outubro 19, 2010

[Segurança] Guerra Cibernética

Nesta semana eu irei participar do Congresso Latino Americano de Auditoria de TI, Segurança da Informação e Governança (CNASI), onde vou apresentar uma palestra sobre Guerra Cibernética no dia 20 de outubro e também vou ministrar um curso sobre os riscos de Cloud Computing, no último dia do evento. O CNASI acontece de 19 a 21 de outubro no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

A guerra cibernética nada mais é do que a adaptação da doutrina de guerra para a Internet, ou seja, uma evolução natural do comportamento bélico do ser humano, que se adapta de acordo com o surgimento de novas tecnologias e novas fronteiras. A internet é considerada, hoje em dia, como o quinto "domínio" da guerra, após a terra, o mar, o ar e o espaço.

Durante a palestra "Prepare-se para a Guerra Cibernética", eu vou apresentar os principais conceitos sobre o assunto e vou comentar sobre as estratégias dos principais governos ao redor do mundo para enfrentar esta nova ameaça e dentro de um cenário que eu e alguns outros especialistas na área chamamos de "Guerra Fria Cibernética". Hoje, vários países estão investindo em desenvolver uma capacidade de ataque e defesa voltado para o cyber espaço, ao mesmo tempo que algumas instituições, como a ONU e a OTAN, estão discutindo a necessidade de se criar tratados de proteção e cooperação específicos para este cenário. Esta apresentação é uma evolução do debate que eu e minha amiga Kristen Dennesen preparamos para a edição do ano passado da Hackers to Hackers Conference (H2HC).

Há excelentes materiais e artigos online que ajudam a explicar o conceito de guerra cibernética, e quero listar a seguir alguns deles que tenho utilizado como base para minhas apresentações.
No dia 16 de Maio de 2011, o governo americano anunciou sua nova política para o Cyber Espaço, que inclui alguns pontos específicos sobre estratégia de guerra e defesa cibernétic. O documento, chamado "International Strategy for Cyberspace", foi anunciado no Blog da Casa Branca, no post entitulado "Launching the U.S. International Strategy for Cyberspace".

O governo brasileiro também possui uma estratégia específica para tratar o assunto da guerra cibernética, desde que o Ministério da Defesa aprovou a "Estratégia Nacional de Defesa", que definiu três prioridades estratégicas para as forças armadas: o espaço (sob responsabilidade da Aeronáutica), a tecnologia nuclear (sob os cuidados da Marinha) e o Ciber Espaço, sob responsabilidade do Exército. A coordenação das estratégias de segurança está a cargo do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações, em conjunto com as forças armadas, ABIN, Ministério da Justiça e Polícia Federal. O Exército Brasileiro está desenvolvendo um centro de guerra cibernética, chamado CDCiber (Centro de Defesa Cibernética), sob responsabilidade do "Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX)", comandado pelo general Antonino dos Santos Guerra Neto.

Além do material citado acima, o Coronel João Rufino de Sales, do Exército Brasileiro, apresentou recentemente uma palestra excelente sobre o assunto, que está disponível online e reproduzo abaixo.


Atualizado em 23/11: O vídeo abaixo é bem interessante, mostra uma apresentação do security guru Bruce Schneier sobre guerra cibernética e cyber crime, onde ele comenta sobre as principais novidades e assuntos sobre o tema.



Atualizado na madrugada de 30/11: Eu achei no blog Café com Italo Adriano um vídeo curto, porém muito interessante, que mostra os cadetes da academia militar americana de West Point realizando um treinamento para Guerra Cibernética, junto com outras academias e a NSA. Os militares simulavam um um país sob cyber ataque e treinavam técnicas de defesa e identificação dos ataques realizados pelos especialistas da NSA. O vídeo é bem interessante:


Atualizado em 01/12/2010: Publiquei no SlideShare a minha apresentação utilizada no CNASI-SP em Outubro de 2010.


