março 31, 2019

[Segurança] Camadas de Segurança, segundo Maslow

Perdido em um paper da ENISA sobre terminologia de ciber segurança ("ENISA overview of cybersecurity and related terminology"), achei um trecho muito interessante sobre como abordar as principais necessidades de proteção de dados, baseada na Pirâmide de Maslow.

A proposta é adequar a estratégia de segurança aos diferentes níveis de necessidade quando estamos no ciber espaço, e assim pensarmos em categorizar de forma hierárquica nossas principais necessidades.



Dessa forma, a proposta da ENISA é considerar segurança pensando nas necessidades básicas de conectividade e segurança do indivíduo, da União Européia até chegar no topo da pirâmide, que é a segurança da sociedade (direitos humanos e democracia).
  • Camada 1: Basic security protection ("Proteções básicas de segurança) - Diz respeito a segurança e os riscos dos cidadãos / usuários no espaço cibernético, uma necessidade fundamental para pensar em segurança de todo o ecossistema cibernético. Nesta camada, medidas preventivas incluem a educação, conscientização e "higiene cibernética" (boas práticas básicas de segurança, como uso de firewall, anti vírus e sempre aplicar as atualizações e patches em seus equipamentos);
  • Camada 2: Critical asset protection (Proteção de ativos críticos) - Aborda a protecção dor serviços essenciais, ou seja, a Proteção das Infraestruturas Críticas de Informações (Critical Information Infrastructure Protection - CIIP). Inclui a estruturação e cooperação dos CSIRTs, fornecendo bases para a sociedade e a economia funcionarem;
  • Camada 3: Digital single market protection (Proteção do mercado único digital) - Esta camada representa a necessidade de proteger as empresas e seus negócios online, já que cada vez mais vemos a evolução das tecnologias e novas oportunidades para o desenvolvimento de negócios online. Com isso, a nossa dependência no ciber espaço aumenta, e consumidores e empresas podem ser impactados facilmente por ataques cibernéticos, crimes cibernéticos, sabotagem cibernética ou espionagem cibernética. Devem ser implementadas medidas de cibersegurança necessárias para apoiar as PMEs e empresas em geral e as PMEs;
  • Camada 4: Global stability protection (Proteção da estabilidade global) - Devemos manter a estabilidade da Internet frente a ameaças globais como guerra cibernética e espionagem cibernética, através de iniciativas de defesa cibernética baseadas em acordos internacionais através de regulamentações e acordos diplomáticos;
  • Camada 5: Democracy and human rights protection (Democracia e proteção dos direitos humanos) Envolve a proteção dos direitos humanos on-line, além da discussão sobre os impactos e aspectos éticos de novas tecnologias, produtos e serviços online. Nessa camada, devemos proteger os direitos humanos, as liberdades e a democracia no ciber espaço.
Segundo esse modelo, a segurança do ciber espaço é vista como o resultado de proteções que devem ser aplicados em vários níveis, partindo do indivíduo, passando pelos negócios e pelos governos até chegar na sociedade. A proteção do cidadão e das infraestruturas críticas é a base fundamental para o sucesso da sociedade digital, ainda mais se pensarmos em um contexto globalizado. Esse modelo, pensado inicialmente pela Enisa do ponto de vista da União Européia, certamente se aplica a uma escala global.

Curiosamente, há alguns anos atrás o meu amigo Fernando Fonseca também pensou em como associar a Pirâmide de Maslow as necessidades de de segurança durante um processo de continuidade de negócios. O seu artigo "Aplicando a pirâmide de Maslow ao Business Continuity Plan", escrito em 2007, usa uma abordagem totalmente diferente da ENISA. Ele discute como as necessidades humanas, em um momento de crise, devem ser levadas em consideração em nosso planejamento de BCP.

março 15, 2019

[Cyber Cultura] Arduino Day

Todo ano é realizado o Arduino Day, um dia para troca de conhecimentos sobre o Arduino, a principal plataforma de hardware aberto usada hoje em dia.

Neste ano, o Arduino Day acontece neste sábado, 16 de março. O site lista 655 eventos acontecendo simultaneamente em todo o mundo, em 105 países!


Então, que tal começar pelo vídeo abaixo, do canal Manual do Mundo, que dá uma visão rápida do que é, como funciona e o que você pode fazer com o Arduino?


Procure no site do Arduino Day se tem algum evento perto de você!

março 14, 2019

[Segurança] A internet sob ataque!

Corram para as montanhas!!!

