janeiro 07, 2020

[Segurança] Prepare-se para a guerra cibernética dos memes!

Não é de hoje que os presidentes americanos adotaram o hábito de atiçar um conflito no Oriente Médio quando a popularidade deles está em baixa. Seguindo essa onda, o presidente Donald Trump resolveu atiçar o vespeiro ao ordenar um atentado contra um alto general do governo iraniano, o que obviamente despertou a ira do país.


Essa recente escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irã tem causado temores de uma terceira guerra mundial (em inglês, abreviada pela hashtag "#WWIII", sigla para "World War III"), algo que nos tempos atuais é sinal de que há uma enxurrada de memes na internet.







Recentemente o Department of Homeland Security (DHS) publicou um boletim de alerta avisando sobre a iminente possibilidade de um conflito com o Irã, e vale a pena destacar que eles falam explicitamente sobre o risco de ataques cibernéticos:
"Iran maintains a robust cyber program and can execute cyber attacks against the United States. Iran is capable, at a minimum, of carrying out attacks with temporary disruptive effects against critical infrastructure in the United States."
Entre as dicas de como se preparar para a situação, duas delas dizem respeito a possibilidade de ciber ataques:
  • Be prepared for cyber disruptions, suspicious emails, and network delays.
  • Implement basic cyber hygiene practices such as effecting data backups and employing multi- factor authentication. For more information visit CISA.gov.
Mas será que uma guerra cibernética entre os EUA e Irã pode mesmo acontecer? Isso é assunto para meu próximo post, aguardem...

PS: Achei esse artigo ótimo, vale a leitura: "A New, Meme-Fueled Nostalgia for War".

PS/2: Post atualizado em 09/01 para incluir a imagem da notícia do New York Times sobre o ataque ao Iraque ordenado pelo presidente Bill Clinton, em 1998.

janeiro 02, 2020

[Segurança] Previsões para 2020

Agora é hora de pensar o que o ano de 2020 está preparando para nós.


No ano passado eu separei a minha coletânea de previsões entre as óbvias e as que considerava válidas. Para esse ano, vou dar uma melhorada nessa separação:

