-determinado.
É possível ser inclusivo em tecnologia?
Claro que sim! E é muito fácil: lembra que a comunidade hacker é guiada pelo mérito, pela conhecimento e pela "façocracia"? Temos que exercitar mais o discurso de que o seu conhecimento técnico importa mais do que sua cor de pele, sexo ou opção sexual. Temos que tirar isso do papel, e realmente respeitar o colega pelo seu conhecimento.
Tecnicamente, a solução parece fácil. Mas temos também que exercitar o respeito ao próximo. Temos que deixar de lado o discurso vitimista e o discurso de que "isso não acontece aqui" e começar a enxergar melhor o coleguinha ao lado. Viver em harmonia significa respeitar e tolerar as diferenças. Significa, por exemplo, evitar uma piada machista, e significa também tolerar uma piada machista quando ela acontece de forma esporádica e sem objetivo consciente de ofender.
O Código de Conduta é suficiente para garantir um evento inclusivo?
Não! Ser um evento inclusivo e seguro significa existir um clima aonde todas as pessoas se sintam acolhidas e respeitadas.
O Código de Conduta é um dos passos para atingir isso. Outro passo é as pessoas agirem de forma respeitosa com seus colegas. Outro passo, é tentar enxergar o lado dos outros, em vez de impor sua visão e sua opinião. Outro passo, mais difícil, é conseguirmos ter maturidade, como pessoa, para identificar e evitar daqueles comportamentos preconceituosos e nocivos que estão enraizados em nós, fruto da influência da nossa sociedade. Sim, isso é um auto-policiamento constante.
Para construir um ambiente seguro e inclusivo, temos que, na verdade, construir um ambiente artificial, diferente do mundo real lá fora. Temos que, de forma arbitrária, reforçar comportamentos positivos e criar mecanismos que ajudem a evitar os comportamentos negativos. Temos que nos educar e nos policiar para que isso aconteça.
Porque será que é tão difícil tentar entender as dores das outras pessoas? Eu já percebi que é muito difícil, para alguém que faz parte de um grupo majoritário, perceber os momentos em que age como tal. Pior ainda se o comportamento opressor fizer parte da cultura vigente. Por exemplo... Em muitos casos é difícil para um homem, por si só, perceber quando está sendo machista ou desrespeitoso com as mulheres.
Ok, mas dê mais detalhes de como foi a treta no dia do evento!
O meu report abaixo é baseado no meu ponto de vista do ocorrido. Logo, pode haver imperfeições, principalmente porque eu estava no lado oposto do palco no momento que a treta escalou estratosfericamente. Atém do mais, a situação saiu de um debate para um bate-boca muito rápido, toda a situação durou pouco mais mais do que 15 ou 20 minutos. Quando percebemos, o estrago já estava feito!
Como disse anteriormente, no final do evento os organizadores anunciaram que fariam uma atividade extra, um debate sobre a comunidade. Para atiçar os ânimos, primeiro projetaram uma foto "engraçada" de um dos organizadores, e em seguida, um anúncio da própria NullByte, de um palestrante de uma edição anterior, que é organizador de outro evento de segurança.
No início do debate, um dos mediadores abriu a discussão perguntando se haveria necessidade de ter código de conduta em eventos de segurança. Falou-se rapidamente alguma coisa sobre a cultura hacker não ter limites e em seguida o microfone foi passado para mim. Neste momento, inconscientemente, eu dei início a discussão.
Ou seja, os mediadores levaram a caixa de pandora até o palco, destrancaram ela e eu a abri...
Na minha resposta, eu comecei dizendo que acredito que um Código de Conduta é pouco eficiente pois o brasileiro, culturalmente, não respeita as leis. Mesmo assim, acredito que ele é importante para garantir um espaço seguro para as minorias, e disse também que eu já ouvi várias vezes que as mulheres evitam ir nos eventos de segurança pois sentem-se desrespeitadas.
Nesse momento começou a discussão sobre inclusão e respeito nos eventos de segurança (ou melhor, "exclusão e desrespeito").
