janeiro 05, 2015

[Segurança] Retrospectiva 2014

O ano de 2014 foi especialmente "tenso" para os profissionais de segurança: vivemos uma sequência constante de grandes vulnerabilidades e roubos de dados. Nos últimos dias do ano, o roubo de dados da Sony dominou os noticiários.

Por isso, decidi fazer uma pequena lista dos fatos mais relevantes:
  • No Brasil, o malware de Boletos dominou as notícias no decorrer do ano, com a publicação de diversas pesquisas realizadas por algumas empresas de segurança sobre o malware e seus variantes;
  • #OpWorldCup: Apesar das expectativas, os ciber protestos durante a copa do mundo foram poucos e irrisórios. Pelo jeito os hackers preferiram ficar na frente da TV assistindo as partidas de futebol;
  • Em Fevereiro deste ano tivemos um mega-ataque de DDoS contra a empresa CloudFlare. O ataque foi baseado na técnica de NTP Amplification e chegou a gerar 400Gbps de tráfego;
  • Roubo de dados afetando os lojistas americanos, dos grandes aos pequenos. No decorrer do ano, ciber criminosos roubaram dados pessoais dos clientes de diversas lojas físicas e lojas online nos EUA. Foram afetados os clientes de lojas grandes como Home Depot e Staples, cadeias de restaurantes como a P.F. Chang's, do correio americano ou UPS, ou até mesmo pequenos logistas. Eu diria que é praticamente impossível que algum americano não tenha sido atingido por algum estes vazamentos de dados;
  • Vulnerabilidades de alto risco, afetando milhões de servidores, e causando stress nos profissionais de segurança, que tiveram que sair correndo para atualizar seus servidores:
    • Heartbleed, o bug no OpenSSL que permitiu o vazamento de dados trafegados em conexões SSL em sistemas Unix/Linux;
    • Shellshock, afetando o shell Bash dos sistemas Unix;
    • Poodle (CVE-2014-3566): vulnerabilidade no design do SSL versão 3.0 permitindo ataque MITM;
    • Unicorn bug (CVE-2014-6332): Vulnerabilidade na biblioteca OleAut32.dll do VBScript que permite a execução de código em todas as versões do Windows desde o Windows 95;
    • Winshock (CVE-2014-6321): Vulnerabilidade no Microsoft Secure Channel (Schannel), responsável pelo SSL e TLS nas plataformas Microsoft Windows, que permite a execução de código na máquina vulnerável;
    • Bug no Kerberos (CVE-2014-6324): Apesar de não ganhar nenhum nome bonitinho, essa vulnerabilidade no Kerberos Key Distribution Center (KDC) dos servidores Microsoft Windows também foi muito grave, pois permite a um usuário remoto obter privilégio de administrador no domínio;
  • Ataques sofisticados a empresas; dentre os vários que ocorreram durante o ano, três merecem destaque:
    • Sands (dona dos cassinos Venetian e Palazzo, em Las Vegas, entre outros): Teve sua rede invadida e foi implantado um malware que destruiu centenas de computadores e servidores da empresa;
    • Code Spaces: Após uma série de ataques DDoS e uma tentativa de extorsão, ciber criminosos invadiram o painel de controle na Amazon da Code Spaces e apagou todos os dados na nuvem, incluindo o site, banco de dados e backups. E, assim, a Code Spaces foi obrigada a fechar;
    • Sony Pictures: roubo de 100 TBytes de informações, incluindo e-mails dos funcionários, dados pessoais de funcionários e contratados e segredos da empresa, incluindo as versões finais de cinco filmes.

Na Black Hat Summit São Paulo eu fiz uma palestra na área de expositores aonde, no início, eu coloquei alguns slides com um pequeno resumo dos principais ataques de 2014, conforme consta acima.


O site ThreatPost possui uma boa retrospectiva de 2014, e o portal Data Breach Today criou um infográfico com os 6 maiores vazamentos de dados. Procurando o Google por mais informações sobre problemas de segurança no ano passado, eu encontrei esse post no blog da empresa Leverage Informática, esse post da Avast, a retrospectiva da McAffee e esta apresentação muito boa do André Landim, da RNP. O Olhar digital também publicou uma retrospectiva dos principais acontecimentos na área de tecnologia, que destacou, na área de segurança, o Heartbleed, o Shellshock o ataque a Sony e o Marco Civil.

