março 17, 2026

[Segurança] Notícias e referências sobre o conflito cibernético no Irã

De certa forma, todos nós fomos pegos de surpresa em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel começaram uma campanha militar contra o Irã, que logo nas primeiras horas já resultou na morte de várias lideranças do país, inclusive o seu líder supremo. Segundo declarações iniciais de Donald Trump, o conflito deve durar de 4 a 5 semanas - mas não podemos nos esquecer que guerras são imprevisíveis, e semanas podem se tornar dias, ou anos!

No mundo atual, uma campanha militar desse porte tem fortes componentes cibernéticos - e eu já falei isso no meu post sobre a guerra na Ucrânia - que acabou de completar 4 anos :(

Muitos ciberataques e atos de espionagem serviram de apoio ao início do ataque ao Irã. E, desde então, já estamos vendo centenas de ciberataques acontecendo em represália. Há relatos de que houveram ciberataques à infraestrutura elétrica e de telecomunicações do Irã para facilitar o bombardeio de Israel e EUA. Por outro lado, acredita-se que o governo iraniano está forçando um blackout na Internet do país para manter uma censura na população local e controlar o fluxo de informações.

O fato é que os três países envolvidos, EUA, Israel e Irã tem tradição em operações de ciber inteligência. Para dar só um exemplo, os três estavam envolvidos no Stuxnet, a primeira arma cibernética do mundo, criada há 15 anos atrás!
  • Nota: quando é um país amigo chamamos de ciber inteligência, mas quando é inimigo, chamamos de APT.
Já se pode ver que o Irã não é um adversário qualquer - nem no mundo real nem no virtual.

Além do mais, no caso do Irã, existem vários grupos APT já conhecidos, patrocinados pelo Estado e com um histórico bem documentado, incluindo o trabalho em parceria com gangues de ransomware - em 2025, eles ofereceram grandes quantias em dinheiro por infecções contra organizações americanas e israelenses.
O Irã também tem um histórico de censura online, disseminação de desinformação e de notícias falsas por meio de postagens em mídias sociais para manipular a opinião pública - e esse tipo de atividade tende a se intensificar em tempos de conflito.

É importante notar também que, assim como no mundo real, as hostilidades estão envolvendo vários países da região, não apenas Irã, Israel e EUA.


Logo no início do conflito, paralelamente ao início dos ataques aéreos em 28 de fevereiro de 2026, Israel lançou uma campanha cibernética em larga escala com o objetivo de paralisar as redes de informação, comando e infraestrutura crítica do Irã.. O ataque, que foi descrito como "o maior ciberataque da história" contra o Irã, contribuiu para um apagão quase total da internet, interrupção dos serviços governamentais, da mídia e de partes da infraestrutura de energia e aviação.

Segundo um relatório da Radware, nos 3 primeiros dias do conflito (entre 28 de fevereiro e 2 de março), 9 grupos hacktivistas distintos reivindicaram 107 ataques DDoS contra 81 organizações em 8 países diferentes da região. O relatório destaca que a mobilização hacktivista ocorreu em apenas 9 horas, caracterizada principalmente por ataques DDoS direcionados a infraestruturas críticas e serviços governamentais na região. Nesse período os hacktivistas priorizaram ataques contra a infraestrutura nacional em detrimento de alvos aleatórios, direcionando 53% de todos os ataques contra instituições governamentais - Israel, Kuwait e Jordânia foram os principais alvos.


Segundo o SOCRadar, na primeira semana do conflito foram registrados 368 incidentes cibernéticos em uma dúzia de países, com Israel sendo o alvo em 184 incidentes, seguido pelo Kuwait (53) e Jordânia (41). A infraestrutura governamental foi o setor mais visado, com 84 relatos, seguido por serviços financeiros, defesa, aviação e educação. O grupo DieNet liderou em volume de ataques, com 59 operações reivindicadas, seguido pelo Keymous Plus (51) e pelo 313 Team (42). O volume de ataques atingiu o pico em 2 de março, com 77 relatos diários, antes de se estabilizar entre 52 e 63 por dia até o final da primeira semana.

 

O conflito pode ser longo. Segundo uma reportagem do portal Politico, o Comando Central dos EUA solicitou ao Pentágono o envio de mais oficiais de inteligência militar para apoiar as operações contra o Irã por pelo menos 100 dias, mas provavelmente até setembro.

Eu gostaria muito de fazer uma cobertura mais detalhada dos acontecimentos , como tenho feito até hoje na Guerra entre Rússia e Ucrânia, mas por questões de tempo não conseguirei. Por isso, optei em criar esse post com o objetivo principal de compartilhar as notícias e relatórios relevantes sobre o conflito cibernético entre esses países.

Para ficar antenado, vale a pena acompanhar esses relatórios com excelente cobertura, e atualizados diariamente:

Veja também o vídeo do canal True Hacking, do Alcyon Júnior, sobre o conflito (https://www.youtube.com/watch?v=Z94nJERMaqI, 03/03/2026):


Alguns dos ataques e operações relacionadas mais relevantes, IMHO:
Notícias:
Alertas:
Relatórios de inteligência:
Outras referências:
  • Para acompanhar o status do "apagão" no Irã, causado pelo governo para controlar o acesso Internet: netblocks.org

Informações adicionais, relevantes ou só interessantes mesmo:
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