novembro 28, 2016

[Cyber Cultura] Snowden, o filme

Nesse final de semana eu assisti o filme Snowden, do diretor Oliver Stone (veja aqui informações sobre ele no IMDB). O filme não é uma produção qualquer: ele reúne um diretor fodástico, com alguns atores bem conhecidos (incluindo o Nicholas Cage, fazendo um papel coadjuvante, de um especialista da NSA), para tocar em um assunto bem sensível: as revelações deitas pelo Edward Snowden em 2013 sobre os programas de espionagem em massa da NSA, e as motivações que o levaram a isso.



Eu achei o filme bem legal, principalmente para nós nerds, e para quem acompanhou toda a história dessas revelações. Obviamente, ele traduz tudo o que aconteceu para o público leigo, e só por isso já tem o grande mérito de levar para o grande público essa discussão sobre a espionagem governamental versus os direitos individuais e nossa privacidade online.

Mas, será que o filme conseguiu isso mesmo? Eu tenho as minhas dúvidas, principalmente porque aqui no Brasil o filme estreiou em 10 de novembro e, 2 semanas depois, ele está passando em pouquíssimos cinemas, na maioria das vezes em apenas um horário específico (na rede Cinemark, ele está passando apenas em 2 cinemas de São Paulo, um em Campinas e uma sala no Rio de Janeiro, com 2 horários apenas).



Ou seja: as grandes redes de cinema decidiram que o filme não atrai o público. Além disso, eu acredito que se houvesse demanda de píblico para assistí-lo, provavelmente ele ainda estaria passando em várias salas e horários.

No final do filme, eu ainda fiz um comentário sarcástico com os meus amigos: "ele fez isso tudo para, no final, elegerem o Trump como presidente!". Na verdade, o comentário é uma piada mesmo, pois acredito que certamente nenhum presidente norte-americano iria mudar o programa de espionagem deles. O próprio filme deixa claro que o programa nasceu no governo Bush e foi mantido, isto é, expandido, na administração Obama. Certamente nem a Hillary Clinton nem o Donald Trump tem o menor interesse em diminuir a capacidade de vigilância e espionagem do governo. Mais do que uma promessa de campanha, isso é questão de política de estado e estratégia de defesa global do governo americano.

Mas, de uma coisa eu garanto: quem assistiu o filme vai ficar muito tentado a tampar a webcam de seu computador!

novembro 25, 2016

[Cyber Cultura] Quando teremos um hackerspace no Rio de Janeiro?

Recentemente eu recebi a notícia de um grupo que está formando o com objetivo de ser um hackerspace no Rio de Janeiro.

É o pessoal do Área 21 Hacker Clube (Facebook), que está se juntando para criar um hackerspace voltado para as áreas de Segurança, Software Livre e Programação. Eles iniciaram suas atividades em Outubro através da Roadsec Rio e e, nas palavras de um dos organizadores, eles estão agora procurando um espaço físico em uma universidade para se consolidar. Eles estiveram presentes no Roadsec São Paulo, fizeram uma oficina improvisada na BSidesSP e aproveitaram a visita para conhecer o Garoa.

O Rio tem uma quantidade enorme de profissionais e estudantes de tecnologia, em áreas diversas como engenharia, eletrônica, computação, segurança da informação, etc. Possui também várias comunidades de Segurança, Arduino e, principalmente, Software Livre. Inclusive, foi lá que eu participei de meu primeiro Coding Dojo, uma atividade de programação coletiva bem legal e muito usada para ensinar ou aperfeiçoar nossos conhecimentos de programação. O Rio também possui várias universidades excelentes. Ou seja, a cidade tem praticamente todos os ingredientes para formar um hackerspace grande, ativo.

Mas, antes do Área21, já tivemos a iniciativa do Kernel 40° (que já fechou), do Rio Hacker Space e do Carioca Hackerspace. Além deles, ainda existe o OHMS (Our Home Makerspace) (site em construção aqui) e o Weekend Thinkers, projetos com jeito de Makerspace realizados principalmente por uma única pessoa, o Dado Sutter, um cara sensacional, por sinal.

Com tantos ingredientes, com tantas iniciativas, com tantas tentativas, já passou da hora de termos um hackerspace no Rio de Janeiro. Mas, enfim, quando conseguiremos isso?

Na minha humilde opinião, infelizmente a resposta é nunca.
:(

Me parece que falta o principal ingrediente dessa mistura: o senso de comunidade.

Digo isso porque eu conheço vários grupos no Rio de Janeiro que poderiam se juntar e fazer um hackerspace fodástico, agregando várias pessoas super capacitadas, e várias comunidades muito ativas. Também conheço várias das pessoas envolvidas nas iniciativas acima. Mas o problema é que, além dessas comunidades serem relativamente pequenas para manter o seu próprio espaço individual, cada uma delas insiste em querer montar "o seu próprio hackerspace" e esperam que as demais comunidades venham se juntar ao espaço delas.

