novembro 23, 2010

[Cybercultura] Fatos interessantes sobre redes sociais

O site Social Media Today publicou recentemente uma lista com vários "fatos fascinantes" sobre as mídias sociais durante o ano de 2010 ("Fascinating Social Media Facts of Year 2010").
Segue abaixo alguns dos dados mais interessantes, na minha opinião:
  • Facebook, Blogspot e MySpace são os sites mais visitados por menores de 18 anos.
  • 24 dos 25 maiores jornais estão experimentando queda de circulação, pois a notícia chega primeiro aos usuários em outros formatos.
  • Em um levantamento por amostragem de 2.884 pessoas em 14 países, 90% dos participantes conhecem pelo menos um site de rede social e 72% estão ativos em pelo menos 1 site de relacionamento (os três países no topo foram o Brasil com 95%, os EUA com 84% e Portugal com 82%). Em média, os usuários fazem login duas vezes por dia em sites de redes sociais e tem cerca de 195 amigos.
  • O Facebook é a maior rede social do munco, com mais de 500 milhões de usuários. Se o Facebook fosse um país, seria o terceiro maior país do mundo, atrás apenas da China e Índia.
  • Em média, os usuários do Facebook estão ligados a 80 páginas de comunidades, grupos e eventos, e criam 90 peças de conteúdo a cada mês.
  • O YouTube recebe mais de 2 bilhões de espectadores a cada dia, sendo que a cada minuto os usuários publicam 24 horas de vídeos.
  • Os vídeos de música representam 20% de uploads no YouTube.
  • Para assistir todos os vídeos no YouTube atualmente, uma pessoa teria que viver por cerca de 1.000 anos.
  • Existem mais de 181 milhões de blogs.
  • Um em cada cinco blogueiros publicam atualizações de seus blogs diariamente (infelizmente eu não faço parte dessa estatística).
  • 80% das companhias usam o LinkedIn como uma ferramenta de recrutamento.
  • 73% dos usuários da Wikipedia editam o site porque querem compartilhar conhecimento, e 69% dos usuários o fazem para corrigir erros.
  • O mau tempo resulta normalmente em um maior número de atualizações na Wikipédia.

novembro 10, 2010

[Segurança] Cyber Crime no Brasil

Recentemente eu estava pesquisando algumas notícias sobre crimes cibernéticos e fraudes de cartão de crédito no Brasil e achei um artigo muito interessante no Jornal de Uberaba, entitulado "No Brasil, o crime compensa", onde o autor, Carlos Paiva, discute como funciona o crime cibernético no Brasil, além de questionar a eficiência das autoridades e discutir os motivos e falhas institucionais que fomentam o crime.

"O homem foi à lua, mas não consegue acabar com as fraudes bancárias envolvendo cartões."
Carlos Paiva


Em um determinado momento, o artigo descreve muito bem as principais características do crime cibernético no Brasil, que eu transcrevo abaixo, misturado com algumas observações e comentários meus:
  • Não existe lei específica para os crimes cibernéticos, e por isso o bandido sabe que o risco de ser preso é baixo e compensa, pois as penalidades também são insignificantes. Devido a falta de leis específicas, geralmente os criminosos cibernéticos são enquadrados com base em crimes tradicionais que sejam semelhantes, como furto ou estelionato. Isto acaba por complicar o processo de acusação e o julgamento, pois todo o processo fica dependendo da habilidade dos advogados em traçar o paralelo entre o crime real e o virtual, além de depender da correta interpretação do juiz.
  • O capital para iniciar no cyber crime é insignificante perto dos lucros. O autor dá um exemplo: o criminoso pode investir cerca de R$ 5 mil e no final do mesmo dia pode obter facilmente três vezes este valor, ou mais. Este é o custo médio de um equipamento chupa-cabra, utilizado para clonar cartões em caixas eletrônicos ou em lojas, que pode ser adquirido no mercado negro ou feito em casa. Este é um negócio onde o lucro é real, fácil e não existe risco nem impostos.
  • A descrição do perfil dos cyber criminosos que o autor apresenta é similar com a descrição apresentada pelas principais autoridades. Em sua maioria, os especialistas em fraude eletrônica são jovens, inteligentes, e muitas vezes de classe média. É comum a polícia divulgar fotos destes criminosos muito bem vestidos, com bebidas caras e veículos imponentes. Conforme descreve o autor, alguns cyber criminosos se apresentam como pequenos comerciantes, empresários ou como profissionais liberais, e em alguns casos usam negócios de fachada para lavar dinheiro.