O Óbvio
  • É claro que os ataques de Ransomware vão continuar assolando as empresas e organizações em todo o mundo. Além de serem muito lucrativos para os ciber criminosos, não há uma bala de prata capaz de proteger as empresas. Afinal, o ransomware é um ataque que explora a falha humana, semelhante quando um usuário se infecta por um vírus - um problema quase tão antigo quanto a própria informática;
  • Os vazamentos de dados vão continuar. Afinal, as empresas ainda vão demorar um bom tempo até aprenderem a proteger seus dados armazenados em ambientes em nuvem - isso representou a maioria dos casos de vazamento de dados em 2019. Além do mais, as ferramentas e procedimentos de segurança ainda engatinham frente a grande facilidade de criar ambientes em nuvem, sem a devida proteção (e esse foi o principal vetor de vazamento de dados em 2019);
  • Falta de profissionais qualificados. Isso é um problema crônico que afeta o mercado de tecnologia e também o de segurança há vários anos. Esse problema não vai ser resolvido tão cedo :(
  • Fake news nas eleições de 2020 - um tema que preocupa vários países, principalmente os EUA e o Brasil, que terão eleições nesse ano. As Fake News tem sido amplamente utilizadas para manipular a opinião do eleitorado, distrair a discussão sobre assuntos importantes, etc. Os países tem grande dificuldade em identificar e evitar a proliferação de notícias falsas nas redes sociais. Eu gostei de uma iniciativa que surgiu no Brasil: o TSE decidiu punir os candidatos que produzirem e disseminarem notícias falsas no período eleitoral.
"Tendências" que não são tendências! #peloamordeDeus
  • Blockchain? Sem novidades. Lamento! Embora a tecnologia exista há mais de 10 anos, ela não trouxe nenhum uso inovador além das criptomoedas. E não acredito que isso vá mudar tão cedo. Além disso, seu uso já está enraizado por ciber criminosos e até mesmo criminosos tradicionais, para esconder, movimentar e lavar o dinheiro;
  • Ataques em dispositivos IoT e a infraestrutura crítica não são novidades para ninguém, há vários anos. Mas, mesmo assim, eles permanecem nas listas de mercado, como se fossem tendências;
  • Threat Intelligence não é bala de prata! Nos últimos dois anos, principalmente, vi uma glamourização da área de Threat Intelligence. Nessa área, muito se fala de OSINT, como se fosse o principal aspecto de Threat Intel - mas, na verdade, é apenas uma pequena engrenagem de algo muito mais complexo que é a capacidade de identificar novas possibilidades de ameaças, investigar tendências e extrair indicadores úteis para a empresa. As empresas ainda engatinham nessa área, enquanto proliferam empresas que cobram rios de dinheiro para fazer um OSINT bem besta.
Vamos ao que interessa!
  • O fim da privacidade online - com tanta exposição nas redes sociais e, principalmente, com tantos vazamentos de dados pessoais sensíveis, toda nossa informação pode ser facilmente encontrada online. É o fim da privacidade dos nossos dados :(
  • O fim da identidade online - com mais dados vazados do que a população da terra, as empresas tem grande dificuldade em validar a identidade online de seus clientes. As senhas já são consideradas insuficientes há vários anos (o próprio NIST tem dito isso desde 2016, pelo menos). Além disso, a facilidade de fraude de SIM Swap torna muito difícil utilizar um dispositivo como parâmetro para identificar um usuário;
  • Os "Deepfakes" vão facilitar a criação de identidades falsas. Com o avanço da tecnologia para criação de "deepfakes", provavelmente ciber criminosos vão começar a utilizá-la para criação de identidades falsas online, que podem ser usadas em esquemas de fraudes. Além de constar em 11 de cada 10 listas de tendências dos principais fabricantes, a Forcepoint chegou a prever o surgimento do "Deepfakes-As-A-Service";
  • Esse será o "Ano do reconhecimento facial", graças  a expansão do uso de tecnologias de biometria facial, principalmente como forma de autenticação de aplicativos nos celulares. Além disso,vamos ver um grande debate sobre a necessidade de privacidade relacionado a o uso dessa tecnologia para vigilantismo governamental (que já é realidade na China e pode ser facilmente adotado em países que já investiram muito em câmeras de vigilância);
  • A dificuldade em manter segurança na nuvem vai gerar uma maior demanda por profissionais de segurança especializados em Cloud Security, enquanto os grandes provedores estão expandindo suas ofertas de serviços e ferramentas para facilitar a automatização dos controles de segurança em seus ambientes - já que os mega-vazamentos de dados de 2019 deixaram claro que os clientes falharam em manter controles básicos de segurança;
  • Zero Trust - o mercado de segurança ainda fala pouco sobre o conceito de Zero Trust, mas esse é um conceito muito importante para as empresas que adotam massivamente o uso de Cloud Computing. Cada vez vamos depender de confiar e aplicar controles de segurança associados a identidade do usuário e seu endpoint, e depender menos da segurança na rede local e na conectividade com a Internet.
Tendências nefastas
  • "Compliance fatigue" - Essa tendência sugerida pelo The Hacker News diz respeito a dificuldade das empresas acompanharem as dezenas de regulamentações locais e internacionais relacionadas a segurança e privacidade que já existem e as que estão surgindo. Além disso, a GDPR teve o mérito de criar o precedente de ser uma regulamentação local, mas que deve ser seguida por países fora de sua área geográfica. Esse excesso de regulamentações, leis e padrões regionais, nacionais e internacionais, que causam regulamentações repetitivas ou até mesmo conflitantes, pode causar um impacto negativo nas áreas de Compliance das empresas, tornando seu trabalho muito difícil. Some a isso sopas de letrinhas como ISO, NIST, SOX, HIPAA, GDPR, LGPD, CCPA, etc;
  • Fadiga do Endpoint: Hoje existem tantas soluções de segurança que devem ser aplicadas nos computadores pessoais (endpoint) que está tornando impossível gerenciar isso tudo. Antigamente os críticos dos softwares de anti-vírus argumentavam que eles impactavam na performance dos computadores. O que dizer agora, em que além do anti-vírus, as empresas adotam soluções específicas de anti-APT, client de Proxy, client de VPN, DLP e CASB (para segurança no acesso a ambientes em nuvem)? Ou seja, só aí temos 6 ferramentas de segurança que estão presentes nos desktops dos usuários. Segundo uma estimativa de 2018, um usuário trabalha com cerca de 35 aplicações diferentes - mas, se considerarmos que hoje e dia a maioria das aplicações de escritório estão na nuvem (ou migrando para nuvem) e são acessadas via browser (até mesmo o Office tradicional já está na nuvem e pode ser acessado vi browser), eu acredito que hoje em dia esse número é muito menor. Corremos o risco do nosso usuário final ter mais aplicativos de segurança em seu computador do que aplicativos de trabalho! Uma piada que eu sempre faço com meus colegas é que daqui a pouco vamos precisar de 2 computadores: um para rodar as ferramentas de segurança e um para trabalhar. Não é a toa que já tem quem preveja a consolidação dos fabricantes de solução de segurança para endpoints.
Aqui no Brasil
  • Certamente 2020 vai ser o ano da privacidade no Brasil, por causa da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)! As empresas já estão desesperadas, as consultorias estão bombando e a galera está desesperada procurando DPOs;
  • Eu acredito que vamos ver um grande número de empresas brasileiras aderindo a programas de Bug Bounty. Embora seja algo relativamente comum em grandes empresas americanas e globais, o Bug Bounty ainda é muito raro no Brasil - e as poucas empresas que tem, rodam em modo "privado", sem divulgar que o fazem (rara excessão é o caso do C6 Bank, que embora tenha um programa privado, fala abertamente sobre o assunto).