Inicialmente 2 garotas foram ao palco e disseram que nunca sofreram nem viram acontecer nenhuma situação de desrespeito. Logo em seguida, duas outras se levantaram da platéia e foram até o palco para dizer o contrário: que o clima é machista e preconceituoso. Uma delas relatou uma situação, em outro evento, em que ela se sentiu desrespeitada e, por isso, ficou 2 anos sem frequentar eventos.
Neste momento, já havia começado a discussão aonde vários homens, héteros, diziam que o desrespeito não acontecia e que os eventos eram inclusivos, o que era negado pelas duas garotas. Aparentemente, uma delas se referiu ao público da Nullbyte como "um bando de machos" (eu não ouvi essa frase ser dita), o que deixou um dos organizadores transtornados e que criticou ser chamado de "macho" por sua história pessoal (ele foi criado pela mãe e irmã, e por isso acredita que sempre soube respeitar as mulheres).
Para jogar mais gasolina nos ânimos exaltados, uma pessoa levantou a questão do preconceito contra a comunidade LGBT, e citou o comentário de um palestrante como exemplo de desrespeito: ele havia mostrado seu código cheio de marcas coloridas e havia dito que o código estava "gay" (eu não ouvi essa frase ser dita pelo palestrante). O palestrante ficou surpreso e imediatamente se desculpou, dizendo que sua intenção não era ofender.
Neste momento, passados poucos minutos após o início dos debates, a discussão escalou rapidamente entre um grupinho em um dos cantos do palco, oposto aonde eu estava. Estavam as duas garotas acusando o evento de ser machista, o rapaz acusando de homofobia e alguns presentes e um dos organizadores defendendo ferozmente o evento.
Embora houvessem 2 microfones para conduzir as conversas, as pessoas deixaram os microfones de lado e começaram a aumentar o tom de voz, o que rapidamente se transformou numa gritaria. Nesse momento, pelos relatos que surgiram depois, alguns rapazes começaram a apontar os dedos para as mulheres. Em termos de gritaria, posso garantir que todo mundo gritou com todo mundo - o caos era generalizado.
Percebendo que a conversa tinha virado bate-boca, um dos organizadores tomou o microfone, pediu silêncio a todos e interrompeu o debate. Para se posicionar, naquele momento ele disse que essa discussão não deveria ocorrer, que a NullByte não era o lugar para que ela acontecesse pois, na visão dele, o evento era inclusivo e respeitava a todos. Segundo ele, o evento respeita todos pelo seu conhecimento técnico, independente de sexo, cor de pele, religião, etc. "Se um ET submeter uma apresentação boa no CFP, ele vai palestrar" - foi dito mais ou menos dessa forma. Al/em disso, completou, a comunidade hacker se auto-regula e qualquer pessoa que faça algo errado será expulso pela própria comunidade.
Após o fim do evento, a discussão foi para as redes sociais. No perfil da NullByte no Instagram, surgiram vários comentários exigindo que o evento se posicionasse sobre o assunto e repudiasse uma suposta agressão contra as mulheres presentes. Estes comentários foram removidos e não estão mais online. Alguns dias depois, uma das mulheres que estavam presente publicou um post no Medium, com título provocativo de que "O Hacking está morto", criticando a postura do evento. Veja abaixo a transcrição de um trecho do texto, que no momento em que eu escrevi esse artigo, estava fora do ar (nota: em alguns momentos, o texto está um pouco confuso mesmo, mas mantive o original):
"Pois bem, o desfecho desse painel — que para mim foi a pior iniciativa possível, como disse acima ninguém estava ali para dialogar sobre o assunto ou coletar informações, eles queriam impôr seus pontos de vista como verdade para organizar o evento, afinal o painel era feito por homens e mulheres que foram chamadas a dedo, eu só me manifestei porque não aguentei ficar em silêncio diante tanta hipocrisia. (...)