Atualizado em 04/02/2011: Eu recomendo também a leitura do artigo "World leaders meet to discuss cyberwar rules of engagement"

Atualizado em 01 de Abril/2011: adicionei os artigos "Virtual war a real threat" e "Quando bits viram mísseis"

Atualizado em 20 de Abril de 2011: Adicionei os papers "Beyond Cyber Doom" e "Loving the Cyber Bomb? The Dangers of Threat Inflation in Cybersecurity Policy", além da notícia "U.S., Russian Officials Work to Define Cybersecurity Terms".

Atualizado em 25 de Maio: incluí o link para a nova política americana para o Cyber Espaço ("Launching the U.S. International Strategy for Cyberspace"). No dia 28/05 incluí o artigo "Did the US write Stuxnet? Deputy Defense Secretary won't deny it".

Em 01 de Junho, adicionei os artigos sobre a capacidade de guerra cibernética da Coréia do Norte e da Inglaterra, o artigo "a guerra virtual… pra valer", o "Cyber Combat: Act of War" e o artigo "Ciberpatriotas de 14 años" sobre o programa Cyberpatriot.

Atualizado em 09/06/2011, com dois artigos sobre os planos de lançar o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber) Brasileiro no segundo semestre de 2011 e um artigo sobre o "centro de defesa cibernética Alemã"

Atualizado em 22/06/2011: A BT divulgou o vídeo abaixo, com um trecho curto de uma apresentação do security guru Bruce Schneier com pontos muito interessantes sobre guerra cibernética, ghostnet, wikileaks e afins. Gostei especialmente do trecho em que ele comenta se as pessoas devem ter mais medo de um ataque através de bombas e aviões ou de um ataque por pendrives ("USB sticks"). Também aproveitei para adicionar dois artigos recentes sobre a estratégia do governo brasileiro.


Adicionados mais três artigos em 23/08/2011.

Atualização em 29/11/2011: adicionada a entrevista com o jornalista Misha Glenny

Atualizado pela última vez em 26/12/2013 15/12/2014 19/02/15 01/07/15 22/07/15.

Atualização em 09/09/15: que tal uma ótima charge sobre Guerra Cibernética?



Atualizado em 20/06/16.

Atualização em 23/07/16 para incluir algumas notícias e a palestra abaixo, apresentada no TED Global de Londres, em 2015, com o título "Governments don't understand cyber warfare. We need hackers".



Atualização em 16/08/16, 02 e 08/12/16.

Atualização em 20/02:2017: eu vi dois vídeos interessantes (e curtos) no canal da RSA Conference sobre guerra cibernética:




Atualização em 02/03/2017: Incluí uma notícia sobre os esforços de guerra cibernética da Rússia. Eu gostei da palestra "Cyberwar", apresentada pela Amy Zegart no TEDxStanford em Junho de 2015 (abaixo), embora em alguns momentos ela misture um pouco de guerra cibernética com ciber ataques em geral. O slide abaixo resume os principais pontos da palestra.



Post atualizado em 15/05/2017. Atualizado em 19/06/2017 e aprovei para separar as notícias genéricas em português das notícias e reportagens específicas sobre a capacidade de guerra cibernética do Brasil. Atualizado em 08/07 e 18/07/17. Atualizado em 08/09/17. Nova atualização em 11 e 14/10/17.

Atualização em 26/10/17: Recentemente eu assisti as três apresentações abaixo, que achei bem legais: "Cyberwar in 2020" (fala mais sobre política e sociedade do que guerra cibernética, mas é bem interessante), "Cyber-Apocalypse and the New Cyberwarfare" (meio obvia e, como o título sugere, é cheia de Buzzwords, mas como ela é curtinha, não chega a ser uma perda de tempo) - ambas são vídeos curtos da RSA Conference - e "The Militarization Of The Cyberspace And Why We Should Care About It", do Julio Cesar Fort.




Atualizado em 08/12/17. E em 11/03/18. Em 06/06/18 também.

Atualizado em 25/09/18. Atualização em 17/10/18, com mais alguns artigos e aproveitei para colocar todas as notícias específicas sobre os EUA em um bullet específico. Nova atualização em 21/11/18 e 14/12/2018.