Nesta quarta-feira, 13/02, ouvimos vários relatos de que o Facebook, Instagram e Whatsapp estavam fora do ar. De fato, em vários momentos durante o dia o acesso estava lento ou difícil. Em um determinado momento, eu percebi que não conseguia postar comentários no Facebook (embora continuasse navegando da rede social) e por muito tempo eu fiquei com dificuldade para enviar fotos no Whatsapp (embora as mensagens de texto fossem enviadas normalmente).


As suspeitas podiam ser validadas pelo site Downdetector.com, que mostrava, de faro, que haviam muitos reports de que o Facebook estava fora do ar.


Preocupante? Veja então o "alerta" que recebi em um grupo no Whatsapp:
"Um mega ataque hacker ocorrendo....
Orientamos que evitem usar internet banking e coisas que envolvam uso de cartões...
Pelo menos até amanhã."
"Especialistas" confirmaram o problema:


No twitter, o pessoal usou a hashtag #facebookdown para compartilhar memes :D

Mas, falando um pouco sério, o dashboard da página do Facebook para desenvolvedores também mostrava que, de fato, havia algum problema de disponibilidade:


PS: O screenshot acima eu tirei enquanto escrevia este artigo, está "fresquinho".

A causa do problema? Não há nenhuma explicação oficial, mas durante o dia eu vi e ouvi várias versões:
  • O Facebook estava sofrendo um grande ataque DDoS;


  • Foi um ataque DDoS da China contra os EUA;
  • Foi um DDoS feito por hackers russos;
  • Recebi em vários grupos um screenshot do Digital Attack Map mostrando o ataque DDoS vindo da China.
    • Mas pelo jeito ninguém percebeu dois detalhes: a data era de 12/03, o dia anterior ao ataque, e o maior volume de tráfego estava na Europa, e muito pouco nos EUA, aonde eu suponho que fiquem os datacenters principais do Facebook;


  • Vi compartilharem um post do próprio Facebook: "More Details on Today's Outage". Por favor, note que ele é de 2010; 
  • Vi um post dizendo que o Instagram, Facebook e whatsapp estariam fora porque o Facebook "colocou um treco pra analisar as fotos pra saber se são fake" e isso causou instabilidade nos serviços dele;
  • Recebi um vídeo com uma reportagem da Globo, afirmando que o Whatsapp iria ficar suspenso por 48 horas por ordem da justiça;
  • Compartilharam fake news de que o Facebook, Instagram e WhatsApp foram bloqueados por tempo indeterminado em razão de ataque em Suzano;

  • Segundo o relato de um amigo, ele ouviu de uma senhora no terminal de ônibus contar que "o WhatsApp está assim depois da tragédia de Suzano. Ela ligou pro marido e começou a explicar que eram muitas publicações e vídeos sobre a tragédia e isso travou o WhatsApp no Brasil".
Dentro dos próximos dias devemos saber a causa desse problema. No momento em que estou escrevendo esse post, não encontrei nenhuma fonte confiável para alguma explicação razoável (nem nas páginas do Facebook). Por isso me diverti coletando as especulações acima, e vendo como as pessoas não se preocupam em checar a fonte ou o tipo de informação que espalham.


No dia seguinte o Facebook disse que o problema foi causado por um errinho de configuração em seus servidores.


Isso não impediu que algumas piadas aparecessem:




Para saber mais:



OBS: Post atualizado em 31/03. Aproveitei e incluí alguns memes ;)

março 12, 2019

[Cyber Cultura] 30 anos de WWW

Há 30 anos atrás nasceu a World Wide Web (WWW, ou W3), uma forma de estruturar um sistema distribuído de informações, em que os documentos estivessem dispostos em diferentes lugares, porém interconectados. Em um documento datado de "Março de 1989", o cientista Tim Berners-Lee descreveu uma proposta para gerenciar os documentos existentes no CERN (European Organization for Nuclear Research), de forma que eles permanecessem distribuídos entre vários sistemas, mas interligados por uma estrutura baseada em hipertexto.


Em pouco tempo, a sua visão foi além de um simples sistema para organização de artigos acadêmicos dentro de uma instituição de pesquisas, e foi a base de um sistema universal de compartilhamento de informações.

O conceito de "hipertexto" ("hypertext", em inglês) já existia, como  um termo cunhado para indicar um texto exibido numa tela de computador que possuísse links para outros textos e referências, de forma que o leitor pudesse acessá-los imediatamente. A sacada foi juntar o conceito de juntar informações no formato de hipertexto, mas usando a Internet para conectar documentos em computadores sites distintos. A Internet, na época, engatinhava como uma rede para conectar computadores e, principalmente, troca manual de arquivos ou troca de mensagens via e-mail e chat. 

