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junho 28, 2019

[Segurança] B.O. Online

Não custa lembrar... aqui em São Paulo é possível fazer o Boletim de Ocorrência (BO) online, sem necessidade de ir até a delegacia (o mesmo vale para alguns outros estados).

Esse serviço está disponível no site da Polícia Civil para alguns tipos de ocorrências:
  • Roubo ou Furto de Veículos;
  • Furto de Documentos, Celular, Placa de Veículo/Bicicleta;
  • Perda de Documentos, Celular, Placa de Veículo;
  • Roubo de Documentos e/ou Objetos;
  • Injúria, Calúnia ou Difamação;
  • Acidente de Trânsito Sem Vítimas;
  • Desaparecimento e Encontro de Pessoas;
  • Furto de Fios/Cabos em vias públicas (somente para empresas concessionárias);
  • DEPA - Proteção Animal.



O crime não poderá ser registrado Online nos casos abaixo:
  • Houve agressão física;
  • O veículo foi danificado durante o crime;
  • O crime aconteceu dentro da residência;
  • Você é proprietário, funcionário ou representante legal do local onde aconteceu o crime;
  • O veículo não está registrado em seu nome (verifique o documento oficial);
  • Havia carga no veículo.
Nos casos acima, é necessário procurar uma delegacia e registrar a ocorrência pessoalmente.

Lembre-se: Nada de fazer gracinhas no formulário!!! A falsidade ideológica e falsa comunicação de crime também configuram crimes (artigos 299 e 340 do Código Penal, respectivamente).

Não se esqueça: https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/pages/comunicar-ocorrencia

dezembro 17, 2018

[Segurança] Governos contra a criptografia

Um grupo de pesquisadores do Centro de Ensino e Pesquisa em Inovação (CEPI) da faculdade FGV Direito SP elaborou uma excelente pesquisa científica sobre como diversos governos tem tratado a questão da privacidade dos cidadãos versus a necessidade de proteção e vigilância governamental, e como esse debate tem influenciado a adoção de técnicas de criptografia.

Por exemplo, quando um governo ou uma força policial tem a necessidade de acessar comunicações online que são criptografadas, como eles podem fazer para evitar esse controle, e como fazê-lo sem afetar o direito a privacidade de todos os demais usuários desse serviço?

O estudo “Criptografia e Direito: uma perspectiva comparada” foi desenvolvido nos anos de 2017 e 2018 pelo pessoal do CEPI, com objetivo de mapear o debate internacional sobre acesso a dados criptografados por autoridades de investigação e seu impacto an discussão sobre o direito a privacidade. Nessa pesquisa, eles identificaram que alguns países mais "radicais" chegaram a proibir ou regulamentar severamente o uso de criptografia (por exemplo, tentando forçar limites nos algoritmos ou exigir a implementação de "backdoors"), mas certos países estão optando pela regulação de mecanismos alternativos de investigação para conseguir obter o conteúdo de dados criptografados, uma forma de evitar o enfraquecimento de sistemas de criptografia. A mais comum dessas alternativas é a exploração de vulnerabilidades de sistemas por autoridades de investigação, uma técnica conhecida como "government hacking". Além disso, o debate sobre o impacto dessas alternativas à regulação da criptografia tem sido negligenciado, principalmente no que tange aos seus potenciais riscos aos direitos fundamentais.

Como fruto desse extenso e detalhado trabalho acadêmico, foram criados dois "produtos" da pesquisa: a Criptopédia e o CryptoMap, um site e um mapa interativo que compilam de forma prática os resultados encontrados sobre os 40 países estudados.


Os resultados dessa pesquisa foram apresentados em um evento no dia 05 de Dezembro de 2018 ("Criptografia e Direito: uma perspectiva comparada"), que foi filmado e está disponível online.



O resultado desse trabalho é sensacional, tanto pelo mapa interativo quanto pelo mapeamento detalhado que foi feito em 40 países. Mas não é um trabalho fácil de ser mantido (e esse vai ser maior desafio do pessoal), pois todos os dias estão surgindo novos problemas, iniciativas e novas regulamentações. O debate sobre privacidade está acontecendo e é um tema muito quente no mundo inteiro, principalmente neste ano que tivemos a General Data Protection Regulation (GDPR) na Europa. Na sua carona, novas regulamentações e leia surgem a todo momento.

