março 18, 2020

[Cidadania] Coronavírus - o que as empresas devem fazer

Com a pandemia do Coronavírus (COVID-19) se expandindo na Europa e no continente americano, a ordem do dia é tentar conter a velocidade de contaminação, para evitar um colapso nos órgãos de saúde.

Neste momento vemos a importância dos Planos de Continuidade de Negócio (PCN), pois eles servem justamente para preparar as empresas a enfrentarem situações adversas ao negócio. O PCN deveria indicar quais são os processos críticos para a empresa, as áreas e colaboradores envolvidos e, principalmente, o que é necessário para garantir o funcionamento da empresa.

Eu, particularmente, sugiro que as empresas sigam os passos abaixo para lidar com a prevenção ao Coronavírus no ambiente de trabalho (melhor ainda se já tivessem planejado e se preparado para isso antecipadamente):
  1. Ampla orientação aos colaboradores, de forma clara e transparente, através de um canal de comunicação exclusivo. Orientações podem incluir:
    • Informações rápidas sobre o que é o Coronavírus e os principais sintomas apresentados pelas pessoas infectadas;
    • Ampla divulgação das principais formas de prevenção;
    • Como proceder em caso de suspeita de infecção: quem reportar, períodos sugeridos de quarentena, orientações para os colaboradores próximos, etc;
    • Como proceder caso seja necessário procurar um hospital, uma unidade de saúde ou mesmo o ambulatório médico da empresa, em caso de manifestação de sintomas. Fornecer também o telefone de contato do RH e do plantão do plano de saúde;
    • Como identificar e evitar as fake news divulgadas em redes sociais;
    • Os procedimentos a adotar no caso de eventos e viagens;
    • Use apenas fontes confiáveis: compartilhe os dados e informações oferecidos pelo Ministério da Saúde;
  2. Estabelecer um canal de comunicação com fornecedores e clientes;
  3. Compartilhar informações importantes sobre o tema através da intranet, e-mail e cartilha;
  4. Garantir a limpeza apropriada do ambiente de escritório:
    • Aquisição e disponibilização de álcool gel em ambientes comuns, com a divulgação de instruções de uso aos colaboradores;
    • Reforço da equipe de limpeza para higienização frequente das áreas comuns;
  5. Acompanhamento da evolução da doença por meio de um comitê de crise, interno e multidisciplinar, composto por integrantes das áreas operacional, medicina do trabalho e administrativa, RH, comunicação, jurídico e tecnologia, para definir as estratégias, necessidades de prevenção e comunicação, e para orientar os funcionários;
  6. Restringir a circulação de visitantes no escritório, limitando a realização de reuniões e eventos;
  7. Fazer reuniões on-line, por videoconferência, evitando reuniões presenciais;
  8. Cancelar os eventos e reuniões internas e externas;
  9. Suspenção temporária de viagens locais e internacionais;
  10. Implantação do regime de home office para os colaboradores com possibilidade de acesso remoto.

As empresas estão sendo obrigadas a se adaptar ao fenômeno conhecido como "lockdown", o bloqueio parcial ou total da circulação de pessoas em diversas cidades e países. Diversos governos já determinaram ações para evitar a aglomeração de pessoas e, assim, tentar conter o avanço do contágio do coronavírus, tais como suspender aulas, eventos esportivos, o fechamento de bares, restaurantes e do comércio, além da redução de vôos e de viagens - chegando a ponto de fechar suas fronteiras.

É inevitável, portanto, falar na adoção de home office e políticas de trabalho remoto, mesmo para as empresas que eram reticentes em adotar tais práticas.