A World Wide Web de Tim Berners-Lee cresceu baseado em três pilares: o conceito de URL (uniform resource locator), usado como um endereço para indicar o local do documento desejado, o protocolo HTTP (hypertext transfer protocol), para acesso aos conteúdos hospedados nos servidores (acesso aos sites e suas páginas web), e a linguagem HTML (hypertext markup language), utilizada para formatar o conteúdo das páginas Web e seus links.

A World Wide Web se popularizou e virou sinônimo de "Internet", hoje alcançando mais de 1,5 milhão de web sites em todo o mundo.


Veja algumas datas importantes:
  • 1965 - Ted Nelson cria o termo "Hypertext";
  • Março de 1989 - Sir Tim Berners-Lee apresentou sua primeira proposta para o que se tornou a World Wide Web, enquanto trabalhava no CERN. Ele reenviou uma versão ligeiramente editada em maio de 1990;
  • Novembro de 1990 - Tim Berners-Lee, juntamente com o colega do CERN, Robert Cailliau, apresentou uma proposta formal de gerenciamento para a "World Wide Web";
  • Dezembro de 1990 - Surge o primeiro browser, website e servidor do mundo, funcionando no CERN. Tim Berners-Lee já havia definido os conceitos básicos da Web (o HTML, o HTTP e a URL). O primeiro servidor web do mundo (info.cern.ch) rodou em um computador NeXT no CERN, e a primeira página web do mundo fornecia informações sobre o projeto da World Wide Web;

  • Agosto de 1991 - Tim Berners-Lee anunciou seu software WWW em newsgrups e o interesse pelo projeto se espalhou para além da comunidade de físicos. O primeiro anúncio aconteceu em 6 de agosto de 1991 no grupo alt.hypertext, de entusiastas sobre hipertexto. Ele descreveu o projeto e forneceu instruções para obter o software do CERN;
  • Dezembro de 1991 - Em 12 de dezembro de 1991, o primeiro servidor Web fora da Europa foi instalado no Stanford Linear Accelerator Center (SLAC) na Califórnia. Forneceu acesso a SPIERS, um banco de dados com informações para cientistas que trabalham em HEP (High Energy Physics), incluindo a capacidade de procurar publicações;
  • Janeiro de 1992 - O software WWW no CERN havia amadurecido desde um protótipo inicial até um serviço útil e confiável, em produção. Por meio de uma newsletter do CERN, milhares de cientistas aprenderam como poderiam usar a Web para acessar um conjunto útil de informações, por exemplo, números de telefone, endereços de e-mail, grupos de notícias, bem como documentação de computação e software;
  • Setembro de 1992 | O projeto já contava com um número pequeno, mas crescente, de servidores e navegadores Web, localizados principalmente em sites acadêmicos colaborando com o CERN;
  • Janeiro de 1993 - Primeiro pré-lançamento do navegador Mosaic, do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação (NCSA), na Universidade de Illinois. O primeiro lançamento oficial foi em 21 de abril de 1993, e rapidamente ganhou popularidade, tornando-se o navegador preferido, com sua interface gráfica fácil de usar e fácil instalação. Inicialmente funcionando em sistemas Unix com interface X-Window, as versões do Mosaic para PC e Mac surgiram no final daquele ano;
  • Abril de 1993 - O CERN emitiu uma declaração colocando a Web no domínio público. No final de 1993, havia mais de 500 servidores da Web conhecidos, e o WWW representava 1% do tráfego da Internet;
  • Dezembro de 1994 - A Web já contava com 10.000 servidores (dos quais 2.000 eram comerciais) e 10 milhões de usuários em todo o mundo;
  • Setembro de 2014 - A Web atinge a marca de 1 bilhão de websites.

O vídeo abaixo mostra uma breve história da web:


O vídeo abaixo mostra rapidamente como foi a evolução das tecnologias que nos fizeram chegar até a Internet que temos hoje:


Para saber mais:

março 08, 2019

[Cidadania] Donas da Rua

Não há melhor forma de celebrar o dia das mulheres do que divulgar a excelente campanha "Donas da Rua" criado pelo Mauricio de Sousa Produções, responsável pela nossa Turma da Mônica.