Esse debate é muito importante pois de um lado temos o direito fundamental a privacidade do cidadão (e das empresas), que muitas vezes se contrapõe a necessidade de vigilantismo, de espionagem e de controle governamental. Muitas vezes esse debate é travestido pela discussão sobre necessidade de combater o crime online - e nessa hora, muitas vezes o problema da pedofilia na Internet é usado para sensibilizar a população em prol do controle governamental das comunicações.

No meu ponto de vista, esse debate todo tem 2 problemas principais:

  • A necessidade de combater a grande desinformação sobre o assunto (por exemplo, o falso argumento do “não tenho nada a esconder”)
  • O assunto é muito técnico, que envolve o entendimento de algoritmos de criptografia que são complexos e com detalhes específicos, e isso atrapalha o debate. Dessa forma, essa discussão dificilmente é entendida pelo público leigo e demanda um grande esforço de apoio e envolvimento por parte da comunidade técnica;

A criptografia é fundamental para garantir o bom uso da Internet, através do sigilo das transações bancárias e comerciais, além de garantir a nossa privacidade online. A criptografia permite evitar a interceptação e vazamento de dados pessoais. Quando os governos optam por restringir o uso de ferramentas criptográficas, automaticamente enfraquecem toda a nossa segurança e privacidade online. Além disso, as mesmas restrições que favorecem a investigação dos governos (por exemplo, o uso de "backdoors"), também favorece a espionagem e o crime organizado, que podem usar essas restrições para ter acesso não autorizado as comunicações.

O "government hacking" talvez seja o menor dos males - melhor do que diminuir o nível de segurança ou implementar backdoors. Ele pode ser autorizado somente em casos pontuais e específicos, através de mandatos, controles e regulamentos específicos. Ele pode também ser implantado como um processo similar ao de uma escuta telefônica legal - só muda a tecnologia e o meio. Do ponto de vista técnico, normalmente ele envolve alterações no dispositivo final, do suspeito. O ponto negativo é que essa técnica, ao interferir no computador ou smartphone do investigado, ele pode prejudicar a qualidade da prova.

No final das contas, esse debate ainda precisa ser amadurecido devido aos diversos aspectos técnicos e impactos nas nossas liberdades fundamentais. E a comunidade técnica tem que, obrigatoriamente, se posicionar.

Para saber mais:

agosto 06, 2014

[Segurança] Roubo de senhas em caixas eletrônicos

Nos últimos dias eu vi alguns casos de dispositivos para roubo de senhas em caixas eletrônicos sendo compartilhados no Facebook. Tais dispositivos são conhecidos em inglês como "skimmer" e, no Brasil, como "chupa-cabra". Mas esse tipo de golpe é antigo: eu mesmo já bloguei sobre este assunto em 2009 e três vezes em 2010. O Brian Krebs já escreceu dezenas de artigos sobre isso em seu blog.

Um dos primeiros casos que eu me lembo de ter visto publicamente foi de um chupa-cabra instalado em um caixa eletrônico do Bradesco, que tinha um leitor de cartões colocado na abertura do cartão para copiar a tarja magnética e um porta-panfletos falso ao lado do caixa eletrônico, que escondia uma pequena câmera para o criminoso gravar as senhas digitadas pelos clientes.



Uma técnica comum de fraude em caixas eletrônicos consiste em bloquear a saída de dinheiro (dispenser) para evitar a saída das notas. Desta forma, o cliente acha que o caixa eletrônico está com defeito e não deixou o dinheiro sair. Em seguida o criminoso retorna ao local para retirar o bloqueio e pegar o dinheiro.



O vídeo abaixo mostra um dispositivo colocado na frente da saída de dinheiro imitando a saída original do caixa eletrônico, mas que bloqueia a saída das notas.


Frequentemente os criminosos instalam o chupa-cabra na frente da leitora de cartões do caixa eletrônico e, para capturar a senha, instalam um teclado falso ou, mais normalmente, utilizam uma pequena câmera para gravar o cliente digitando sua senha.



O vídeo abaixo, de uma TV Colombiana, mostra um caixa eletrônico aonde o criminoso colocou uma leitora falsa sobre a original, inclusive feita com o memso material transparente. Uma micro câmera foi escondida dentro do dispositivo usado para esconder a digitação da senha.


Um tipo de golpe assustadoramente comum, mas muito complexo, é criar uma frente falsa de caixa eletrônico, que faz ao mesmo tempo a leitura do cartão de débito e intercepta a digitação da senha. A complexidade é tanta que tais dispositivos tem uma tela falsa, que simula a tela original do caixa eletrônico. Alguns destes dispositivos enviam os dados roubados via comunicação wireless (wi-fi ou pela rede de telefonia celular).