O autor também discute como poderia ser fácil para a polícia identificar os criminosos virtuais devido ao alto movimento de dinheiro ilícito, e eventualmente condená-los ao menos por fraude fiscal e enriquecimento ilícito. O autor, em vários momentos, critica a ineficiência dos bancos e das autoridades policiais (tanto a polícia federal quanto as polícias estaduais), mas nesse ponto eu discordo totalmente do artigo. Na minha opinião, e pelo o que eu tenho acompanhado até hoje, os bancos e as autoridades policiais tem se esforçado muito em combater o crime virtual. Infelizmente, temos a impressão de que isso não acontece, e acredito que essa sensação de impotência e ineficiência é causada por vários fatores, dentre os quais eu destaco a ineficiência na condenação dos criminosos (principalmente devido ao nosso sistema legal falho, na minha opinião), a falta de unidades de polícia especializadas em crimes cibernéticos em vários estados e a grande quantidade de criminosos - afinal, é muito fácil entrar no cyber crime. Há notícias de criminosos e quadrilhas especializadas em fraudes eletrônicas presas pela polícia quase diariamente, em várias cidades do país. Recentemente, por exemplo, policiais prenderam dois membros de uma quadrilha especializada em fraude de cartão de crédito atuando no Acre, conforme mostra a reportagem abaixo:



Um ótimo exemplo do cenário atual é o caso do criminoso Rodines Miranda Peres, que foi preso recentemente. Ele, na verdade, é considerado o primeiro criminoso cibernético identificado no Sul do país, em 1999, e embora tenha sido preso e condenado (em 2004), continuava na ativa até hoje - 11 anos depois de começar sua carreira no crime. Segundo outra notícia, ele foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por estelionato e tem outra condenação de sete anos de prisão, mas conseguiu o direito de responder em liberdade.

Atualização em 10/11/2010:

Após eu publicar este artigo, vi a notícia de que hoje a Polícia Federal realizou uma operação contra uma grande quadrilha especializada em crimes cibernéticos, que era baseada no Ceará. A operação, chamada "operação Firewall", incluía a execução de 15 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão. As autoridades estimam que o grupo roubou cerca de R$ 3 milhões no período de aproximadamente um ano, através de Trojans bancários (os programas que espionam os computadores das vítimas para roubar as senhas e dados pessoais) distribuídos por e-mails de phishing. A operação é resultado de uma parceria firmada entre a Caixa Econômica Federal (CEF) e a PF, o que mostra o interesse claro dos bancos e das autoridades policiais em combater o cyber crime.

Além disso, o jornal Pantanal News, de Campo Grande, divulgou que 16 pessoas foram à Polícia denunciar golpes em caixas eletrônicos em um único dia, naquele estado. É um número assustador, que mostra a grande quantidade de crimes e de vítimas.

As fraudes eletrônicas (que inclui fraudes em contas de Internet Banking, caixas eletrônicos e clonagem de cartões de crédito e débito) estão espalhadas por todo o Brasil. Por isso, precisamos ter muito cuidado quando utilizamos a Internet ou realizamos pagamento com cartões.

outubro 26, 2010

[Segurança] Ainda sobre Guerra cibernética

Recentemente saiu uma reportagem sobre Guerra Cibernética no jornal Correio Brasiliense, que também foi replicada no Diário de Pernanbuco que dá destaque ao assunto e ao recente investimento do exército em treinamento para capacitar seus membros em guerra cibernética. A reportagem foi parcialmente baseada em uma entrevista que dei para a repórter sobre o tema durante o CNASI em virtude da palestra que ministrei lá no evento.