O projeto usa personagens femininos da Turma da Mônica para empedrar as meninas através de histórias e exemplos de mulheres e meninas do Brasil e do mundo. Com isso, eles querem mostrar que as mulheres podem exercitar seu direito de ser o que quiserem e ajudam elas a entender melhor conceitos como empoderamento e igualdade de oportunidades.


Entre outras coisas legais, no site eles contam a história de várias mulheres famosas e importantes, como a Ada Lovelace, com sua versão em personagem da Turma. E também tem alguns pôsteres muito legais, inclusive para colorir.


Nas palavras deles, "O projeto Donas da Rua acredita que as meninas fortes de hoje serão as mulheres incríveis de amanhã."

Vamos torcer para que essa iniciativa ajude a contribuir para que os direitos das meninas sejam respeitados, e que elas se sintam livres e capazes de ser o que quiserem ser.

fevereiro 26, 2019

[Carreira] Fintechs, Bancos Digitais e Open Banking

O mercado financeiro está passando por uma grande transformação, em todo o mundo. Esse movimento é fruto de uma grande necessidade de modernização dos produtos e serviços bancários, que demoraram para se adaptar ao público atual. Como resultado, os clientes estão insatisfeitos com os serviços dos bancos e procurando as chamadas "Fintechs".

Essa revolução tem três frentes, que estão acontecendo quase que simultaneamente, e em muitas vezes estão interligadas:
  • Fintechs - pequenas empresas, startups, que oferecem alguns tipos específicos de serviços financeiros. Normalmente não estão associados a alguma instituição financeira. O GuiaBolso, por exemplo, é uma Fintech que consolida dados de diversas instituições financeiras (bancos, operadoras de cartão, etc) e apresenta as informações de uma forma útil ao cliente final. Outro exemplo é o Nubank, uma Fintech voltada para serviços de cartões de créditos, e que está tentando ampliar seu portifólio; 
  • Bancos Digitais - um modelo de negócio das instituições bancárias baseado em uma operação e ciclo de relacionamento com o cliente 100% digital, sem interação física através de agências. Nesse modelo, todos os serviços bancários são apresentados totalmente on-line, aproveitando a flexibilidade de interação via canais digitais e ampla conveniência para o usuário;
  • Open Banking - modelo tecnológico e de negócios baseado na possibilidade de integração dos serviços bancários com terceiros, através de APIs abertas. A idéia é criar um novo ecossistema de negócios entre o banco e parceiros, com integração entre os sistemas de forma segura e controlada. Isso pressupõe uma grande mudança na mentalidade dos executivos e do corpo técnico dos bancos: menos competição com fintechs e mais cooperação para proporcionar uma experiência do usuário mais satisfatória, ágil e eficiente.
A tendência no mercado é que as grandes instituições financeiras comecem a oferecer um  marketplace de serviços financeiros, oferecendo novos serviços com extrema personalização. Além disso, elas aumentam a satisfação dos clientes, novo portifólio de serviços e passam a ter a possibilidade de monetizar uma série de serviços oferecidos pelos seus parceiros.

Como bem disse a Stefanini, o conceito de Open Banking, através da criação e disponibilização de informações através de APIs, está no "centro do que podemos chamar “API Economy” ou “Economia das APIs”, que faz referência a todo novo modelo de negócio gerado por meio do compartilhamento, integração e valoração de dados em um ecossistema digital que respeita a segurança da informação e as regulações vigentes".

Para saber mais:




OBS: Post atualizado em 08/05/19 para incluir mais algumas referências interessantes.

fevereiro 18, 2019

[Segurança] The Data Privacy Periodic Table

O pessoal de uma tal de Calligo (?) criou em setembro de 2018 um negócio bem legal: uma "tabela periódica da privacidade de dados" (veja a versão em pdf aqui).