Em 2010 a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreedeu um equipamento deste tipo e o batizou de "Robocop". Ele simulava uma frente completa de um caixa eletrônico e, assim, era capaz de copiar de uma única vez os dados dos cartões de débito e as senhas dos clientes. Segundo a polícia, o equipamento custava em torno de R$ 60 mil no mercado negro de São Paulo.

Recentemente um dispositivo assim foi encontrado em um banco no Espírito Santo.



Este vídeo, que eu vi no Facebook, mostra um dispositivo similar:
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Não custa lembrar uma dica importante: se você suspeitar de um caixa eletrônico, seja discreto e saia imediatamente do local. Somente ligue para a polícia quando estiver bem longe. Não tente bancar o herói nem queira sair na TV. Os criminosos gastam muito dinheiro para comprar um equipamento de chupa-cabra,e muitos deles não ficam contentes quendo alguém acaba com a festa deles.

Para saber mais sobre fraudes em caixa eletrônicos usando chupa-cabras, visite a página "All About Skimmers" do fabricante de dispositivos anti-skimming ase-ng, e visite também o blog do Brian Krebs.

Ah, embora este post tenha sido dedicado ao tema de chupa-cabras para o roubo de senhas via um dispositivo físico, nos úntimos anos temos ouvido cada vez se falar mais sobre o desenvolvimento de malwares específicos para infectar caixas eletrônicos, Ou seja, há muita emoção no ar, para todos os gostos ;)

novembro 12, 2013

[Segurança] Most Wanted Cyber Criminals

O FBI possui uma lista de "Most Wanted Cyber Criminals", disponível online no site deles. Há mais de 60 anos o FBI mantém uma lista de procurados (bem ao estilo daqueles cartazes que vemos em filmes de velho oeste), destacando os principais criminosos e terroristas que causaram grandes danos aos EUA.

Mas a criação de uma lista específica para os ciber criminosos mostra o aumento da importância dos crimes cibernéticos e, consequentemente, o aumento dos esforços do FBI nesta área. O FBI é a principal entidade do governo americano que investiga os crimes de alta tecnologia, incluindo fraude online, ciber espionagem, invasões de computador, fraude em telecom, malwares, scams e o ciber terrorismo.


As recompensas variam entre 20 mil dólares até US$ 100 mil, e a lista tem 10 ciber criminosos, além do link para o poster de uma gang de ciber criminosos europeus com outros 8 procurados. A maior recompensa, de 100 mil dólares, é para quem der informações que levem a prisão do russo Aleksey Belan, acusado de invadir bancos de dados de três grandes empresas de e-commerce dos EUA e revender os dados pessoais de milhões de clientes.



O IDG Now! publicou uma matéria sobre esta lista, aonde deu destaque ao caso de  Carlos Enrique Perez-Melara, de El Salvador, acusado de vender um Cavalo de Troia chamado "Spy Lover", que foi projetado para espionar maridos ou esposas. O FBI está atrás de Perez-Melara desde 2005, quando foi emitido um mandado de prisão por vender o seu programa para mil clientes que, em seguida, o usou para possivelmente infectar vários outros. O IDG Now! destaca que já fazem 8 anos que o FBI o procura (e note que, segundo o site do FBI, ele mora - ou morava - nos EUA!), e o prêmio para quem der informações sobre ele está em 50 mil dólares.

março 07, 2012

[Segurança] Hacktivistas e Traíras

Enquanto as autoridades estão comemorando, alguns hacktivistas estão em maus lençois: poucos dias após a Interpol ter prendido alguns membros do Anonymous na América Latina, o FBI anunciou outro duro golpe: prendeu os líderes do grupo LulzSec, que também são membros ativos do Anonymous. E, o que é pior: eles foram dedurados pelo seu principal líder, conhecido como Sabu, que foi pego pelo FBI em Junho do ano passado e, desde então, tem trabalhado como informante para os policiais americanos a fim de reduzir sua pena.