Para saber mais:


PS (adicionado em 03/01): Se houver uma praga global em 2020, provavelmente será cibernética... um Ransomware super mega destrutivo? Uma guerra cibernética?


PS: Post atualizado em 07, 08 e 11/01.

dezembro 31, 2019

Boas Festas

Estamos chegando próximos a virada de ano, aquele ponto da translação da Terra escolhido de forma quase arbitrária para marcar mais uma volta em torno do Sol.


Mas, como manda a nossa tradição, a virada de ano é aquele momento para pensarmos e refletirmos sobre como foi nosso ano anterior e quais são os sonhos e objetivos para o ano que se inicia.



Eu não desejo muita coisa... eu gostaria "apenas" que houvesse mais respeito entre as pessoas, e que todos aceitassem a diversidade de pensamento, crenças, cores, raças, opções sexuais, músicas, humores e, até mesmo, a uva passa no arroz!


PS: Não deixe de ver esse vídeo do sensacional Eduardo Bueno:



dezembro 30, 2019

[História] 75 anos desde o Dia D

Este ano de 2019 marcou 75 anos desde os desembarques do Dia D na Normandia, a mega-operação militar que deu início a reconquista da Europa durante a 2a guerra mundial.

O pessoal do Bletchey Park, o centro de inteligência britânico durante a guerra, lançou um hot site comemorativo e realizou uma ação muito legal durante o 75º aniversário do Dia D: no dia 6 de junho de 2019 eles compartilharam via Twitter, ao vivo minuto a minuto, as mensagens decodificadas que eles interceptaram durante a operação de 6 de junho de 1944.


Todas essas mensagens estão disponíveis no site do Bletchey Park, além das mensagens interceptadas nos 2 dias seguintes. Também publicaram um memo, uma nota curta enviado para todos os empregados por Eric Jones, Chefe da Hut 3 na véspera do Dia D.

Veja mais na página Decrypt D Day.

dezembro 27, 2019

[Segurança] Retrospectiva 2019 - Parte II

Quais foram os fatos mais marcantes no mercado de segurança em 2019? Além dos vários posts que escrevi recentemente sobre minha "retrospectiva" do ano, eu acredito que 2019 merece destaque pelo seguinte:
Nesse ano tivemos algumas datas e acontecimentos marcantes também:



Veja também:
PS: Post atualizado em 30/12, 07 e 08/01/2020, 25/02/2020.

dezembro 24, 2019

[Segurança] Retrospectiva: o ano das mulheres na segurança

O ano de 2019 merece entrar para a história como o ano em que as mulheres começaram a ocupar seu espaço de direito no mercado de trabalho de tecnologia e de segurança!

Pelo segundo ano consecutivo, o Roadsec São Paulo conseguiu atrair uma participação feminina bem expressiva, aonde cerca de 25% do público foi composto por mulheres. E o mesmo aconteceu na BSides São Paulo: as mulheres representaram cerca de 1/3 dos palestrantes.

Além disso, vimos ganhar força alguns grupos voltados para o apoio as mulheres que trabalham ou desejam ingressar na área de segurança:




O legal é que cada uma dessas comunidades tem uma abordagem diferente, e assim todas elas se complementam :)

Segundo dados do IBGE, as mulheres representam 51,5% da população total no Brasil. Mas, no mercado profissional, só 38% das mulheres possuem cargos de chefia. Essa dificuldade das mulheres em exercer uma posição de liderança está diretamente relacionada ao preconceito histórico e cultural - algo que se repete para as mulheres que desejam trabalhar na área de tecnologia.