Ou seja, infelizmente sobra individualismo e ego, e falta o verdadeiro espírito de comunidade, que é o que faz um verdadeiro hackerspace acontecer.

Um hackerspace é um espaço comunitário e, como tal, não tem dono. Peguemos o exemplo do Garoa: foram 12 membros fundadores, os principais responsáveis pela criação do espaço. Destes, 7 ainda continuam participando do Garoa, mas hoje temos mais de 40 associados ativos (participantes que contribuem financeitramente com a manutenção do espaço). E, nestes mais de 5 anos de existência, pelo menos 74 pessoas já foram associados, frequentando o espaço, organizando atividades e hackeando. Isso sem falar das centenas de pessoas que frequentam esporadicamente o nosso espaço.

novembro 23, 2016

[Cyber Cultura] Como não cair nos boatos da Internet

Eu vi no Facebook um post com um infogáfico bem simples, e bem legal, resumindo dicas para identificar - e não compartilhar - boatos distribuídos nas redes sociais.


Existem diversos sites que publicam notícias falsas ou distorcidas, para enganar o público ou influenciar a opinião de quem o lê. Mas, por outro lado, também existem sites que investigam e desmentem os boatos na medida que surgem, como é o caso do boatos.org, por exemplo.

Há pouco tempo atrás, eu escrevi um post com dicas para identificar os boatos na Internet, que complementa o infográfico acima.

novembro 22, 2016

[Segurança] Os ataques DDoS estão indo longe demais!!!

Não basta os ataques de DDoS terem passado a marca assustadora de 1 Tbps, e um único ataque a um provedor DNS ter impactado o acesso a diversos sites do nosso dia-a-dia.

Agora, parece que a nova moda vai ser tirar países inteiros do ar!

No início do mês surgiram notícias de que um ataque DDoS usando novamente a botnet Mirai tirou do ar a Liberia, um país minúsculo na quase esquecida Africa. O ataque durou duas semanas e, na verdade, afetou o provedor Lonestar MTN e causou impacto em 60% do tráfego Internet do país.


OK, por um lado não é muito difícil atacar um país Africano, uma vez que a infraestrutura de conectividade de todo o continente é bem capenga pois muitos países tem problemas sérios de infra-estrutura causados pela falta de investimento ou destruição por frequentes guerras civis. Além disso, todo o continente é servido por poucos cabos submarinos. A Liberia, por exemplo, é atendida por apenas um babo submarino, o "African Coast to Europe (ACE)", que sai da França e vai até a Africa do Sul, podendo chegar a uma capacidade de até 5,12 Tbps.

Mas, com a capacidade dos atacantes subindo rapidmente, torna-se cada vez mais fácil direcionar ataques a empresas de forma a causar grandes impactos aos usuários.

novembro 21, 2016

[Cyber Cultura] Enigma no crachá da BSidesSP

Nesta última BSidesSP, a Dani do Garoa Hacker Clube criou alguns desafios para os participantes, valendo prêmio. Em um deles, o pessoal teria que decifrar a mensagem secreta que estava codificada no crachá do evento.


Pois bem, o texto dentro do trevo de quatro folhas é um código escrito em Brainfuck, uma linguagem de programação louca e bem zoeira, que foi criada justamente para ser escrita em um código praticamente incompreensível. O texto era o seguinte:



Utilizando um interpretador online, é possível descobrir a mensagem resultante da execução desse código:
"Privacy is not something that I'm merely entitled to, it's an absolute prerequisite"

[Cyber Cultura] 5 anos de BSidesSP

Neste final de semana, 19 e 20/11, tivemos a 13a edição da Security BSides São Paulo. Somada com a BSides Latam que organizamos em junho deste ano, já são 14 BSides em 5 anos, desde 15 de maio de 2011.

Ainda não fechamos a contagem de presentes, mas facilmente passamos de 500 participantes, que aproveitaram dos mini-treinamentos no sábado e das diversas atividades no Domingo. Nosso objetivo era fazer um evento com 400 pessoas, mas a comunidade não deixou. Mesmo com as inscrições enceradas mais de uma semana antes do evento, os pedidos de participação e as listas de convidados e caravanas não paravam de chegar. Tentamos fazer um evento pequeno, mas a comunidade queria mais!