Outra referência interessante pode ser vista nos primeiros 20 minutos da palestra "Nuevas tendencias en ciberataques", que o pesquisador espanhol Chema Alonso apresentou no Security Innovation Day da Telefônica (SID2014). Ele fez um breve resumo dos principais ataques existentes até então, em Outubro de 2014.



Nota (06/01): O site DataBreachToday publicou um infográfico com os maiores roubos de dados médicos em 2014 nos EUA. No pior caso, foram roubados dados pessoais e históricos médicos de 4,5 milhões de pacientes do CHS (Community Health Systems)

Notas (14/01): O site Hackmageddon publicou um post com as estatísticas de ataques em 2014, e aproveitou para comparar com os dois anos anteriores. Além disso, a Kaspersky também publicou um post com as principais estatísticas de ataques e malwares de 2014, tanto para o mundo quanto para a América Latina.



dezembro 31, 2014

[Segurança] Aniversário de 25 anos do Firewall

A McAffee lançou um infográfico para celebrar os 25 anos desde o lançamento do primeiro Firewall, em 1988. Eu, particularmente, não gostei deste infográfico: achei que faltou muita informação e, claro, foi muito tendencioso para a própria McAffee, com algumas informações que eu considero estranhas ou imprecisas (como dizer que o conceito de evasão surgiu em 2006 e que "clustering" surgiu em 2009, sendo que alguns firewalls de mercado atuavam em cluster vários anos antes disso).

Por isso, prefiro escrever a minha própria linha do tempo sobre o surgimento dos Firewalls. Assim como foi feito pela McAffee, vou colocar alguns outros eventos para ajudar a situar esta evolução no tempo.

Os primeiros "firewalls" foram, na verdade, roteadores de rede que eram utilizados para isolar redes distintas e filtrar alguns pacotes de rede entre elas, sempre na camada 3. Isso foi muito popular nos anos 80 e 90. Até meados da década de 90 era comum chamar de "Firewall" o conjunto de roteadores e proxies de aplicação que, em conjunto, eram utilizados para isolar uma rede de outra (como, por exemplo, separar a rede interna da rede externa, como a Internet).

  • 1981: Lançamento do PC
  • 1984: Nos EUA, a ARPANET vira a Internet, usando o TCP/IP desde 1983;
  • 1986: Surge o Brain, o primeiro vírus de computador (MS-DOS);
  • 1988: Morris Worm, a primeira grande infestação de um código malicioso na Internet;
  • 1988: Surge o primeiro CERT, o CERT-CC;
  • 1988: A DEC (Digital Equipment Corporation) publica um artigo aonde descreve um sistema de filtragem de pacotes batizado de "packet filter firewall";
  • 1989: Um paper da AT&T Labs introduz o conceito de "circuit level gateways", um modelo de Firewall atuando no protocolo TCP;
  • 1990: Wietse Venema cria o TCP Wrapper, que se popularizou ao permitir criar uma lista de acesso as aplicações de rede disponíveis em um servidor Unix-like;
  • 1991: A DEC lança o DEC SEAL, o primeiro Firewall a usar o conceito de Application-Level Firewall desenvolvido por Marcus Ranum (também chamados de Firewall de Aplicações, pois atuam na camada 7);
  • 1993: A Internet começa a virar uma rede global;
  • 1993: Marcus Ranum, Wei Xu, e Peter Churchyard lançam o Firewall Toolkit (FWTK), um Firewall de aplicação distribuído inicialmente com licença open source, em nome da empresa TIS (Trusted Information Systems);
  • 1994: Surge o Gauntlet firewall, a versão comercial do FWTK, que em 1998 foi adquirido pela Network Associates Inc, (NAI). O Gauntlet foi o líder de mercado por alguns anos até ser superado pelo Firewall-1, da Check Point;
  • 1994: A Check Point Software lança o produto FireWall-1 (FW-1), introduzindo o conceito de "Stateful Inspection", uma tecnologia que permite analisar diversas camadas de rede;
  • 1995: Criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e surgimento dos primeiros sites brasileiros;
  • 1995: Lançamento do Livro "Building Internet Firewalls", da O'Reilly (1a edição)
  • 1995: A RFC 1825 (Security Architecture for IP) descreve o uso de Firewalls para prover segurança no protocolo IP;
  • 1996: Surge o Real Secure, da ISS, uma das principais soluções comerciais de detecção de intrusos (IDS - Intrusion Detection System);
  • 1997: Versão 1.0.1 do ipchains, um sistema de filtro de pacotes para o Kernel Linux que, a partir de 1998, começa a ser substituído pelo IPTables, mais completo;
  • 1998: Lançamento do Snort, um IDS open-source;
  • 1999: A RFC 2663 descreve o conceito de "Application Level gateway (ALG)", que funcionam de forma similar a proxies de aplicação;
  • 2000: Surgem os ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS - Distributed Deny of Service);
  • 2000: Época de ouro dos Personal Firewalls; soluções de firewall dedicadas para desktops, com configurações de bloqueio de rede  de de aplicações. Uma ótima idéia, mas de difícil uso para o usuário final. Na prática acabaram sendo incorporados como uma funcionalidade dos anti-vírus;
  • 2002: Surge o ModSecurity, um projeto open source de Web Application Firewalls (WAF), que ajudou a difundir a tecnologia WAF;
  • 2008: Infecção do Conficker, verme que atinge 9 a 15 milhões de servidores Microsoft em todo o mundo.