A reportagem, entitulada Exército brasileiro faz acordo com empresa de segurança virtual e começa a treinar seus primeiros "ciberdefensores" é bem interessante, e quero destacar alguns trechos mais interessantes do artigo:
  • “A guerra cibernética é a mais limpa e barata que existe. Eu sou civil, mas consigo imaginar qual o custo de lançar um míssil” (Eduardo D’Antona, Panda Security)
  • A ciberguerra pode se tornar mais uma ferramenta da guerra comum. “Na década de 1980, as nações discutiam se haveria guerra no espaço, assim como já ocorria na terra, no mar e no ar. (...) a internet vai se tornar mais um domínio para os conflitos, assim aconteceu com o espaço”.
  • A reportagem menciona o Stuxnet, e o define como sendo "o vírus mais sofisticado de todos os tempos, [que] se infiltrou em usinas nucleares do Irã." A sofisticação do Stuxnet é, sem dúvida, algo sem precedentes: entre outras coisas, ele explora quatro vulnerabilidades complexas para se infectar, classificadas como "zero days", utiliza dois certificados digitais falsos para se instalar no micro infectado, usa uma rede peer-to-peer para se comunicar com outras máquinas invadidas, e exige muito conhecimento do sistema industrial para o qual foi direcionado. Mas não podemos nos esquecer que o fato do alvo principal ser uma usina nuclear do Irã ainda é especulação. Muitos consideram como algo altamente provável, mas ainda é especulação.
  • O Stuxnet resume algumas das principais características das armas virtuais, e que foram apresentadas no artigo, como, por exemplo:
    • As armas cibernéticas são altamente sofisticadas e exigem o esforço de uma equipe de especialistas bem treinados. No caso do Stuxnet, “esse tipo de vírus afeta o sistema que controla as máquinas. Ele poderia, até mesmo, parar uma turbina” (André Carraretto, Symantec).
    • A grande dificuldade de saber a origem de um ataque virtual, devido a facilidade de se camuflar a origem de um ataque sofisticado. "Além disso, as diversas formas de camuflar a origem da ameaça complicam as investigações."
    • Em um ataque virtual, é muito difícil restringir a sua ação e evitar efeitos colaterais, atingindo países ou sistemas inocentes - e até mesmo aliados. No caso do Stuxnet, mais de 50 mil computadores foram infectados, e provavelmente só um computador representa o seu alvo final.
    • Também pode ser difícil identificar o alvo de um ataque virtual. Embora muitos computadores no Irã tenham sido infectados, a Índia também foi.

outubro 22, 2010

[Segurança] Cloud Security Alliance no Brasil

CSA Brazil
Há alguns meses atrás nós começamos a juntar um grupo de profissionais de segurança interessados no assunto de Cloud Computing (Computação em Nuvem) e, em maio deste ano, iniciamos o capítulo brasileiro da Cloud Security Alliance, uma entidade americana formada por empresas e profissionais voluntários que se interessam em pesquisar e compartilhar informações sobre a segurança da Computação em Nuvem.

Nesta semana nós tornamos público os primeiros frutos do nosso trabalho:



O Guia de Segurança para Áreas Críticas Focado em Computação em Nuvem é organizado em três seções com um total de 13 domínios, dos quais o primeiro domínio descreve os principais conceitos sobre Cloud Computing e os demais correspondem a distintas categorias de risco que devem ser consideradas. O guia aborda as diferentes arquiteturas de computação em nuvem, aspectos de governança e de operação para a implantação de um projeto de computação em nuvem com segurança, que incluem compliance, gestão de riscos, regulamentações legais, gerenciamento de acesso, virtualização, criptografia e proteção das aplicações na nuvem, entre outros. A tradução foi um trabalho meticuloso que consumiu 32 pessoas durante alguns meses. Acreditamos que esse documento vai permitir que muitos profissionais brasileiros se interessem e possam se aperfeiçoar neste assunto.

O lançamento do guia foi realizado oficialmente no dia 21 de outubro durante o CNASI, o Congresso Latinoamericano de Auditoria de TI, Segurança da Informação e Governança, com uma palestra do Leonardo Goldim, presidente do capítulo. Alguns sites como a Convergência Digital, ComputerWorld e o site baguete divulgaram o lançamento.

outubro 19, 2010

[Segurança] Campanha sobre Uso responsável da Internet

A Safernet e o Ministério Público criaram um vídeo muito bem feito para promover uma campanha de conscientização sobre o uso seguro, responsável e ético da Internet. O vídeo é bem curto, simples e objetivo: ele mostra uma pessoa utilizando a Internet com várias identidades diferentes, provavelmente para enganar as pessoas com quem está se comunicando, e mostra a frase "Na Internet é assim. Você nunca sabe com quem está falando".