Um organizador (inclusive a primeira citação é dele) se demonstrou muito exaltado diante das opiniões apresentadas como se fossem direcionadas a ele, o que em momento algum ocorreu, e diante dessa falta de controle dele, se pôs a gritar após a fala de um participante homem e botou o dedo na cara da outra colega que estava falando no momento da discussão. Deu medo, a intenção foi essa, mostrar poder e nos assediar e foi a mais pura e clara imagem da fala da organização jogada ao vento. Afinal como foi dito “Qualquer problema que acontecer a gente resolve na rua, é assim que o Underground funciona” e o que vi foi que nenhum homem da organização se pôs a controlar o organizador, segurando-o ou impedindo a ameaça física iminente, será que foi resolvido na rua depois? outro participante do evento, da plateia (com outras pessoas que claramente não compactuavam com a situação), que apartaram a briga. Me recusei a ver o desfecho, a minha colega saiu também chorando e garantindo que nunca mais participaria do evento."
Em alguns grupos do Telegram e WhatsApp, a discussão perdurou por mais vários dias. Na grande maioria das vezes as mensagens negavam o problema de inclusão e criticavam as pessoas que levantaram essa discussão.
O evento agiu certo?
Embora não estivesse preparado para hospedar uma discussão sobre inclusão, eu acredito que os organizadores agiram muito bem ao interromper o debate a partir do momento em que ele saiu do controle e começou a gritaria.
Quando as críticas passaram para as redes sociais, um dos organizadores partiu em defesa do evento, em alguns momentos simplesmente negando que tivesse ocorrido alguma agressão durante a discussão. Logo no início da semana os organizadores se posicionaram oficialmente sobre o ocorrido, publicando uma "Nota de Esclarecimento" no site:
O comitê organizador da conferência de segurança NullByte vem, por meio desta, esclarecer seu ponto de vista acerca de alguns incidentes ocorridos em sua última edição, em 9 de novembro de 2019.
Completamos seis edições nessa ocasião, em uma história que é resultado do esforço de diversas pessoas; sejam elas membros da organização, voluntários ou palestrantes. Gente que se dedica ao evento não só da Bahia, mas também de outros estados e do exterior e que busca fomentar a cena hacker brasileira, apresentar conteúdo de elevado nível técnico e incentivar o estudo e a pesquisa na área de segurança da informação ofensiva.
Após o encerramento do evento no dia 9, foi estabelecido por parte dos participantes, um debate do tipo "microfone aberto" em que se discutiu o desequilíbrio entre os gêneros na comunidade. Essa conversa escalou rapidamente para uma discussão a ponto de que a organização teve que interromper o debate. No processo, algumas pessoas se sentiram ofendidas.
Pedimos desculpas a quem tenha se ofendido com o incidente e reforçamos que a NullByte é uma conferência técnica. Ou seja, qualquer conteúdo de natureza técnica e dentro do escopo do hacking é bem-vindo. Não importa para nós o gênero ou o background identitário e político de quem o apresente.
O comitê organizador da NullByte repudia veementemente qualquer tipo de desrespeito, agressão ou assédio por qualquer motivo e se coloca à disposição para tomar as medidas necessárias durante seus eventos.
Keep hacking."
Porém, eles também erraram:
- Algumas pessoas que fazem parte da organização se exaltaram em excesso durante o debate, entraram na discussão e perderam o controle, dando um péssimo exemplo de comportamento. Nessa hora, o que conta não é a opinião pessoal de alguém, pois o que fica é a imagem de alguém da organização participando da discussão ("com grandes poderes vem grandes responsabilidades");
- Ao interromper a discussão, foi feito um discurso que, na minha opinião, tentou simplesmente abafar o caso e ignorar o problema. Em vez de admitir que o tema merece uma discussão mais amadurecida, em um fórum apropriado, eles partiram para o velho discurso batido de que "isso não acontece aqui" - como naquela imagem do avestruz que envia a cabeça no buraco achando que está seguro.
Para saber mais...