Para saber mais:
PS: Post atualizado em 04/02/2020 para incluir a menção a comunidade Zero2Flag e colocar os logos das comunidades.

dezembro 23, 2019

[Geek] Retrospectiva: Como o projeto Apollo influenciou a Computação

Nesse ano celebramos 50 anos que o homem pisou na Lua. Para homenagear este marco, eu criei uma pequena série de posts contando parte da história, e tomei o cuidado de publicá-los de acordo com a ordem cronológica em que os fatos aconteceram. Enquanto escrevia estes posts, eu fiquei espantado com a enorme quantidade de informações disponíveis online sobre o projeto Apollo, incluindo transcrições detalhadas de todas as mensagens trocadas entre o centro de comando e os astronautas!

Para nós, profissionais de tecnologia, é incrível imaginar os avanços tecnológicos que aconteceram durante os preparativos para o projeto Apollo. Pense bem: nas décadas de 60 e 70, os computadores mais modernos e poderosos eram os Mainframes, que ocupavam o espaço de, pelo menos, uma sala. Os microprocessadores ainda não existiam, não haviam sido inventados. E, mesmo assim, os engenheiros da NASA tiveram que construir um computador de bordo que coubesse no módulo espacial!

Como destacou muito bem uma reportagem da Computer Weekly:
“Prior to the Apollo lunar mission, computers were huge machines that filled entire rooms.” Among the numerous engineering challenges the Apollo engineers and scientists faced was how such a machine could be miniaturised to work on the Columbia command and service module and Eagle lunar module. “Microprocessors had not been invented,” said Kostek, “but the engineers on the Apollo programme were able to scale a computer down to something that could be flown into space.” The computers on the spacecraft also needed to run real-time operating systems. Programs had to be written in low-level assembly language because high-level programming languages such as C for system programming had not yet been invented. the computers needed a high level of reliability for a space mission”, he said, adding: “The Apollo mission used the minimal amount of code needed to launch safely. In the 1960s, software was a relatively new world."
Ou seja, os engenheiros da NASA e das empresas contratadas por eles conseguiram...
  • Miniaturizar os computadores da época;
  • Construíram um hardware robusto, capaz de funcionar no espaço;
  • Desenvolveram um sistema operacional que funcionasse em tempo real e multitarefa;
  • Desenvolveram o software de navegação que fosse resistente a falhas, que em caso de problemas podia ser reiniciado e retornar ao último status;
  • O sistema de navegação era .capaz de rodar rotinas secundárias, críticas e baseadas em tempo;
  • Criaram o conceito de engenharia de software.
Para saber mais:


dezembro 21, 2019

[Segurança] Retrospectiva: Segurança como prioridade mundial

Em 2019 nós vimos o World Economic Forum (WEF) tratar a ciber segurança como um tema de prioridade entre os líderes mundiais. Segundo o relatório anual de riscos do WEF ("The Global Risks Report 2019"), os ciber ataques passaram a representar, em 2019, a pior coisa que pode acontecer, logo após os desastres naturais - em termos de probabilidade e impacto.



Dando um zoom no canto superior direito, vemos os ciber ataques em 4a posição:



Fazendo uma comparação no que mudou nos últimos 10 anos, os ciber ataques representam o 4o e 5o maiores riscos em termos de probabilidade. E, há 10 anos atrás, nem os ciber ataques nem os desastres naturais estavam nessa lista - uma mudança que foi fruto das mudanças climáticas e da nossa crescente dependência das tecnologias:


Por fim, outra coisa que eu achei bem legal nesse relatório foi um gráfico que mostra como os riscos são inter-relacionados:

Nele podemos ver que os riscos de ciber ataques estão muito relacionados aos problemas de ordem econômica e social:



dezembro 18, 2019

[Cyber Cultura] 20 anos do Bug do Milênio

Há 20 anos atrás, o mundo todo estava preocupado com o "Bug do Milênio".


O medo generalizado, nessa passagem de ano de 1999 para 2000, é que muitos computadores e sistemas não identificassem a data correta após a virada de ano. Isso poderia acontecer pois muitos sistemas antigos utilizavam apenas 2 números para armazenar o ano de uma determinada data. Assim, 1999, 2000 e 2001 eram armazenados como 99, 00 e 01, respectivamente. E, consequentemente, esses sistemas não saberiam a diferença, por exemplo, entre os anos 1900 e 2000 - pois ambos eram representados como "00".

Por causa desse potencial bug e dos efeitos desastrosos que poderiam acontecer, empresas do mundo inteiro passaram os anos anteriores a virada auditando e atualizando seus sistemas, para garantir que todos armazenassem as datas corretamente, com 4 dígitos reservados para o valor do ano.