O vídeo está sendo vinculado em emissoras de televisão do Brasil e pretende sensibilizar a sociedade sobre o risco de compartilhar suas informações com outras pessoas via Internet, e privacidade. Assista o vídeo e ajude a divulgar.

outubro 01, 2010

[Segurança] Redes sociais sob ataque

Estes últimos dias foram muito intensos para as redes sociais, que sofreram vários tipos de ataques e foram utilizadas por cyber criminosos para espalhar suas ameaças. O portal G1 publicou um artigo, entitulado "Falhas mostram despreparo de sites de redes sociais" que resume os principais incidentes recentes. Estas falhas recentes no Orkut, Twitter e no YouTube, permitem a criminosos virtuais disseminar links nessas redes, que podem direcionar as vítimas a outros sites contendo vírus e códigos maliciosos.

Uma das falhas que atingiu o Twitter permitiu que um verme ("worm") publicasse mensagens ("tweets") nas contas das vítimas no Twitter que simplesmente dizia "WTF?" (sigla, em inglês, para "What a F*?", ou "Que raios é isso?" - esta é apenas uma entre as possíveis traduções) e incluiu um link que permitia infectar o usuário e publicar a mesma seqüência de mensagens em sua conta no Twitter. O vírus foi informalmente batizado de “#wtfworm”.

Em uma semana marcada por tantos problemas de segurança nas redes sociais, até mesmo o Facebook ficou fora do ar por algumas horas, o que causou várias reclamações, levantou várias suspeitas e causou impacto no volume de dados trafegado na Internet.

Com a popularização do uso das redes sociais, elas atraíram milhões de usuários e, na carona, diversos cyber criminosos, que estão cada vez mais utilizando-as para propagar mensagens contendo códigos maliciosos, entre outros tipos de crimes. O Twitter, por exemplo, já tem 96 milhões de usuários no mundo e o Facebook tem quase 600 milhões de usuários, o que corresponde a uma população maior que quase todos os países - nessa conta, o Facebook fica atrás apenas da China e Índia.

setembro 24, 2010

[Segurança] Vídeo de ladrões roubando dados de caixas eletrônicos

A revista Wired, da qual sou fã, publicou uma reportagem sobre um vídeo, obtido por policiais, que mostra como os criminosos agem para capturar senhas de usuários de caixas eletrônicos na Inglaterra. Embora este crime tenha acontecido lá, esse golpe é extremamente comum em todo o mundo, inclusive no Brasil.

O vídeo exibido no artigo "Video: Bank Customers Foil ATM Skimmer" foi gravado por criminosos a partir de uma câmera que eles instalaram para capturar dados dos usuários de um caixa eletrônico. O vídeo mostra como eles instalavam os dispositivos conhecidos no Brasil como "chupa-cabra", que neste caso eram formados por um leitor falso de cartões (que, quando colocado na abertura do cartão permite copiar os dados da tarja magnética) e uma câmera colocada sobre o teclado, para gravar quando os clientes digitam suas senhas.



O vídeo é bem interessante pois mostra os bandidos instalando o "chupa-cabra". O vídeo também mostra claramente quando os clientes digitam suas senhas e como o simples ato de esconder a digitação da senha é eficaz contra esse tipo de golpe.

agosto 30, 2010

[Cybercultura] Nasce o Hackerspace em São Paulo

Após algums meses de muitas idéias, conversas e algumas negociações, na semana passada tomamos posse da sala que vai sediar o primeiro Hackerspace brasileiro, em São Paulo.