- Para conhecer a cultura hacker, eu sugiro o ótimo livro da antropóloga Gabriella Coleman: "Coding Freedom: The Ethics and Aesthetics of Hacking" (pdf) (link na Amazon)
- Ja que você chegou até aqui, aproveita para assistir esse ótimo vídeo do Porta dos Fundos, que mostra alguns erros comuns que os homens fazem, muitas vezes de forma desapercebida: "MANSPLAINING"
- Outro vídeo muito bom do programa Papo de Segunda, com um debate sobre a dificuldade de se colocar no ponto de vista dos outros: "Empatia: como praticar e entender o outro no dia a dia?". Aproveite o embalo e assista esse aqui: "Racismo existe sim!".
- Alguns posts no meu blog:
outubro 31, 2019
[Cyber Cultura] O ódio na Internet
Segue um rápido resumo dos principais pontos do artigo:
- As comunidades de ódio, não são um fenômenos recente nem estão restrito apenas nas "profundezas da web". Desde o início dos anos 2000 o discurso de ódio já estava presente em comunidades de sites de relacionamento como o Orkut;
- Os grupos de ódio são um fenômeno global, arma da extrema-direita em todo mundo;
- “O ódio é uma substância na vida do ser humano que é cultivada. Cultivada tanto no sentido de planta, que a gente cultiva e alimenta, quanto no sentido de ser cultuada”, diz.
- “É impossível remover o ódio enquanto você não civilizar essas pessoas. A Alemanha, por exemplo, teve de se ‘desnazificar’, e isso envolveu um processo de educação.”
- O processo da cultura do ódio é complexo porque o ódio oferece conforto e pode ser estruturado a partir de três fatores: o alimento da masculinidade (a partir da ideia da luta, de guerras, de duelos, de uma sociedade de cultura de estupro, de ódio ao gay, à mulher), a meritocracia (que define que alguns são melhores que outros) e a construção de um “outro conveniente”, que é quando as minorias (como judeus, ciganos, nordestino, índios,a mulher ou o gay, por exemplo) são associadas a entraves aos objetivos de determinados grupos privilegiados (essa minoria é acusada de causar atraso, problemas ou, por exemplo, "roubar um direito”);
- A sociedade construiu uma ideia de "normalidade", segundo a qual o “normal” é seguir um padrão como ser branco, de classe media, falar inglês, ser hetero, casado, com filho. Dentro dessa normalidade as pessoas se sentem seguras, mas quando outra minoria destoa e tenta brigar por espaço, ela se sente ameaçada;
- Esses grupos online não são investigados, identificados e punidos por conta de algumas dificuldades, principalmente o anonimato e porque esses grupos adotam táticas para despistar as autoridades, como escolher provedores de sites que não colaboram com as autoridades;
- Há casos de crimes de ódio que são anunciados nos fóruns online e praticados na vida real, contra vítimas, com requintes de crueldade.
- O que explica tantos fóruns de ódio na internet? Anonimato é só parte da resposta
- Tese de Doutorado (Unicamp): "Observando o ódio : entre uma etnografia do neonazismo e a biografia de David Lane"
- Artigo de 2007: "O neonazismo na sociedade contemporânea. Entrevista especial com Adriana Abreu Magalhães Dias"
- Revista Galileu: "Ódio nazista se espalha pela internet brasileira"
- Um mergulho no universo neonazista
- Blog Escreva Lola Escreva
julho 07, 2017
[Cyber culture] O poder feminino nos CTFs
Os mineiros tiveram a oportunidade de conhecer a primeira vencedora (feminina) de uma etapa do HackaFlag no Roadsec Belo Horizonte. A Ingrid Spangler foi a campeã da competição local, com os méritos extra de ficar em 5a colocada na CriptoRace e de obter a maior pontuação do hackaflag neste ano, até então. A Ingrid foi a primeira garota a vencer um hackaflag em toda a história da competição, que teve 43 etapas até aquela data.
Para melhorar ainda mais, o Roadsec seguinte, em João Pessoa, teve uma vencedora pela segunda vez consecutiva. A Aghata Sophia de Campina Grande e com apenas 19 anos, venceu na modalidade individual do Hackaflag. Esta competição teve 8 participantes, dos quais 3 eram garotas.