A história é conhecida por quem já assistiu filmes policiais: um dos criminosos dá uma escorregada (no caso do Sabu, aparentemente ele deu azar de acessar um canal IRC uma vez sem utilizar o TOR), é pego e aceita fazer um acordo para denunciar seus colegas e livrar-se de uma condenação mais rigorosa. Isto não é a primeira vez que isso acontece e não será a última: seja por causa de uma vantagem, chantagem ou tortura, muita gente não segura as pontas depois de ser preso. Coincidentemente, neste final de semana eu assisti um documentário interessante sobre grupo eco-terrorista ELF (Earth Libertation Front), que era muito ativo nos EUA no início dos anos 2000, mas teve o mesmo fim: seus membros foram delatados e condenados depois que um deles foi pego pela polícia.

As figurinhas mais conhecidas do LulzSec agora estão nas mãos das autoridades: "Kayla" (Ryan Ackroyd, de Londres), “Topiary” (Jake Davis, Londres), “pwnsauce” (Darren Martyn, Irlanda), “palladium” (Donncha O’Cearrbhail, Irlanda) e “Anarchaos” (Jeremy Hammond, de Chicago). E, certamente, muita gente está morrendo de medo de ser o próximo, inclusive os membros brasileiros do Anonymous, que mantinham contato com o Sabu.

Certamente este é um duro golpe para os hacktivistas do Anonymous, mas não acredito que isto causará um grande impacto no grupo e na maioria de suas operações. Mesmo que a prisão de alguns membros e líderes assuste e desmotive uma parte do pessoal que apóia o Anonymous, a principal característica do Anonymous é justamente a sua falta de liderança formal. Ou seja, o grupo não precisa de líderes, e para funcionar ele somente precisa de pessoas que apoiem seus ideais. O hacktivismo teve grande destaque nos últimos dois anos e conquistou milhares de apoiadores.

Mesmo em um dia como o de hoje é interessante rever um vídeo de 2004, sobre uma apresentação realizada na Defcon daquele ano sobre cyber ativismo, ou "Electronic Civil Disobedience", que já pregava o uso de ataques online como uma forma de ativismo político. O interessante é que as várias formas de ataques que o palestrante propôs realizar contra a convenção republicana se tornaram realidade nos dias de hoje.

abril 20, 2010

[Segurança] Mais casos de roubo de dados em caixas eletrônicos

Todos devemos ter muito cuidado quando utilizamos caixas eletrônicos. Uma fraude muito comum em todo o mundo é o uso de dispositivos específicos para copiar dados dos cartões de débito, que são criados de forma a serem encaixados na carcaça dos caixas eletrônicos. Aqui no Brasil, estes dispositivos são normalmente chamados de "chupa-cabra" (nos EUA, de "skimmers"). Só hoje eu li duas notícias sobre dispositivos "chupa-cabra" identificados em caixas eletrônicos (ATMs) em Fortaleza e no Rio de Janeiro.

Imagem: Diário do NordesteNormalmente, os bandidos usam dois equipamentos: uma leitora falsa que copia a trilha magnética dos cartões e uma câmera (ou teclado falso) para capturar as senhas. A imagem ao lado mostra o detalhe do equipamento encontrado em um supermercado de Fortaleza, que incluía uma câmera digital fixada no caixa automático para gravar as senhas digitadas pelos clientes (através de um pequeno furo na carcaça falsa). O "chupa cabra" encontrado em uma agência em Copacabana (Rio de Janeiro) aparentemente também transmitia os dados remotamente para os criminosos (isso acontece quando os bandidos conectam um celular ou eventualmente um dispositivo wi-fi no "kit").

Mas este crime acontece em todo o mundo. A polícia Australiana prendeu ontem um jovem chinês utilizando um aparelho destes no aeroporto internacional australiano. Lá, o prejuízo com este tipo de golpe chega a 100 milhões de dólares por ano. Além disso, a ComputerWorld australiana disponibilizou um slideshow que mostra diversos tipos de dispositivos para captura de dados de cartão de crédito (segundo uma das imagens do site, um leitor simples pode custar pelo menos US$ 510). Entre as fotos, duas são de um dispositivo identificado há muitos anos atrás no caixa de um grande banco brasileiro.


