dezembro 17, 2020

[Cidadania] E-Book Pandemia e Tecnologia – Impactos jurídicos, psicológicos, sociais e tecnológicos do novo contexto em que vivemos

A partir de hoje está disponível para download gratuito o e-book “PANDEMIA E TECNOLOGIA – Impactos jurídicos, psicológicos, sociais e tecnológicos do novo contexto em que vivemos”.


Esse foi um projeto colaborativo, aonde eu me juntei com diversos especialistas para criar uma coletânea de artigos curtos, cada um abordando um aspecto diferente dos impactos que a pandemia trouxe para as pessoas e empresas do ponto de vista tecnológico e jurídico. O meu artigo foi sobre o cenário de adoção do Home Office durante a pandemia, baseado nesse meu post.

O projeto, lançado hoje, foi organizado pela Dra. Gisele Truzzi e pelo Marcelo Nogueira Mallen da Silva, publicado pela editora Brasport. Participaram do e-book, como co-autores, a Gisele Truzzi, Marcelo Nogueira Mallen da Silva, Gabriela Barreto, Edison Fontes, Erasmo Guimarães, Higor Vinícius Nogueira Jorge, Ana Paula Moraes Canto de Lima, Anchises Moraes (eu!!!), Leonardo Serra de Almeida Pacheco, Beatriz Pistarini, Sílvia Pucci e Paloma Mendes Saldanha.

O e-book está disponível p/ download gratuito no site da Dra. Gisele Truzzi e também no Google Livros, e até o final do ano estará também nas plataformas Apple a Amazon.

Atualização em 19/02/2021: Já foi disponibilizada uma versão do e-book para quem usa o Kindle.

dezembro 16, 2020

[Segurança] Privacidade por Design

A Privacidade Por Design é um conceito muito importante na proteção de privacidade, e tem ganhado importância graças a norma européia General Data Protection Regulation (GDPR) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), aqui no Brasil.

O conceito de Privacidade By Design surgiu nos anos 1990 no Canadá, na autoridade de privacidade de Ontário, graças a Dra. Ann Cavoukian. A GDPR estabelece a exigência da privacidade por design em seu artigo 25, de seguinte forma:

"2. The Controller shall implement appropriate technical and organisational measures for ensuring that, by default, only personal data which are necessary for each specific purpose of the processing are processed. That obligation applies to the amount of personal data collected, the extent of their processing, the period of their storage and their accessibility. In particular, such measures shall ensure that by default personal data are not made accessible without the individual's intervention to an indefinite number of natural persons."
O conceito de "privacidade por design" ou "privacidade desde a concepção" (“privacy by design”) representa um conjunto de boas práticas a serem observadas para garantir a existência de proteções e controles de privacidade desde o momento em que um determinado produto ou serviço é concebido e desenvolvido. Esses cuidados incluem, por exemplo, o mapeamento dos dados pessoais que serão tratados, assim como medidas de segurança a serem implementadas.

Quando falamos em privacidade por design, 10 em cada 10 artigos ou apresentações sobre o assunto falam sobre os 7 princípios fundamentais da Privacidade por Design criados pela International Association of Privacy Professionals (IAPP). Entretanto, pesquisando sobre o assunto, é possível encontrar muito material excelente sobre Privacidade por Design.

Um material interessante é o LINDDUN, uma metodologia de modelagem de ameaças voltada para identificar ameaças de privacidade em arquiteturas de software.


Veja abaixo uma coletânea de sites e artigos sobre o assunto, que merecem sua visita:


Para saber mais:

dezembro 08, 2020

[Segurança] História dos ataques DoS e DDoS

Em 2017 a Radware publicou um artigo contando a história do primeiro ataque de Denial of Service (DoS), que segundo eles ocorreu em 1974, quando um estudante de 13 anos criou um programa que derrubou usuários em 31 terminais na Universidade de Illinois Urbana-Champaign:
The first-ever DoS attack occurred in 1974 courtesy of David Dennis—a 13-year-old student at University High School, located across the street from the Computer-Based Education Research Laboratory (CERL) at the University of Illinois Urbana-Champaign. David recently learned about a new command that could be run on CERL’s PLATO terminals. PLATO was one of the first computerized shared learning systems, and a forerunner of many future multi-user computing systems. Called “external” or “ext,” the command was meant to allow for interaction with external devices connected to the terminals. However, when run on a terminal with no external devices attached it would cause the terminal to lock up—requiring a shutdown and power-on to regain functionality.
Curious to see what it would be like for a room full of users to be locked out at once, he wrote a program that would send the “ext” command to many PLATO terminals at the same time. Dennis went over to CERL and tested his program—, which succeeded in forcing all 31 users to power off at once. Eventually the acceptance of a remote “ext” command was switched off by default, fixing the problem.
Por sua vez, os ataques distribuídos de negação de serviço (Distributed Denial of Service, ou DDoS) surgiram no final do ano de 1999.
One of the first large-scale DDoS attacks occurred in August 1999, when a hacker used a tool called “Trinoo” to disable the University of Minnesota’s computer network for more than two days. Trinoo consisted of a network of compromised machines called “Masters” and “Daemons,” allowing an attacker to send a DoS instruction to a few Masters, which then forwarded instructions to the hundreds of Daemons to commence a UDP flood against the target IP address. The tool made no effort to hide the Daemons’ IP addresses, so the owners of the attacking systems were contacted and had no idea that their systems had been compromised and were being used in a DDoS attack. Once hackers began to focus on DDoS attacks, DoS attacks attracted public attention. The distributed nature of a DDoS attack makes it significantly more powerful, as well as harder to identify and block its source. By the new millennium, DDoS captured the public’s attention. In the year 2000, various businesses, financial institutions and government agencies were all brought down by DDoS attacks.
Aproveitando, em Outubro deste ano a Google publicou um relatório sobre o crescimento dos ataques DDoS, com um gráfico bem legal que mostra a evolução da capacidade de ataques nos últimos 10 anos:



Vale a pena ver também essa lista com os 5 ataques de DDoS mais famosos na história: The most famous DDoS attacks in history (adicionado em 19/02/2021)

dezembro 04, 2020

Posts que nunca foram escritos

Chegou novamente a hora de limpar um pouco o buffer de textos no rascunho (atualmente, tenho um pouco mais de "apenas" 100 artigos em rascunho aqui no Blog) e fechar algumas abas do meu browser.

Seguem alguns artigos e assuntos que quase viraram um artigo aqui no Blog...








dezembro 02, 2020

[Segurança] Cinco Mitos Sobre Segurança na Nuvem

O pessoal da Fireeye publicou um whitepaper aonde discute 5 mitos sobre a segurança da Computação em Nuvem. São eles:
  1. A nuvem não é segura
  2. Minha organização não usa a nuvem
  3. Meu provedor de nuvem me manterá seguro
  4. A nuvem é apenas o computador de outra pessoa
  5. Adversários avançados não estão atacando a nuvem
Vale a pena dar uma olhada no paper para ver como eles analisam e refutam as afirmações acima.

Eu quero adicionar mais um mito a essa lista, que era frequentemente dito até há pouco tempo atrás:
  1. Bancos não usam computação em nuvem porque é inseguro - as Fintechs e os novos bancos digitais mudaram essa percepção, provando que sim, é possível montar na nuvem quase a totalidade da infra-estrutura de um negócio crítico como uma instituição financeira!
Para saber mais

novembro 30, 2020

[Segurança] Hacker, s.m.

Recentemente eu vi a definição da palavra Hacker no dicionário online Dicio:


Era inegável que, dentre as definições possíveis, estaria lá a associação de hacker as atividades criminosas. Infelizmente, isso é uma constante. Mas, pelo menos, três das quatro definições destacam o lado "neutro" do termo, que "hacker" pode ser qualquer pessoa com interesse e conhecimento em tecnologia, sem necessariamente ter uma intensão de praticar crimes.

Segundo o site, hacker é...

  • Quem invade sistemas computacionais ou computadores para acessar informações confidenciais ou não autorizadas, apontando possíveis falhas nesses sistemas.
  • [Informal] Pessoa com um vasto conhecimento na área informática, excessivamente proficiente em programar ou usar computadores.
  • Pessoa especialista em alterar computadores ou programas, invadindo remotamente outros computadores.
  • [Pejorativo] Indivíduo que invade outros computadores ou programas com propósitos ilegais; cracker.

O legal desse site é que, quando você consulta um verbete, ele automaticamente gera uma imagem com um sumário das definições apresentadas.

PS: Eles também tem uma definição para Cracker.

Veja também, aqui no Blog: Hacker, s.m+f.

novembro 26, 2020

[Segurança] A mãe de Todos os Vazamentos!

O Estadão reportou hoje um grande vazamento de dados pessoais: informações de cadastro, dados pessoais e histórico de saúde de 16 milhões de brasileiros que fizeram testes contra o COVID-19. Repetindo, foram os dados de "apenas"...


16 Milhões de pessoas



Pela grande quantidade de dados e pelo alto grau de sigilo dessas informações, acho que podemos considerar este como o pior vazamento de dados deste ano no Brasil, ou seja, “A mãe de Todos ao Vazamentos de Dados”.

E olha que, dessa vez, ninguém pode botar as culpa nos hackers !!!