O que isso significa?
- As mulheres tem as mesmas condições do que os homens de participar do mercado e, neste caso, de competições técnicas;
- Se tivermos mulheres competindo, teremos mulheres ganhando
Na verdade, na minha opinião, isso não deveria significar nada diferente do normal. Eu gostaria que isso fosse um caso rotineiro, mas em um mercado predominantemente masculino e preconceituoso com as mulheres, essas duas vitórias são emblemáticas.
Vamos torcer para que a Ingid e a Aghata sejam exemplos que motivem as demais mulheres a participar mais do mercado. Vamos torcer para que venham mais competidoras e mais vencedoras de CTF.
junho 26, 2017
[Cidadania] O Mapa da Homofobia em São Paulo
Em dez anos de existência da delegacia especializada, foram contabilizados 465 vítimas (uma a cada semana, em média) e 393 boletins de ocorrência referentes a crimes motivados por homofobia em São Paulo. No mapa é possível perceber que a maioria casos aconteceram na região central de São Paulo, perto das ruas Augusta e Consolação, na República e no Largo do Arouche
Veja alguns outros dados obtidos pelo G1 junto a Decradi:
Entre as vítimas, há desde um adolescente de 17 anos até um homem de 77 anos, em casos de intolerância a comunidade LGBT, aonde o mais comum são agressões gratuitas, de xingamentos e provocações sem sentido em locais públicos, de humilhações dentro de casa e no meio da rua. Veja, por exemplo, alguns casos que ganharam destaque na mídia:
- 2006; o adestrador de cães Edson Neris da Silva foi assassinado por um grupo de skinheads na Praça da República;
- 2009: atentado a bomba na Parada Gay que deixou mais de dez feridos;
- 2010: quatro adolescentes e um adulto agrediram com lâmpadas fluorescentes um rapaz, que estava com dois amigos homossexuais, na Avenida Paulista;
- 2011; o ativista do movimento LGBTT e militante político Guilherme Rodrigues foi agredido por quatro rapazes (dois deles de um grupo skinhead) em um posto de combustível na esquina da Augusta com a Rua Peixoto Gomide;
- 2012: o universitário homossexual André Baliera foi agredido em Pinheiros
- 2014: o corpo de Kaique Augusto dos Santos, de 17 anos, foi encontrado sob o Viaduto Nove de Julho, no Centro. Ele estava sem todos os dentes e a família acredita que ele foi vítima de homofobia.
Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi)
Rua Brigadeiro Tobias, 527, 3º andar - Centro
Telefone: 3311-3555
e-mail: decradi@policiacivil.sp.gov.br
março 12, 2017
[Cidadania] Machismo na universidade
São depoimentos registrados em vídeos e frases, com histórias pessoais e impressionantes de ofensas verbais e físicas feitas por professores e estudantes durante as aulas e nas festas da faculdade. O assustador é saber que comentários machistas e sexistas também partem dos professores, justamente quem deveria dar o exemplo e cuidar para que todos os alunos e alunas fossem tratados de forma igual. Nem mesmo a atual Vice-diretora da Poli escapou ilesa de preconceito quando era estudante.
O vídeo encerra com a a coordenadora do projeto USPMULHERES lembrando que os frequentadores da universidade são exatamente iguais ao resto da sociedade, e as situações que acontecem nas ruas
não são diferentes daquelas que acontecem dentro da universidade. Fomos educados em uma sociedade patriarcal e machista, que discrimina as mulheres, e ainda não mudamos esses costumes, valores nem o nosso comportamento.