Nota: Toda vez que alguém escreve um artigo dizendo que a empresa X lançou o "Next Generation Firewall", um panda bebê morre engasgado e cai em cima de um filhote de demônio da tansmânia, que também morre esmagado. Isso porque praticamente todos os fabricantes de firewall dizem ter sua própria versão de um "Next Generation Firewall", de forma que isso se transformou em um termo marqueteiro, e não necessariamente representa uma tecnologia específica.


dezembro 30, 2014

[Ciber Cultura] Regulamentação do Marco Civil

O CGI.br e seu GT de Regulamentação do Marco Civil da Internet criaram uma página para receber contribuições sobre os diversos itens que devem ser regulamentados no Marco Civil.

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) foi sancionado no dia 23 de abril de 2014 pela Presidenta Dilma Roussef. Mas alguns dos dispositivos e regras da Lei ficaram para ser regulamentados posteriormente.

O site do CGI.br destaca o Artigo 9o, sobre a neutralidade de rede, e o Inciso II do Artigo 24, sobre a racionalização da gestão, expansão e uso da Internet, mas o CGI aceita comentários sobre diversos temas:
  • Definições técnicas e de termos relevantes ao Marco Civil
  • Neutralidade de Rede
  • Proteção aos Registros, aos Dados Pessoais e às Comunicações Privadas
  • Guarda de Registros de Conexão
  • Guarda de Registros de Acesso a Aplicações de Internet na Provisão de Aplicações
  • Outros aspectos e considerações

As contribuições enviadas pelo site do CGI.br serão consideradas pelo Grupo de trabalho, que irá criar um documento de trabalho com as conclusões de estudo. No final, o CGI.br irá encaminhar as contribuições aos órgãos do Governo Federal responsáveis pelo processo de regulamentação da lei do Marco Civil.

As contribuições devem ser feitas através de um formulário disponível online até o dia 31 de Janeiro de 2015 e ficarão disponíveis para consulta no site do CGI.br.

Nota (adicionada em 10/11/16): O Marco Civil foi regulamentado em 11 de Maio de 2016 através do Decreto nº 8.771.

dezembro 29, 2014

[Ciber Cultura] A pressão das Redes Sociais

A revista do SESC de Janeiro/2015 tem uma entrevista interessante com Peter Pál Pelbart, filósofo, e professor titular de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Nesta entrevista, ele faz alguns comentários interessantes sobre a influência que sofremos da tecnologia e das redes sociais.