Post atualizado em 29/12/18, para trazer aqui a nova Política Nacional de Segurança da Informação do governo Brasileiro (Decreto nº 9.637, de 26 de dezembro de 2018).

Atualizado em 14/01/2019.

Atualização em 18/01/19: O vídeo é de 2017, mas esse depoimento do Mikko Hypponen resume, de uma forma bem curta e objetiva, o que seria a próxima corrida cibernética. Artigo: "An internet security expert says a cyber arms race has just begun – and the big players might surprise you".


Post atualizado em 07/03/19, 02/05/19. Atualização em 09/05 para incluir a notícia do ataque de Israel em resposta a um ciber ataque do Hamas, e aproveitei para colocar um item específico para as notícias sobre Israel. Atualizado em 15/07/2019. Atualizado em 06, 07, 08, 09 e 14/01/2020.

Post atualizado em 22/01/2020 para citar o excelente verbete na Wikipedia sobre Cyberwarfare e o artigo sensacional da Wired "The WIRED Guide to Cyberwar". Ambos são muito completos e detalhados, leitura obrigatória. Atualizado novamente em 28/01, 18/04, 23/06 e 12/08.

Atualização em 13/08: A Compugraf criou um pequeno vídeo com uma timeline dos principais ataques relacionados a guerra cibernética e ciber espionagem. Eles também tem um pequeno vídeo que explica didaticamente o que é guerra cibernética.


Post atualizado em 03 e 04/09, em 02/12/2020.

Atualização em 22/10: O vídeo abaixo mostra de uma forma clara e objetiva quais são os 7 principais países no campo da guerra cibernética ("Top 7 Most Elite Nation State Hackers"):


Post atualizado em 09/02/2021, 12, 13, 25 e 30/04. Atualizado em 03 e 13/05, em 19/07, 24 e 26/08/2021. Atualizado em 21/03 e 01/04/2022. Atualizado em 06/09, em 06 e 14/10/2022, em 07/11 e em 14+20/12. Atualizado em 09 e 11/04/2023, em 10+12/06 e 24/07, 03/08, 01+12+20+29/09 e 27/11.

Atualização em 09/04/21: Essa tese do Mohan B. Gazula M.S. em Computer Science da Boston University, apresentada em 2017 no MIT, traz uma visão dos principais conflitos de guerra cibernética que já aconteceram: "Cyber Warfare Conflict Analysis and Case Studies".

Atualização em 06/09/22: Em 2022 o mundo presenciou um cenário de guerra cibernética associado ao conflito entre a Rússia e Ucrânia. Eu fiz um apanhado do assunto nesses posts, aqui no blog:
Atualização em 18/12/2023: Veja essa palestra do Mikko Hypponen, sobre a ciber guerra na Ucrânia: "Ctrl-Z".


Post atualizado em 09/01/2024. Atualizado em 28/01/2025 e 28/01/2026. Atualizado novamente em 14/02 e 10 e 11/03.

Atualização em 20/03/26: Acabamos de presenciar o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem sido acompanhada de um forte componente cibernético. Eu fiz um post sobre o assunto, que inclui uma coletânea de notícias e relatórios:
A propósito, você concorda com essa comparação entre armas cibernéticas e armas convencionais?


OBS (20/03/26): De repente, e sem nenhum sentido, não é que o Google resolve censurar esse post, alegando que ele fere a política da comunidade? Bizarro.


Post atualizado em 30 e 31/03, em 10/06.

    [Segurança] Campanha sobre Uso responsável da Internet

    A Safernet e o Ministério Público criaram um vídeo muito bem feito para promover uma campanha de conscientização sobre o uso seguro, responsável e ético da Internet. O vídeo é bem curto, simples e objetivo: ele mostra uma pessoa utilizando a Internet com várias identidades diferentes, provavelmente para enganar as pessoas com quem está se comunicando, e mostra a frase "Na Internet é assim. Você nunca sabe com quem está falando".