Mas, mesmo sendo um espelho da sociedade que nos cerca, nós podemos e devemos nos esforçar para mudar esse comportamento, devemos respeitar as mulheres e acabar com essa cultura do estupro e da desqualificação da inteligência das mulheres.
março 10, 2017
[Cyber Cultura] Glossário do Cyber Bullying
Eu resolvi aproveitar este guia para dar destaque a estes termos e gírias que são mais utilizados online, complementando com mais alguns que conheço:
- AFF: Interjeição usada para demonstrar descontentamento ou indignação. A sonoridade da palavra lembra um suspiro por falta de paciência;
- BBQ ou BBK: Redução do termo “babaca”, utilizado como insulto;
- Face: abreviação de Facebook;
- Fake: Significa “falso”, em inglês. O termo é usado para identificar quando alguém cria um perfil falso na internet ou pode ser usado também como insulto contra alguém;
- Falsiane: Usado para descrever as amigas que não merecem confiança;
- Feminazi: Expressão pejorativa para desiginar pessoas que defendem os direitos das mulheres;
- Haters: pessoas que frequentemente manifestam raiva ou ódio contra alguma coisa ou alguém;
- Inbox ou DM: refere-se a conversas privadas nas redes sociais, quando você sai de uma discussão pública e passa a conversar diretamente com uma pessoa, através de uma janela privada ou um aplicativo de mensagens instantâneas;
- Insta: Apelido do "Instagram", a rede social de compartilhamento de fotos muito utilizada atualmente;
- Loser: adjetivo usado para chamar alguém de perdedor ou fracassado;
- Melhore: expressão usada para chamar a atenção de alguém que fez alguma coisa considerada ruim;
- Noob: Gíria pejorativa que significa “novato”. Também usada para indicar que a pessoa é imbecil ou burra;
- Nudes: Fotos de nudez;
- PLMDDS: Abreviação de “pelo amor de Deus”, usado para pedir um favor ou expressar indignação;
- PQP, TNC, VTNC, PNC, VSF, WTF, STFU: São siglas para expressões populares de baixo calão;
- Sambar: Gíria comum na Internet, geralmente usada por mulheres, que quer dizer “sair por cima” ou “se sobressair”. Seria o mesmo que pisar, humilhar e desmoralizar alguém;
- Seje menas: Sim, com erros gramaticais propositais, esta expressão é usada para ironizar a capacidade intelectual de alguém ou desdenhar alguma coisa que essa pessoa disse;
- SQN: “Só que não”, é usado para expressar ironia, negando uma frase que foi dita anteriormente;
- Trollar, trollagem: Significa zoar, sacanear alguém;
- Virjão, Virje: Termo pejorativo usado para definir pessoa do sexo masculino que nunca teve relação sexual, mas também utilizado para dizer que a pessoa é inexperiente, sem conhecimento;
- Whatz, ZapZap: abreviação para o aplicativo Whatsapp.
dezembro 12, 2016
[Cyber Cultura] Cadê as mulheres palestrantes?
Ou seja, nós não fazemos distinção nenhuma do sexo do palestrante que nos envia alguma sugestão de conteúdo, e assim avaliamos todas as propostas de atividades (palestras, oficinas, etc) pelo seu caráter técnico. Ë claro que em algumas ocasiões já aconteceu de recusarmos palestras de profissionais do sexo feminino por acharmos que o conteúdo sugerido não era adequado ao evento - mas mesmo assim, os casos de propostas recebidas, aceitas ou rejeitadas foram muito raros pela simples falta de ofertas de conteúdo.
A Marina, que trabalha na organização do Roadsec, escreveu um texto interessante no Facebook, aonde ela comenta que "Eventos de tecnologia costumam ser ambientes hostis com mulheres (na verdade quase todo evento costuma ser)" e destaca que, mesmo fazendo esforço para atrair mulheres para os eventos, muitas delas não enviam propostas de palestras porque "o mundo da tecnologia como um todo não é muito agradável quando uma mulher tem um microfone e a liberdade de dizer aquilo que quiser."
E ela completa: "Eu sei muito bem disso, já não foi uma só vez que escutei que devo 'controlar minha boca e minhas maneiras, agir como menina'."