Assim como na tabela periódica do mundo da química, eles definiram algumas características fundamentais e ordenaram os “elementos de privacidade de dados” de acordo com essas categorias. Tais características são:
  • "Fundamental principles of data protection": Os princípios fundamentais, como ética (E), relevância (Re), transparência (Ty), confidencialidade (C), etc sem os quais é impossível ter alguma lei sobre privacidade de dados;
  • "Independent bodies": As entidades regulatórias, que devem atuar de forma imparcial, neutra e objetiva na aplicação da legislação;
  • "Universal rights of the data subject" - Os direitos fundamentais que devem constar em uma legislação de privacidade de dados: acesso a informação (Ac), direito a ser informado (Ri) e ser esquecido (Rf), restrições ao processamento (Rp), remoção de conteúdo (Wt) e direito a objeção (Ob);
  • "Lawful justifications for processing": todos os requerimentos legais para um correto processamento da informação, tais como a existência de um contrato (Co) claro, o consentimento do usuário (Con) e um interesse legítimo (Li);
  • "Central components of data privacy": Os aspectos fundamentais da privacidade de dados, tais como Compliance (Com), escopo (S), privacidade by design (PbD), etc;
  • "Core legislation": Quais são as principais legislações existentes, desde a européia GDPR até a brasileira LGPD (na tabela representada pela sigla equivalente em inglês, GDPL), incluindo por outras legislações de vários países como o Japão(APPI) e Singapura (PDPA), entre outros;
  • "Future developments": Legislações e movimentações político-tecnológicas que podem impactar nas legislações de proteção de dados, tais como uma nova regulamentação na Índia (PDPB), os impactos do Brexit (BX) e até mesmo evolução da tecnologia de inteligência artificial (AI);
  • "Traits and skills of the most reliable privacy advisors": Os principais papéis e qualidades dos principais consultores e reguladores, tais como independência (In), papel consultivo (Ct), confiável (Re), honesto (H), com conhecimento jurídico (Lk) e técnico (Tk);
  • "Legislation and practices whose powers and requirements can conflict with data privacy": Quem e o que pode impactar de forma negativa a necessidade de privacidade de dados? Várias iniciativas governamentais, através de leis específicas, podem afetar negativamente o direito a privacidade. Foi incluído nessa lista, por exemplo, o famigerado "Patriot Act" americano (Pa), algumas legislações dos EUA e outros países e práticas de mercado como monitoramento de empregados (Em), background checking (Bc) e ferramentas de análise e monitoramento de clientes (KYC).

As categorias da tabela foram criadas de forma a imitar as características das categorias da tabela periódica original. Por exemplo, a extrema direita da tabela periódica original é reservada para os “gases nobres” - estáveis, inertes e neutros. Aqui, isso corresponde aos órgãos legislativos ou reguladores.

Veja também um paper interessante deles: "The 10 Myths & Fairy Tales of GDPR"


Guarde no seu bookmark: https://www.calligo.cloud/dptable

Para saber mais:

fevereiro 13, 2019

[Cidadania] A era do individualismo online

Há alguns anos foi divulgada uma charge que mostrava qual seria a reação das pessoas hoje em dia em um acidente: iriam preferir filmar e fotografar, em vez de se salvarem.


Infelizmente, nós vimos recentemente que essa charge não está tão distante da realidade quanto gostaríamos :(

Durante o triste acidente de helicóptero que causou a morte do jornalista Ricardo Boechat, dia 11/02, um vídeo gravado no momento do acidente mostra uma mulher, a vendedora Leilaine da Silva, heroicamente tentando salvar o motorista do caminhão que colidiu com o helicóptero. Leilaine contou que estava em uma moto pilotada pelo marido no momento do acidente e assistiu de perto a queda do helicóptero. Ela desceu da moto e correu para salvar a vida do motorista do caminhão, quebrando o vidro do caminhão com um capacete para retirar o motorista.

Um detalhe: enquanto Leiliane arriscava sua vida e pedia ajuda para socorrer o motorista, vários homens a sua volta apenas se importavam em filmar a cena, ao invés de ajudar.


O vídeo é impressionante e assustador, por mostrar a contraposição entre a coragem de poucos e a reação patética das pessoas que estavam mais preocupadas em gravar a cena do que socorrer o acidentado.

Se alguém tinha alguma dúvida, infelizmente acabamos de receber a prova de que atingimos a era da individualidade. As pessoas estão mais preocupadas em si mesmo, em buscar a fama pessoal, do que ajudar o próximo.


fevereiro 11, 2019

[Segurança] Uma Campus Party com muita segurança (cibernética)

Nesta semana, de 12/02 a 17/02, teremos mais uma edição da Campus Party Brasil (aqui em São Paulo).

Por isso eu quero destacar uma coisa muito legal que estou vendo acontecer na edição deste ano: a grande quantidade de atividades de segurança organizada por comunidades! Depois de dois anos de um hiato com raras atividades na grade, neste ano a programação está cheia e bem diversificada, graças a varias comunidades:
Há muitos anos eu vou na Campus Party Brasil (CPBR). Para ser mais preciso, desde a 2a edição e só faltei alguns poucos anos. O tema de segurança sempre esteve presente no evento, as vezes com maior ou menor destaque. Em 2010, por exemplo, o principal keynote do evento foi o Kevin Mitnick, para delírio da galera! Durante alguns anos a CPBR manteve um palco dedicado a redes e segurança, organizado pelo pessoal do NIC.br e CERT.br. Além disso, era comum ver uma parte do pessoal de segurança se encaixando na programação de outros palcos, geralmente junto ao palco de software livre.