Não custa nada repetir algumas dicas, baseado em um outro artigo que publiquei neste blog recentemente:
  • Antes de utilizar os caixas eletrônicos, observe se eles aparentam estar funcionando normalmente.
  • Veja se todos os equipamentos são semelhantes e se as peças parecem estar devidamente conectadas.
  • Dê uma discreta "cutucada" no caixa eletrônico. Desconfie de peças aparentemente soltas ou que não estejam bem fixas.
  • Desconfie se o equipamento pedir suas informações em uma uma ordem diferente do normal, ou se pedir dados a mais.
  • Quando for digitar suas senhas, tente tampar a sua mão com algo, para evitar que alguém veja ou filme.
  • Jamais aceite ajuda de estranhos. Se precisar de ajuda, entre na agência e procure um funcionário.
  • O mais importante: se você suspeitar de um caixa eletrônico, seja discreto e saia imediatamente do local. Ligue para a polícia quando estiver bem longe. Não tente bancar o herói.

novembro 19, 2009

[Segurança] A PF e o crime cibernético

O Diário do Nordeste publicou uma entrevista interessante com delegado Carlos Sobral, chefe da unidade de repressão a crimes cibernéticos da Polícia Federal. Segundo ele, os três crimes cibernéticos mais preocupantes para a PF são a distribuição de material pornográfico (e, principalmente, a pornografia infantil), as fraudes financeiras ("pelo grande valor que transfere para a criminalidade - são somas altíssimas") e a venda ilegal de medicamentos pela Internet (inclui "produto falsificado, contrabandeado, proibido no Brasil").

A seguir eu transcrevo algus dos trechos mais importantes,na minha opinião:

  • Normalmente, a polícia judiciária está sendo chamada quando ele (o hacker) consegue completar a ação danosa. (...) Se não conseguimos ter acesso rápido à informação - e rápido é questão de horas, de dias; demora-se meses, às vezes -, não conseguiremos fazer boas investigações.
  • A internet é uma ferramenta de interação humana. Você encontra amigos que pensou nunca mais ver na vida. Na verdade, pessoas de má índole usam essa informação para prática de crimes e vão continuar usando. A tecnologia vai avançar, aproximar cada vez mais pessoas e aí temos que estar preparados para garantir a segurança.
  • Falar que a tecnologia é culpada pela prática do crime, não é. O fato é que facilita, é um facilitador. Culpadas são as pessoas que usam essa tecnologia (para praticar crimes).
  • [os administradores de sites] têm de ajudar no combate [aos crimes cometidos pelos usuários]. É dever de todos: da Polícia, do Estado e da sociedade. (Os donos dos sites) são responsáveis não pela conduta (dos usuários), mas pela prevenção e por auxiliar na repressão. ... Não é “vigilantismo”, não é cerceamento de liberdade, pelo contrário, é uma conscientização de que a segurança é dever de todos, para garantir às pessoas que continuem usando (a internet) sem correr risco de ser lesadas nas formas patrimonial ou moral.
  • [A legislação brasileira para internet] é falha. Falta disciplina, por exemplo, na questão do armazenamento de informações básicas para nossas investigações. Hoje, não há uma normatização se os registros de conexão com a internet devem ser armazenados ou não, quanto tempo devem ser armazenados...
  • Também falta uma legislação sobre crime cibernéticos puros, relativos à tecnologia propriamente dita: se a invasão de um site, a invasão de um computador, é proibida ou não.
  • Você tem que dar à autoridade policial o direito de conhecer, sendo necessário conhecer. Quanto mais informações relacionadas ao fato nós temos, mais é correta e profunda a nossa investigação. O que você tem que ter é uma forma de controle para evitar abusos e desvio de finalidade da informação. Se você depois apurar que essa informação foi solicitada para fins outros que não investigar o crime, você pune a autoridade que fez a requisição e pune de forma exemplar: demite-se, pune-se com prisão se for o caso.

junho 26, 2009

[Segurança] Vídeo mostra quadrilha que rouba senhas bancárias

Esta reportagem da Rede Globo mostra a ação de uma quadrilha especializada em roubar cartões de débito e senhas de clientes de vários bancos.

As imagens mostram o modus-operandi dos golpistas: um homem (ou uma mulher) se passa por cliente do banco na área onde ficam os caixas eletrônicos, e instala um dispositivo para aplicar o golpe: uma falsa leitora que retém os cartões bancários. Quando um cliente tem problema, ele se aproxima e oferece para "ajudar": ele (ou ela) liga do próprio celular para um falso serviço de atendimento ao cliente e repassa o telefone para a vítima, que acredita estar falando com um funcionário do banco e revela informações confidenciais (dados, senhas, etc).

O vídeo é impressionante, pois mostra a facilidade que os bandidos tinham em aplicar seus golpes a luz do dia.



