outubro 31, 2019

[Cyber Cultura] O ódio na Internet

O pessoal do site de notícias 6 Minutos publicou há pouco tempo um artigo muito bom sobre o fenômeno do ódio na internet, baseado em um estudo de uma antropóloga da Unicamp, Adriana Abreu Magalhães Dias (ela estuda esse fenômeno desde 2002). O artigo também contou com informações da Safernet.


Segue um rápido resumo dos principais pontos do artigo:
  • As comunidades de ódio, não são um fenômenos recente nem estão restrito apenas nas "profundezas da web". Desde o início dos anos 2000 o discurso de ódio já estava presente em comunidades de sites de relacionamento como o Orkut;
  • Os grupos de ódio são um fenômeno global, arma da extrema-direita em todo mundo;
  • “O ódio é uma substância na vida do ser humano que é cultivada. Cultivada tanto no sentido de planta, que a gente cultiva e alimenta, quanto no sentido de ser cultuada”, diz.
  • “É impossível remover o ódio enquanto você não civilizar essas pessoas. A Alemanha, por exemplo, teve de se ‘desnazificar’, e isso envolveu um processo de educação.”
  • O processo da cultura do ódio é complexo porque o ódio oferece conforto e pode ser estruturado a partir de três fatores: o alimento da masculinidade (a partir da ideia da luta, de guerras, de duelos, de uma sociedade de cultura de estupro, de ódio ao gay, à mulher), a meritocracia (que define que alguns são melhores que outros) e a construção de um “outro conveniente”, que é quando as minorias (como judeus, ciganos, nordestino, índios,a mulher ou o gay, por exemplo) são associadas a entraves aos objetivos de determinados grupos privilegiados (essa minoria é acusada de causar atraso, problemas ou, por exemplo, "roubar um direito”);
  • A sociedade construiu uma ideia de "normalidade", segundo a qual o “normal” é seguir um padrão como ser branco, de classe media, falar inglês, ser hetero, casado, com filho. Dentro dessa normalidade as pessoas se sentem seguras, mas quando outra minoria destoa e tenta brigar por espaço, ela se sente ameaçada;
  • Esses grupos online não são investigados, identificados e punidos por conta de algumas dificuldades, principalmente o anonimato e porque esses grupos adotam táticas para despistar as autoridades, como escolher provedores de sites que não colaboram com as autoridades;
  • Há casos de crimes de ódio que são anunciados nos fóruns online e praticados na vida real, contra vítimas, com requintes de crueldade.
Para saber mais:

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