Eu selecionei abaixo os trechos que me pareceram mais relevantes:
  • Com a proliferação e disseminação das redes sociais, o discurso se tornou muito superficial, plano? - Sim, e às vezes dá vontade de se desconectar. Com toda essa infosfera tão saturada, essa circulação de signos, informações, imagens, solicitações e imperativo de reagir imediatamente, vira e mexe eu tenho vontade de sustentar uma desconexão ativa que pode dar algum espaço para pensar, para que o que se diz possa ter algum sentido.
  • O [filósofo e escritor italiano] Franco Berardi tem uma ideia bonita relacionada ao neuromagma, que seria essa espécie de caldo de signos, imagens e estímulos incessantes em que todos estamos mergulhados e que excede muito a nossa capacidade humana de formular, elaborar. A partir disso, o que nós temos é mais uma reação do que uma posição. A gente reage mais a ondas psicomagnéticas, de informação, entusiasmo, terror, que atravessam o campo social. Reagimos a essas ondas como se não tivéssemos mais a capacidade de pensar.
  • Há uma espécie de homogeneização de certo modelo de classe média consumista ocidental que vai tomando conta do planeta junto de certo tipo de entretenimento, percepção, uso do espaço, regulação do tempo e outras coisas que são do pós-Fordismo, sem essa separação tão estrita do tempo do trabalho, do descanso, do entretenimento. Tudo isso se mistura um pouco. Quando você está no computador, você não sabe se está trabalhando, se está socializando, se entretendo etc. As fronteiras se desmancharam e nós estamos o tempo todo em um estado de alerta, de conexão, de produtividade.
  • E essa confusão cada vez mais evidente entre a vida real, cotidiana, e uma vida de ficção, sugerida? Isso tem a ver com a diminuição do espectro de vontades? - Claro, existe uma luta contra certos poderes, contra certos tipos de dominaçã
  • Sou a favor de que haja suspensões, que haja paradas, interrupções nesse trem louco que vem vindo há muitas décadas numa velocidade crescente e nos obriga a mobilizar toda a nossa energia com finalidades cada dia mais desconhecidas e inúteis. Enquanto não se frear esse trem, não será possível inventar finalidades outras que não a produção pela produção, o lucro pelo lucro e essa espécie de racionalidade capitalista que nos enlouquece literalmente.

Analisando a opinião do Peter Pál Pelbart, é impossível discordar de que hoje existe uma grande e invisível pressão para que estejamos sempre conectados, não apenas nas redes sociais, mas em todas as formas de comunicação online.

Os e-mails da empresa, os comentários familiares no WhatsApp, as mensagens e likes no facebook: tudo exige nossa interação imediata e não existe mais fronteira entre trabalho, descanso e diversão. Quem nunca respondeu um e-mail de trabalho durante as ferias ou a noite, antes de dormir? Quem nunca respondeu uma mensagem de whatsapp dos amigos ou parentes durante o horário do expediente? Esses pequenos atos acabam destruindo, aos poucos, a nossa noção de fronteira entre trabalho, casa e descanso.

Outra coisa muito interessante é notarmos esta diferenciação entre a vida real, cotidiana, e a vida online, qua acaba sendo uma vida de ficção. Isto é muito evidente em redes sociais como o Facebook: criamos um perfil idealizado de nós mesmos, aonde postamos fotos e opiniões que tendem a mostrar uma imagem específica, pasteurizada, de nós mesmos. Sugerimos uma imagem que não reflete a total realidade do dia-a-dia. Quem quer saber que hoje fiquei sem água e luz em casa e, por isso, só fui tomar banho de água gelada as 14h porque não aguentava mais o meu próprio cheiro? Não é melhor postar uma notícia sobre as chuvas e criticar o governo, que é exatamente o que a maioria das pessoas fazem? sem perceber, seguimos um script, um roteiro subconsciente que pasteuriza a todos: somos todos felizes, cercados de amigos, familiares, gatos e cachorros engraçados. No mundo online, vivemos cercados de paisagens deslubrantes, pôr-do-sol, praia, etc.