Segundo a reportagem do Estadão (que pode ser visto também nesse artigo do Metropolis), um funcionário que trabalha na área de ciência de dados do Hospital Albert Einstein publicou em seu GitHub pessoal uma planilha excel com senhas, dados pessoais e informações médicas extraídos do sistema do Ministério da Saúde. Essa pessoa foi demitida e eu notei também que ela apagou o perfil no LinkedIn.


Foram expostos dados de pelo menos 16 milhões de brasileiros que tiveram diagnóstico suspeito, confirmado de Coronavírus, e também os que foram internados com Covid-19. Cruzando os dados da planilha com as informações do sistema do Ministério da Saúde, acessíveis pelos logins vazados, era possível acessar informações pessoais altamente sigilosas e detalhadas dos pacientes, tais como nome, CPF, endereço, telefone, e registros médicos que incluíam a medicação usada no tratamento de COVID e informação sobre doenças pré-existentes.


Esse vazamento é emblemático, pois mostra um grande descaso com a proteção básica de dados tão sensíveis. Além do desrespeito a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), esse vazamento mostra que muitos processos básicos de segurança falharam no Hospital Albert Einstein. Além do mais, a desculpa dada pelo profissional mostra a irresponsabilidade com um cuidado básico de segurança, que é o de não usar dados de produção em ambiente de testes: segundo o funcionário, ele "publicou a planilha de senhas em seu perfil na plataforma github para a realização de um teste na implementação de um modelo".

Atualização (02/12): Nada está tão ruim que não possa piorar! Hoje saiu a notícia no Estadão que uma nova falha de segurança no sistema de notificações de Covid-19 do Ministério da Saúde deixou expostos na Internet, por pelo menos seis meses, dados pessoais de qualquer brasileiro cadastrado no SUS ou beneficiário de um plano de saúde, representando dados de 243 milhões de brasileiros. Ou seja, mais dados do que toda a população atual, pois inclui informações de pessoas mortas.

E eu achava que já era muita coisa ter vazamento de dados pessoais e médicos de 16 milhões de pessoas. Mas agora, dessa vez, foram...


243 Milhões de brasileiros



O problema, dessa vez, foi causado pela exposição indevida de login e senha de acesso ao sistema que armazena os dados cadastrais de todos os brasileiros no Ministério da Saúde. Como essas credenciais estavam em um trecho do código do site, qualquer a pessoa com conhecimentos básicos de desenvolvimento conseguiria encontrar a senha, decodificá-la e acessar o banco de dados.

Atualização em 03/12: olha a treta - o Idec protocolou uma representação junto ao Ministério Público Federal solicitando a abertura de inquérito sobre o vazamento de 16 milhões de dados no Ministério da Saúde.

PS: Pequenas atualizações em 03/12.

novembro 24, 2020

[Cidadania] Dia da Consciência Negra

No dia 24 de novembro lembramos o Dia da Consciência Negra, um momento para a refletir sobre a situação da população negra no Brasil, que é maioria no País. O Dia da Consciência Negra foi criado em homenagem ao Zumbi dos Palmares, importante líder que construiu um dos maiores quilombos na época da escravidão, e que foi morto em 20 de novembro de 1695.


Veja alguns dados estatísticos sobre a violência que infelizmente existe até hoje e que assola a população negra:
  • 56,10% da população brasileira se declarou preta ou parda em 2019;
  • Segundo o Atlas da Violência 2020, os casos de homicídio de pessoas pretas e pardas aumentaram 11,5% de 2008 a 2018, enquanto a taxa entre brancos, amarelos e indígenas caiu, no mesmo período, 12,9%. 
  • Além disso, segundo uma pesquisa recente, a pandemia do novo Coronavírus afetou mais pretos e pardos em aspectos como estresse e preocupações financeiras. 61% de pretos e pardos declararam que sua renda familiar foi reduzida na pandemia, contra 54% dos brancos.


Nesse ano, em especial, o tema da igualdade racial está na pauta em vários países, que enfrentaram diversos protestos sobre a constante violência contra a população negra. embora esse seja um tema muito frequente no Brasil, não vimos um movimento tão forte quanto o "Black Lives Matter" ("Vidas Negras Importam"), que ainda acontece nos EUA.

É importante lembrar que o Dia da Consciência Negra é muito mais do que um simples feriado.

Para saber mais:

[Segurança] Cuidados com as falsas promoções da Black Friday

Nesta sexta-feira, 27/11, acontece a Black Friday, uma data tradicional no mundo inteiro de promoções no comércio. Essa tradição, que começou nos EUA, foi incorporado pelo comércio Brasileiro há alguns anos e, rapidamente, já se tornou a data com maior volume de vendas no comércio.