Inicialmente a estratégia de contenção do Coronavírus nas empresas começa por manter no escritório somente as funções essenciais e os demais colaboradores em esquema de trabalho remoto, progredindo até um cenário de fechamento total do escritório. Por isso, muitas empresas estão sendo obrigadas a adotar a prática de home office, para tentar minimizar a possibilidade de infecção de seus colaboradores - que pode acontecer no escritório ou no deslocamento (principalmente para quem utiliza transporte público). Algumas estratégias incluem:
  • Qualquer colaborador com suspeita de contaminação e de sintoma deve ficar em casa e trabalhar remotamente. Normalmente sugere-se um período de quarentena de 7 dias para suspeitas de potencial contato ou 14 dias para suspeitas de infecção;
  • Home office facultativo para todos os colaboradores em grupo de risco (de idade avançada ou com algum quadro de imunodeficiência), quem não se sentir confortável em ir ao escritório, para s que fazem grande deslocamento em transporte público ou se isso facilitar a rotina (por exemplo, para aqueles que devem manter os filhos em casa por causa do fechamento das escolas);
    • Inicie o regime de home office para os colaboradores da área de tecnologia, que normalmente está mais acostumado com isso, seguido pelos times administrativos;
    • Com colaboradores trabalhando remotamente. é possível liberar posições no escritório e realocar demais colaboradores para reduzir a concentração de pessoas;
  • Fazer uma escala de rodízio,  por exemplo ao manter metade do time no escritório e outra metade em home office em dias alternados;
  • Manter apenas uma pessoa de cada time no escritório, de plantão, enquanto os demais trabalham remotamente;
  • Colocar toda a empresa em home office também é uma opção.
É importante lembrar que o risco de contaminação não está apenas no ambiente de trabalho. Eu acredito que o maior risco ocorre durante os deslocamentos de casa até o escritório (e na volta), principalmente para quem utiliza transporte público, que acaba entrando em contato involuntariamente com centenas ou milhares de pessoas.

As empresas que até o momento não tinham política de trabalho remoto vão sofrer um pouco inicialmente, pois nem os funcionários nem os gestores estão acostumados a trabalhar nesse regime. Além de tecnologia, é necessário investir em processos e no treinamento e cultura das pessoas.

Diversas empresas de tecnologia estão oferecendo versões gratuitas de seus serviços e produtos para apoiar as empresas que precisaram investir emergencialmente em home office (como a CISCO, PaloAlto e RSA, entre diversas outras). Algumas empresas podem ser obrigadas a alugar notebooks para seus funcionários que atualmente utilizam desktops, embora eu já tenha ouvido relatos de que empresas de aluguel de equipamentos estão sem estoque!

Embora a idéia de trabalho remoto assuste alguns gestores, é melhor evitar a presença de funcionários como forma de prevenção do que não contar com eles em caso de infecção!

Para saber mais:

PS: Pequena atualização em 20/03.

PS/2: Nova atualização em 20/3: O pessoal da Campus Party publicou uma dica simples sobre como higienizar e desinfetar o ambiente de casa e o local do home office. Dá uma olhadinha:

PS-3: Pequena atualização em 25/03, para incluir um link para um artigo da EFF.

PS 4: (26/03) O CAIS, da RNP, publicou um texto com recomendações de segurança ao realizar trabalho remoto durante esse período de isolamento solidário, em precaução ao Covid-19. Veja em http://url.rnp.br/?8KdgE.

PS 5: (01/04) O pessoal da Tempest criou uma página para centralizar informações sobre golpes relacionados ao Coronavirus, incluindo um repositório com os IOCs das ameaças identificadas pela Tempest (atualizado a cada 30 minutos): https://www.tempest.com.br/home/covid19/

PS 6: (02/04) A Redbelt criou uma página para disponibilizar informações sobre ciber ataques relacionados a pandemia, incluindo um relatório com os principais ataques cibernéticos mapeados por eles, descrevendo o que é, métodos de distribuição, funcionamento e, principalmente, formas de detecção.

PS 7: (06/04) Olha que legal essas dicas para quem precisa montar uma campanha online de arrecadação: Doações, segurança e solidariedade online

PS 8 (16/04): A Capgemini lançou um estudo sobre novas ameaças e desafios de Cyber Security por conta do COVID e da migração para trabalho remoto. A Proofpoint disponilibizou gratuitamente um kit para campanhas de conscientização sobre trabalho em home office, com relatórios, dicas de como proteger seu Wi-Fi doméstico e um pequeno conjunto de posters.

PS 9 (18/04): Mesmo com a pandemia e algumas empresas sendo obrigadas a demitir seus profissionais, o mercado de trabalho nas áreas de tecnologia e segurança da informação continua aquecido. As empresas que possuem vagas em aberto estão aproveitando para ir atrás dos profissionais desligados. Veja esse artigo da Globo.com: Covid-19 provoca onda de contratações de profissionais de tecnologia; veja cargos em alta

PS 10: Post atualizado em 19/05 e 22/06.

PS 11 (12/08): Veja esse artigo curto e infográfico da ETEK Novated: "Cibercrime: Seis situações que podem provocar falhas de segurança da informação"

PS12 (02/10): Esse artigo, da TechTarget, destaca a importância da conscienticação de segurança durante esse período de pandemia: 10 tips for cybersecurity awareness programs in uncertain times

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