A polícia, através do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (Deic), ainda procura a quadrilha. É difícil de acreditar, mas segundo a reportagem, os integrantes já foram presos no sul do país e colocados em liberdade.

Outra forma parecida de golpe, e também muito comum, consiste no uso de dispositivos chamados "chupa-cabra". Muitas vezes são dispositivos semelhantes ao mostrado na reportagem, mas ao invés de reter o cartão da vítima, ele é fixado sobre a leitora do caixa eletrônico para copiar os dados da trilha magnética no momento em que inserimos o cartão. É uma técnica um pouco mais avançada (tecnologicamente falando) do que a mostrada nesta reportagem, e igualmente perigosa.

maio 29, 2009

[Segurança] PF prende mais de 100 cyber criminosos

A Polícia Federal prendeu, na manhã do dia 28/5, pelo menos 100 pessoas acusadas de diversos crimes financeiros na Internet ou com o uso dispositivos eletrônicos, como caixas automáticos, cartões de crédito e débito. A Operação Trilha aconteceu em 12 Estados brasileiros, além do Distrito Federal, e conta com a atuação de 691 agentes da Polícia Federal.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações foram iniciadas há cerca de um ano e revelaram que integrantes da quadrilha utilizavam programas para capturar senhas bancárias de correntistas de vários bancos. Estes programas eram disseminados por meio de mensagens eletrônicas falsas (phishing). Em outra modalidade de crime, a quadrilha instalava câmeras próximas de caixas automáticos para filmar o usuário digitando sua senha , ao mesmo tempo em que outro dispositivo clonava os dados do cartão (o chamado "chupa-cabra"). De posse dos dados bancários, os criminosos realizavam transferências de valores para contas de "laranjas", compravam produtos pela Internet e realizavam pagamentos de boletos bancários. Segundo a PF, o montante desviado ainda não foi apurado, mas segundo dados apurados, apenas um dos investigados teria supostamente desviado mais de R$ 1 milhão.

A ação é resultado de investigações contra 15 grupos distintos, formados por vários tipos de golpistas, como crackers que furtavam senhas de Internet Banking e faziam transferências ilegais. 139 mandatos de prisão foram emitidos. O Superintendente da Polícia Federal no DF, Disney Rosseti, revelou que foram investigadas mais de 500 pessoas e identificados 1.500 cidadãos comuns que emprestavam nome, conta corrente e cartão de crédito para os criminosos lavarem o dinheiro (normalmente através de pagamento de boletos). "Boa parte do crime seria impossível sem a participação do cidadão comum. Essas pessoas serão indiciadas por formação de quadrilha e furto perante fraude", afirmou.

A sociedade e os usuários de Internet agradecem.

fevereiro 23, 2009

[Cyber Cultura] Blogosfera Policial

Na Campus Party 2009 eu tive a oportunidade de assistir o painel Blogosfera Policial, um debate muito interessante entre os policiais que possuem blogs e os utilizam como forma de falar sobre qual é a realidade do dia-a-dia deles. No debate foram discutidos os tipos de blogs, os aspectos positivos e negativos e, o mais interessante, a dificuldade desses policiais manterem seus blogs frente as rígidas regras policiais e militares, que regulam a liberdade de expressão deles.

O Alexandre de Souza, do blog "Diario de um PM" e o blog "Abordagem Policial" juntos criaram uma lista de blogs policiais, que totaliza 59 blogs de policiais de todo o Brasil e de várias polícias (policiais militares, civis e federais). Alguns destes "policiais blogueiros" usam a Internet para divulgar o trabalho da polícia, outros para dar dicas de segurança para as pessoas, outros para divulgar conhecimento entre os profissionais (como posts explicando novas armas, tecnologias ou qualquer coisa relacionada ao trabalho) e, por fim, alguns utilizam a Internet para discutir os problemas da corporação. Alguns blogs falam um pouco de tudo, outros acabam seguindo uma temática mais específica.

O uso da Internet está se infiltrando tanto entre esses policiais que alguns deles possuem Twitter e eles também criaram o site PM Tube, para compartilhar vídeos sobre o dia-a-dia dos policiais.

julho 25, 2005

[Segurança] Crimes na Internet & Tipos penais

No site da Polícia Civil do Rio, vi na seção "artigos" o texto abaixo, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que mostra de forma sintética as tipificações penais que podem ser aplicadas nos crimes eletrônicos:

http://www.policiacivil.rj.gov.br/artigos/ARTIGOS/drci.htm

Muito legal :)
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