Nós, da BSidesSP, já discutimos internamente algumas idéias de como atrair palestrantes mulheres, mas ainda não chegamos a uma conclusão de qual seria o modelo ideal. Algumas idéias que pensamos para atrair mulheres e fazê-las se sentir confortáveis e seguras para apresentar em um ambiente não hostil foram as seguintes:
- Criar uma trilha específica na programação para palestrantes mulheres - assim, todo mundo que for nessa trilha sabe que lá vai encontrar palestrantes do sexofeminino. Talvez isso atraia mais público feminino também, aumentando assim a simpatia entre a platéia e a palestrante. Talvez isso iniba eventuais comportamentos sexistas por parte de participantes da platéia;
- Limitar o acesso apenas de mulheres as palestras oferecidas por mulheres - certamente isso tornaria o ambiente mais confortável para as mulheres, mas eu receio que esta segregação só aumentaria o problema, em vez de resolvê-lo, pois não tenho certeza que essa segregação em feudos torne todo o ambiente do evento mais amigável. Eu receio que forçar essa separação por sexos pode trazer mais reações negativas do que positivas;
- Oferecer trilhas de palestras de nível básico pode atrair mais palestrantes do sexo feminino. Como poucas mulheres palestram, a maioria delas tem pouca ou nenhuma experiência de falar em público. Oferecer uma trilha de atividades de nível básico pode ser mais atraente para palestrantes com pouca experiência (de ambos os sexos, a propósito!)
- Sempre convidar mulheres para mesas de debate - essa talvez seja a solução mais fácil de ser adotada e de atrair a participação feminina. Em uma mesa de debates formada por vários participantes, não há dificuldade nenhuma em incluir partici[pantes de ambos os sexos. Como a conversa e as discussões são diluídas entre os participantes, eu acredito que dimunuimos o risco de pessoas da platéia direcionarem comentários negativos a participante mulher.
julho 04, 2016
[Carreira] LGBT no trabalho
O site da ONG Catalyst tem algumas estatísticas interessantes sobre como a população LGBT se relaciona com o mercado de trabalho. Estas estatísticas mostram claramente que o medo de discriminação mantém os empregados LGBT enrustidos no ambiente de trabalho, escondendo a dua verdadeira orientação sexual. Vou resumir as principais destas estatísticas:
- Em geral, cerca de 1% da população é formado por gays e lésbicas;
- Apenas 61 países proíbem a discriminação no emprego por causa da orientação sexual;
- Em toda a Europa, 47% das pessoas LGB sentiram que sofreram discriminação no local de trabalho ou assédio por causa de sua orientação sexual;
- Na União Européia, 20% das pessoas LGB sentiram que sofreram discriminação na busca por trabalho por causa da sua orientação sexual;
- Mais da metade dos trabalhadores LGBT escondem a sua orientação sexual no local de trabalho. Além disso...
- Mais de um terço dos trabalhadores LGBT mentem sobre suas vidas pessoais no trabalho.
- Quase 2/3 dos empregados LGBT já ouviu piadas sobre lésbicas e gays;
- Dos funcionários enrustidos, 31% temem perder conexões com colegas de trabalho se a sua condição for revelada;
- 23% temem que não irão receber oportunidades de desenvolvimento ou progressão na carreira;
- Quase metade da população transexual disse que não foram contratados, não foram promovidos ou foram demitidos devido à sua identidade de gênero;
- 90% da população transexual já foi vítima de assédio ou maus-tratos no trabalho, ou tiveram que tomar medidas para evitar isso.
No site da Catalyst está disponível gratuitamente para download um documento curto que é uma ótima referência sobre como as empresas podem construir uma política de diversidade que promova a inclusão e o respeito a todos os funcionários, em especial aos transgêneros - que são a parcela mais frágil dentre todos. O documento fornece os conceitos básicos sobre a identidade de gênero e fornece dicas para a construção de políticas de identidade de gênero.
novembro 20, 2015
[Cidadania] #primeiroassédio
O vídeo foi motivado pela campanha nas redes sociais contra o abuso de mulheres, através da hashtag #primeiroassédio. Esta campanha surgiu no final de Outubro como reação ao triste fato de que uma das competidoras do MasterChef Júnior, de apenas 12 anos, começou a ser alvo de assédio sexual e comentários machistas na Internet.