    O vídeo está sendo vinculado em emissoras de televisão do Brasil e pretende sensibilizar a sociedade sobre o risco de compartilhar suas informações com outras pessoas via Internet, e privacidade. Assista o vídeo e ajude a divulgar.

    outubro 01, 2010

    [Segurança] Redes sociais sob ataque

    Estes últimos dias foram muito intensos para as redes sociais, que sofreram vários tipos de ataques e foram utilizadas por cyber criminosos para espalhar suas ameaças. O portal G1 publicou um artigo, entitulado "Falhas mostram despreparo de sites de redes sociais" que resume os principais incidentes recentes. Estas falhas recentes no Orkut, Twitter e no YouTube, permitem a criminosos virtuais disseminar links nessas redes, que podem direcionar as vítimas a outros sites contendo vírus e códigos maliciosos.

    Uma das falhas que atingiu o Twitter permitiu que um verme ("worm") publicasse mensagens ("tweets") nas contas das vítimas no Twitter que simplesmente dizia "WTF?" (sigla, em inglês, para "What a F*?", ou "Que raios é isso?" - esta é apenas uma entre as possíveis traduções) e incluiu um link que permitia infectar o usuário e publicar a mesma seqüência de mensagens em sua conta no Twitter. O vírus foi informalmente batizado de “#wtfworm”.

    Em uma semana marcada por tantos problemas de segurança nas redes sociais, até mesmo o Facebook ficou fora do ar por algumas horas, o que causou várias reclamações, levantou várias suspeitas e causou impacto no volume de dados trafegado na Internet.

    Com a popularização do uso das redes sociais, elas atraíram milhões de usuários e, na carona, diversos cyber criminosos, que estão cada vez mais utilizando-as para propagar mensagens contendo códigos maliciosos, entre outros tipos de crimes. O Twitter, por exemplo, já tem 96 milhões de usuários no mundo e o Facebook tem quase 600 milhões de usuários, o que corresponde a uma população maior que quase todos os países - nessa conta, o Facebook fica atrás apenas da China e Índia.

    setembro 24, 2010

    [Segurança] Vídeo de ladrões roubando dados de caixas eletrônicos

    A revista Wired, da qual sou fã, publicou uma reportagem sobre um vídeo, obtido por policiais, que mostra como os criminosos agem para capturar senhas de usuários de caixas eletrônicos na Inglaterra. Embora este crime tenha acontecido lá, esse golpe é extremamente comum em todo o mundo, inclusive no Brasil.

    O vídeo exibido no artigo "Video: Bank Customers Foil ATM Skimmer" foi gravado por criminosos a partir de uma câmera que eles instalaram para capturar dados dos usuários de um caixa eletrônico. O vídeo mostra como eles instalavam os dispositivos conhecidos no Brasil como "chupa-cabra", que neste caso eram formados por um leitor falso de cartões (que, quando colocado na abertura do cartão permite copiar os dados da tarja magnética) e uma câmera colocada sobre o teclado, para gravar quando os clientes digitam suas senhas.



    O vídeo é bem interessante pois mostra os bandidos instalando o "chupa-cabra". O vídeo também mostra claramente quando os clientes digitam suas senhas e como o simples ato de esconder a digitação da senha é eficaz contra esse tipo de golpe.

    agosto 30, 2010

    [Cybercultura] Nasce o Hackerspace em São Paulo

    Após algums meses de muitas idéias, conversas e algumas negociações, na semana passada tomamos posse da sala que vai sediar o primeiro Hackerspace brasileiro, em São Paulo.

    Para quem não conhece a idéia, os HackerSpaces são locais físicos onde os amantes da tecnologia podem se encontrar e desenvolver projetos livremente. O Hackerspace permite que pessoas com conhecimentos distintos proponham projetos e trabalhem em conjunto, unindo suas idéias e experiências. Os membros tem o espaço a disposição para desenvolver projetos individualmente ou em grupo. Os diversos HackerSpaces existentes no mundo servem justamente como um ponto de encontro, de socialização e de troca de conhecimento. Os Hackerspaces são multidisciplinares - qualquer projeto ou idéia relacionado a tecnologia ou aplicação da tecnologia é bem vindo. Lá convivem estudantes e profissionais, especialistas em informática, engenharia elétrica, robótica, desenvolvimento, segurança da informação ou qualquer outra área.