Esta edição, assim como as demais, teve uma grande energia positiva, marcante, com praticamente todas as atividades lotadas e muita troca de conhecimento até o último momento. Tivemos alguns palestrantes que entraram na grade no último minuto e, mesmo no susto, deram excelentes palestras. O pessoal do Área 21, um hackerspace em formação no Rio, também estava presente e deu uma oficina surpresa na biblioteca, dividindo espaço com robôs e crianças. Tivemos uma feijoada feita na véspera no Garoa (com direito a acabar o gás no meio da madrugada), que ficou excelente, e um dos participantes que foi levado ao Corpo de Bombeiros para tirar a algema da oficina de Lockpicking.



O evento foi sensacional, e isso só foi possível graças a energia do público presente, as excelentes palestras, aos patrocinadores que acreditam na qualidade do evento (Trend Micro, e-SaferNewSpace e Conviso, além da Cipher, que bancou o café, e a Trend Micro, que novamente patrocinou também o bar do evento) e ao apoio do Garoa e da PUC-SP. Também marcaram presença a Novatec e o pessoal da Robocore, com as suas lojinhas. Sem eles, nada disso seria possível.

O evento acontece porque cinco amigos (eu, Bordini, Marcelo, Ponai e Ranieri) tem a ajuda de mais um punhadinho de voluntários, nossos "Hands of King" (Fábio, Yumi, Mônica, Subnet, Lincoln, Damião, Logan, Joel, Priscila e Victor). Além dos voluntários que nos ajudaram no dia do evento (Ygor, Slayer, Erik e mais alguns outros). Obrigado também a equipe do Bar (Brandão, Maira, Vita e Diego) e aos dois Nelsons que tiveram a louca idéia de fazer uma feijoada para a galera! Fizeram simplesmente porque acharam que ia ser divertido e que o pessoal iria gostar. E todo mundo gostou!

Uma cena, ocorrida durante o campeonato de robótica, descreve o espírito da BSidesSP: como um dos robôs seguidores de linha estava com problemas, os demais falaram para suspender as provas e dar tempo para o colega consertar o seu robozinho.

No ano que vem teremos mais uma BSidesSP na véspera do You Sh0t the Sheriff, nos dias 20 e 21 de Maio. E, em Setembro de 2017 o pessoal da BSides Colombia vai organizar uma BSides Latam em Medelín.


novembro 18, 2016

[Cyber Cultura] Internet of Toys

Recentemente eu aprendi uma nova versão para a sigla "IoT":


Internet of Toys


A Internet dos "brinquedos" surge a medida em que chegam ao mercado brinquedos eróticos que podem ser controlados a distância por controle remoto ou por um app. Imagina se conectar isso a Internet então... Alguém vai lançar (se é que já não lançou) um acessório desses para casais que vivem a distância ;)



Imagine, etnão, regular a intensidade do seu brinquedo intímo por um app no smartphone? Se nós pudermos fazer isso, os "piratas da informática" também podem tentar conseguir acesso remoto para implantar malware e realizar ataques a partir do seu brinquedo. Ou controlar a intensidade de vibração dele sem que você saiba!

Já pensou o que vem pela frente? Teremos uma "ciber doença venérea"!? E essas novas botnets baseadas em dispositivos IoT vão realmente "botar para f*". ;)

novembro 15, 2016

[Segurança] Revenge Hack

Que o nosso mercado de segurança é hostil, isso não deve ser novidade para ninguém!

As vezes essa hostilidade é velada, disfarçada como uma brincadeira ou uma trollagem. É o caso, por exemplo, de vários eventos que fazem um "Wall of Sheep" para expor as senhas capturadas em aberto na sua rede local. Na H2HC, criou-se a cultura do "leak do banheiro": de vez em quando você vai no benheiro masculino e encontra senhas ou dados pessoais de alguém em um papel, colocado no espelho ou na pia.


Mas em outras ocasiões vemos esse tipo de hostilidade atingir níveis mais sérios, com brigas e discussões em listas públicas (discussões que vão muito além de um simples "flame war"), até mesmo campanhas de ciber ataques para invadir ou humilhar colegas de profissão ou empresas da area. São exemplos, neste último caso, a "operação AntiSec" que aconteceu principalmente nos Estados Unidos no início da década, comandada pelo grupo Lulzsec. Ou, no Brasil, o Project Mayhem, uma série de ataques a profissionais e empresas brasileiras, que aconteceu na segunda metade da década de 2000.


Às vezes, essas campanhas são direcionadas a pessoas que uma parte da comunidade de segurança considera serem charlatões ou mau profissionais, ou que não mereça fazer parte da comunidade. Um exemplo recente, neste caso, foram algumas ações que aconteceram contra o Luís Vieira e o Gustavo Lima (Coruja de TI).

