O mundo assistiu o ataque abismado, e eu me lembro exatamente do momento em que ele aconteceu. Eu estava em reunião e, assim que saímos da sala, todo mundo no escritório estava vidrado na TV: uma das torres do WTC estava pegando fogo, e ninguém sabia o porquê. Eu vivi, ao vivo, a sensação de não saber o que estava acontecendo, embora imaginasse que fosse algo relevante, e de repente, ver o segundo avião atingir a Torre Sul do WTC.
Que fique claro: no momento que a segunda torre foi atingida, todos os canais de TV estavam de olho nela e filmaram o impacto. Até então, ninguém sabia o que tinha acontecido e qual era o motivo do incêndio na primeira torre. Hoje temos um vídeo que mostra o impacto do primeiro avião, mas ele só foi divulgado bem depois dos ataques. Naquele momento, ficou claro que era algo intencional. Pouco tempo depois, as duas torres caíram, foi algo impressionante e emocionante. Após o colapso da Torre Sul, senti um vazio.
Quando vejo os vídeos do dia do ataque, principalmente o replay da cobertura da imprensa, consigo lembrar tudo o que senti naquele momento.
Há dois anos atrás o Lito, do canal Aviões e Músicas, fez quatro episódios muito bons sobre o atentado, e juntou todos eles em um único vídeo, um episódio extra. Vale assistir:
Hoje, 25 anos depois, enquanto pensava em escrever esse post e o que eu poderia dizer, eu vi um vídeo no meu feed do Instagram que destacou uma história incrível, que vale ser compartilhada (apenas uma, dentre as centenas de histórias que envolvem esse acontecimento): o caso de Rick Rescorla, um britânico que, aos 62 anos de idade, ajudou a salvar mais de 2.600 pessoas que estavam no WTC.
Ex-militar, Rick trabalhava na área de segurança da Morgan Stanley, uma das muitas empresas com escritórios no World Trade Center (no caso, na Torre Sul). Segundo muitas reportagens na imprensa, ele "previu o 11 de Setembro" - mas, na verdade, ele imaginou a possibilidade de ocorrer algum acidente na torre onde trabalhava, e elaborou um plano de evacuação, que fazia questão que fosse treinado anualmente.
Quando um caminhão-bomba explodiu no subsolo de uma das torres do WTC, em um ataque terrorista ocorrido em 1993, Rick concluiu que o WTC era vulnerável e poderia voltar a ser alvo de terroristas, uma vez que representava um símbolo do poder econômico dos EUA. Assim, decidiu que medidas de segurança precisavam ser adotadas com urgência, e criou um plano de evacuação.
Ao menos duas vezes por ano, Rick treinava os funcionários que trabalhavam nos escritórios da Morgan Stanley no World Trade Center para uma retirada rápida do prédio. O plano funcionava da seguinte forma: ele enviava um comando pelo sistema de comunicação interno ordenando que os funcionários deixassem a torre, e para não congestionar as escadas de emergência, os trabalhadores deixavam as mesas aos poucos e em duplas. Segundo as notícias, a insistência dele no protocolo de segurança chegou a ser alvo de chacota, com alguns funcionários resistindo a participar dos treinamentos.
No dia 11 de setembro de 2001 a Morgan Stanley ocupava 22 andares da Torre Sul do World Trade Center. Quando a Torre Norte foi atingida pelo primeiro avião, às 8h46 (no horário local), Rick estava no próprio escritório, ouviu a explosão e iniciou imediatamente os protocolos de segurança para evacuar o escritório. Ele não precisou improvisar, pois já tinha um plano pronto e treinado. Ele inclusive desobedeceu às orientações da administração do WTC, que orientou aos trabalhadores da Torre Sul que permanecessem nos seus lugares, já que supostamente o prédio estaria seguro. De acordo com o Exército dos Estados Unidos, 2.687 pessoas foram salvas por ele.
Rick Rescorla foi visto pela última vez subindo as escadas do WTC para ter certeza de que todos os trabalhadores da Morgan Stanley tinham saído do prédio. Pouco antes de o prédio desabar, ele disse a um dos colegas de trabalho que só deixaria o World Trade Center quando tivesse "certeza de que todos os outros saíram".
Para nós, que trabalhamos com cibersegurança, a história do Rick Rescorla é um exemplo de planejamento e preparação que envolve Governança, Riscos e capacidade de Resposta a Incidentes. E, a partir de hoje, eu nunca mais vou faltar num exercício de simulação de incêndio.
Para saber mais:
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- O militar que ‘previu’ o 11 de Setembro e ajudou a salvar quase 3 mil pessoas
- A história do militar que 'previu' o 11 de Setembro e morreu após salvar quase 3 mil pessoas nas Torres Gêmeas
- Rick Rescorla, o militar que antecipou um ataque às Torres Gêmeas
- Artigo interessante, de 2016: O atentado de 11 de setembro e a gestão da crise
- Série especial sobre o 11 de Setembro Compilada #EpisódioExtra (Canal Aviões e Músicas)
- 11 de setembro | Filmes, séries e um álbum para entender os atentados 25 anos depois
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- Outras histórias emocionantes:
- Agente que fez check-in de sequestradores do 11 de Setembro revela remorso e desenvolve transtorno dissociativo
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- 'Sobrevivi ao 11 de Setembro porque cheguei mais tarde ao trabalho': sobrevivente relembra os ataques
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- Aqui no blog:
- 11 de Setembro (post de 2015)
- 11/9: 5 anos depois (post de 2006)



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