Mas, infelizmente, comerciantes mal intencionados e criminosos tornaram essa data conhecida como "Black Fraude", por causa das fraudes online que acontecem durante o período e, principalmente, das falsas promoções nos comércios (o famoso "tudo pela metade do dobro do preço"): os comerciantes aumentam os preços artificialmente nas semanas anteriores a Black Friday, para anunciar descontos aonde oferecem o preço original como se fosse um preço "promocional".

Segundo estimativas da Axur, os golpes de phishing crescem 200% nas principais datas comemorativas do comércio.

Por isso, é muito importante prestar muita atenção nesse período. O pessoal da Proteste e do Mente Binária prepararam algumas dicas, que eu resumo abaixo (e incluí algumas dicas minhas também!):

  1. Cuidado com as lojas online falsas: verifique a procedência da loja, dados de contato, reputação, etc;
  2. Desconfie de promoções muito vantajosas: se o desconto é grand demais, desconfie - mesmo na Black Friday! Golpistas oferecem descontos sedutores para atrair as vítimas para sites falsos;
  3. Ofertas muito tentadoras divulgadas por e-mail ou SMS: mesmo caso do citado acima;
  4. Cuidado com os sites falsos, criados para imitar sites de e-commerce conhecidos. Verifique cuidadosamente o endereço do site (URL);
  5. Verifique as formas de pagamento e desconfie se houver poucas opções;
  6. Sempre pesquise os preços antes de comprar, e veja o histórico de preços para ter certeza que a promoção é realmente verdadeira;
  7. Verifique a especificação dos produtos e tome cuidado para não comprar versões descontinuadas (fora de linha);
  8. Consulte sites de reclamações sobre as empresas (como Reclame Aqui, Proteste, Procon, etc), principalmente se você for comprar em uma loja que não conhece;
  9. Nunca passe informações pessoais a sites e aplicativos desconhecidos ou que haja dúvida em relação à segurança;
  10. Evite usar Wi-Fi público para realizar compras online;
  11. Na dúvida, não compre! É melhor perder uma promoção do que perder todo o seu dinheiro em um golpe.

Para saber mais:

Veja também essa matéria sobre o site PossoConfiar.com.br: Nova plataforma avisa se sites são tentativas de golpe (adicionado em 25/11).

PS (Adicionado em 03/12): Eu esqueci de colocar a referência para esse artigo interessante da Tempest: Black Friday 2020: como o varejo está se preparando para uma edição maior, mais digital e com mais ameaças à cibersegurança.

novembro 23, 2020

[Segurança] Parecer do STJ sobre o ciber ataque

No dia 19/11 a Presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) divulgou um Comunicado esclarecendo sobre as medidas tomadas como resposta ao ciber ataque de Ransomware que eles sofreram recentemente, em 03 de Novembro.

O ataque, classificado pelo STJ como "o pior ataque cibernético já empreendido contra uma instituição pública brasileira", foi realizado pelo Ransomware RansomEXX, causou a interrupção dos serviços do tribunal por vários dias e chamou a atenção de toda a imprensa e da comunidade de segurança (do setor público e privado).

O comunicado lista, brevemente, algumas ações que foram realizadas para o restabelecimento dos sistemas, garantindo o acesso a todos os usuários com segurança.

Veja um rápido resumo dos principais pontos apresentados pelo STJ:
  • Mais de 50 pessoas (servidores do quadro permanente do STJ) estiveram envolvidos no processo de recuperação dos sistemas e dados;
  • Também participam da investigação a Polícia Federal, o Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro(CDCiber) e o Serpro;
  • O ambiente de rede não pôde ser manipulado nas primeiras 26 horas após o ataque, para preservar as provas do ciber ataque;
  • Após a perícia forense, o STJ teve a liberação do ambiente virtual para reconstrução de sua rede e restabelecimento dos sistemas;
  • Cerca de 100 profissionais de oito fabricantes de tecnologia (hardware e software) e três consultorias (Microsoft, Atos Brasil e Redbelt Security) apoiaram a equipe da STI no restabelecimento dos sistemas e backups;
  • Como medidas preventivas, o STJ reforçou a segurança das identidades de acesso, com procedimentos de dupla autenticação para uso dos sistemas.
Rápida linha do tempo:
  • 03/11 - Dia do ataque;
  • 4 a 9/11 - a Presidência atuou em regime de plantão judiciário para assegurar a análise dos pedidos de medidas urgentes encaminhados à Corte;
  • 9/11 - restaurados  Sistema Justiça e suas funcionalidades, possibilitando a retomada dos julgamentos no STJ;
  • 10/11 - restabelecida a distribuição de processos a todos os ministros.

Para saber mais:
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