Como disse Peter Pál Pelbart, "Não tem coisa mais decepcionante do que você seguir o script de roteiro pré-fabricado. Há uma depauperação na imaginação sobre o que é desfrutar, o que é se divertir, o que é descobrir, o que é ter uma experiência. Você cumpre um destino. É um desafio coletivo, cultural, saber o que é realmente destampar a imaginação. Esse despotismo do “desfrute”, “goze”, “tenha prazer” e “consuma” obtura totalmente a imaginação."

dezembro 27, 2014

[Cyber Cultura] Dumont Hackerspace

O Dumont Hacker Space é um "hackerspace temporário", um espaço autônomo e itinerante que foi idealizado pela comunidade brasileira de hackerspaces para existir como um "meta-hackerspace" representando o movimento hacker dentro de algum evento relevante para a comunidade.

A iniciativa de criar o Dumont Hackerspace surgiu no FISL 15, realizado de 07 a 10 de Maio de 2014. Durante o FISL 15 vários hackerspaces se juntaram e, coletivamente, organizaram o espaço do Dumont Hackerspace. Estiveram presentes o Matehackers, o Garoa Hacker Club, MariaLab, Tarrafa, Hackerspace Salvador, Raul Hacker Club, Hap-Hacks e outros grupos em formação e interessados em formar mais hackerspaces pelo Brasil. O espaço funcionou como uma área livre e aberta para que os presentes desenvolvessem trabalhos, trocassem informações e que permitiu o bate papo entre novatos e veteranos. Nenhum conhecimento prévio foi exigido para participar e os presentes estavam dispostos a ajudar quem aparecesse. Este é o espírito dos hackerspaces !!!

O Dumont Hackerspace pretende ser um espaço autônomo, operado por representantes de diversos hackerspaces e comunidades, com o objetivo de oferecer a mesma experiência que um autêntico hackerspace pode lhe dar: diversas atividades multidisciplinares, compartilhamento de conhecimento e o verdadeiro espírito hacker.

O logotipo foi criado como uma imagem estilizada do Santos Dumont. O bigode e o chapéu são "marcas registradas" do Santos Dumont, a figura homenageada por ter o primeiro projeto "open source" bem documentado e amplamente conhecido e reproduzido de um brasileiro. Um fato muito interessante da história dele é que Santos Dumont permitiu que uma mulher pilotasse um dos seus dirigíveis em 1903, que se tornou a primeira mulher piloto da história (isto é, a primeira mulher a pilotar uma aeronave motorizada), Aida D'Acosta. Assim, ele rompeu o tabu de desenvolver toda uma área nova como também rompeu com os padrões de gênero existentes na época.

dezembro 24, 2014

Feliz Natal e Boas Festas

Poizé, 2014 foi um ano "especial":
  • Copa no Brasil e goooool da Alemanha
  • As eleições que entupiram o Facebook e calaram a boca dos protestos nas ruas
  • As ações da Petrobrás e o Dólar ameaçando valer R$ 5
  • Facebook lotado com vídeos em autoplay sobre gatinhos, cachorros e acidentes de carro, além das infinitas listas de "10 vídeos", "20 imagens", e as "150 dicas imperdíveis", e para coroar o ano, a coletânea de fotos de 2014 da galera. E o pessoal reclamava do falecido Orkut :(
  • No esporte, agora temos 2 surfistas Brasileiros famosos: o Gabriel Medina e a Bruna Surfistinha
  • Pousamos uma sonda espacial em um cometa \o/
  • Na área de segurança, o ano ficou marcado, entre outras coisas, por grandes bugs (por ex, o Heartbleed e o Shellshock), pelos roubos de cartões de crédito e dados de grandes lojas nos EUA e, agora no final de ano, pelo polêmico ciber ataque a Sony Pictures.
Depois de um ano tão agitado, vamos aproveitar as festas junto com nossos familiares e amigos para recuperar as energias para 2015.