    O Hackerspace também é um espaço onde podemos resgatar o conceito original da palavra "hacker": um expert e apaixonado por tecnologia, na maioria das vezes autodidata, que gosta de "fuçar" e pesquisar para aumentar o seu conhecimento e buscar novos desafios.

    O HackerSpace de São Paulo tem um site provisório no NING que utilizamos para trocar idéias e planejar a criação do HackerSPace paulista, e que já conta com mais de 100 pessoas cadastradas (mais precisamente, 119 na data de hoje - 30 de agosto) e várias pessoas colaboraram ativamente para fazer este projeto virar realidade.

    O HackerSPace está ocupando uma sala na Casa da Cultura Digital, um espaço muito legal que fica no centro de São Paulo, perto do metrô República. A Casa da Cultura Digital é um espaço que hospeda diversas organizações ligadas de alguma forma à cultura digital, ONGs, INGs e empresas, e que foi criado com a intenção de permitir naturalmente a convivência e a troca de idéias, projetos e de pessoas.

    A Casa da Cultura Digital promove alguns eventos e iniciativas relacionados a cyber cultura digital no Brasil, e o fato de estarmos com o HackerSpace lá poderá permitir uma grande integração entre o conhecimento técnico dos membros do Hackerspace com esses grupos e fomentar a aplicação da tecnologia em projetos culturais.

    Atualização em 23/11:
    Em outubro o hackerspace ganhou o nome definitivo de Garoa Hacker Clube, e ganhou um site novo.

    agosto 20, 2010

    [Segurança] O perigo de se expor em redes sociais

    Eu estava visitando o blog do Dr. Mariano e vi um post muito interessante, entitulado "O perigo de suas informações pessoais na internet!", que fala sobre os perigos relacionados as informações que as pessoas publicam inocentemente em seus perfis nas redes sociais e que podem ser usadas por criminosos contra elas próprias. Segundo o artigo do Delegado Mariano, cerca de quatro em cada dez pessoas que usam redes sociais (como Orkut, Facebook e o Twitter) publicam comentários específicos sobre seus planos para feriados e um terço faz atualizações durante seus passeios num final de semana. "Essa falta de cuidado pode facilmente fazer com que criminosos descubram os interesses das pessoas, localização, movimentos e se estão fora de casa", ele completa.

    Na verdade, este artigo faz referência a uma reportagem do Fantástico que foi ao ar no começo do mês (e eu não a tinha visto até então) e a um artigo no UOL.

    A reportagem do Fantástico, chamada "Quadrilha escolhia vítimas para sequestro pela internet, diz polícia", foi ao ar no domingo dia 01 de agosto e mostra uma quadrilha paulista que sequestrava jovens e que escolhia suas vítimas através das redes sociais. Eles procuravam usuários que mostravam sinais de riqueza em seus perfis, principalmente através das fotos de suas casas e de viagens para o exterior. Depois, os membros da quadrilha começavam a frequentar os mesmos bares e danceterias da vítima escolhida para ter certeza da situação financeira da família.

    A quadrilha era violenta. A reportagem mostra o momento considerado o mais tenso das negociações, quando o sequestrador ameaçou cortar uma orelha ou um dedo do estudante. Segundo as investigações, em um mês a quadrilha praticou dois sequestros e já possuía uma lista de novas vítimas. (veja a reportagem abaixo)



    Recentemente, a Folha.com também publicou uma reportagem sobre Quadrilhas que monitoram perfis no Twitter e detectam oportunidades para roubar residências. As quadrilhas, no caso, atuam nos Estados Unidos, Holanda e México, mas nada impede que quadrilhas brasileiras façam o mesmo.