Mas, recentemente, vimos um caso que, na minha opinião, foge desses comportamentos "padrão", e que eu prefiro batizar de "Revenge Hack". Tentando resumir a história, já comentada pelo Carlos Cabral: durante a última H2HC, um colega nosso que estava responsável pelo bar do evento tratou mal vários participantes do evento que iam se servir no bar (comportamento em parte causado por conta do jeito bonachão-mal-interpretado dele, e em parte por outros agravantes que não vem ao caso). O fato é que várias pessoas se sentiram incomodadas com o desrespeito que sofreram e um pequeno grupo decidiu se vingar: conseguiram ter acesso a várias contas pessoais do responsável pelo bar e "hackearam" o seu perfil no Linkedin, seu blog, apagaram seu iPhone, entre outras coisas. Pior ainda: mandaram mensagem para o chefe dele, a partir do perfil dele no Linkedin. Nesse momento foi cruzada a linha entre a trollagem e a vingança.



Já ouvi muitos colegas falando muita coisa sobre esse incidente. Na minha opinião pessoal, os dois lados agiram errado, de forma vergonhosa: quem ofendeu e quem vingou a ofensa, pois acredito que um erro não justifica outro erro. E, no final do dia, o maior perdedor é justamente o senso de comunidade. Novamente testemunhamos atitudes desnecessariamente desrespeitosas.

Por um lado, eu acredito que este incidente recente de vingança na H2HC foi um caso isolado em nossa comunidade, um ato que não se encaixa nos comportamentos tradicionais de hostilidade latente do mercado. Não se encaixa, mas foi consequência da comunidade de segurança que todos nós criamos em todos esses anos.

Em todos estes anos, nós construímos e toleramos uma comunidade baseada principamente na trollagem, mais do que no compartilhamento de conhecimento, aonde é mais fácil criticar alguém que se destaque do que contribuir com a comunidade. Como se não bastasse trollar os colegas ao minimo deslize, os ataques desrespeitosos com o fim de humilhar podem atingir qualquer pessoa que se exponha um pouco mais na comunidade, fazendo ou não por merecer uma resposta de ódio.

Para quem não faz parte desse pequeno grupo que centraliza as conversas e as atividades existentes na área de segurança, estes incidentes reforçam a ideia de "panelinha", uma visão muito comum para quem está lado de fora ou mais a margem dos acontecimentos. Eu acredito, inclusive, que tais ações acabam intimidando e afastando pessoas interessadas em contribuir com a área, principalmente quem está começando na área. Arrisco até a dizer que esse tipo de comportamento ajuda a afastar potenciais palestrantes - não é a tôa que a maioria dos eventos de SI contam sempre com a mesma meia dúzia de palestrantes de sempre,e  temos dificuldade em renovar isso.

Devemos aproveitar e pensar se este é realmente o modelo de comunidade que queremos para nós. Viver em comunidade significa saber respeitar o próximo e as diferenças entre todos, e estar disposto a acolher e ajudar a todos. Em um ambiente saudável, tanto os mais experientes quanto os menos experientes podem se beneficiar de uma interação saudável em comunidade.

Nota (incluida em 12/12): O DMR escreveu um texto interessante, com um contraponto das opiniões minhas e do Cabral: "0 ch0r0 3h l1vr3". Vale a leitura e reflexão.

novembro 13, 2016

[Cyber Cultura] Os significados de IoT

Não basta a Internet das Coisas (IoT, "Internet of Things") ser a tecnologia da modinha. Aos poucos, vão surgindo algumas interpretações irônicas sobre o que significa IoT. Eu já ouvi algumas:
Além disso, já surgiram termos como...
OBS: Post atualizado em 11/03/18.

novembro 11, 2016

[Segurança] Como proteger o seu Smart Device

O pessoal do site The Hacker News publicou algumas dicas bem simples de cuidados mínimos de segurança com os seus dispositivos IoT. Vale a pena dar uma olhada:
  1. Altere as senhas padrão de seus dispositivos: Se você tiver qualquer dispositivo conectado à Internet em casa ou no trabalho, altere as senhas padrão qu vem de fábrica;
  2. Desativar o recurso Universal Plug-and-Play (UPnP): Verifique se há recursos de "Universal Plug and Play" em seu equipamento. Muitas vezes, o UPnP vem habilitado por padrão em dispositivos IoT;
  3. Revise as restrições de Gerenciamento Remoto: Em particular, desabilite o acesso remoto através de Telnet e por uma rede pública (permita o acesso administrativo apenas pela rede local). Isso é particularmente crítico nas configurações do roteador com a Internet e roteador WiFi;
  4. Verifique as atualizações de software e os patches: Mantenha sempre os seus dispositivos IoT e roteadores atualizados com o firmware mais recente do fornecedor;
  5. Aproveite e verifique se o dispositivo IoT está vulnerável ao malware Mirai. Já existe um site aonde é possível fazer essa verificação online, que usa dados do Shodan: http://iotscanner.bullguard.com



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