Bom Natal e Feliz Ano Novo para todos !

dezembro 23, 2014

[Cyber Cultura] Crianças Hacker

Para aqueles que ainda acham (erroneamente) que hacker é só quem vive no mundo underground, sabe invadir sites, se comunica via IRC e s4b3 3scr3v3r 4ss1m, eu dedico este pequeno e inspirador vídeo feito pelo pessoal do Raul HackerClub, o hackerspace de Salvador (BA).


dezembro 19, 2014

[Cyber Cultura] Netscape, 20 anos

Há cerca de 20 anos atrás, no dia 15 Dezembro de 2014, foi lançado o Netscape 1.0, o browser que ajudou a popularizar a World Wide Web e, de quebra, a Internet que conhecemos hoje.


No início o Netscape era gratuito e amplamente distribuido entre os usuários web - seja por download ou por disquetes e CDs, incluindo CDs de provedores de acesso oferecidos em revistas de informática nas bancas de jornal. Rapidamente se tornou popular e praticamente dominou todo o mercado dos Browsers durante a década de 90. Nesta época o Netscape liderou várias inovações técnicas.

Infelizmente, o Netscape não resistiu a Guerra dos Browsers no final dos anos 90 e início dos anos 2000 e perdeu sua liderança de mercado para o Internet Explorer (IE), da Microsoft, até desaparecer por completo. Isso aconteceu principalmente quando a Microsoft começou a oferecer o IE gratuitamente, já pré-instalado nos sistemas operacionais e a Netscape, na contramão, decidiu oferecer seu Browser somente na versão paga.



Hoje em dia, é interessante notar que mesmo a versão 1.0 do Netscape já tinha uma interface muito parecida com a dos browsers atuais, com um menu e conjunto de ícones similar ao que conhecemos.

[Segurança] Os 10 Mandamentos do Hacker

Durante a décima edição da Co0L BSidesSP nós apresentamos em primeira mão os 10 Mandamentos do Hacker, um conjunto de 10 "mandamentos" sobre hacking ético, baseado nos 10 Mandamentos Bíblicos. São eles:
 I - Amar o conhecimento livre sobre todas as coisas
 II - Não usar títulos e certificações em vão
III - Aplicar patches de segurança mesmo aos domingos
IV - Honrar Linux e Sistemas Abertos
 V - Não invadirás computador alheio
 VI - Não adulterarás arquivos e dados
VII - Não furtarás o wifi do próximo
VIII - Não levantarás falsos perfis
 IX - Não desejarás as informações privadas do próximo
 X  - Não cobiçarás a senha do teu próximo
O Thiago Bordini foi o primeiro a ter a idéia, e me mandou uma mensagem que li dentro de um taxi e de lá mesmo começamos a conversar e viajar na maionese. Em seguida nós dois passamos mais alguns dias discutindo e lapidando a idéia até chegarmos nos mandamentos acima.

Também pensamos em criar um vídeo durante a Co0L BSidesSP para ajudar a divulgar os Mandamentos, com várias pessoas lendo cada um deles. Vários amigos gostaram da iniciativa e aceitaram participar. O Lincoln Werneck gravou tudo para nós e o Bordini fez a edição final.


Reconheço que não ficou tão divertido quanto a versão da Porta dos Fundos ;)

Uma das preocupações iniciais foi de tentar colocar os "mandamentos hacker" na mesma ordem e de forma que fossem mais ou menos equivalentes aos mandamentos originais. Por exemplo, se o mandamento "não matarás" é o quinto, então o 5º na versão hacker seria algo equivalente, algo como "não invadirás" (ou não ownarás, ou não defacerás, etc).

Aí eu descobri que, segundo a Wikipedia, existem ao menos 7 versões dos mandamentos, de acordo com cada religião, numeração ou interpretação do texto bíblico. O Exôdo lista 16 "10 mandamentos" (isso mesmo, os 10 mandamentos são 16 - mas se lermos com cuidado, veremos que vários são repetitivos). Para ter por onde começar, decidimos adotar a versão católica dos mandamentos, conforme abaixo (pelo simples fato que ele nos soou mais familiar):

1º - Amar a Deus sobre todas as coisas
2º - Não usar o Santo Nome de Deus em vão
3º - Santificar domingo e festas de guarda
4º - Honrar pai e mãe
5º - Não matarás
6º - Não adulterarás
7º - Não furtarás
8º - Não levantar falsos testemunhos
9º - Não desejarás a mulher do próximo
10º- Não roubar do teu próximo

Partindo do texto acima, fomos reescrevendo cada um deles até chegar finalmente nos Mandamentos Hacker ;)

Fiz até mesmo um QR Code para a página dos 10 Mandamentos Hacker no site do Staysafe, utilizando o encurtador is.gd (o is.gd permite customizar a URL encurtada e também tem a opção de gerar o QR Code automaticamente).