Principalmente no decorrer do ano 1999, as empresas realizaram um árduo trabalho de, primeiro, identificar e classificar todos os sistemas que utilizavam. A partir disso, os sistemas internos eram revisados por seus times de desenvolvimento ou consultores, e quando a empresa tinha sistemas de terceiros, era exigido um atestado de que a versão corrente estava compatível com o padrão de armazenamento de datas.

Quem trabalhou na área de tecnologia nesse período vivenciou esse enorme trabalho que foi feito nos bastidores das empresas, para garantir que os sistemas iriam funcionar normalmente após a virada de ano. Praticamente todos os sistemas de todas as empresas tiveram que ser revisados, e testes eram conduzidos periodicamente para garantir que nada falhasse na virada.

Também foi muito comum as empresas montarem um "war room" para acompanhar a virada de ano. Eu mesmo fiquei responsável pelo war room da empresa em que eu trabalhava na época e fiquei de plantão no datacenter. De lá acompanhamos a virada de ano em todos os países do mundo e acompanhávamos as notícias, para saber se algum lugar havia sofrido impacto com o bug, antes do horário da virada de ano chegar no Brasil.

Veja esse vídeo do TecMundo sobre o Bug do Milênio:


O resultado é que, devido ao medo do bug iminente, as empresas fizeram o seu trabalho de casa e, na virada para o ano 2000 praticamente inexistiram problemas relacionados ao bug do milênio.
O lado bom dessa notícia é que a indústria de TI conseguiu superar o risco do bug do milênio.

O lado ruim é que, graças ao trabalho bem feito, existiram pouquíssimos problemas e, por isso, é comum ver comentários hoje em dia dizendo que o bug do milênio era um alarme falso, um mito. Na verdade não era! O problema não aconteceu graças aos esforços de milhares de empresas e pessoas no mundo todo.


PS: Veja aqui um vídeo com exemplo do bug do milênio acontecendo numa calculadora.

dezembro 12, 2019

[Carreira] Retrospectiva: Profissão do momento: DPO

Quer fama e fortuna? Que tal virar um...

Data Protection Officer (DPO)


Conforme eu previ há um ano atrás, há um grande burburinho no mercado com o surgimento de diversos cursos de formação para DPO, desde cursos de pós-graduação até mesmo certificações, como a da EXIN . Faltando ainda menos de um ano para a LGPD entrar em vigor, a tendência é que aumente a procura por profissionais dispostos a encarar tal desafio.

O cargo e as funções do DPO estão previstos na GDPR e na LGPD - aqui no Brasil essa função recebeu o nome de "Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais".

A LGPD descreve o encarregado como "pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD)" (artigo 5º, item VIII). Na Seção II, o parágrafo 2º do artigo 41, são definidas as atividades sob responsabilidade do encarregado:
I - aceitar reclamações e comunicações dos titulares, prestar esclarecimentos e adotar providências;
II - receber comunicações da autoridade nacional e adotar providências;
III - orientar os funcionários e os contratados da entidade a respeito das práticas a serem tomadas em relação à proteção de dados pessoais; e
IV - executar as demais atribuições determinadas pelo controlador ou estabelecidas em normas complementares.
Aqui no Brasil, a LGPD dá margem para que a função de DPO pode ser executada por terceiros ou empresas, o que fez surgir no mercado o serviço de "DPO as a Service", voltado para as empresas que preferem contratar uma consultoria em vez de ter um profissional dedicado a cuidar disso.

Mas não pense que vai ser moleza. Além de dominar a própria LGPD, o DPO precisa juntar conhecimentos multidisciplinares envolvendo tecnologia, segurança, jurídico e negócios. Ele deve ter também dominar o mapeamento dos processos de negócio para poder estabelecer os riscos e respectivos controles de segurança e de privacidade. E, o pior: gerenciar os projetos de adequação à LGPD e saber negociar com as diversas áreas da empresa envolvidas no tratamento de dados.

Na minha humilde opinião, essa febre pela carreira de DPO só existe porque ninguém ainda sabe a "bucha" que é isso. O trabalho de mapear os fluxos de dados, convencer as áreas a aplicar os controles necessários, por si só já me parece uma responsabilidade quase inalcançável. Além disso, o DPO é o "c* de plantão", ou seja, caberá a ele responder pela empresa sobre incidentes de vazamento de dados - justamente o tipo de incidente extremamente comum hoje em dia.

Uma opção bem interessante para as empresas é não se restringir na figura do DPO. Além dele, é muito mais produtivo estabelecer um comitê de gestão de dados, com todas as áreas envolvidas. Assim você trás essas áreas para o dia-a-dia das preocupações com a proteção da privacidade, e obtém seu maior comprometimento com o assunto.


Para saber mais:
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