    "Perceba a crueldade e a violência com que agem os criminosos mostrados na reportagem e as graves consequências do que pode acontecer pela falta de controle de informações na internet."
    Delegado José Mariano de Araujo Filho


    As recomendações são muito simples: devemos sempre evitar publicar dados pessoais na Internet, seja no perfil de redes sociais, através de comentários nos quadros de mensagens (o "scrapbook" do Orkut, por exemplo) ou em mensagens do Twitter. Nunca divulgue publicamente seu endereço e telefone. Também evite publicar fotos suas que mostrem alguma ostentação. Evite também aceitar o convite de amizade de alguém que você não conheça. Por último, use os controles de privacidade existente nas redes sociais para definir quem pode visualizar os seus dados e suas fotos, e permita o acesso somente para o seu grupo de amigos, aqueles que você conhece.

    agosto 19, 2010

    [Cidadania] Discriminação

    O programa jornalístico "A Liga" da TV Bandeirantes levou ao ar no dia 16 de agosto de 2010 um programa muito interessante sobre discriminação e preconceito no Brasil.

    O programa mostou como o povo brasileiro, em geral, é preconceituoso e não sabe respeitar as diferenças e as individualidades do próximo. e o preconceito no Brasil tem vários motivos: cor, raça, religião, condição social, opção sexual ou doença. De uma forma que as vezes era até até exagerada, o programa expunha pessoas comuns a situações em que elas naturalmente mostravam seu preconceito, e muitas vezes admitiam isso claramente.

    "A maioria [das pessoas] manifesta [seu preconceito] de forma indireta e não tem consciência do seu grau de preconceito."

    Gustavo Venturi, Professor de Sociologia


    O programa, como disse, foi bem interessante e abordou vários casos reais, como do rapaz de cor que foi parado pela Rota em São Paulo quando voltava do serviço e levou dois tiros enquanto estava deitado no chão aguardando ser interrogado (o pior foi ele contando que, quando os policiais perceberam o erro, se questionaram o que fazer com ele - se o matavam ou não), do rapaz que foi barrado na porta da balada por não aparentar ser de classe média-alta, do casal homossexual que não pode se acariciar em público, do gerente de sistemas que foi demitido quando se descobriu portador do vírus HIV e da criança que não foi aceita na escola por ter síndrome de Down. Os exemplos foram vários (incluiu até mesmo um anão e um idoso), e tenho certeza que eles não tiveram dificuldade em achar tantas vítimas nem tantas situações em que o preconceito era tão evidente.

    "Também não são raras situações discriminatórias com pessoas doentes, como as portadoras do vírus HIV. Ao acreditar em mitos, como a transmissão pelo ar ou através de um abraço ou aperto de mão, muitos adotam uma postura preconceituosa. Além de constrangimento, é um ato que gera sofrimento para o doente como para as famílias."


    O programa também deixou claro que a raiz de tanta discriminação no Brasil é a falta de educação e de informação da população, que não sabe respeitar nem entender as diferenças.

    "A falta de informação gera preconceito, que gera discriminação."


    O interessante é comparar a situação no Brasil com os EUA, principalmente no que se trata do preconceito de raça. Lá, nos EUA, existe muito preconceito, com a diferença que aqui no Brasil a discriminação é mais velada, mais sutil, enquanto lá é mais explícito - embora o americano se esforce em passar uma imagem de tolerância, de "politicamente correto". Lá, existe segregação, e aqui existe o desrespeito e a intolerância. Lá existem os bairros dos negros e os bairros dos brancos, e não é tão comum encontrar casais inter-raciais quanto aqui.

    Aí vai uma dica: antes de fazer algum comentário sobre outra pessoa, substitua a palavra que você for utilizar para se referir a ela por "negro" ou "minha mãe". Se o resultado parecer ofensivo, talvez seja melhor não abrir a boca e guardar o comentário para si. (Por exemplo, em vez de dizer que "viu um casal homossexual se beijando" ou "não gostaria que aquela criança deficiente frequentasse a aula com meu filho", pense na frase "vi um 'casal de cor' se beijando" ou "não gostaria que a 'minha mãe' frequentasse a aula com meu filho". As frases não ficaram mais ofensivas?).
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