Nos digam o que acharam. Queremos ouvir sugestões, comentários, elogios, críticas, etc.

PS (adicionado em 10/06/2025): Mais de 10 anos depois, rs, nós criamos um canal pata a BSidesSP no Youtube e publicamos esse vídeo:



dezembro 17, 2014

[Segurança] Empresas na fronteira entre Guerra Cibernética e Hacktivismo

Em 2012 foi a gigante petrolífera Saudi Aramco: 30 mil computadores foram atacados e a empresa ficou fora do ar por 10 dias, em um ataque em protesto contra o governo Saudita.

Neste ano tivemos notícia de mais duas empresas que foram vítimas de ciber ataques complexos que foram vitimados por questões ideológicas, e podem, eventualmente, ter a participação (ou pelo menos a conivência) dos governos locais.

Esta pode ser a nova fronteira da guerra cibernética: ataques destrutivos direcionados a empresas, com motivação político-ideológica, aonde o sentimento nacionalista é um dos principais motivadores.

Recentemente, hackers invadiram a Sony Pictures Entertainment, possivelmente em represália a um filme da empresa sobre um plano de assassinato contra o líder Norte-Coreano Kim Jong Un (a comédia The Interview, ainda não lançada nos cinemas). Como resultado do ataque, teriam sido roubados 100 TBytes de informações (dos quais apenas 1TB foi divulgado até o momento), incluindo e-mails dos funcionários e executivos, dados da folha de pagamento e dados pessoais de 47 mil funcionários e contratados (como o ator Sylvester Stallone) e segredos da empresa tais como as versões finais de cinco grandes filmes que seriam lançado nessa próxima temporada de férias. Embora a Sony não tenha publicamente identificado o responsável pelo ataque, diversos rumores indicam que os especialistas em segurança contratados pela Sony ligaram o incidente ao grupo de hackers conhecido como DarkSeoul, que as autoridades sul-coreanas e americanas acreditam trabalhar para o governo norte-coreano.

E as novidades da Sony não acabam de chegar. Recentemente o grupo divulgou o roteiro do próximo filme do James Bond, além de mensagens de executivos da Sony com comentários ofensivos a Angelina Jolie e comentários racistas dirigidos ao presidente americano Barack Obama.

Poderia o lançamento de um simples filme motivar um ciber ataque tão destrutivo para os dados e para a imagem de uma empresa?

No início de 2014 um grupo de hackers do Iran, auto-identificado como "Anti WMD Team", invadiu e destruiu computadores e servidores da empresa Sands, uma gigante da indústria dos cassinos, dona dos luxuosos cassinos Venetian e Palazzo, em Las Vegas, entre outros. O ataque, batizado de Yellowstone 1, foi uma vingança a comentários do CEO da empresa durante um debate em Israel. Na ocasião, Sheldon Adelson disse que a melhor forma de negociar sobre o programa nuclear Iraniano seria jogar uma bomba atômica no deserto e ameaçar joar a próxima em Terã, caso o governo não desista de seus planos.

Durante o ciber ataque foram roubados dados pessoais de empregados e, principalmente, foi executado um malware devidamente customizado para destruir todos os computadores e servidores da empresa: apagar os discos, sobrescrever os dados com bits aleatórios, e em seguida reiniciar os equipamentos. Incontáveis computadores e cerca de três quartos de servidores da empresa em Las Vegas foram destruídos. Estima-se que a recuperação de dados e reconstrução dos sistemas poderiam custar à empresa pelo menos 40 milhões de dólares.

Poderia uma frase de um diretor durante um debate motivar um ciber ataque tão destrutivo para os dados de uma empresa?
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