Com a reorganização dos palcos em 2017 (ou 2018?) deixou de existir uma área dedicada a redes e segurança da informação. Mas mesmo assim, algumas poucas atividades aconteceram, ou espalhadas na grade geral ou na bancada que os hackerspaces brasileiros sequestram e se apropriam todos os anos.

No caso dos hackerspaces, nós ocupamos a CPBR desde o surgimento do Garoa, em 2011, e a partir de 2012 começamos a sequestrar uma bancada (ou meia bancada) dedicada para nós. Desde 2015 começamos a organizar a bancada do “Dumont Hackerspace”, ou seja, um espaço para juntar todos os participantes, interessados, e curiosos sobre hackerspaces de todo o Brasil. Sempre usamos esse espaço para atividades de eletrônica, programação, jogos, bate-papo e, claro, segurança. Em alguns anos organizamos também competições de CTF, com a ajuda do pessoal do CTF-BR.

Eu, particularmente, fico muito contente em ver a programação deste ano. Prefiro ver muitas atividades nascendo espontaneamente das comunidades do que serem oferecidos arbitrariamente por uma entidade. Não quero desmerecer o esforço do CERT.br, mas eles escolhiam as palestras com base na vontade deles e seus convidados, o que é bem diferente de ver um conteúdo escolhido pelas próprias pessoas que querem consumir esse conteúdo.

PS: Além disso, nesse ano teremos a segunda edição do "Campus Summit Executive", uma mini versão de 2 dias voltado para o público corporativo em parceria com a Daryus, nos dias 13/02 (palestras) e 14/02 (visita guiada no espaço da CPBR).

Mais informações:
PS/2 (adicionado em 12/02): Grade de Palestras da OWASP SP na Campus Party 2019

PS/3 (14/02): Adicionado link para as atividades da Flipside na CPBR. E seguem algumas fotos das comunidades no evento:


    

fevereiro 08, 2019

[Segurança] Devemos atropelar os idosos ou as crianças?

Um dos desafios éticos na construção dos veículos autônomos, ou talvez o maior desafio, é como deve ser tomada uma decisão em caso de risco aonde as duas opções são igualmente ruins.

Imagina a seguinte situação: você está dentro de seu carro autônomo, sem controle da direção. De repente, uma criança atravessa correndo na sua frente. O seu carro pode desviar dela, mas consequentemente ele vai sair da pista e atropelar um pedestre, ou bater em uma árvore.

E aí, #comofaz?

Esse caso, clássico, é conhecido como "Dilema do bonde" ("Trolley problem" em Inglês), que explora como os seres humanos tomam decisões éticas em situações de vida ou morte:
"Um bonde está fora de controle em uma estrada. Em seu caminho, cinco pessoas amarradas na pista por um filósofo malvado. Felizmente, é possível apertar um botão que encaminhará o bonde para um percurso diferente, mas ali, por desgraça, se encontra outra pessoa também atada. Deveria apertar-se o botão?"

Li recentemente um artigo que citou um experimento aonde os entrevistados receberam duas opções de colisão, uma em que duas crianças correram para a estrada e outra em que iriam atingir dois pedestres idosos na calçada. O resultado foi o seguinte:
  • Mais da metade dos entrevistados (59%) disseram que se não tivessem outra opção, preferiam que o veículo optasse pela solução que colocasse o motorista (o próprio entrevistado) em perigo, sem arriscar mais vidas
  • 5% (um em cada 20 entrevistados) concordou que o veículo deveria atingir outra pessoa;
  • Os demais se sentiram incapazes de determinar qual ação o carro deveria tomar em qualquer cenário.
Um caso interessante aconteceu no início de 2018, em um acidente fatal durante os testes de um carro autônomo da Uber. O carro identificou uma pedestre atravessando na sua frente, em condições de baixa luminosidade, mas não evitou a colisão porque considerou um falso-positivo! Há também notícias de que, naquele teste, o carro não estava programado para desviar de forma autônoma.

O dilema é interessante e ainda deve dar muito pano para manga...

Vale a pena ler:


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