Para quem não conhece a idéia, os HackerSpaces são locais físicos onde os amantes da tecnologia podem se encontrar e desenvolver projetos livremente. O Hackerspace permite que pessoas com conhecimentos distintos proponham projetos e trabalhem em conjunto, unindo suas idéias e experiências. Os membros tem o espaço a disposição para desenvolver projetos individualmente ou em grupo. Os diversos HackerSpaces existentes no mundo servem justamente como um ponto de encontro, de socialização e de troca de conhecimento. Os Hackerspaces são multidisciplinares - qualquer projeto ou idéia relacionado a tecnologia ou aplicação da tecnologia é bem vindo. Lá convivem estudantes e profissionais, especialistas em informática, engenharia elétrica, robótica, desenvolvimento, segurança da informação ou qualquer outra área.

O Hackerspace também é um espaço onde podemos resgatar o conceito original da palavra "hacker": um expert e apaixonado por tecnologia, na maioria das vezes autodidata, que gosta de "fuçar" e pesquisar para aumentar o seu conhecimento e buscar novos desafios.

O HackerSpace de São Paulo tem um site provisório no NING que utilizamos para trocar idéias e planejar a criação do HackerSPace paulista, e que já conta com mais de 100 pessoas cadastradas (mais precisamente, 119 na data de hoje - 30 de agosto) e várias pessoas colaboraram ativamente para fazer este projeto virar realidade.

O HackerSPace está ocupando uma sala na Casa da Cultura Digital, um espaço muito legal que fica no centro de São Paulo, perto do metrô República. A Casa da Cultura Digital é um espaço que hospeda diversas organizações ligadas de alguma forma à cultura digital, ONGs, INGs e empresas, e que foi criado com a intenção de permitir naturalmente a convivência e a troca de idéias, projetos e de pessoas.

A Casa da Cultura Digital promove alguns eventos e iniciativas relacionados a cyber cultura digital no Brasil, e o fato de estarmos com o HackerSpace lá poderá permitir uma grande integração entre o conhecimento técnico dos membros do Hackerspace com esses grupos e fomentar a aplicação da tecnologia em projetos culturais.

Atualização em 23/11:
Em outubro o hackerspace ganhou o nome definitivo de Garoa Hacker Clube, e ganhou um site novo.

agosto 20, 2010

[Segurança] O perigo de se expor em redes sociais

Eu estava visitando o blog do Dr. Mariano e vi um post muito interessante, entitulado "O perigo de suas informações pessoais na internet!", que fala sobre os perigos relacionados as informações que as pessoas publicam inocentemente em seus perfis nas redes sociais e que podem ser usadas por criminosos contra elas próprias. Segundo o artigo do Delegado Mariano, cerca de quatro em cada dez pessoas que usam redes sociais (como Orkut, Facebook e o Twitter) publicam comentários específicos sobre seus planos para feriados e um terço faz atualizações durante seus passeios num final de semana. "Essa falta de cuidado pode facilmente fazer com que criminosos descubram os interesses das pessoas, localização, movimentos e se estão fora de casa", ele completa.

Na verdade, este artigo faz referência a uma reportagem do Fantástico que foi ao ar no começo do mês (e eu não a tinha visto até então) e a um artigo no UOL.

A reportagem do Fantástico, chamada "Quadrilha escolhia vítimas para sequestro pela internet, diz polícia", foi ao ar no domingo dia 01 de agosto e mostra uma quadrilha paulista que sequestrava jovens e que escolhia suas vítimas através das redes sociais. Eles procuravam usuários que mostravam sinais de riqueza em seus perfis, principalmente através das fotos de suas casas e de viagens para o exterior. Depois, os membros da quadrilha começavam a frequentar os mesmos bares e danceterias da vítima escolhida para ter certeza da situação financeira da família.

A quadrilha era violenta. A reportagem mostra o momento considerado o mais tenso das negociações, quando o sequestrador ameaçou cortar uma orelha ou um dedo do estudante. Segundo as investigações, em um mês a quadrilha praticou dois sequestros e já possuía uma lista de novas vítimas. (veja a reportagem abaixo)



Recentemente, a Folha.com também publicou uma reportagem sobre Quadrilhas que monitoram perfis no Twitter e detectam oportunidades para roubar residências. As quadrilhas, no caso, atuam nos Estados Unidos, Holanda e México, mas nada impede que quadrilhas brasileiras façam o mesmo.