Através da hashtag #primeiroassédio, as mulheres contaram seus casos reais de abusos sexuais sofridos na infância e juventude. Como disse o Marcelo Tas, "A onda de desabafos e relatos escancarou o quanto a violência é real contra meninas".
Até mesmo a Paola Carosella, jurada do MasterChef Brasil, contou que sofreu violência sexual quando era estudante:
"Tinha 11 ou 12 anos e estava num ônibus na Argentina indo para a escola. Um homem colou em mim e começou a se masturbar. Tentei achar um espaço para fugir, mas ele bloqueava todos os meus movimentos com o corpo."
Para quem acha que isso é exagero, a idade média do primeiro assédio sexual é 9,7 anos.
Além da repercussão na mídia e nas redes sociais, os apresentadores masculinos do programa da GNT "Papo de Segunda" (Marcelo Tas, João Vicente, Leo Jaime e Xico Sá) leram alguns dos relatos de #primeiroassédio que circularam na Internet. O objetivo foi chamar a atenção de toda a sociedade, e principalmente dos homens, para a o problema do abuso contra as mulheres e contra garotas.
Mas a desgraça não para por aí: até mesmo um dos garotos que compete no MasterChef Júnior foi alvo de comentários de conotação sexual :(
novembro 03, 2015
[Cidadania] Nos colocando no lugar das Mulheres
"Somos homens. E eu vou usar linguagem "de homem", pra tentar ficar mais claro.
Ninguém nos apalpa no caminho do banheiro, na balada, puxa nosso cabelo ou nosso braço, ou sussurra "vagabundo" no pé do nosso ouvido apenas porque queremos mijar.
Ninguém nos encoxa no metrô ou no ônibus, goza na nossa calça ou no nosso ombro, filma escondido a gola da camisa e publica em site pornô.
Ninguém fotografa nossa bunda e envia por Whatsapp. Ninguém coloca câmera escondida pra filmar por baixo de nossas bermudas na rua.
Ninguém pega foto do nosso pau ou vídeo gravado transando p'ra tirar onda com as amiguinhas de como nós somos gostosos e que vagabundos nós somos.
Ninguém se vinga de fim de relacionamento expondo nossa intimidade na Internet, pra familiares, amigos, chefes.
Nenhum taxista, por mais bêbado que estivesse, me levou pra um matagal em vez do destino que pedi.
Nunca fui seguido na rua, voltando do trabalho, e temi coisa alguma senão perder o celular ou a carteira.
Nenhuma mulher nojenta ficou se lambendo ou esfregando a mão enquanto eu atravesso a rua.
Nenhum assaltante jamais enfiou a mão na minha calça ou tentou me beijar à força.
Ninguém nunca me ameaçou a vida depois de uma bota.
Ninguém nunca ameaçou meu emprego a troco de sexo.
Nunca tive medo de circular de noite ou de dia e ser vítima de um estupro.
Meu salário é oferecido de acordo à minha qualificação e estado do mercado. Só.
Minha liberdade sexual é garantida pelos bagos que carrego, e, inclusive, quanto mais mulheres eu colecionar, mais foda eu sou.
Ninguém espera que eu largue o trabalho e dedique minha vida a filhos, quando eles nascerem.
Ninguém vai me chamar de puto se desejar tomar uma cerveja no fim do expediente.
Ninguém vai criar qualquer conceito sobre mim senão baseado nas minhas reais atitudes.
Então, fera, veja em quantos pontos supracitados você se enquadra e me conta como é bacana a vida sem essa violência indireta ou direta, como é simples viver assim.
Lembra desse papo quando nomear "vitimismo", "mimimi", "falta de rola", "louça pra lavar", enfim, os clichês que a gente conhece bem.
Não precisa pensar na desconhecida não: pensa na sua mãe, sua irmã, sua companheira, sua filha... Faz o mais forte exercício de empatia do mundo, que é se colocar no lugar delas, volta aqui e me chama de "feministo". Aguardo ansiosamente."


