"Perceba a crueldade e a violência com que agem os criminosos mostrados na reportagem e as graves consequências do que pode acontecer pela falta de controle de informações na internet."
Delegado José Mariano de Araujo Filho


As recomendações são muito simples: devemos sempre evitar publicar dados pessoais na Internet, seja no perfil de redes sociais, através de comentários nos quadros de mensagens (o "scrapbook" do Orkut, por exemplo) ou em mensagens do Twitter. Nunca divulgue publicamente seu endereço e telefone. Também evite publicar fotos suas que mostrem alguma ostentação. Evite também aceitar o convite de amizade de alguém que você não conheça. Por último, use os controles de privacidade existente nas redes sociais para definir quem pode visualizar os seus dados e suas fotos, e permita o acesso somente para o seu grupo de amigos, aqueles que você conhece.

agosto 19, 2010

[Cidadania] Discriminação

O programa jornalístico "A Liga" da TV Bandeirantes levou ao ar no dia 16 de agosto de 2010 um programa muito interessante sobre discriminação e preconceito no Brasil.

O programa mostou como o povo brasileiro, em geral, é preconceituoso e não sabe respeitar as diferenças e as individualidades do próximo. e o preconceito no Brasil tem vários motivos: cor, raça, religião, condição social, opção sexual ou doença. De uma forma que as vezes era até até exagerada, o programa expunha pessoas comuns a situações em que elas naturalmente mostravam seu preconceito, e muitas vezes admitiam isso claramente.

"A maioria [das pessoas] manifesta [seu preconceito] de forma indireta e não tem consciência do seu grau de preconceito."

Gustavo Venturi, Professor de Sociologia


O programa, como disse, foi bem interessante e abordou vários casos reais, como do rapaz de cor que foi parado pela Rota em São Paulo quando voltava do serviço e levou dois tiros enquanto estava deitado no chão aguardando ser interrogado (o pior foi ele contando que, quando os policiais perceberam o erro, se questionaram o que fazer com ele - se o matavam ou não), do rapaz que foi barrado na porta da balada por não aparentar ser de classe média-alta, do casal homossexual que não pode se acariciar em público, do gerente de sistemas que foi demitido quando se descobriu portador do vírus HIV e da criança que não foi aceita na escola por ter síndrome de Down. Os exemplos foram vários (incluiu até mesmo um anão e um idoso), e tenho certeza que eles não tiveram dificuldade em achar tantas vítimas nem tantas situações em que o preconceito era tão evidente.

"Também não são raras situações discriminatórias com pessoas doentes, como as portadoras do vírus HIV. Ao acreditar em mitos, como a transmissão pelo ar ou através de um abraço ou aperto de mão, muitos adotam uma postura preconceituosa. Além de constrangimento, é um ato que gera sofrimento para o doente como para as famílias."


O programa também deixou claro que a raiz de tanta discriminação no Brasil é a falta de educação e de informação da população, que não sabe respeitar nem entender as diferenças.

"A falta de informação gera preconceito, que gera discriminação."


O interessante é comparar a situação no Brasil com os EUA, principalmente no que se trata do preconceito de raça. Lá, nos EUA, existe muito preconceito, com a diferença que aqui no Brasil a discriminação é mais velada, mais sutil, enquanto lá é mais explícito - embora o americano se esforce em passar uma imagem de tolerância, de "politicamente correto". Lá, existe segregação, e aqui existe o desrespeito e a intolerância. Lá existem os bairros dos negros e os bairros dos brancos, e não é tão comum encontrar casais inter-raciais quanto aqui.

Aí vai uma dica: antes de fazer algum comentário sobre outra pessoa, substitua a palavra que você for utilizar para se referir a ela por "negro" ou "minha mãe". Se o resultado parecer ofensivo, talvez seja melhor não abrir a boca e guardar o comentário para si. (Por exemplo, em vez de dizer que "viu um casal homossexual se beijando" ou "não gostaria que aquela criança deficiente frequentasse a aula com meu filho", pense na frase "vi um 'casal de cor' se beijando" ou "não gostaria que a 'minha mãe' frequentasse a aula com meu filho". As frases não ficaram mais ofensivas?).
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